Capítulo 14 - Sem alternativas.
Carolina Smith
Depois de uma semana evitando qualquer pensamento sobre Louis, comecei a acreditar que, talvez, o universo tivesse finalmente decidido me dar um pouco de paz. Minha rotina estava cada vez mais focada no curso e nos pequenos momentos de distração que eu conseguia encontrar, como andar pelas ruas de Paris ou explorar as lojas próximas ao meu alojamento.
Naquela tarde, decidi entrar em uma pequena loja de antiguidades. As vitrines exibiam peças únicas, e eu não resisti ao charme do lugar. O sino da porta tocou suavemente quando entrei, e um cheiro leve de madeira antiga e livros velhos tomou conta do ambiente.
Passei pelas prateleiras, admirando os detalhes de cada item exposto. Estava tão absorta no ambiente que quase não notei a figura alta entrando na loja.
— Não sabia que você gostava de lugares assim, Carolina.
Meu corpo travou antes mesmo de me virar. Eu reconheceria aquela voz em qualquer lugar. Lentamente, virei-me e lá estava ele: Louis, de terno impecável, parado a poucos passos de mim. Ele tinha um leve sorriso no rosto, mas seus olhos transmitiam algo mais... curiosidade, talvez até provocação.
— Louis — disse, tentando manter minha voz estável. — O que está fazendo aqui?
— O mesmo que você, suponho. Explorando.
Eu revirei os olhos, tentando disfarçar o nervosismo que sua presença causava. Voltei minha atenção para um relógio antigo em uma das prateleiras.
— Bom, aproveite seu tempo.
Quando comecei a me afastar, ouvi seus passos seguindo na mesma direção.
— Uma semana inteira sem sequer olhar para mim no restaurante... E agora, aqui, fingindo que não me conhece? — ele perguntou, com um tom que parecia mais uma acusação do que uma pergunta.
Parei e me virei para ele, cruzando os braços.
— Não estou fingindo nada, Louis. Estou apenas vivendo minha vida, como qualquer pessoa faria.
Ele deu um passo à frente, diminuindo a distância entre nós.
— É isso que você chama de normal? Me tratar como se eu fosse um estranho?
— Não vejo outro jeito de tratá-lo. Não somos amigos, nem nada parecido.
Louis arqueou uma sobrancelha, como se estivesse analisando cada palavra minha. Antes que eu pudesse reagir, ele avançou mais um passo, encurralando-me contra a prateleira atrás de mim.
— Você tem certeza disso? — Sua voz estava baixa, quase um sussurro, mas havia algo em seu tom que fez minha respiração falhar.
Eu tentei me afastar, mas suas mãos estavam firmes nas prateleiras ao meu lado, bloqueando qualquer fuga. A proximidade dele me deixou completamente nervosa. O cheiro de seu perfume era intoxicante, e sua presença dominava o espaço.
— Louis, o que você está fazendo? — perguntei, minha voz vacilando.
— Tentando entender por que você está fugindo de mim, Carolina. — Seus olhos estavam fixos nos meus, e a intensidade de seu olhar fez meu coração disparar.
— Eu não estou fugindo — menti, desviando o olhar.
Ele inclinou a cabeça, forçando-me a encará-lo novamente.
— Então por que está tão nervosa?
Engoli em seco, sentindo o calor subir pelo meu rosto. Ele estava tão perto que eu podia sentir a respiração dele contra minha pele.
— Eu não estou nervosa — retruquei, tentando soar firme, mas minha voz saiu mais fraca do que eu esperava.
Louis sorriu de canto, como se soubesse exatamente o efeito que tinha sobre mim. Ele inclinou-se levemente, aproximando seus lábios do meu ouvido, e sussurrou:
— Você é uma péssima mentirosa, Carolina.
Meu coração parecia querer sair do peito, e, por um segundo, achei que ele fosse me beijar. Mas, em vez disso, ele se afastou lentamente, mantendo o olhar fixo no meu, como se estivesse esperando algo.
Eu finalmente encontrei forças para me mover, escapando por uma brecha ao lado dele.
— Isso foi completamente desnecessário — disse, ajustando minha postura e tentando recuperar o controle.
Louis apenas deu de ombros, aquele sorriso enigmático ainda nos lábios.
— Talvez. Mas foi divertido.
— Divertido? — Cruzei os braços, tentando esconder meu nervosismo. — Você está acostumado a brincar com as pessoas assim?
— Não com todas as pessoas. Só com você.
Revirei os olhos e comecei a caminhar em direção à saída da loja. Louis não tentou me seguir dessa vez, mas senti seu olhar em mim até que a porta se fechasse atrás de mim.
Lá fora, respirei fundo, tentando acalmar meu coração acelerado. Ele era um problema que eu não sabia se queria enfrentar.
E, pior ainda, algo em mim temia que esse problema estivesse longe de terminar.
Saí da loja com passos rápidos, tentando me distanciar do que acabara de acontecer. Louis sempre parecia saber exatamente como me desestabilizar, e isso estava começando a me irritar. Respirei fundo enquanto caminhava em direção ao alojamento da faculdade, esperando que o ar fresco de Paris clareasse minha mente.
Os minutos passavam, mas eu ainda sentia meu coração acelerado, como se ele ainda estivesse ali, parado na minha frente. Balançando a cabeça, tentei afastar os pensamentos. Ele não significava nada para mim, e eu não deixaria que suas palavras ou ações me afetassem.
Mas, claro, o universo parecia conspirar contra mim.
Um som de motor chamou minha atenção, e, ao olhar para o lado, vi o carro de Louis desacelerando ao meu lado na calçada. Ele estava dirigindo com uma mão, enquanto a outra descansava casualmente no volante.
