Capitulo 16

Achei necessário trazer outro ponto de vista, assim vocês poderiam entender a história como um todo. Pois deixando somente com o ponto de vista do Lucas, ficaria lacunas na história.
Boa leitura!

Nicolas

Acordo no dia seguinte o mais cedo possível. Pra minha sorte Lucas dormia profundamente. Eu o observo por alguns minutos, ele a cada instante fazia careta, devido a dor dos machucados. Que droga, porque alguém faria isso com ele.

Logo que vou saindo a vó pergunta aonde vou, eu apenas falo que volto logo, pois iria ter fazer uma coisa e não queria que o Lucas soubesse.
O Arthur, um dos capangas do Bernard queria falar comigo. Por isso mandou uma mensagem. Ao chegar ele vêm  com o rabo entre as pernas, fecho os punhos pronto para vingar o que fizeram com o Lucas.

- Você chegou a tempo de achar o Lucas não chegou? - Ele pergunta

- A tempo de não o achar morto - provoco

- A senha dele não era difícil, era um "N" - ele fala me deixando surpreso - Eu que mandei a mensagem.

Como assim, porque esse idiota faria Isso?

- Lucas já foi meu amigo, antes de você entrar na vida dele - Arthur fala - Eu lembro de você.

Não conseguia falar nada, pois sempre achei que ninguém lembrava de mim, mas Arthur lembrava.

- Ele até precisou fazer terapia após você o abandonar, sem nem ao menos explicar. Aí veio a morte do pai dele, aí ferrou a vida dele.

Aquilo veio como uma facada em meu estômago, eu era o culpado por tudo isso, culpado...

- Bernard meio que gosta do Lucas, aí quando ele viu vocês sempre juntos, pra tudo que era lado, começou a inventar ideia na mente - ele despeja tudo - aí quando bateu no Lucas, vi que era hora de sair fora.

Então, o sofrimento passado, o sofrimento presente, e o futuro...não, não é verdade...

- Você tá inventando  isso - Falo com os olhos marejados.

- Ue, então vai perguntar a terapeuta dele cara. - Ele desafia.

Era isso que eu iria fazer, Lucas tinha seções com minha mãe, então ela teria que explicar isso.
Saio a passos largos.

- E se precisar de ajuda com o Bernard, me manda mensagem - ele grita.

****

Ao chegar na casa de minha mãe, ela me recebe sonolenta. Deve ter acabado de acordar, mas isso não poderia esperar.

- Você é a psicóloga do Lucas não é? - pergunto sem esperar ela me convidar para entrar.

- Bom dia pra você também Nicolas - ela diz fechando a porta atrás de si - e porque quer saber?

- Eu sei que tem tudo isso de confidencialidade com os pacientes,  então só me fala a quanto tempo o Lucas tem seções com você - Falo de forma autoritária.

- Desde os 7 anos, porque?

Que alívio, então o Arthur mentiu.

- Por nada - digo suspirando

- Mas - ela continua - ele ja tinha consulta bem antes disso, sua antiga terapeuta o incentivou a escrever suas lembranças e pensamentos em cadernos,  então eu só pedi pra ele continuar. Ele me disse que já são sete ou é oito.

Meu chão caiu após ouvir aquilo. Então, eu realmente era culpado...e com minha morte ele irá sofrer futuramente também. Que droga!

- Obrigado - Falo antes das lágrimas caírem.

Volto o caminho, pensando no que descobri, aí surgiu a ideia de fazer o Lucas me odiar. Eu não me perdoaria por piorar a vida dele.

Chego em casa e vejo o Lucas com minha avó. Apenas pergunto como ele está. Não paro de pensar no que estou prestes a fazer, o abandonar antes de fazer ele sofrer mais.

- Nicolas, você vai levar o Lucas em casa? - minha vó fala.

Era a chance...

- Vou sim vó - respondo tentando parecer tranquilo.

Lucas ainda não consegue ir rapido, por isso tento respeitar sua velocidade. Mas não consegui o olhar. Ele tá assim por minha culpa. Não posso continuar com isso.

