Capítulo 12 - Conselhos

Carolina Smith

O sol já iluminava o apartamento de Jenifer quando acordei, a cabeça ainda um pouco pesada da noite anterior, mas nada que uma xícara de café não resolvesse. Espreguicei-me e me levantei, indo até a cozinha. O cheiro de café recém-passado tomou conta do ambiente, e Jenifer estava lá, com o cabelo bagunçado e uma camiseta longa, mexendo distraidamente em uma panela.

— Bom dia, festeira! — ela brincou, virando-se para mim com um sorriso.

— Bom dia — respondi, sentando-me em uma das cadeiras ao redor da mesa. — Parece que você acordou animada.

Ela deu uma risadinha enquanto colocava uma xícara de café na minha frente. — Eu diria o mesmo de você, depois da noite que teve.

Senti minhas bochechas ficarem quentes e peguei a xícara para disfarçar. Jenifer sentou-se à minha frente, claramente esperando que eu contasse tudo.

— Tá, tá bom — comecei, suspirando. — Eu meio que beijei Louis de novo.

Os olhos dela se arregalaram, mas não parecia surpresa, apenas curiosa.

— De novo? Carolina, quando isso começou?

Contei os detalhes, começando pelo primeiro beijo na frente do banheiro e como ele apareceu quando eu estava chamando o Uber. Jenifer me ouviu com atenção, mas sua expressão foi mudando conforme eu falava.

Quando terminei, ela colocou a xícara de lado e me olhou séria.

— Ok, vou te dizer uma coisa, porque somos amigas e eu me preocupo com você. Eu conheço Ryan faz um tempo, e conheço alguns amigos dele. Todos têm o mesmo estilo: são cafajestes, Carolina.

— Cafajestes? — perguntei, surpresa.

— Sim. Eles são daqueles que amam o jogo da conquista, te fazem sentir como se fosse única no mundo, mas no dia seguinte... é como se nada tivesse acontecido. É sexo casual, diversão. Eles são ótimos no momento, mas depois te tratam como se você fosse qualquer uma.

Eu fiquei em silêncio, processando o que ela dizia. Ela segurou minha mão sobre a mesa e continuou:

— Louis provavelmente é igual. Pelo que eu vi dele, ele não é diferente. Então, se você quiser se proteger, o melhor que pode fazer é não se apegar e, principalmente, não deixar ele perceber que você tá pensando nele. Isso só vai inflar o ego dele.

Suspirei e balancei a cabeça. — Eu nem pensei nisso, Jen. Quer dizer, eu sei que ele é aquele tipo de homem que tem qualquer mulher que quiser, mas...

— Então mantenha assim — ela me interrompeu. — Porque eu já vi acontecer. As mulheres acabam se jogando, ficam atrás deles, e eles simplesmente ignoram. O truque é não dar bola.

— Entendi. — Tomei um gole do café, tentando digerir o que ela dizia. — Mas, sinceramente, acho que nem vou ver ele de novo.

Jenifer deu um sorriso maroto. — E se ver, trate como se fosse qualquer um. Finja que nem lembra do que aconteceu. Isso vai deixar ele pirado, porque, normalmente, as mulheres correm atrás deles, sabe? Se humilham.

Eu ri, tentando imaginar a cena. — Vou me lembrar disso.

Jenifer assentiu, satisfeita. — Ótimo. Agora come alguma coisa e vamos planejar o que fazer hoje.

Sorrimos, e a conversa mudou para outros assuntos. Mas, lá no fundo, eu sabia que as palavras dela faziam sentido. Louis era alguém que poderia facilmente mexer comigo, mas eu não podia deixar isso acontecer.

Enquanto Jenifer falava sobre outros planos para o dia, olhei de relance para o celular e percebi que já estava quase na hora da aula.

— Ai, meu Deus, vou me atrasar! — exclamei, me levantando rapidamente. — Depois a gente marca de sair juntas, ok?

Jenifer riu, balançando a cabeça. — Vai lá, futura chef.

Peguei minha bolsa e me despedi dela com um abraço rápido. Para minha sorte, o apartamento de Jenifer ficava bem perto do campus, então eu poderia ir andando. O dia estava agradável, e a curta caminhada até o dormitório foi até revigorante.

Assim que cheguei, corri para o banheiro e tomei um banho rápido. Troquei de roupa, colocando algo confortável para a aula, e saí apressada, mas ainda com tempo suficiente para não perder nada importante.