— Você não vai fugir de mim para sempre, Carolina — disse ele, com um sorriso de canto.
Revirei os olhos, tentando ignorá-lo e continuar andando.
— Você já fez sua cena na loja, Louis. Não precisa continuar.
— Cena? — Ele riu, desacelerando ainda mais para acompanhar meu ritmo. — Não foi uma cena, foi só o começo.
— Louis, vai embora. Não tenho tempo para isso.
— Não até você aceitar sair comigo.
Parei de andar por um segundo, virando-me para encará-lo.
— Não vou sair com você.
— Vai, sim — respondeu ele, com confiança, como se minha recusa não tivesse a menor importância.
Voltei a andar, desta vez mais rápido, mas ele continuou me seguindo com o carro.
— Você sabia que sou muito persistente? — ele disse, sua voz carregada de provocação. — Posso continuar isso a noite toda.
— Boa sorte com isso.
Ele riu novamente, mas havia algo em sua risada que era ao mesmo tempo irritante e intrigante.
Quando o alojamento finalmente surgiu à vista, apressei ainda mais meus passos, torcendo para que ele desistisse. Mas, assim que cheguei ao portão, ouvi o motor desacelerar e parar. Olhei por cima do ombro e vi Louis saindo do carro com aquele mesmo sorriso de sempre.
— Então é aqui que você mora? — ele perguntou, olhando em volta. — Agora eu sei onde te encontrar.
— Ótimo, mais um motivo para você não me seguir mais.
— Ao contrário, Carolina. Agora sei que você não tem como escapar.
Eu bufei, cruzando os braços. Ele realmente não tinha limites.
— Por que você está fazendo isso, Louis?
— Porque você me intriga — respondeu ele, sem hesitar. — E porque sei que você quer tanto quanto eu.
Meu rosto corou, e antes que eu pudesse responder, ele continuou:
— Aceite sair comigo. Só uma noite. Prometo me comportar.
Soltei um suspiro exasperado, mas, ao mesmo tempo, sabia que ele não iria desistir. E, no fundo, parte de mim estava curiosa para ver até onde isso iria.
— Tudo bem — disse finalmente. — Uma noite. Mas, se você ultrapassar qualquer limite, acabou.
O sorriso de Louis se alargou, como se já soubesse que eu acabaria cedendo.
— Não vou te decepcionar. Passo aqui às 20h para te buscar. Esteja pronta.
Antes que eu pudesse responder, ele voltou para o carro e acelerou, desaparecendo pela rua.
Fiquei parada por um momento, tentando entender o que acabara de acontecer. Eu não tinha ideia do que estava me metendo, mas algo me dizia que essa noite seria tudo, menos comum.
...
Assim que entrei no quarto, fechei a porta e me joguei na cama, sentindo o coração ainda acelerado. A cena de Louis me seguindo até o campus se repetia na minha mente como um filme. Ele era teimoso, eu precisava admitir. E, de algum jeito, essa teimosia começava a mexer comigo.
Peguei meu celular e, sem pensar muito, liguei para Jenifer. Precisava compartilhar aquilo com alguém antes que minha cabeça explodisse.
— Carolina! — A voz dela soou animada do outro lado. — Como foi o dia?
— Confuso — respondi, soltando um suspiro. — Você não vai acreditar no que aconteceu.
— Manda!
Contei tudo: o encontro na loja, o jeito como ele me seguiu de carro até o alojamento e como, no fim, acabei cedendo e concordando em sair com ele. Jenifer ficou em silêncio por alguns segundos, mas eu sabia que era só o tempo de processar antes de uma resposta cheia de comentários.
— Então ele vai mesmo insistir? — ela perguntou, com um tom que misturava curiosidade e diversão.
— Parece que sim. Ele disse que vai me buscar às 20h.
Ela riu.
— Esse cara está te testando, Carolina. Tenho certeza que ele quer te conquistar, te fazer se apaixonar, e aí você vai virar mais uma no clube das mulheres loucas por ele.
— Bom, ele vai quebrar a cara — respondi, tentando soar mais confiante do que realmente estava. — Porque eu não vou cair nessa.
— Não vai? — Jenifer parecia cética.
— Não mesmo. Quer saber? Se ele quer brincar, então eu também posso. Tenho só três meses em Paris, não tenho nada a perder.
— É disso que estou falando! — Jenifer exclamou, rindo. — Você vai entrar no jogo dele?
— Vou. Não custa me divertir um pouco.
Do outro lado da linha, Jenifer parecia estar se animando ainda mais.
— Isso vai ser bom pra você, amiga. Deixe ele pensar que está no controle.
— Exato. Ele quer me testar? Então vamos ver quem realmente está no comando.
— Eu adoro essa nova versão de você — Jenifer comentou, rindo. — E olha, se precisar de dicas, pode me chamar. Vou te apoiar a ser uma ótima malandra.
Eu ri junto, me sentindo mais leve pela primeira vez em dias. Jenifer tinha razão, talvez fosse mesmo uma boa ideia virar o jogo. Louis queria brincar? Então eu mostraria que sabia jogar também.
— Obrigada, Jen. Vou precisar de todo o apoio.
— Sempre! — ela disse com um tom animado. — Agora, me promete que vai arrasar nessa saída e me contar tudo depois.
— Prometo.
Depois de desligar, fiquei encarando o teto por alguns segundos, processando tudo. Não sabia exatamente onde isso me levaria, mas algo me dizia que estava prestes a entrar em um jogo perigoso.
E, pela primeira vez, eu estava pronta para arriscar.
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