Capítulo 16

- O que pensa que está fazendo? - Pergunto ao empurrar Bruce.

- Tentando te beijar. - Ele sorri de canto.

- Bem... Eu não quero que me beije. - Minto.

- Tudo bem então. - Seu sorriso some dos lábios. - Prometo que não te forçarei a nada.

- Obrigada.

Estou surpresa por estar sendo tão forte em resistir o charme do Bruce, porque é a segunda vez que ele me beija e eu consigo fugir antes que ele aprofunde o beijo.

Meu corpo quer ceder, mas minha mente manda eu fugir, porque eu sei que se acabar cedendo, irei me arrepender amargamente, porque Bruce só quer me enganar.

Talvez eu devesse parar de ser tão idiota, e fazer o mesmo com ele, e assim ninguém iria se magoar, porque da mesma forma que ele está tentando me usar, eu também iria usá-lo para matar minha curiosidade.

Ele deve estar com muita raiva por eu ainda não ter cedido ao seu encato, porque como ele mesmo já falou, as mulheres caem ao seus pés, e eu estou sendo mais difícil que o normal.

Se eu decidir não ceder, vai chegar o momento em que Bruce vai desistir de tentar me seduzir, e então eu não irei descobrir quais os seus planos.

Ao mesmo tempo que quero saber o que ele planeja, também não quero, pois eu sei que eu insistir nesse assunto, poderei acabar me machucando, e com toda certeza essa é a última coisa que quero.

Sei muito bem que seria uma tremenda idiotice se apaixonar por um homem como Bruce, mas eu sei que ninguém manda no próprio coração, então poderei acabar caindo na minha própria armadilha.

- Vamos jantar? - Bruce pega minha mão.

- Claro.

Ele começa a caminhar, e ainda segurando minha mão entramos em um cômodo novo, que está perfeitamente organizada para um jantar romântico.

- Você que preparou isso tudo? - Pergunto.

- Sim. - Ele exibe um sorriso convencido.

- Está tentando fazer eu me apaixonar por você Bruce? - Brinco com ele.

- Está dando certo?

- Não, mas a intenção foi boa. - Sorrio largo.

Se antes eu já estava com o pé atrás com Bruce, agora vejo o quanto esse homem é esperto e perigoso.

Bruce está fazendo de tudo para eu me sentir uma completa rainha, e tenho quase certeza que essa é a tática que ele usa para seduzir, e para falar a verdade ele está quase conseguindo.

Sei que tudo não passa de fingimento da sua parte, mas essa noite está muito agradável, mesmo que ele demonstre ser uma pessoa que não é.

- Sente-se. - Bruce puxa uma cadeira para mim.

- Obrigada. - Agradeço ao me sentar.

- Vou pegar nosso jantar, e já volto.

- Quer ajuda? - Indago.

- Não. - Ele nega com a cabeça.

Bruce sai da sala de jantar, enquanto eu pego uma das rosas vermelhas que está perfeitamente organizada em um vaso de porcelana, e começo a arrancar as pétalas uma por uma.

Não demora muito Bruce volta com com uma travessa em uma mão, e os pratos e talheres em outra. Ele coloca tudo sobre a mesa com muito cuidado, e então sai da sala de jantar novamente.

O cheiro da comida está maravilhoso, e então escuto minha barriga roncar alto, como se eu estivesse passando fome há dias.

- Como eu não sabia que você não bebia, acabei não fazendo algum suco. - Bruce fala ao voltar para a sala.

- Não se preocupe. - O tranquilizo. - Água é o suficiente.

Bruce serve dois copos com água, me entrega um e fica com o outro, e então da a volta na mesa, e se senta de frente para mim.

- Você não vai beber? - Indago.

- Não.

- Por quê? - Questiono.

- Vou te acompanhar essa noite. - Ele sorri. - Água é o suficiente.

- Ok. - Digo apenas.

- Quer que eu te sirva?

- Eu faço isso. - Digo.

Bruce me dá os pratos, e então sirvo o macarrão com camarões e entrego a ele, e faço o mesmo com meu prato.

- Obrigado. - Ele agradece.

Aceno com a cabeça enquanto pego meus talheres, e minha boca saliva com a expectativa de comer.

Pelo menos a aparência da comida do Bruce está muito boa, e espero que o gosto esteja tão bom quanto, porque seria muita decepção se ele cozinhasse ruim, pois eu teria que me forçar a comer, ou ficar com fome.

Pego um pouco do macarrão no garfo, e mais do que depressa o velo até minha boca, e quando sinto os sabores, fecho os olhos e dou uma gemida bem baixinho.

- Está bom? - Bruce parece querer minha aprovação.

- Está uma delícia. - Digo de boca cheia. - É o melhor macarrão que já comi na vida.

- Fico lisonjeado. - Bruce exibe um largo sorriso.

Se Bruce não estiver mentindo sobre ele ter feito a comida, ele realmente é muito bom no que faz, e merece cinco estrelas por apenas um macarrão com camarões.

- Confesso que duvidei que você era tão dotado na cozinha. - Assumo rindo.

- Sou bom em muitas coisas Malia. - Ele sorri de canto.

Começo a tossir freneticamente, porque quase me engasgo com a comida, e do nada Bruce aparece ao meu lado e me olha com preocupação.