Ele começa a perguntar onde eu tinha ido, mad tento me fazer de desentendido, o que acaba o irritando.
Então decido me transformar em um idiota.

- Tua casa é bem ali, se vira! - Falo despedaçando por dentro

Após andar um pouco percebo ele gemer de dor, então volto. O levo até em casa, mesmo contra a sua vontade. A casa não havia mudado muita coisa. Mas estava um pouco acabada. Quem atende é sua madrasta. Uma chata que sempre fazia questão de infernizar o Lucas, quando era pequeno. Percebo em seu olhar desprezível que ela ainda lembra de mim.

Mas logo após ela subir nervosa, sem nem ao menos se importar com o coitado do Lucas, ele me surpreende a chamando de mãe... Não acredito que ele não lembra dessa desgraçada!

Aquilo me faz lembrar de ser mais uma desgraça para a pilha da "culpa minha". Então saio e vou em direção a escola.

Chego na escola, pensando se será uma boa ideia fazer isso com o pobre do Lucas. Deixar ele sozinho.

- Ouvi falar que o Lucas está mal - Iara, uma garota da sala do Lucas pergunta

- Ele está com alguns hematomas, mas vai ficar bem - Falo.

Então surge uma ideia, mesmo eu abandonando o Lucas, posso deixar um amigo pra ele.
Iara, algumas outras vezes eu percebia que ela queria se aproximar do Lucas, pois sempre a peguei dando olhadas pra ele, ela talvez fosse apaixonada por ele. Ela era a pessoa perfeita pra isso.

- Você quer o número dele, pra falar pessoalmente - pergunto

Ela morde a isca e aceita,  eu sabia que ela queria se aproximar dele. Não demora muito para ela mandar mensagem, percebo.

Passo o restante da aula, pensando. Não teria mais volta, era isso.

Logo que o sinal toca olho meu celular e tem uma mensagem dele. Eu escrevo uma resposta, e demoro alguns segundos para enviar... - me perdoa Lucas - clico em enviar.

****

Decido bloquear o Número dele pois tenho certeza que ele tentaria me ligar. Não tinha mais volta.
Eu estava destroçado por dentro, mas eu não merecia ser seu amigo Lucas, não depois de ter feito isso com ele -maldita hora que entrei em sua vida denovo.

****

Na escola, eu sei que seria a coisa mais difícil. Dito e feito. Ele veio tentar falar comigo, mas mesmo desejando muito chamar ele para jogar conversa fora, ouvir música, eu não poderia fazer isso.

- Nicolas, eu...

- Lucas eu te disse para dar um tempo  não disse - não o deixo falar - me deixa em paz.

- Você tá com vergonha de mim, compor causa do que te contei?

Não! Cara por favor, você é o melhor amigo que eu tive!

- Cara larga do meu pé - Falo

Corro para o banheiro para poder chorar, pois naonrstava aguentando. Não acredito que vou ficar o resto de minha vida assim. Deixo as lágrimas caírem, sem dar trégua.

****

Chego em casa, sem ter o mínimo de fome, minha avó tenta me animar...Mas em vão.

- Onde tá o Lucas? - Ela pergunta

- Ele não fala mais comigo -respondo, me arrastando para meu quarto.

Tento dormir mas não consigo, além do cansaço devido a minha doença, não tenho ânimo para mais nada.

Sigo para a cozinha após uns minutos, minha avó havia saido.
O telefone fixo toca, então tento parecer o mais normal possível, não quero que minha tristeza seja percebida por estranhos.

- Residência dos Rozzetti, boa tarde

Ouço um suspiro

"Oi, Nicolas? - a voz do Lucas!

Merda não posso ceder agora.

- Lucas...você tá parecendo um Deseperado - Falo o mais sério possível, e desligo.

Merda porque ele não desiste logo de mim. Eu queria e não queria que isso acontecesse.

****

Os dias passam, e eu fico pior do que já estou, então decido ir falar com minha mãe. Ao chegar sou avisado que ela está com um paciente. Então fico aguardando ela terminar.

Logo que ela era a porta, vou direto até ela.

