Capítulo 15 - Perigo em Vermelho

Louis Beaumont

A pontualidade sempre foi uma das minhas qualidades — quando eu queria, é claro. Estacionei meu carro em frente ao campus às 19h55, o céu já escuro dando um tom ainda mais charmoso à cidade. Liguei o rádio baixo e me recostei no banco, esperando por ela.

Confesso que ainda não tinha entendido muito bem por que essa mulher mexia tanto comigo. Carolina era diferente. Não era do tipo que caía na minha conversa, e isso me deixava... inquieto. Eu estava acostumado a ter o controle, a ser o caçador, mas com ela parecia que o jogo era outro.

E então eu a vi.

Ela saiu pelo portão do campus como um furacão disfarçado de mulher. Os cabelos loiros estavam soltos, caindo em ondas suaves sobre os ombros. A maquiagem era sutil, mas o suficiente para destacar cada traço daquele rosto que já tinha invadido meus pensamentos mais vezes do que eu queria admitir. E aquele batom vermelho...

Ah, aquele maldito batom.

Meu olhar desceu, e foi aí que perdi completamente o fio da racionalidade. O vestido vermelho justo abraçava cada curva dela como se tivesse sido feito sob medida, insinuando sem ser vulgar, provocando sem revelar demais. As pernas, realçadas por um salto que não era muito alto, mas o suficiente para deixá-la ainda mais irresistível, completavam o conjunto.

Por alguns segundos, fiquei congelado. Não sou do tipo que perde a fala facilmente, mas ali, sentado no carro, me vi sem palavras. A única coisa que passava pela minha cabeça era o quão tentadora ela parecia.

E quão facilmente eu perderia a cabeça por ela.

"Controle-se, Louis." Era o que eu dizia a mim mesmo, mas meu lado cafajeste estava em festa. A visão dela fazia com que meus pensamentos tomassem um rumo nada apropriado. Aquele vestido... eu já imaginava tirando ele com os dentes.

Ela se aproximou do carro, e eu desci antes que meu cérebro explodisse com as imagens que ele insistia em projetar. Quando nossos olhares se cruzaram, percebi que ela sabia o que estava fazendo. O sorriso dela era um convite, mas também um desafio.

— Você está... — comecei, mas a palavra certa não saía. Linda? Maravilhosa? Gostos@? Não fazia jus. — Deslumbrante.

Ela arqueou a sobrancelha, divertida, como se soubesse exatamente o impacto que causava.

— Obrigada — respondeu, com um tom casual, como se minha reação fosse exatamente o que ela esperava.

Deus, aquela mulher era um perigo.

— Esse vestido... — soltei, incapaz de me conter. — É... perigoso.

Ela riu, e o som foi como uma provocação direta.

— Espero que você dirija bem, então.

Eu ri junto, balançando a cabeça. Ela sabia jogar, e isso só fazia meu interesse crescer. Abri a porta do carro para ela, observando enquanto ela entrava com uma graça natural que só aumentava meu desejo.

"Louis, foco. Controle-se."

Assim que me sentei ao volante, respirei fundo, tentando afastar os pensamentos nada apropriados que insistiam em voltar. Mas a verdade era que Carolina não me dava paz. E, no fundo, eu não queria que ela desse.

Enquanto dirigia, ainda tentando me concentrar, a única coisa que passava pela minha cabeça era: essa mulher vai ser a minha perdição.

O restaurante que escolhi não era exatamente conhecido por sua discrição, mas tinha o clima perfeito: uma atmosfera que transbordava charme e um toque de sensualidade. Luzes baixas, música suave ao fundo, e as mesas, embora próximas, ofereciam certa privacidade graças aos arranjos estratégicos de cortinas de veludo e divisórias baixas.

Assim que entramos, notei como os olhares se voltaram para Carolina. O vestido vermelho, que já tinha me hipnotizado, parecia fazer o mesmo com todos ao redor. Um misto de orgulho e ciúme me percorreu. Por um lado, eu adorava ter aquela visão ao meu lado. Por outro, a ideia de outros homens olhando para ela com desejo me incomodava mais do que eu gostaria de admitir.

