IV - Gabriela
Esse segredo guardado
Com sete chaves e
Um grande cadeado
Eu não conto.
Mesmo que paguem
Mesmo que peçam
Mesmo que implorem
Eu não conto.
O mundo pode acabar
E todos morrerem, afinal
E mesmo se Deus à terra
Decidir, porventura, voltar
Eu não conto.
Eu não conto
Como quero ter
Esse seu corpo em mãos
Mapear suas curvas
Descobrir seus sabores
Passear por cada estação:
Da sombria à mais colorida
E sentir toda e qualquer batida
Daquele famoso órgão da paixão.
Eu não conto
Como quero viajar
Nesses seus olhos azuis
Mais profundos que o mar
Que me deixam louco, alucinado
Na beira de um colapso
Do mais puro tesão.
E como quero nesse
Seu ouvido sussurrar
Palavras lentas e suaves
Em uma língua de prazer
Recheada de obscenidades.
Eu não conto
As coisas que penso
Quando vejo sua bunda
Com marcas de areia
Num chacoalhar manso
E num rebolar sem descanso
Caminhando ao mar.
E como te imagino nua
Na minha cama, sem pudor
Chamando com seus lábios
Numa fala quase muda
Para mais um pouco de amor.
Eu não conto
Porque se eu contasse
Seu marido saberia.
E eu, Gabriela,
Não teria outra saída
A não ser parar de te amar.
Por isso, mesmo que paguem
Mesmo que peçam
Mesmo que implorem.
Eu não conto.
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