Doze


TONY

Só choveu por um dia e uma noite e isso está preocupando a todos nós, caminhando pela fazenda hoje conversei com alguns homens que vêm relatando a dificuldade em manter o bom funcionamento em meio ao rodízio de água que vem ficando mais severo, agora os dias que tem água ela não é forte o suficiente para encher todas as caixas d'água com isso mesmo economizando em alguns dias a água vem a faltar e somos obrigados a usar o poço artesiano, mas esse recurso não é infinito já que a presença de água ou umidade dos poços é sujeita a condições climáticas e à contaminação do solo. Por isso, em tempos de seca, a vazão de tais poços diminui drasticamente e com isso ele pode secar completamente, então não podemos abusar.

— Até mesmo os veterinários estão receosos em como a seca pode prejudicar o gado — falo com meu pai que me olha preocupado com a informação.

— Quase cinquenta anos a vivendo nessas terras e foram poucas as vezes que vi uma seca como essa, lembro de uma vez que seu avô perdeu metade do rebanho, mas naquela época não tínhamos tecnologia e informação como temos agora, não pensei que voltaríamos a sofrer com a falta de chuva — ele fala desolado e eu entendo o sentimento.

— Se o senhor não fosse tão cabeça dura.

— Nós não vamos nos juntar aquela mulher, já deixei isso claro — fala irritado saindo do curral e eu vou atrás dele.

Há algumas semanas a Gisele se juntou a pequenos produtores para fazer um estudo buscando estratégias de driblar os impactos da seca na região, aliás ela chamou a todos da região, mas a maioria não deu sequer importância, se acham bons demais para ouvir as ideias de uma jovem mulher, são uns boçais e acredito que em breve vão se arrepender de terem a negado. Já a minha família não aceitou por motivos completamente diferentes, porém estamos cada vez mais encurralados.

— Vamos manter distância Anthony, principalmente agora que a cirurgia da sua irmã está tão perto.

— Isso é bobagem pai, a Paz é muito inteligente e esperta, ela ia tirar esse assunto de letra, sem contar que é injusto com a Gisele...

— Você escutou o que o medico falou da última vez em que ela passou mal, qualquer emoção forte pode piorar o estado dela — ele fala baixo e eu suspiro derrotado o que faz o senhor Alberto colocar a mão sobre o meu ombro — filho eu sei que o modo como agi anos atrás machucou você e sei também que você nunca esqueceu aquela moça e acredite eu me arrependo muito do que fiz, mas agora não é o momento.

— Acho que nunca vai ser o momento, ela não vai nos perdoar nunca, ela não vai me perdoar nunca, mas ela pode ter um bom relacionamento com a minha irmã.

— Se a sua mãe foi capaz de me perdoar quem sabe a garota não faça o mesmo.

— Ela poderia até me perdoar pelo passado, mas a cada dia que passa com ela aqui em que não contamos toda a verdade só vai cavando o abismo da minha culpa. Sem contar que a qualquer momento ela pode arrumar outro homem que vai colocar uma aliança no dedo dela e vou tê-la perdido para sempre —falo derrotado.

— Vamos voltar a esse assunto depois da cirurgia, eu vou ser firme em defender o seu lado, nunca mais vou colocar sua felicidade em jogo, mas a sua mãe vai participar da decisão — bufo irritado quando ele diz isso — você tem que para com essa infantilidade Anthony, isso está fazendo a sua mãe sofrer há anos.

— Racionalmente sei que a culpa não é dela, mas foi ela quem nos fez escolher.

— Veja pelo lado dela, eu já tinha machucado demais a Eugenia quando trouxe você para casa, eu era um moleque em corpo de homem que a abandonei quando ficamos sabendo da infertilidade e voltei trazendo um o bebe de outra mulher, ela te criou com todo amor e nunca fez desfeita com você. Agora imagina, dezoito anos depois a mesma cena se repetindo... ela agiu da maneira que achou correta.

— sim só que a Gisele era inocente em tudo isso e foi ela quem mais sofreu.

Não continuamos o assunto pois um dos rapazes vem nos dizer que descobriram um buraco na cerca e que uma da vaca fugiu, vamos correndo resolver o problemas e ficamos a manhã inteira nisso, quando a hora do almoço chega voltamos para o casarão e subo direto para tomar um banho, pois minhas roupas estão em um estado deplorável pelo tanto que suei ajudando a levantar a cerca, já que estava bastante danificada, meu pai amaldiçoou meio mundo pela situação ter chegado naquele ponto.

Tomo um banho rápido, pois estou morrendo de fome e eles já devem estar me esperando para o almoço, como pretendo sair depois de comer me visto de maneira despojada com uma calça jeans e uma camiseta polo na cor verde, arrumo meu cabelo passando um pouco de creme para deixar os fios no lugar, preciso urgentemente fazer uma visita ao barbeiro a frente do cabelo já está caindo em meus olhos. Passo meu perfume favorito e calço um par de botas saindo do quarto em seguida.