No caminho até a sala, meus pensamentos voltaram à conversa com Jenifer. As palavras dela ecoavam na minha mente, mexendo comigo mais do que eu esperava. "Não deixe transparecer, não dê a eles o poder." Eu sabia que ela estava certa, e aquilo me fez refletir.

Durante a aula, enquanto o professor explicava sobre técnicas de apresentação de pratos, minha mente vagava. Eu pensava em como tinha deixado a minha antiga vida nos Estados Unidos me moldar. Sempre tentando agradar, sempre buscando a aprovação dos outros, sempre deixando que certas situações me fizessem sentir menos.

Mas agora... agora era diferente. Eu estava em Paris. Uma nova cidade, uma nova fase, uma nova Carolina.

Talvez seja isso, pensei comigo mesma, enquanto fingia prestar atenção nas anotações. Talvez eu precise usar essa oportunidade para ser alguém diferente. Não deixar ninguém me diminuir ou me tratar como se eu fosse descartável.

Respirei fundo, sentindo uma pequena onda de determinação me envolver.

Paris não seria só um destino de sonhos, seria meu recomeço. Eu faria valer cada segundo. E ninguém, absolutamente ninguém, teria o poder de me fazer sentir menos do que eu realmente era.

Voltei minha atenção para a aula, tentando me concentrar nas explicações sobre o prato que estava preparando. O cheiro da comida misturado com o som suave das panelas e das risadas de alguns colegas me ajudava a me ancorar no momento, a perceber que, apesar de tudo, eu estava ali por um motivo maior.

Quando terminei de preparar o prato, dei uma última olhada para ele. A combinação de cores e texturas estava perfeita. Era um prato simples, mas bem executado, e eu estava orgulhosa do que havia feito. Peguei meu celular e tirei uma foto rápida, tentando capturar todos os detalhes que tornavam aquele prato tão especial.

Com a imagem na galeria, fiquei alguns segundos pensando. Senti uma pequena empolgação. Era o primeiro prato que eu havia feito em aula e também a primeira vez que eu estava compartilhando algo tão meu com o mundo, algo que fazia parte do meu futuro. Decidi então postar nas redes sociais. Na legenda, coloquei algo simples, mas sincero:

"Primeiro prato em Paris, aprendendo todos os dias. 🍴 #Paris #Culinária #Gastronomia"

Coloquei a localização, algo que nunca tinha feito antes, e cliquei em "publicar".

Ao ver a foto online, uma sensação de ansiedade e empolgação tomou conta de mim. Era algo novo, algo diferente. Eu não sabia bem o que esperava, mas algo me dizia que talvez aquilo fosse o primeiro passo para algo maior.

Dentro de algumas horas, comecei a ver as notificações de curtidas e novos seguidores chegando. Eu não tinha muitos seguidores ainda, mas já estava recebendo alguns comentários de colegas da faculdade e até de pessoas que eu mal conhecia. Fiquei surpresa ao ver que aquilo estava começando a crescer.

Foi quando uma ideia começou a tomar forma. Se as pessoas estavam começando a acompanhar o que eu estava fazendo, talvez eu pudesse compartilhar mais do meu aprendizado, meus processos, as receitas que estava criando. Eu sempre amei ensinar, e quem sabe isso poderia se transformar em algo mais no futuro?

“Divulgar meu conhecimento na internet”, pensei. “Quem sabe um blog ou um canal? Pode ser um bom caminho para depois de terminar o curso, quando for procurar um emprego.”

A ideia me parecia empolgante, e foi como uma luz que se acendeu dentro de mim. Se eu aproveitasse a plataforma certa, poderia criar um portfólio digital que mostrasse o meu trabalho, a minha dedicação e talvez até me abrisse portas para um futuro melhor.

Decidi que, ao invés de apenas seguir a rotina de estudar, trabalhar e viver em Paris, eu começaria a criar um conteúdo relevante para as pessoas que, como eu, amavam a gastronomia. A sensação de controle sobre o meu destino me dava forças.

Ainda não sabia por onde começar exatamente, mas a ideia de usar as redes sociais para mostrar meu crescimento e, quem sabe, construir uma base para o futuro me parecia mais do que possível. Eu só precisava ter coragem para seguir em frente.

Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top