Sentimentos - END
Músiquinha para dar play antes de iniciar o capítulo♥️
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— Está pronta? — Derek indagou no momento em que a introdução da música "Old Time Rock n' Roll" do cantor Bob Seger começou a tocar na vitrola a qual o garoto estava próximo, exibindo um sorriso divertido nos lábios e carregando seu celular na mão esquerda, apontando a câmera do mesmo para a porta amadeirada um pouco à frente dele — Três, dois, um e...
Just take those old records off the shelf
Quando o primeiro verso começou, Heather empurrou a porta com a mão e deslizou pelo piso laminado. Ela ainda usava o roupão azul de plástico — as vestes hospitalares padrão daquele hospital — e carregava em sua mão uma vassoura.
I'll sit and listen to 'em by myself
Ao mesmo tempo em que fazia um Lip Sync da música, ela rodou com a vassoura, e em seguida começou a fazer uma dancinha no ritmo da melodia.
Today's music ain't got the same soul
Derek ria, gravando-a com o celular. Já era um pouco tarde, e depois da correria que fora aquele dia, os jovens deveriam estar descansando. Mas uma garrafa de vinho e meia acabou por dar um pouco de gás a eles.
I like that old time rock 'n' roll
A loira tropeçou nos próprios pés e quase, quase caiu. Jogou a cabeça para trás e gargalhou após isso, em seguida apontando para o celular do garoto.
— Eu sempre quis fazer isso — declarou para ele, que observava aquilo com um sorriso nos lábios. — Vem, venha comigo! — Se aproximou, encostando a vassoura na parede próxima a ele e em seguida segurando a sua mão livre.
— Não, não — negou com a cabeça. — Eu estou bem — Ela começou a puxá-lo — Heath, eu não danço. — Riu, encerrando a gravação e apoiando o celular na estante da vitrola antes de ser puxado para onde a garota estava, agora junto a ela, que voltara com seus movimentos e com seu Lip Sync.
— I like that old time rock 'n' roll! — ela cantou em voz alta. — Still like that old time rock 'n' roll!
— Deus... você está bêbada — disse o garoto, encarando-a de cima a baixo com as sobrancelhas arqueadas e o mesmo sorriso nos lábios.
— That kind of music just soothes the soul! — ela continuou, com um sorriso no rosto. Estavam tão próximos um do outro que um inclinar de cabeça de algum deles seria o suficiente para que seus rostos se encostassem. — I reminisce about the days of old...
— With that old time rock 'n' roll... — Derek completou sem muito ânimo na voz, revirando os olhos. A loira bateu uma palma e levou uma mão ao ombro dele, deixando um riso escapar.
...
O resto daquela noite foi divertido. Ouviram diversas músicas, Derek observou as coreografias de Heather que, por muita vezes pediu para ele dançar, mas ele recusou, e após a última tentativa da garota, ela correu até o sofá e pegou uma almofada, jogando-a nele, iniciando assim uma guerra de almofadas que não demorou muito para fazer com que o moreno tivesse uma crise de espirros pelo fato de ainda estarem um pouco empoeiradas.
Após isso, sentaram-se na varanda e observaram o vasto céu pouco nublado enquanto riam em meio às conversas aleatórias que tinham. Falavam de seus amigos, relembravam momentos engraçados os quais tinham passado junto a eles, Heather até mesmo contou coisas que Derek não sabia, coisas que aconteceram quando ele ainda não estava naquela cidade, ou pelo menos quando não tinha amizade com os outros. Chegara até mesmo a mudar o rumo das histórias divertidas para uma história trágica, contando tudo o que aconteceu com Stephanie Carter. Isso não chocou muito o garoto, visto que ele já sabia de algumas coisas, mas foi bom ouvir a história de uma forma mais detalhada. Despertou mais ainda a sua curiosidade. Quem será que a matou? Acho que posso pesquisar mais a fundo sobre isso depois... tinha pensado.
Daniel havia emprestado seu casaco à Blake. Era engraçado como um simples gesto como aquele acabou sendo especial para ela. Estava um pouco frio lá fora e suas roupas só chegariam amanhã a noite, quando Victor as trouxesse. Então, por enquanto, teria de usar aquele roupão de plástico azul que não esquentava nem um pouco seu corpo magro e frágil.
Tem o cheiro dele, ela tinha pensado no momento em que vestiu aquela jaqueta, tentando evitar corar as bochechas. Não queria ficar assim perto daquele garoto, por mais que ele denotasse ser alguém de confiança, ainda sim não sabia como agir perto dele. Ainda mais depois daquele beijo... Bom... estava bêbada agora, quem sabe deixar esse tipo de preocupação para amanhã não fosse melhor...