Todo meu bom humor vai pelo ralo quando entro na sala de jantar e vejo a Laura sentada à mesa, é o meu lugar posto ao lado dela, quando a loira olha para mim abre um sorriso brilhante que eu não consigo retribuir. Nosso relacionamento acabou de maneira que na época eu considerei tranquila; estávamos em momentos diferentes na vida, ela estava pronta para firmar um compromisso mais sério e começar uma família e eu simplesmente não. Apesar de gostar muito da Laura eu nunca a amei da maneira que acho que deveria e então quando vi que as coisas estavam evoluindo para um caminho que não gostaria de seguir, tive uma conversa séria com ela que apesar de ficar triste demonstrou compreender meus motivos, mas desde que terminamos ela vem, junto com a Eugenia, criando situações constrangedoras para nós encontrarmos.

— Boa tarde Laura — cumprimentei me sentando ao seu lado e assim que fiz isso sua mão veio para o meu ombro e ela tentou me dar um beijo e prontamente desviei deixando o clima ainda mais desconfortável — vim dar uma olhada nos animais e a sua mãe me convidou para almoçar.

— Lógico que convidou — murmurro e meus pais me olham feio enquanto minha irmã ri, Maripaz nunca gostou do nosso namoro.

Laura é médica veterinária e desde que se formou vem trabalhando aqui na fazenda e tenho que admitir que como profissional ela é impecável e mesmo depois do término ela continuou sendo a responsável pela saúde dos animais da fazenda. Quando ela está por aqui eu evito ao máximo ficar em seu caminho.

— Faz meses que a gente não se vê, até parece que você está me evitando amor. — ela fala enquanto eu estou servindo o meu prato, faço uma careta pelo modo íntimo que me chama, mas quando vou respondê-la minha irmã resolve se pronunciar.

— Se parece que ele está te evitando é porque ele esta queridinha — Maripaz debocha e percebo Laura começar a ficar nervosa, mas não responde ela sabe que minha irmã é a princesinha desta casa e laura jamais iria se indispor com a minha mãe que é a única aliada dela nessa casa — deveria ter um pouco mais de respeito próprio.

— Agora chega MariPaz — meu pai intervém e então começamos a comer.

Diferente do que imaginei o almoço foi agradável, a Laura sempre consegue manter uma conversa descontraída onde esta, não terminei com ela por ser má pessoa, desagradável ou algo do tipo e nós poderíamos termos nos tornado amigos se ela não insistisse tanto em querer fazer nos dois dando certo romanticamente, como esta acontecendo agora com Laura colocando a mão em minha coxa quase na altura do meu pau e essa é a deixa para eu me levantar.

— Já terminei, se me dão licença.

Subo até o meu quarto e escovo os dentes, depois pego minhas chaves e carteira e saio de casa sem falar nada. Meus pais provavelmente nunca iriam aprovar o que estou prestes a fazer, mas eu não estou disposto a ver a fazenda definhar mediante esa crise que estamos passando. Entro no meu carro e saio em direção a fazenda vizinha.

***

Chego no casarão da fazenda Vida Verde e bato e fico aguardando até que Dona Ana abre a porta, cumprimento a senhora que é mãe do Diego, um amigo da época da escola.

— menino Tony, a quanto tempo não te vejo?

— Dona Ana menino eu não sou mais, mas vou encarar com um elogio — brinco a beijando no rosto depois de pedir a benção

— Que nada vocês vão ser sempre os meus meninos mesmo que agora sejam uns homenzarrão igual tu que tá muito mais maior que eu. Mas o que veio fazer aqui?

— Vim da uma palavrinha com a Gisele, ela se encontra?

— A patroinha está lá atrás na piscina, ela tava nervosa hoje e ta tirando a tarde de folga, você pode ir lá, lembro que mais novos vocês andavam grudados por ia, quando ela chegou aqui eu não me lembrava dela mas só foi ver uns retrato dela menina e veio um estalo de como vocês eram unha e carne quando pequenos. Eu achei que ia sair casamento disso — ela comenta com ar conspiratório.

— Se dependesse só de mim dona Ana, seria o casamento mais bunito que Ribeirão já teve notícia.

— Quem sabe agora vocês não voltam ein, a menina é tão sozinha nesse casarão enorme, ela é tão boazinha merece um bom homem ao lado dela, mas se tu magoar a menina Gisele eu esqueço seu tamanho e te dou uns tapas — ela ralha comigo me fazendo sorrir — agora pode ir lá nos fundos, daqui a pouco vou levar um suco e um bolinho de fubá pra vocês.

Fui pelo caminho que ela indicou entrando em uma parte da casa que eu não conhecia, um espaço de lazer, com churrasqueira uma grande mesa coberta por um telhado colonial e o que mais chama atenção a piscina enorme retangular dividida em duas partes e ao redor uma cerca viva que protege a área íntima do resto da fazenda.

Como cheguei de mansinho Gisele não me vê já que esta de costa observando a água cristalina da piscina, ela está vestida com um biquíni preto que deixa todo corpo a mostra, passo os olhos por suas pernas, as coxas grossas e o bumbum avantajado e o contorno de sua cintura quase me fazem babar. Quando vou limpar a garganta para fazê-la notar a minha presença Gisele pega impulso e pula na piscina fazendo a água espirar um pouco.

Espero ela emergir, mas isso não acontece. Um minuto, dois, três minutos se passam e eu começo a ficar preocupado; quando já passou tempo demais para ser considerado normal eu apenas retiro o celular do bolso o jogando em qualquer canto antes de pular na água gelada para resgatá-la. 

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