Capítulo 51
O som de portas se fechando e abrindo me acompanha até o momento em que entramos em uma sala e um dos guardas chuta a parte de trás dos meus joelhos, forçando-me a ajoelhar. Respirando fundo, compreendo onde estou: na sala do trono.
-O que significa isso? –Uma voz inconfundível troveja.
Instantaneamente, meu corpo tenciona e todos os meus sentidos clamam por uma rota de fuga. Minhas mãos tremem ao ouvir os passos vagarosos do rei em minha direção.
-Eu lhe trouxe um presente, pai. –John diz parando ao meu lado.
-Como ousa retornar ao meu castelo, seu bastardo? –Arthur inquere, sua cólera é palpável. –Tanto você quanto sua mãe e irmã são verdadeiros traidores. O que lhe faz pensar que pouparei sua miserável vida? –Ele questiona.
-Isso. –John afirma e retira a carapuça do meu rosto.
A luz fere meus olhos ao mesmo tempo em que Arthur resfolega ao ver qual o presente trazido por seu filho. Quando minha visão se ajusta, encontro o rei a alguns metros de distância. Seu olhar brilha ao esquadrinha meu corpo com desejo.
Entretanto, ele não parece o mesmo desde nosso último encontro. Seu emagrecimento é visível, grandes manchas roxas adornam abaixam de suas pálpebras e seu cabelo está seco e na altura do queixo, sem contar com a longa barba grisalha. Ao meu redor, mais de uma dúzia de soldados está pronto para proteger seu soberano.
Marionetes ridículas!
-Bem, sem dúvidas essa é uma agradável surpresa. –O rei diz, abrindo um largo sorriso que me dá arrepios.
-Tem dormido pouco, Majestade? Sua aparência está deplorável se me permite opinar. -Provoco sem saber a origem de tal coragem.
-Com o seu retorno, minha bela, com certeza minhas noites serão maravilhosas. –Arthur contra-ataca, inflando minha raiva.
-Quero lhe propor um acordo em troca da vida da Scarlett. Contudo, falarei somente quando estivermos completamente a sós. Retire seus cães de guarda daqui. –John solicita, desviando a atenção do seu pai de mim.
Meu coração se quebra ao perceber que não passo de um produto, uma oferta em um negócio. Fixo meu olhar no chão e não me permito nem se quer um desvio em direção ao príncipe. Não aguentaria encarar a verdade em sua face.
-Acredita que pode fazer exigências, meu querido filho? –Arthur indaga com um tom falsamente doce.
-Creio que sim. –O príncipe responde.
Rapidamente, John segura minha cabeça e coloca uma faca em meu pescoço. O movimento é tão repentino que não tenho forças para reagir.
Poderia cravar essa faca em meu coração, Alteza?
-SAIM TODOS! –Arthur berra com fúria.
Quando o ruído de passos acaba, John afrouxa o aperto em meus cabelos e sutilmente acaricia a região machucada. Aquele pequeno gesto faz meu peito bater mais rápido do que as asas de um beija-flor.
-Esse era o único jeito. –Ele sussurra em meu ouvido.
Em seguida, sinto as algemas afrouxarem e compreendo que as mesmas não aprisionam mais o meu poder. A compreensão de que aquilo era uma encenação faz uma enxurrada de lágrimas transbordarem por meus olhos.
Ah, John!
O príncipe me solta e, mantendo o teatro, caio de joelhos contra o chão com os braços ainda voltados para trás. Arthur se aproxima com cautela, uma cobra pronta para dar o bote.
-Ah, minha querida, não sabe a falta que senti de sua companhia. –Ele cantarola e segura em meu rosto, erguendo-o para si.
-PORCO IMUNDO! –Grito e afasto sua mão com um tapa.
Em seguida, levanto-me e soco sua cara. O ataca surpresa faz com que Arthur fique lento. Usando o vento, faço seus pés tropeçarem e ele cai. Sentando-me sobre seu corpo, esmurro-o com toda a força que tenho, ferindo completamente sua face.
A força de um lupino realmente pode ser destrutiva.
Uma bola de fogo sai da mão esquerda de Arthur e se choca contra mim, queimando a pele do meu braço e obrigando a me afastar. Ele rasteja para longe e grita por socorro, porém, vedo todas as entradas com labaredas intransponíveis.
