Capítulo 8 - Amiga de Infância.
Carolina Smith
Sábado de manhã em Paris. Acordei com o sol já brilhando forte lá fora, iluminando o quarto de um jeito que só um dia quente prometia fazer. Depois do evento de ontem, com toda aquela correria e tensão, hoje eu só queria um tempo para mim, passear pela cidade e me sentir realmente aqui, de verdade, como se Paris fosse minha.
Levantei-me e fui direto para o banho, sentindo a água morna relaxar meus músculos cansados. Lavei o cabelo com calma, aproveitando o momento de paz e tentando afastar as lembranças da noite passada, principalmente, de certo sorriso cafajeste que insistia em aparecer na minha mente. Saí do banho e me sequei devagar, escolhendo um vestido leve e fresco que combinava perfeitamente com o clima quente lá fora. Era uma peça confortável, solta, com um tom de azul suave que me deixava ainda mais animada para o dia.
Coloquei alguns acessórios delicados e deixei o cabelo solto, ainda com aquele aroma refrescante de shampoo. Olhei no espelho e sorri, gostando do que via, simples, mas suficiente para aproveitar o dia com leveza. Peguei minha bolsa, conferi se estava com tudo que precisava e saí do dormitório, respirando fundo ao me deparar com o céu azul e o ar fresco de Paris.
Caminhei pela rua, sentindo a excitação que cada esquina e fachada traziam. Tinha alguns planos simples para hoje: passear sem rumo, entrar em algumas lojas e, claro, tomar um café da manhã caprichado em alguma das inúmeras cafeterias espalhadas pela cidade. Eu ainda não sabia onde iria parar, mas essa era a melhor parte.
Escolhi uma cafeteria charmosa na esquina, com mesinhas ao ar livre que me chamaram a atenção. O aroma de café fresco e croissants acabados de sair do forno preenchia o ar, e eu já me sentia em casa ao me sentar, com um sorriso nos lábios. Depois de fazer meu pedido, fiquei ali apreciando a vista das ruas parisienses movimentadas, mergulhada nos pensamentos sobre os lugares que ainda queria explorar.
Estava distraída, observando as pessoas passarem, quando uma voz familiar interrompeu meus pensamentos.
— Desculpa, você é a Carolina?
Virei-me, e uma mulher de cabelos castanhos ondulados e olhos brilhantes me olhava com um sorriso curioso. Por um segundo, senti que a conhecia de algum lugar, mas não conseguia lembrar de onde. Então, como uma onda de lembrança que chega de repente, reconheci aquele olhar e o jeito caloroso que só uma pessoa poderia ter.
— Jenifer? — minha voz saiu quase em um sussurro, incrédula.
— Sim! — Ela sorriu ainda mais, e antes que eu pudesse reagir, já me envolvia em um abraço apertado. — Não acredito! É você mesma!
O abraço trouxe uma sensação de nostalgia tão boa que quase esqueci o tempo que havia se passado. Jenifer e eu éramos praticamente inseparáveis na infância e adolescência, mas ela se mudou para Paris ainda na adolescência com a família, e acabamos perdendo o contato ao longo dos anos. Ainda assim, ali, naquele abraço, a conexão parecia intacta, como se o tempo e a distância nunca tivessem existido.
Ela se sentou à minha frente, e eu ainda tentava processar a coincidência de nos encontrarmos logo no primeiro fim de semana em Paris.
— Meu Deus, ainda não acredito que é você! — ela disse sorridente.
— Eu também!! Faz tanto tempo que a gente não se vê! — digo sorridente e ela concorda.
— Mas e aí, conta tudo! Como você veio parar em Paris? — perguntou, apoiando o queixo nas mãos, com o mesmo olhar curioso de quando éramos crianças.
— É uma longa história — eu ri. — Recebi uma oportunidade de intercâmbio, de estudar gastronomia por três meses, então… cá estou! E também consegui um emprego temporário em um restaurante para ajudar nas despesas.
Ela assentiu, parecendo impressionada, e pude notar a empolgação dela.