Fomos conduzidos a uma mesa mais reservada no canto do salão. A luz baixa refletia no vinho dos outros clientes, criando um brilho quente e convidativo. Puxei a cadeira para ela antes de me sentar do outro lado da mesa. Um garçom apareceu rapidamente, oferecendo o cardápio, mas antes mesmo de olhar, pedi:

— Traga uma garrafa do Château Margaux 2015.

Carolina arqueou uma sobrancelha.

— Não sabia que você era especialista em vinhos.

— Não sou — respondi, lançando-lhe um sorriso travesso. — Mas sei escolher o melhor.

Ela apenas balançou a cabeça, como se estivesse decidindo se minha confiança era encantadora ou irritante.

Enquanto o garçom saía para buscar o vinho, eu me inclinei levemente na mesa, observando-a. O batom vermelho ainda estava impecável, e a luz baixa acentuava a tonalidade dourada dos cabelos dela. Era difícil não me perder olhando para ela, então resolvi desviar minha atenção antes que ficasse óbvio demais.

— Então, Carolina, me fale sobre você.

Ela piscou, surpresa.

— Sobre mim?

— Sim, você. O que gosta de fazer, o que está estudando, de onde veio... Essas coisas.

— Ah, claro — ela respondeu, recostando-se na cadeira. — Gosto de dançar, mas não sou profissional. Cozinhar também me relaxa, então estou estudando gastronomia. É um curso curto, mas bem intenso.

— Hum... uma mulher que dança e sabe cozinhar. Interessante.

Ela revirou os olhos.

— Não sou tão interessante assim.

— Discordo completamente.

Ela ficou em silêncio por um momento, como se estivesse decidindo quanto queria compartilhar.

— Sou dos Estados Unidos — continuou. — De um estado pequeno que provavelmente você nunca ouviu falar. Minha vida lá era... normal, eu acho. Até que tudo virou de cabeça para baixo e vim para Paris.

— Virou de cabeça para baixo como?

Ela hesitou, e percebi que tinha tocado em um assunto delicado.

— Nada importante — disse, desviando o olhar. — Só algumas mudanças que me fizeram querer começar de novo.

Eu podia insistir, mas algo me dizia que era melhor não forçar. Em vez disso, decidi mudar de rumo.

— E Paris? Está gostando?

— Estou — ela respondeu, um sorriso surgindo no canto dos lábios. — É uma cidade encantadora. Diferente de tudo que já experimentei.

— Concordo. Mas Paris também tem suas armadilhas.

— Armadilhas?

— Como homens perigosamente charmosos — brinquei, lançando um olhar provocador.

Ela riu, mas não parecia impressionada.

— Talvez, mas acho que posso lidar com eles.


O vinho chegou, e o garçom serviu nossas taças. Levantei a minha em um brinde improvisado.


— Às mulheres que acham que podem lidar com homens perigosamente charmosos.


— Às mulheres que sabem que podem lidar com eles — ela corrigiu, erguendo a taça com um brilho desafiador nos olhos.


Tomei um gole do vinho, sentindo o calor dele descer pela garganta. Mas o calor real estava na nossa conversa. Cada palavra trocada, cada olhar, cada risada era uma espécie de dança, uma disputa para ver quem cederia primeiro.


Eu sabia que estava entrando em território perigoso com Carolina. Mas o que eu podia fazer? Algumas coisas valem o risco.


...


O jantar chegou em pratos impecavelmente montados, trazendo aromas que se misturavam com o perfume de Carolina. Tudo naquele ambiente parecia conspirar para aumentar a tensão entre nós: o jogo de luzes que realçava os contornos do rosto dela, o vinho suave que aquecia cada gole, e, claro, o vestido vermelho que parecia ter sido feito para me enlouquecer.


Ela estava mais à vontade agora, como se tivesse deixado de lado qualquer receio inicial. Quando pegou o talher e cortou um pedaço delicado do prato à sua frente, seus movimentos eram elegantes, mas sem esforço. Cada gesto parecia calculado para me distrair.


— E então, Louis? — Carolina começou, apoiando o cotovelo na mesa e me olhando com aquele brilho de quem está começando a entrar no jogo. — Qual é a sua história?