-Você não vai fugir de mim, Majestade. –Declaro, minha voz como uma lâmina afiada. –Onde minha mãe está? –Pergunto, aproximando-me do rei caído no chão.
-Espero que aquela vadia esteja queimando no inferno. –Ele responde cuspindo sangue e alguns dentes.
Minha visão fica vermelha e a ira que se rompe por minha pele é incontrolável. Desfiro chutes pelo abdômen de Arthur e o suspendo pela gola de sua roupa fina somente para arremessá-lo contra seu amado trono. O som de ossos quebrando é melodia para meus ouvidos.
Braços me rodeiam e tentam me parar. Quando estou prestes a matar qualquer um que interfira em minha vingança, o rosto aflito de John entra em foco.
-Se você o matar agora, jamais descobrirá nada sobre sua mãe. –Ele argumenta suavemente. –Precisa se acalmar. Ainda está com a carta que Arthur lhe enviou? –John pergunta.
Respirando fundo, gesticulo afirmativamente. Mexendo no bolso interno da minha túnica, retiro o papel amassado e noto as manchas vermelhas que meus dedos deixam nele. Nenhum sentimento de remorso desponta e isso é um alívio.
Segurando seu pai pelos ombros, John o força a se sentar no trono e coloca a carta em suas mãos. Apenas um dos olhos de Arthur continua aberto e sua cabeça gira indicando que ele está quase inconsciente. Do lado de fora do salão, ecos de brados ressoam pelas paredes.
-Reconhece essa carta? É a sua letra e seu selo. –John questiona.
Arthur analisa o papel e se afasta o quanto pode do príncipe. Seu desagrado em relação a John é visível quando ele o fita.
-Para que eu iria querer a filha se tivesse a mãe? Ela era muito melhor do que você, garota. Você nem chega aos seus pés. –Arthur solta e ri de escárnio.
Somente o aperto imediato de John a me conter impede que eu acabe com a vida daquele homem miserável. O rei termina de ler a carta e joga o papel no chão, recostando sua cabeça no trono para conseguir respirar.
-Alguém falsificou essa carta. Sinto muito que tenha perdido seu precioso tempo. –Ele graceja.
-Não acredito em você, seu monstro! O QUE FEZ COM A MINHA MÃE? –Esbravejo com fúria.
-Se eu soubesse para onde Siena foi, já teria ido atrás dela há muito tempo. –Arthur revela. –Quando a conheci, a muitos anos atrás, ela nem mesmo era casada com seu pai. Ela veio até Aurora Negra como representante das fadas para averiguar as brigas internas que estávamos tendo. Era o início do meu reinado e algumas famílias não estavam felizes com as mudanças que eu estava propondo. –Ele conta. –Eleonor realmente era o amor da minha vida, mas assim que Siena cruzou os portões desse palácio, apaixonei-me perdidamente. Ela era a perfeição em forma de mulher. Todavia, ela amava aquele lupino desprezível e foi embora sem olhar para trás... –Arthur tenta continuar, porém, interrompo sua respiração o fazendo engasgar com o próprio sangue.
-Não ouse dizer algo baixo sobre meu pai. –Digo e libero meu poder.
O rei se dobra em uma tosse profunda. Quando me encara novamente, sombras escuras dançam por trás dos seus olhos.
-Continue. –Ordeno.
-Soube que Siena havia desaparecido anos depois do ocorrido. Ao ver você, achei que era um presente dela para mim. –Ele diz com um sorriso de lado tão semelhante ao de John. –Você não sabe da verdade por trás do desaparecimento da sua mãe, não é? –Ele ri debilmente.
-Se tem algo de útil para contar, é melhor que faça de uma vez ou partirei sua garganta em duas. –Ameaço, sentindo um frio se espalhar por minha espinha.
Não vou gostar dessa verdade.
-Não foi a sua mãe a única que visitou a capital naquela época, sua tia a acompanhava. A sorrateira e misteriosa Lírida. –Arthur inicia fazendo minhas mãos gelarem. –Depois que sua mãe partiu, Lírida ficou por mais alguns dias e tivemos longas reuniões. Sabe qual o nosso principal assunto? A forma como ela me ajudaria a conquistar Siena se eu fornecesse meu exército para conquistar o Conselho Eterno. Foi assim que conheci a magia obscura. –Ele confessa com desdém.
Não pode ser real.
