Capítulo 7 - Momento Constrangedor

Carolina Smith

Depois do discurso dele, eu me peguei pensando demais naquilo. O jeito como Louis me olhou... não era só um olhar de quem analisa uma pessoa no meio de uma multidão. Havia algo ali, uma intensidade que fez um friozinho percorrer minha espinha. Confesso que não esperava, e muito menos conseguia entender por que estava me sentindo tão... inquieta.

Balancei a cabeça, tentando tirar aquilo da mente. Logo Camille apareceu ao meu lado, com um olhar sério.

— Carolina, preciso que vá até a cozinha buscar algumas bandejas de petiscos. Temos várias mesas para servir — disse ela, me apressando.

— Claro! Já estou indo.

Segui até a cozinha, coloquei as bandejas nas mãos e respirei fundo antes de voltar para o salão. O evento estava em pleno vapor, as pessoas pareciam cada vez mais à vontade, conversando, rindo e enchendo os copos. Fui de mesa em mesa, oferecendo as entradas, e de vez em quando recebia um elogio pela aparência ou um sorriso simpático. Apesar de tudo, o trabalho era até agradável, principalmente ao ver que o esforço para me arrumar tinha valido a pena.

Quando passei por um grupo de empresários que já estavam sendo servidos por outra garçonete, me senti um pouco aliviada por não precisar ir até a mesa dele. Apesar de ainda sentir o frio na barriga, continuei cumprindo meu trabalho, mantendo o olhar atento e o sorriso no rosto.

Depois de servir mais uma mesa, dei meia-volta para retornar à cozinha e buscar outra bandeja. Estava distraída, ajustando o relógio no pulso para ver se ainda faltava muito para o fim do evento, quando, de repente, esbarrei em alguém. A bandeja na minha mão quase virou, e por pouco não perdi o equilíbrio. Mas antes que eu pudesse sequer processar o que estava acontecendo, senti mãos firmes segurando minha cintura, me impedindo de cair.

Quando olhei para cima, meu coração deu um salto.

Era ele.

Louis Beaumont. O mesmo homem que acabara de fazer um discurso impecável e que me lançara aquele olhar intrigante. Ele era ainda mais impressionante de perto — alto, com um rosto que parecia talhado à mão, ombros largos e uma expressão levemente divertida enquanto me olhava.

— Cuidado... — disse ele, a voz baixa e rouca, e pude sentir meu rosto corando.

— D-desculpe, eu... não vi por onde estava andando — gaguejei, tentando me afastar, mas ele manteve as mãos firmes por mais um segundo, como se quisesse se certificar de que eu estava estável.

— Sem problemas. Também me distraí um pouco, parece que temos isso em comum — ele falou com um sorriso maroto, e algo em seu olhar me deixou sem palavras por um instante.

Eu dei um passo para trás, sentindo meu coração bater mais rápido do que o normal, mas sem perder a compostura.

— Bom... vou voltar ao trabalho. Obrigada... pelo reflexo rápido — murmurei, tentando parecer calma, embora meu rosto estivesse quente.

Ele apenas me deu um aceno, ainda com aquele sorriso cafajeste nos lábios. Enquanto me afastava e voltava para a cozinha, não consegui evitar olhar para trás, como se tentasse me convencer de que aquilo realmente tinha acontecido.

Depois daquele momento completamente constrangedor com Louis, eu me esforcei ao máximo para manter a concentração no trabalho. A cada nova bandeja que eu trazia da cozinha, me pegava olhando de relance para ele, apenas para me certificar de que não nos esbarraríamos outra vez — ou talvez fosse só uma desculpa para observá-lo de longe. Ele estava sempre cercado por pessoas, e parecia não faltar quem quisesse um minuto de sua atenção. Com o tempo, percebi que nossos olhares não se encontrariam mais naquela noite, o que, no fundo, foi até um alívio para o meu coração já acelerado demais.