- Você está bem? - Questiona.

- Estou sim. - Minha voz soa estranha.

Bruce pega o meu copo com água e me entrega, e mais do que depressa dou um gole no líquido e o coloco sobre a mesa de novo.

- Tem certeza que está bem? - Ele realmente parece preocupado.

- Sim. - Confirmo com a cabeça.

- Tome cuidado para não engasgar novamente.

- Está bem papai. - Sorrio largo.

Bruce revira os olhos e volta para seu lugar, e eu não perco tempo e começo a comer novamente.

- Vejo que gostou da minha comida.

- Sim, está muito bom. - Assumo.

- Podemos fazer isso mais vezes.

- O quê? - Indago. - Você cozinhar para mim?

- Isso.

- Por que faria isso? Nem somos amigos. - Digo.

- Por que eu gosto da sua companhia. - Bruce me encara com seriedade. - E quero continuar saindo com você.

- Agora está tentando me conquistar pelo estômago meu senhor?

- Está dando certo? - Bruce retruca.

- Talvez.

Bruce exibe um largo sorriso, como se tivesse ganhado um prêmio, e ele deve estar pensando que está me conquistando, porque estou baixando minha guarda aos poucos perto dele.

Se ele quer continuar me mimando, por quê não aceitar? Não sou uma mulher interesseira, mas vou aproveitar meu momento de donzela enquanto posso, pois eu sei que não vai durar muito.

Assim que Bruce perceber que eu sei que ele está mentindo, vai acabar com tudo, então não terei mais jantares de graça. Se ele me oferecesse qualquer outra coisa eu não iria aceitar, mas se tratando de comida, ele conseguiu tocar minha alma e meu estômago.

- O que quer comer no nosso próximo encontro? - Questiona Bruce.

- Me surpreenda.

- Tem alergia a algum tipo de alimento? - Pergunta.

- Não que eu sabia.

Passamos todo o jantar com Bruce fazendo perguntas sobre mim, mas se esquivando quando eu perguntava algo sobre ele, e depois de tudo que conversamos deduzi que ele teve uma infância de merda.

A minha também não foi das melhores, mas eu ainda tinha uma família que cuidava de mim, e Bruce nunca teve ninguém para protegê-lo da maldade humana.

Acho que ele é esse homem frio, e sem escrúpulos por tudo que ele viveu. Não estou justificando seus atos, mas quando uma pessoa nunca conheceu o que é o amor real, e passou toda sua vida vendo coisas ruins a sua volta, e também tendo que lidar com gente sem caráter o tempo todo para sobreviver, qual a probabilidade dessa pessoa ter empatia pelo próximo?

Bruce não sabe o que é amar, porque nunca conheceu esse sentimento, mas se ele ao menos tentar deixar seu passado no passado, e ver que nem todos a sua volta são pessoas ruins, sua vida será bem melhor.

Bruce tem de tudo. Ele é um homem bonito, é rico, é um cara de negócios e importante, mas tenho certeza que mesmo tendo tanto, Bruce não é nem um pouco feliz, apesar de mostrar isso a todos, mas eu sei que ele se sente vazio, só não assume isso.

- Me mostre onde é a cozinha. - Peço a ele.

- Para quê? - Indaga.

- Para eu lavar a louca.

- Não precisa. - Bruce balança a cabeça em negação.

- Claro que sim. Você cozinhou para mim, então o mínimo que posso fazer é lavar a louça.

Pego meu prato e os talheres, e coloco sobre o do Bruce, e então ele se levanta e começa a me ajudar.

Bruce começa a caminhar e eu o sigo de perto, tomando cuidado para não derrubar nada no chão, e alguns segundos depois adentramos a cozinha.

Coloco a louça suja na pia, e então começo lavá-las, e do nada me assusto com Bruce me abraçando por trás e beijando meu pescoço.

- Se não quer que eu te molhe, sugiro que se afaste de mim.

Bruce não me dá ouvidos e mais uma vez beija meu pescoço, então coloco um sorriso sacana nos lábios, pego a torneira da pia, e a ligo, e mais do que depressa fico de frente para Bruce e começo a jogar água nele.

- Mas... Pare com isso Malia. - Ele pede.

- Não. - Gargalho alto.

Bruce está todo molhado, e acabo baixando minha guarda para olhar seu peitoral marcado pela camiseta, e é nesse momento que ele pega desprevenida e também começa a me molhar.

Tento fugir, mas acabo me escorrendo e para evitar uma queda feia seguro em Bruce, e caio no chão com ele sobre mim.

- Você está bem? - Ele pergunta preocupado. - Bateu a cabeça?

- Eu estou bem. - Sorrio largo.

Sua feição se suaviza um pouco, e ele também sorri, e nesse momento meu coração salta no peito. Passo a mão em sua sobrancelha para aliviar a tensão em seu rosto, e só então Bruce parece relaxar completamente.

- Você é tão linda. - Sua voz soa meio rouca.

- Bem... Obrigada.

Bruce abaixa a cabeça lentamente até meus lábios, e assim que estamos a centímetros um do outro ele me beija, e dessa vez eu não fujo, e acabo retribuindo o beijo, mesmo que eu tenha certeza que irei me arrepender depois.

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