Para provar suas palavras, uma pequena chama negra paira sobre a palma direita de Arthur. Essas informações são como socos em meu estômato e não consigo controlar o vômito que sobe pela garganta, maculando o piso encerado.
-Vai ter que limpar isso, querida. –Arthur indica, suas feridas cicatrizando com lentidão, mas mais rápido do que para mestiços.
John afaga minhas costas e me abraça. Por alguns instantes, desejo nunca mais sair do calor do seu corpo. Minha mente grita que o rei só pode estar mentido.
-Isso tudo é invenção da sua cabeça inescrupulosa. –Alego tentando colocar mais veracidade naquela sentença do que realmente sinto.
-Por que eu mentiria? Você visivelmente tem poderes para me matar, ainda assim, não terá sua mamãezinha de volta ao fazê-lo. Revelar que sua amada tia é na verdade a líd... –Arthur começa com um humor ácido.
Antes que ele conclua, um estouro na porta de trás do troco preenche o ambiente. O príncipe, por instinto, cobre meu corpo com o seu na tentativa de me proteger.
Vagarosamente, Lírida aparece em meu campo de visão e para próxima ao rei que a fita com apreensão. Suas roupas pretas contrastam com suas íris lilases. Ela ergue uma espada em direção a Arthur que fica sem reação.
-O que está fazendo aqui, Scarlett? Sabe a confusão que causou ao fugir da aldeia? Seu pai está desesperado, temos que ir embora antes que a multidão de soldados invada esse lugar. –Lírida comanda com a atenção voltada a Arthur.
A postura séria e preocupada de Lírida faz minhas certezas vacilarem. Quando tento me afastar, John segura em meu antebraço com firmeza.
-Cuidado. –Ele pede baixinho.
-Como me encontrou, Lírida? –Questiono.
-Não temos tempo para isso, menina. Seu pai está esperando lá fora. Vamos! -Ela ordena e estende uma das mãos para mim.
Ao invés de corresponder ao seu gesto, vou até as grandes paredes de vidro que ladeiam o salão do trono e tento encontrar quaisquer sinais de Magnus ou de algum grupo lupino, porém, não há nada. Vou até a porta pela qual Lírida fez sua entrada e a cena com que me deparo é chocante: vários corpos decapitados de soldados elementais estão espalhados, sangue manchando todos os lados do corredor.
-Você sempre teve problemas em obedecer a ordens, não é mesmo, sobrinha adorada? –Lírida cantareja com falsa doçura.
Quando retorno para perto do trono, o olhar de Lírida cai sobre mim e uma expressão de desgosto se estampa em seu rosto. Com um movimento de sua mão, ela indica que Arthur saia de seu assento e o ocupa em seu lugar, soltando a espada aos seus pés. O rei parece visivelmente temeroso com a presença da fada e obedece como um cachorrinho treinado mancando pelos ossos quebrados.
-Estava prestes a revelar nossos segredos, Majestade? –Ela indaga friamente.
Seu sorriso cúmplice para Arthur me serve como confirmação para a história contada pelo rei. Uma dor estranha pulsa em mim e me sinto vazia.
Como você foi capaz disso?
"O amor irá lhe trair" foram as palavras exatas ditas por Siena na visão em que tive ao ter o feitiço que encobria as marcas Venatrix quebrado. Acreditei que a sentença se direcionava à traição de John, no entanto, percebo que estava errada.
Pela milionésima vez.
-Isso tudo é verdade, não é? –Pergunto quase em um sussurro.
-Quando sua avó me adotou, pensei que o castigo da minha vida seria ter que aguentar minha perfeita e irritante irmãzinha mais velha. Contudo, quando o destino colocou você em meu caminho, entendi que teria que ser mais inteligente para impedi-la de acabar com meus planos. –Lírida começa. –Você é uma cópia de Siena, só que muito mais insuportável e poderosa, fato que acabou se encaixando perfeitamente com meu planejamento. –Ela afirma sorrindo.
-Foi você que deixou a carta para me atrair até aqui, não foi? –Inquiro, a sequência de acontecimentos se encaixa com uma velocidade insana em minha cabeça.
-Ah, isso foi fácil. Encontrei uma informante completamente solícita. –Ela responde.
Logo em seguida, Katrina entra pela porta arrombada. Sua expressão perplexa com a destruição e morte deixadas por Lírida. Ela se coloca ao lado de minha tia e fita a John profundamente, sem me dar um segundo de atenção.
