capítulo 05: anéis de papel
O tempo havia passado, e as feridas que ambos carregavam começaram a cicatrizar, mas ainda havia algo ali, um vazio profundo que não poderia ser preenchido por mais nada. A rotina, o afastamento e a tentativa de seguir em frente pareciam inúteis quando estavam sozinhos consigo mesmos. Jake e Sunghoon finalmente perceberam que suas vidas não faziam sentido sem a presença um do outro. E, após um período de introspecção, Jake decidiu que não podia mais viver na dúvida. Ele precisava ser honesto consigo mesmo e com Sunghoon. Não importava o que acontecesse, ele precisava confessar.
Em uma tarde tranquila, Jake foi até a casa de Sunghoon, uma decisão que já estava amadurecendo em seu coração há semanas. Ele sabia que precisava encontrar o momento certo, e, quando finalmente chegou à porta, sua mão hesitou brevemente antes de tocar a campainha. O som do toque ecoou pela casa, quebrando o silêncio de uma tarde qualquer.
Sunghoon abriu a porta, com uma expressão que misturava surpresa e desconforto. Ele não estava esperando ver Jake ali, mas ao mesmo tempo, seu coração acelerou. Ele não sabia o que Jake queria, mas sentia uma pontada de expectativa.
─── Jake? O que... você está fazendo aqui? — Sunghoon perguntou, tentando disfarçar o nervosismo na voz.
Jake não hesitou. Olhou nos olhos de Sunghoon, e as palavras saíram como uma torrente, sem mais rodeios.
─── Eu não posso mais ficar escondendo isso, Sunghoon. Não posso mais mentir pra mim mesmo. Eu... eu amo você. Não consigo mais fingir que não sinto isso, mesmo depois de tudo o que aconteceu entre nós. Senti sua falta mais do que imagina. — Jake falava com tanta sinceridade, que até a tensão no ar parecia desaparecer aos poucos.
Sunghoon sentiu uma onda de emoções invadir seu peito. Ele queria dizer algo, mas as palavras falharam. Ele sabia o que Jake estava dizendo, mas o medo ainda o dominava. Ele deu um passo para trás, tentando organizar seus pensamentos.
─── Jake... eu... não sei se estou pronto pra isso. Eu tentei seguir em frente. Eu tentei te esquecer, e... e até encontrei alguém. Mas não dá. Não dá pra esquecer você. — A voz de Sunghoon vacilou, e ele finalmente olhou para Jake, a verdade se espalhando como uma leve brisa entre eles. ─── Eu também sinto o mesmo. Sempre senti. Mas... eu não sabia se isso era certo.
Jake, com os olhos brilhando de esperança, se aproximou lentamente, como se quisesse dar espaço para Sunghoon respirar, mas ao mesmo tempo não queria perder aquele momento. Ele estendeu a mão, e Sunghoon, hesitante, a pegou.
A tensão entre eles se dissipou no instante em que seus corpos se aproximaram novamente. Desta vez, o beijo não foi raivoso, não foi apressado. Foi calmo, profundo, como se finalmente se permitissem sentir tudo o que estavam guardando. Os lábios se encontraram com mais suavidade, e o mundo ao redor deles desapareceu. Não havia mais confusão, não havia mais medo. Somente a certeza de que eles pertenciam um ao outro.
Quando o beijo terminou, eles ficaram ali, respirando de forma ofegante, mas sorrindo um para o outro. A vida parecia estar finalmente se encaixando de uma maneira que eles não podiam mais ignorar.
─── Vamos para minha casa? — Jake perguntou, o olhar cheio de carinho. Sunghoon assentiu, com um sorriso que iluminava seu rosto, e os dois seguiram em direção à casa de Jake.
Chegando lá, o ambiente parecia acolhedor como sempre, mas havia algo diferente no ar. A casa de Jake estava silenciosa, mas confortável. Quando entraram, a mãe de Jake, que estava na sala, levantou os olhos de seu livro e sorriu ao vê-los juntos.
─── Ah, Sunghoon! Quanto tempo, querido! — Ela disse, levantando-se para cumprimentá-lo. ─── Senti sua falta nesta casa, sabia? Você sempre foi tão presente aqui.
Sunghoon sorriu timidamente, sentindo um calor no peito ao ouvir aquelas palavras. A mãe de Jake sempre foi gentil e acolhedora, e agora, mais do que nunca, ele sentia que estava encontrando um lugar onde realmente pertencia.
─── Eu também senti falta de estar aqui, senhora — respondeu Sunghoon, com a voz suave, mas sincera. ─── Obrigado por sempre ser tão boa comigo.
Ela olhou para eles com um sorriso carinhoso e, antes de voltar à sua leitura, disse:
─── Fico feliz que vocês dois tenham se encontrado de novo. Aproveitem o tempo juntos. E se precisarem de algo, sabem onde me encontrar.
Sunghoon e Jake trocaram olhares antes de subir as escadas. O clima na casa parecia mais leve, mais aberto. Quando chegaram ao quarto de Jake, a porta se fechou atrás deles, e a intimidade que ambos estavam começando a entender entre si se tornou palpável. Jake se aproximou de Sunghoon, pegou sua mão e, com um sorriso travesso, disse:
─── Eu sei que estamos começando de novo, mas eu quero fazer isso de um jeito especial. Quero que seja oficial. Você aceita ser meu namorado?
Sunghoon ficou surpreso com a pergunta, mas o sorriso de Jake fez seu coração bater mais rápido. Ele olhou para as mãos de Jake e, como se fosse algo espontâneo, pegou um pedaço de papel e começou a enrolá-lo, formando um anel improvisado.
─── Claro que aceito. — Sunghoon sorriu, sentindo a felicidade transbordar. ─── E, já que estamos sendo improvisados, acho que podemos fazer nossos próprios anéis.
Jake riu e, juntos, começaram a criar os anéis de papel. Era uma brincadeira simples, mas que carregava um simbolismo imenso. Quando terminaram, eles colocaram um anel de papel em cada dedo do outro.
─── Isso é mais do que suficiente — disse Jake, com os olhos brilhando de alegria.
Sunghoon, olhando nos olhos de Jake, respondeu suavemente:
─── Agora é real. E eu não quero mais viver sem isso. Sem você.
Eles se abraçaram, sentindo a certeza de que não havia mais espaço para dúvidas. O mundo lá fora poderia continuar com suas complicações, mas ali, naquele momento, eles haviam encontrado algo simples e precioso: o começo de uma nova história, juntos.
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