— Minha história? — arqueei uma sobrancelha, divertindo-me.


— Sim, acho justo. Você já sabe bastante sobre mim. Está na hora de equilibrar o jogo.


Eu ri, tomando mais um gole de vinho antes de responder.


— Bom, sou de Paris, como provavelmente já adivinhou. Minha família é... como posso dizer? Tradicional. Tenho algumas responsabilidades que me ocupam muito, mas tento aproveitar a vida ao máximo. — busquei melhor as palavras para expressar a ela os negócios da família, sem que ela entendesse a real jogada do que eu fazia.


Ela me olhou com ceticismo.


— Responsabilidades? Parece até que está tentando me convencer de que trabalha.


Inclinei-me levemente sobre a mesa, aproximando-me dela.


— E você acha que não trabalho, Carolina?


Ela sorriu, mas não respondeu de imediato, optando por beber um gole do vinho enquanto sustentava meu olhar. Depois, respondeu:


— Não sei. Você parece mais o tipo que prefere deixar outras pessoas fazerem o trabalho enquanto aproveita os frutos.


— Depende do trabalho — murmurei, minha voz assumindo um tom sugestivo.


Os olhos dela brilharam com a provocação, e ela recostou-se na cadeira, claramente se divertindo.


— Bom saber.


Havia algo intrigante nela. Carolina não era como as outras mulheres que conheci, que normalmente se derretiam ao primeiro sinal de atenção minha. Ela jogava de igual para igual, como se estivesse testando meus limites.


— E o que mais gosta de fazer além de cozinhar e dançar? — perguntei, voltando a explorar o terreno.


Ela hesitou, mas não por timidez. Era como se estivesse decidindo o quanto queria compartilhar.


— Eu gosto de desafios. De me colocar em situações onde preciso provar a mim mesma que posso vencer.


Me inclinei para frente, cruzando os braços sobre a mesa enquanto sorria lentamente.


— É mesmo? E acha que me venceria em algo?


Ela riu baixo, a risada suave que parecia deslizar pela minha pele como um toque.


— Acho que já estou vencendo.


— Você tem certeza disso? — perguntei, mantendo o olhar fixo no dela.


— Absoluta — respondeu com confiança.


A maneira como ela disse isso, com tanta firmeza e autossuficiência, me fez querer testá-la.


— Então, me diga, Carolina... Esse vestido foi escolhido para provar algo?


Ela ergueu a sobrancelha, mas não parecia nem um pouco intimidada.


— Talvez.


— E conseguiu o que queria?


Ela inclinou a cabeça levemente, como se estivesse avaliando a resposta.


— Ainda estou avaliando os resultados.


Minha mente estava em completo caos. Era raro encontrar alguém que soubesse brincar com palavras como ela, alguém que me deixasse na defensiva e ao mesmo tempo aumentasse meu desejo com cada resposta.


— Cuidado, Carolina — avisei, minha voz baixa e rouca. — Você está brincando com fogo.


Ela sorriu, mas o sorriso era doce e provocativo ao mesmo tempo.


— E você acha que eu não sei?


Eu ri, um som baixo e genuíno, algo raro para mim. O resto do jantar foi uma troca constante de provocações, flertes e olhares que diziam mais do que qualquer palavra. A forma como ela respondia às minhas investidas, sem nunca ceder totalmente, era ao mesmo tempo frustrante e irresistível.


Quando finalmente pedimos a conta, eu já sabia que essa noite era apenas o começo. Carolina não era como ninguém que eu havia conhecido antes, e eu estava disposto a fazer o que fosse necessário para descobrir até onde ela iria nesse jogo.


— Está pronta para ir? — perguntei enquanto me levantava.


— Claro.


Ela aceitou minha mão para ajudá-la a sair da cadeira, e o toque breve foi suficiente para me deixar querendo mais. Quando saímos do restaurante, o ar fresco da noite parisiense parecia um contraste cruel com o calor que ela provocava em mim.


Eu estava determinado. Carolina Smith era um desafio que eu não podia deixar de enfrentar, e algo me dizia que ela também estava disposta a jogar.




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