NOVE
TONY
Acordei com o sol ainda nascendo o que da a fazenda uma aparência linda, quase mística, com metade embrenhada na escuridão e a outra metade já sendo banhada pela luz do sol, ainda sem camisa e com a calça moletom que dormi fico por algum tempo na janela apenas observando o despertar do dia.
Sem querer meu olhar se desvia para a direção da fazenda Vida Verde e meu peito era uma batida. Faz um ano que ela está de volta e nesse tempo eu não pude fazer nenhum movimento para tê-la de volta a minha vida e isso vem acabando comigo. Além disso pelo que parece ela esta namorando aquele barbudo que se mudou para as redondezas há alguns anos, sujeito esquisito vive isolado no meio do mato e ninguém sabe nada dele, mas a teimosa da gisele acabou se relacionando com o tal Bento. Ainda me lembro do dia que tentei falar com ela sobre isso e acabei levando um banho.
Estava no bar do tião com alguns amigos e funcionários aqui da fazenda era um fim de tarde e saímos da fazenda para jogar sinuca e beber alguma coisa, eu já tinha escutado pela fazenda rumores que no sábado passado a Gisele ficou com um cara durante o show que rolava no Uaisô semana passada, eu não gosto muito do lugar, pois me lembrava mais uma das baladas da capital que um barzinho, eu gosto mais de uma coisa mais interiorana raiz, tipo boteco igual a esse sem frescura, sem música alta que mal dá pra conversar com quem está na sua frente, com cerveja de marca duvidosa, mas que é a melhor que tem. Mas meus funcionários, principalmente os mais jovens, amam o lugar barulhento e foi por eles que fiquei sabendo que a Dona da Vida Verde tinha saido acompanhada de um cara, mas o ciúmes deu lugar a preocupação quando fiquei sabendo que ela tinha saído com o cabra esquisito que tinha se mudado de maneira misteriosa para uma velha cabana que ficava no meio do mato.
Estávamos a um tempo no bar quando uma caminhonete com o logotipo VV parou perto de nós e do lado do motorista desceu o Matias um dos peões da Vida verde, mas o que me deixou sem rumo foi ver que a Gisele desceu pelo outro lado, ela estava linda vestida com uma calça colada que delineava o corpo dela e uma blusa pequena que deixava um pedaço de pele da sua barriga à mostra e os cabelos soltos emoldurando seu rosto bonito.
Eles se sentaram em uma mesa próxima, mas em momento nenhum ela desviou sua atenção em minha direção me ignorando solenemente. A noite foi passando e eu percebia o Matias cheio de dedos e intimidade com ela, dava pra ver o quanto ele estava encantado pela Gisele e aquilo foi me irritando, parecia que sempre tinha um homem ao redor dela primeiro o engomadinho do outro dia, no sábado o tal Bento e agora o Matias. Dado momento algumas pessoas arredaram as mesas para o canto e começaram a dançar um forró pé de serra que tocava nas caixas de som.
Eu não consegui desviar o meu olhar dela e não era o único vez ou outra algum rapaz se aproximava dela a chamando para dançar e em nenhuma vez ela aceitou, vi a hora que uma mulher chamou o Matías para a mesa de sinuca e ele foi deixando a Gisele sozinha na mesa, então foi minha oportunidade para tentar uma aproximação.
– Pensei que tivesse deixado claro que quero distância Anthony.
— É estranho você me chamar assim.
— esse é o seu nome ou estou enganada? — Perguntou debochada erguendo uma sobrancelha.
— Sabe que eu gosto que me chame de Tony, ou no seu caso de tomtom.
— Apelidos são para pessoas íntimas e isso nós dois estamos muito longe de ser. — respondeu tomando um gole de chope da enorme caneca que estava na mesa.
— Não vamos brigar, por favor, estou aqui para conversar.
— Aí está o problema, eu não quero conversar com você, entenda Anthony — frisou o meu nome para deixar claro seu ponto — a sua presença me faz mal e me machuca. Podemos muito bem viver na mesma cidade, mas manter a distância um do outro.
Foi pior que levar um soco na boca do estômago, saber que a minha presença a machuca e no momento eu não posso fazer nada para mudar isso, eu estava disposto a resolver os problemas e colocar toda a verdade a mesa, mas chegar em casa e encontrar minha irmã desmaiada no chão da sala mudou tudo e acabou com minhas esperanças de que eu poderia consertar a situação, contando a verdade naquele momento.
— Eu não quero te fazer mal, só quero conversar, depois vou embora e te deixo em paz.
— Fala logo Anthony
— Fiquei sabendo que você saiu com um cara na semana passada.
— Serio? Com tanto assunto você quer falar sobre a minha vida amorosa? Eu tinha me esquecido que nessa cidade a fofoca se espalha como fogo no feno.