O evento foi seguindo seu ritmo, as conversas tornaram-se mais baixas conforme os convidados iam se dispersando. Aos poucos, fui notando que o salão estava menos cheio, e as pessoas começavam a ir embora. Com isso, algumas das mesas já estavam sendo esvaziadas, e eu aproveitei para ir recolhendo as bandejas vazias e fazendo uma última rodada de petiscos e bebidas para quem ainda permanecia por lá.

Cada vez que passava por uma mesa, reparava em algo que me deixava animada: gorjetas generosas eram deixadas pelos convidados, dobradas ao lado dos guardanapos ou discretamente entregues na minha mão com sorrisos de agradecimento. Não esperava que fossem tão generosos, e isso fez um sorriso involuntário aparecer no meu rosto. Cada nota colocada discretamente no bolso do avental me fazia sentir uma satisfação diferente. Era quase como se aquela noite, que começou tão tensa e desafiadora, estivesse me dando uma recompensa.

Perto do final, enquanto eu guardava os últimos pratos, Camille apareceu ao meu lado, com uma expressão cansada, mas orgulhosa.

— Vejo que se saiu bem hoje, Carolina. Parabéns — disse ela, dando-me um sorriso rápido.

— Obrigada, Camille. Foi um evento... interessante, para dizer o mínimo — respondi, ainda tentando manter o profissionalismo.

Ela soltou uma risadinha, olhando para o salão quase vazio.

— É, esses eventos costumam ser uma mistura de elegância e tensão. Mas você lidou bem. Aproveite as gorjetas, foi uma boa noite, não?

— Sim, com certeza — concordei, sentindo a felicidade transbordar um pouco na minha voz.

Quando os últimos convidados finalmente deixaram o local, dei uma última olhada para o salão. Por mais exausta que estivesse, ainda sentia aquela satisfação boa de um trabalho bem feito. E mesmo com aquele momento estranho com Louis, eu sabia que essa noite ficaria marcada na minha memória — não só pela experiência de trabalhar em um evento tão luxuoso, mas também pelo inesperado encontro com um homem que, por algum motivo, ainda permanecia em meus pensamentos.

Claro, Carolina! O homem é um extremamente gostos0, você queria o que?

Expulsei meus pensamentos intrusos e maliciosos e voltei a trabalhar.

Quando finalmente terminei minha última tarefa, senti o alívio de poder ir embora. Caminhei em direção à saída, já me imaginando no dormitório, longe de toda a elegância e tensão daquele lugar. Desci as escadarias da entrada, respirando o ar fresco da noite, ainda carregando a energia agitada do evento.

Foi então que, ao levantar o olhar, vi Louis. Ele estava a alguns metros de mim, se preparando para entrar em um carro esportivo impecável, tão elegante quanto ele mesmo. Não era possível ignorá-lo, mesmo em meio aos outros carros luxuosos. A cena parecia saída de um filme, e por um breve momento, senti o tempo parar.

Louis notou que eu o observava e, com aquele sorriso cafajeste que agora parecia sua marca registrada, me lançou um olhar intenso. Ele fez um leve aceno de cabeça, sem desviar o sorriso, e eu senti minhas bochechas esquentarem. Era como se aquele gesto carregasse um toque de provocação, como se ele soubesse exatamente o impacto que causava.

Com um pouco de timidez, sorri de volta e levantei a mão em um breve aceno, quase sem pensar. Meu coração batia um pouco mais rápido, e algo me dizia que ele tinha notado. Ele manteve o olhar fixo em mim por mais um segundo antes de finalmente entrar no carro, desaparecendo atrás das portas escuras.

Respirei fundo, tentando me recompor, e segui em direção ao ponto de táxi. A noite em Paris era linda e iluminada, e eu ainda sentia a adrenalina correndo em minhas veias. Quando entrei no táxi, encostei a cabeça no assento e fechei os olhos por um momento, relembrando o sorriso despreocupado de Louis.

Assim que o táxi começou a se afastar, abri os olhos e observei a cidade lá fora. Paris parecia um lugar completamente novo, cheio de possibilidades e desafios, e por um breve instante, eu me perguntei se aquela noite seria apenas o começo de algo muito maior.

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