- Mãe eu preciso...Lucas?!

Lucas sai de tras de minha mãe, o que me dá um susto. Que merda não acredito que ele me ouviu a chamar de mãe.
Com uma cara de assustado ele sai correndo. Não vou atrás dele, pois, minha mãe também fica surpresa.

- Precisamos conversar - Ela pede com voz autoritária.

Conto quase tudo que aconteceu, falo do Lucas ser meu guia, de como havíamos ficado amigos. Após terminar, minha mãe fica de boca aberta.

- Por isso, decidi parar de falar com ele - admito

- Nicolas, a amiga do Lucas, a Alana é uma amiga imaginaria que ele criou para preencher o vazio da perda. É como a personificação de sua mãe. Por isso após a morte da sua mãe ela apareceu - minha mãe fala - e ela apareceu novamente a alguns dias.

- A alguns dias? - pergunto surpreso.

- Sim. Estávamos fazendo progresso, com a entrada do Lucas no programa ela tinha desaparecido. Mas voltou, e temo que ele vá ter uma recaída.

Então arranjar outros amigos, não estava preenchendo o vazio dele.

- Nós últimos meses ele, estava tendo uma melhora considerável - ela me fita - graças a você.

Ter decidido abandonar o Lucas foi a pior ideia que eu já tive, e agora eu tive certeza. Não estava fazendo bem a ele, e muito menos a mim.

- Obrigado mãe - falo a abraçando.

- Mais uma coisa Nicolas ela começa a falar.

****

Tento ligar para o Lucas mas acaba dando caixa postal, então decido ir resolver o problema,a com o Bernard. Pra isso peço ajuda ao Arthur e a minha mãe. A gente fala tudo a Iolanda que toma as devidas providências.

Com tudo resolvido sigo para a casa do Lucas. Logo que chego sua mãe me atende.

- O Lucas está? - pergunto

Ela me fuzila com olhar.
Você não me assusta sua bruxa.

Sigo para o quarto dele, que finge está dormindo. E vejo os cadernos dele, só havia sete.

Logo ele se vira pra mim, assim que eu conto uma meia verdade. Eu não poderia conversar com ele ali pois a bruxa deve tá a espreita.

Assim que o convenço a ir para minha casa, lá eu falo que terei que viajar, graças a minha mãe, eu tenho uma chance de cura.

****

Com tudo resolvido tento aproveitar ao máximo com o Lucas e Iara. A gente faz bastante coisa juntos.
A Iara tem a ideia de fazer um dia de despedida pra mim. No fundo é pra ela mais, como gostei da ideia eu não protesto.

****
A gente se diverte pra caramba, além de falar sobre muita coisa. Então tenho uma brilhante ideia. "Tirar o BV do Lucas" e pra isso vou precisar da forcinha da Iara.
O coitado do Lucas nem desconfia, pobre inocente.

Brincadeira vai, brincadeira vêm, chega o momento. Lucas está de frente Pra nós, vendado esperando. Tento falar o mais baixo possível.

- Vai logo Iara ou ele vai desconfiar - insisto

- Tô nervosa caramba! - ela pede

- Vai logo! - falo exaltado

E o beijo acontece...

Lucas retira a venda, com uma expressão assustadora, parecia que ele estava com a mente bugada. Então ele apenas se levanta e sai correndo.
A gente fica sem nenhuma reação, pois não sabemos se ele não gostou daquilo, se ele viu alguma coisa.

- Ele deve ter gostado mesmo - ela brinca - ficou até sem palavras.

- Deixa que eu vou na casa dele - Falo

- Você não pode me deixar ir sozinha em casa - ela pede manhosa.

- Tá eu te levo...

Demorou alguns minutos, Iara morava um pouco distante de minha casa.

- Boa viagem - ela fala me abraçando

- Pra você também - respondo.

Sigo direto para a casa do Lucas, e começo a ouvir uns gritos, era a voz do Lucas! Começo a correr, e ao chegar me assusto com a cena.

- LUCASSS!!

(Desculpem pelo tamanho, mas tenho um bom motivo.
Próximo capítulo, será o último!)

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