— Não quero fofocar só quero dar um aviso — ela me encara cética mas eu não me intimido — aquele homem não é confiável, ele não é da região e ninguém sabe nada sobre ele você devia manter a distância.
— Não posso estar ouvindo uma coisa dessa, quem é você para me dizer com quem eu posso ou não sair? Com quem eu posso ou não transar? — Ela fala baixo tentando não chamar atenção para si, mas posso ver o nervosismo em toda sua postura corporal.
— Eu só estou preocupado com você, ainda não vi o seu pai, ele sabe que você anda por aí com qualquer um?
Foi muito rápido, sem que eu estivesse esperando ela se levanta e vira o conteúdo de seu popo inteiro em minha cabeça me dando um banho com o chope.
— Não ouse falar do meu pai e não ouse julgar como eu vivo a minha vida. Você não é ninguém para mim e a sua opinião não me interessa, de uma vez por todas me deixa em paz caralho. — ela gritou chamando atenção de todos que estavam no bar.
Gisele saiu pisando duro e depois desse dia nós quase não trocamos nenhuma palavra, só alguns dias depois fiquei sabendo sobre a morte dos pais dela e como ela mesma disse naquele dia as fofocas em Ribeirão se espalham como o vento e graças a isso que eu sei que desde aquele dia ela o Bento estão envolvidos, pelo que parece eu não tenho mesmo nenhuma chance com a gisele, pelo menos não enquanto as coisa não puderem ser esclarecida.
Escuto alguém bater na minha porta e nem me surpreendo aqui no campo as pessoas costumam acordar junto com as galinhas e raramente alguém dorme até mais tarde, com certeza e a Maripaz querendo se embrenhar na minha cama ela sempre reclama que o colchão dela não é tão macio quanto meu, mesmo sabendo que seu colchão ortopédico é necessário para melhorar o problema na coluna.
Visto a blusa de mangas compridas que deixei jogada em uma poltrona e abro a porta, para minha surpresa não é a minha irmã que está me aguardando e sim a eugenia.
— Assim tão cedo? — Pergunto sarcástico e ela me olha magoada, o que me faz baixar um pouco a guarda, nossa relação vem se deteriorando ainda mais com a volta da Gisele.
— Filho, quais são os seus planos para hoje? Vou passar o fim de semana em Belo Horizonte com a sua irmã, ela tem uma consulta amanhã logo cedo com o novo cardiologista.
— Tenho muita coisa pra fazer na fazenda, o problema com a água está ganhando uma dimensão que começa a nos prejudicar e eu tenho que resolver algumas questões, mas por que a pergunta? — Me escoro no batente da porta e conversamos aqui no corredor mesmo, ela sabe que não gosto que entre no meu quarto.
— Seu pai tem reunião com o pessoal da junta rural para tratar exatamente da questão da água, então ele não pode me levar eu queria ver com você, sabe que eu não gosto de dirigir em rodovia.
— Posso deixar algumas coisas para resolver amanhã e levar vocês duas, desde que esteja tudo pronto depois do almoço, Eugenia, quero evitar voltar à noite.
— Tony querido volte a me chamar de mãe — ela pede de repente o que me faz suspirar — parte o meu coração você me chamando pelo nome, vou morrer sem voltar a ouvir você me chamando de mãe.
— Se parte o seu coração você sabe o que eu senti dia após dia consumido pela culpa do que eu tive que fazer.
— Filho foi pro seu bem, para o bem da sua irmã e dessa família.
— Não, o que eu fiz foi pelo bem da minha irmã, mas o que você fez foi por egoísmo, apenas para proteger o ego e o orgulho dessa família.
— Não é verdade, aquele homem ele tinha que ir embora, você sabe..
— Mas agora ele está morto — falo friamente — não tem motivos para não resolvermos o passado.
— E você voltar para aquela mulherzinha ordinária? Como você não pode esquecê-la depois de tantos anos? Por que se tortura assim?
— Você me jogou nessa tortura – acuso – acha que eu escolho isso? acha que eu não tentei arrancar esse sentimento do meu coração? Namorei a Laura por quatro anos e não consegui mudar esse sentimento dentro de mim.
— Por que perdoou o seu pai e não a mim é por que não temos o mesmo sangue?
— Você sabe muito bem que não termos o mesmo sangue sempre foi relevante pra mim, resolvi as coisas com o pai porque ele me pediu desculpas e conversamos sobre o passado, coisa que você nunca fez. Age como se esse estivesse em um pedestal inatingível não assume que estragou a minha vida.
— Não vou ficar aqui discutindo com você tão cedo — diz fugindo do assunto como sempre — estaremos prontas depois do almoço.
— você sabe que quando mais nos aproximamos da cura da minha irmã, mais perto eu estou de poder contar a ela a verdade — falo e ela não ousa responder, apenas vai se afastando sem olhar para trás.
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