Vadia!
-Minha querida Katrina, assim como eu, foi trocada pelo homem que amava por alguém imensamente inferior a ela. –Lírida diz com um tom sugestivo. –Quando ofereci minha ajuda sincera para recuperar o amor da sua vida, essa menina inteligente aceitou sem hesitar. –Ela fala. –Sem contar que você também me ajudou muito com a sua mente completamente desprotegida, querida sobrinha. Criar pesadelos para acabar com sua paz ou vê-la perder o controle e surrar o lupino com quem tem um casinho romântico foi extremamente delicioso. Ops, não deveria ter dito isso, não é? –Lírida indaga com falsa cumplicidade e olha para John. -Uma pena que aquelas bestas não acabaram com você quando a fiz perder a consciência e entrar no Bosque dos Álamos sem autorização. –Ela confessa.
Tristeza se mistura ao ódio dentro de mim. Meu coração se iguala a um tambor e meu poder se remexe, implorando para ser utilizado. Fecho minhas mãos em punhos para controlar a tensão.
-John, saia de perto dessa mulher agora. Nós podemos recomeçar, Lírida fará um novo mundo. Teremos uma vida maravilhosa juntos. –Katrina balbucia com um olhar esperançoso.
-Não amo você, Katrina. Jamais a amarei porque amo a Scarlett. –John declara e me aperta junto a si.
O rosto de Katrina se transforma em uma máscara de ódio. Por sua vez, Lírida desata em uma gargalhada que faz seu corpo tremer com a intensidade do gozo. Arthur se afasta vagarosamente de ambas e para perto de mim, como se desejasse me defender da insanidade da fada.
Que reviravolta peculiar!
-Homens são tão hilários, sempre fazem as escolhas erradas independente da espécie. –Lírida segreda com Katrina, como se fossem boas amigas.
-Você amava a Magnus. –Exponho e uma lágrima solitária cai por minha bochecha.
Todo o humor desaparece do semblante de Lírida e no lugar do lilás, preto toda conta de suas órbitas por completo, causando terror até mesmo em Katrina que se aparta. A escuridão começa a dançar pelos poros de Lírida e se espalha ao seu redor, forjando um vestido negro e esvoaçante e uma coroa escura flutuando sobre sua cabeça.
A rainha das trevas.
-Amor é uma mentira contada às mulheres para aprisionar suas almas, moldar suas ações e determinar seu futuro. Desfiz-me dessas amarras há muitos anos. Tudo o que importa verdadeiramente é o poder. –Lírida contrapõe. –O poder lhe traz o domínio, a lealdade, a sabedoria e coloca o mundo aos seus pés. Posso lhe ensinar tudo isso, minha cara, apenas se junte a mim. Ensinar-lhe-ei a abrir todas as portas que contêm o seu poder, irei satisfazer todos os seus desejos. –Ela promete.
-Não acredite em nada do que ela diz, Scarlett. –Arthur diz, surpreendendo-me. –Lírida mente com a mesma facilidade com que respira. –Ele declara.
-Ah, vejam só, o reizinho crê que pode dar opinião. –Lírida fala. –Relevando que você se mostrou um péssimo parceiro, deixarei minha sobrinha acabar com sua ridícula existência. –Ela oferece. –Não foi para isso que você veio até aqui de verdade? Destruir o monstro que tentou violentá-la? Que prejudicou sua linda história de amor com o príncipe? Que manteve sua mãe em cativeiro por tantos anos? –Ela insinua.
A cadência da voz de Lírida é hipnotizante. Imediatamente, uma raiva insana por Arthur me domina e ergo seu corpo utilizando o vento, em seguida, retiro o ar de seus pulmões e paro seu fluxo sanguíneo. O rei se contorce e sua dor me traz um profundo prazer.
Movendo minha mão, quebro seus braços, o eco dos estalos se propagam pelo salão. Como se estivesse dedilhando um piano, espedaço suas costelas, uma de cada vez.
Liberte-se, garota!
Piscando os olhos, sinto algo pressionando minha mente, garras pretas impregnando de ódio cada lembrança, pensamento e sentimento que já possuí. Uma longa pata branca aparece de repente e sua luz expurga a escuridão de dentro de mim.
Me deve mais uma, Scar!