— E você? Ainda mora por aqui? — perguntei, observando o jeito dela, que estava ainda mais francês do que eu poderia imaginar, com um ar chique e ao mesmo tempo descontraído.
— Moro sim, desde que vim com os meus pais. Eles voltaram para os EUA, mas eu me apaixonei por Paris e fiquei de vez. — Ela fez uma pausa, observando-me. — Você não mudou nada, sabia? Além da aparência, que ficou ainda mais bonita. Mas acho que ninguém além de você teria coragem de largar tudo e vir explorar o mundo.
— E você continua a mesma também. Só que com mais estilo francês agora, né? — brinquei, rindo.
Ela riu junto, e por um momento senti que todos aqueles anos de distância sumiam. Era como se nossas conversas tivessem sido apenas interrompidas temporariamente e agora seguissem naturalmente.
— E onde você está morando? — ela perguntou, curiosa.
— Estou em um dormitório na faculdade mesmo. É pequeno, mas é prático, e fica perto de tudo que preciso.
Jenifer sorriu, concordando, e, enquanto conversávamos sobre nossas vidas, o café chegou, ela pediu algo para ela que chegou rapidamente também e conversamos sobre as lembranças da infância e dos tempos de amizade continuaram surgindo, como se nunca tivéssemos nos separado.
Jenifer me olhou com um sorriso de curiosidade depois que terminamos nossos cafés.
— E o que você ia fazer agora? — perguntou, com a mesma animação que eu me lembrava dela ter quando combinávamos alguma aventura na infância.
— Nada muito planejado, só queria dar uma volta, conhecer algumas lojas, ver alguns pontos turísticos... Sabe, aquela vibe de turista mesmo — ri, percebendo como estava animada para explorar Paris ao lado dela.
Ela sorriu ainda mais.
— Então deixa eu te acompanhar! Posso te mostrar alguns lugares e, quem sabe, até ajudar você a não ser enganada com preços de turista — brincou, me lançando um olhar divertido.
— Com certeza! — concordei, feliz por ter uma companhia e, ainda mais, uma companhia tão especial.
Antes de sairmos, trocamos contatos e redes sociais, e ela me mostrou algumas fotos recentes dela por Paris, além de lugares bonitos onde ela sabia que eu iria querer ir. Começamos a caminhar pelas ruas charmosas da cidade, e logo as risadas e as conversas fluíam naturalmente, como nos velhos tempos.
A cada passo, colocávamos as novidades em dia. Falei um pouco sobre o curso de gastronomia, e quando mencionei o restaurante onde estava trabalhando, os olhos dela brilharam.
— Sempre soube que você ia acabar na gastronomia! Desde as nossas primeiras tentativas de fazer brownies, lembra? Você já tinha paixão por isso, mesmo sendo criança! — disse ela, com um sorriso orgulhoso.
— Eu me lembro, sim! — respondi, rindo. — E lembro que você já era aquela que sabia como “vender” as nossas aventuras para os nossos pais, como quando queimamos aquela panela e você deu uma desculpa perfeita para eles não brigarem com a gente.
Ela riu, balançando a cabeça.
— Sempre foi o meu sonho trabalhar com marketing. E consegui, sabia? Me formei ano passado e estou trabalhando com uma agência aqui em Paris! É desafiador, mas eu amo demais.
— Não acredito! Jenifer, isso é incrível! — respondi, genuinamente feliz por ela. — Fico tão feliz de saber que você também está fazendo o que ama.
Passamos o resto do dia explorando cada esquina, tirando fotos em pontos turísticos e visitando várias lojas charmosas. Jenifer me mostrou os melhores lugares para comer uma baguete autêntica, comprou uns macarons comigo em uma doceria famosa e até me mostrou uma loja de souvenirs que, segundo ela, tinha as lembranças mais lindas da cidade.
Era incrível como, mesmo depois de tanto tempo, a nossa amizade parecia intacta. Entre risadas e memórias, ficamos à vontade para compartilhar as dificuldades, os desafios e os sonhos. E, ao fim do dia, ao nos despedirmos, prometemos que repetiríamos aquele passeio logo, pois sentíamos que essa amizade antiga ainda tinha muitas histórias para viver em Paris.
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