Uma dor forte me acomete assim que Lírida perde seu controle sobre mim e Arthur cai em uma tosse profunda, buscando ar e demonstrando sentir muita dor. John me ampara antes que eu mesma perca o equilíbrio e encaro uma Lírida confusa.
-Jamais serei como você, Lírida. Pode tramar sua vingança sozinha. Não atuarei como sua marionete. –Declaro, endireitando meus ombros.
-Escolha errada, meu bem. –Lírida rebate e lança uma adaga preta contra mim.
O príncipe me puxa a tempo e caímos no chão. O rei, do seu lugar no chão, parece horrorizado com a atitude da fada e age sem pensar, atirando fogo nela com o restante de suas forças. Lírida afasta o ataque como se se tratasse de um inseto insignificante.
-Estou cansada de você, reizinho. –Lírida decreta.
O tempo parece desacelerar enquanto Lírida libera uma flecha negra de sua palma que atravessa a garganta de Arthur e o decapita instantaneamente. Ao longe, ouço um grito agudo que parece ser de Katrina e sinto o corpo de John enrijecer ao meu lado.
O sangue do rei verte por todo o piso, manchando-o de carmesim. Petrificada, consigo apenas encarar a cabeça e corpo sem vida de Arthur.
-Se você não vai me ajudar por bem, irá fazê-lo por mal. –Lírida determina.
Com um gesto veloz, Lírida me arrasta para si e estende meu corpo a sua frente. Ela me segura pela garganta e começa a sugar minha força vital. A dor e angustia que sinto são tão intensas que não consigo me impedir de gritar.
Sem que eu esteja esperando, tudo acaba e meu corpo é jogado ao chão. Lírida parece consternada ao andar ao meu redor.
-Você não está pronta. –Ela afirma. –Sabe qual a melhor forma de evoluirmos, Scarlett? –Questiona enquanto tento focar minha mente anuviada. –A dor. –Lírida prossegue.
Os olhos da fada encontram a John que ainda olha fixamente o corpo inerte do pai. No tempo de um fôlego, ela levanta sua mão e arremessa uma lança flamejante que se choca diretamente contra o peito do príncipe.
-NÃO! –Escuto minha boca emitir, porém, não consigo sentir absolutamente nada ao observar John se curvar e seu corpo se esparramar pelo chão.
Meu ser explode em luz, sombras e cores. Meus ossos, tecidos e órgãos se desfazem e refazem em questão de segundos. Torno-me um redemoinho, um tornado que se espalha por todo o castelo e além dele, carregando devastação por todos os cantos. Torno-me uma imensidão de vazio e completude simultaneamente.
Lírida ri e esse som enfurece o que restou da minha consciência. Estilhaço todos os vidros ao meu redor e direciono os cacos afiados contra ela. Para minha surpresa, longas asas negras surgem em suas costas e a resguardam. Ela tenta se aproximar de mim ao fim da minha investida, mas eu arremesso seu corpo pelas frestas das paredes e incendeio tudo ao meu redor.
Escuto um estalo em minha coluna e uma agonia intensa se alastra em cada fragmento meu. Tão rápido quanto surgiu, a dor se esvai e me torno completamente corpórea novamente.
Entretanto, sinto um peso novo a partir das minhas omoplatas. Ao tocá-las, tateio por um tecido macio e suave emergindo de minha pele. Quando me levanto, reparo que duas longas asas surgiram em minhas costas, seu comprimento chegando até os azulejos.
-Scarlett. –Escuto John me chamar.
Correndo até ele, embalo-o em meus braços e miro seu rosto pálido. Meus olhos instantaneamente ficam turvos e a visão embaçada.
-Não fale, guarde as suas forças. Vou te levar até Dário, ele saberá o que fazer. –Suplico com urgência.
-Vou amar você para sempre. –John promete e suas pálpebras se fecham.
Chorando vertiginosamente e em completo desespero, sinto o calor do fogo a consumir todo o castelo. Pegando John em meu colo, alço voo seguindo somente os meus instintos. Arruinados e destroçados, deixamos um palácio de cinzas para trás e alcançamos o céu límpido e azul.
Olá, pessoal! Saindo o ÚLTIMO CAPÍTULO DE PALÁCIO DE CINZAS! \\\O////
O planejamento era para sexta, mas ainda é de madrugada, então só atrasei um pouquinho.
Gostaram? Espero que sim!
Um beijo grande!
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