Em meio ao assunto sobre o "Caso Stephanie Carter", Heather se deitou no chão e não demorou muito para pegar no sono ali mesmo, enquanto o garoto dizia uma de suas teorias sobre o caso, afirmando que Stephanie poderia estar sendo ameaçada já há um tempo e estava escondendo isso dos outros. Mas quando questionou se ela estava tendo um comportamento estranho e não teve sua pergunta respondida, olhou para aquela loira por cima do ombro, vendo-a adormecida.
— Acho que pode me responder amanhã... — ele disse, se levantando em seguida, pensando em como iria levá-la para a cama sem acordá-la. Bom, considerando que muitas pessoas quando estão bêbadas têm o sono pesado, talvez ela tivesse também...
Com a maior delicadeza possível, ele a pegou no colo, passando um braço por debaixo de suas pernas e o outro por debaixo de sua cabeça. Ela acabou por resmungar e se mexer um pouco, mas não abriu os olhos. Tentando se concentrar no caminho e não cambalear, a levou até o quarto mais próximo e a deitou na cama antes de pegar um dos cobertores que Victor colocou na ponta da mesma e cobri-la. Disse um "boa noite" mentalmente e em seguida saiu do quarto, fechando a porta devagar, pensando no que faria agora. Estava bêbado, sem um pingo de sono e não podia mexer muito em seu celular porque estava sem o carregador.
O jeito é tentar dormir de qualquer forma, pensou, dirigindo-se ao outro quarto e se jogando na cama forrada, porém sem um travesseiro sequer. Eu deveria pegar uma almofada na sala, mas estou com tanta preguiça...
Encarou a janela a qual permitia que a luz amarelada da varanda adentrasse àquele quarto, achando engraçado o fato de que se ficasse olhando para lá por muito tempo, aquela abertura de madeira começava a tombar para o lado. Suspirou e tapou o rosto com ambas as mãos, pensando na ressaca que teria amanhã. Já conseguia sentir seu estômago queimar.
Refletiu sobre o dia de hoje, odiando — e ao mesmo tempo amando — o fato de que de todos os momentos inesquecíveis que teve naquele período, sua mente só conseguia reproduzir e repetir um: O que Heather o beijou.
Não conseguia esquecer o quanto os lábios dela eram macios, o quanto queria tomá-los novamente, o quanto aquela garota era bonita e.. o quanto por trás de toda aquela beleza, ela conseguia esconder algo tão horrível e trágico... que era capaz de comover qualquer pessoa que ouvisse sua história...
Bom, embora conseguisse lidar de uma outra maneira, Derek não era tão diferente. Ele também tinha segredos, também tinha um passado que o feria até os dias de hoje, e só de pensar que confessara aquilo para aquela garota, sentia-se incomodado, porém devia aquilo à ela.
Graças a Victor, sua equação foi resolvida. Agora sabia basicamente tudo o que aconteceu com Heather, tudo o que a levou até aqui. Fato era que gostaria de protegê-la, fato este que o consumia por dentro de desejo, preocupação, cuidado, e sabe-se lá quantos sentimentos diferentes corriam pelo seu coração. Mas sabia, por mais bobos que fossem, era ótimo senti-los, ao mesmo passo que um medo estranho percorria seu ser...
Esticou o braço para pegar o celular em seu bolso, notando ao apertar o botão acima deste, que sua bateria já estava um pouco menos da metade. Ignorando esse fato por um momento, digitou sua senha e acessou a galeria, observando algumas fotos e vídeos que havia conseguido durante esses dois meses com seus novos amigos. Fotos e vídeos engraçados, felizes... ele sempre travava o olho em uma certa garota britânica de cabelos loiros. E ao rever pelo menos umas três vezes o vídeo que gravara dela dançando e em seguida o chamando para se juntar, com um sorriso bobo nos lábios pensou:
Não faz isso comigo, Heath... você é tão... céus, deve ser o efeito do álcool...
***
Três horas da manhã.
Eram três horas da manhã e Victoria ainda estava acordada, olhando para o teto, enquanto seu celular fazia com que a música "I Won't Go Home Without You" da banda Maroon 5 repercutisse pelo seu quarto em baixo som.
Era ridículo estar ali deitada por horas, ouvindo pela quinta vez sua playlist de músicas sobre término? Bom, para ela era. Se sentia ridícula com aquilo, mas não parou sequer uma vez. Eu nem pareço eu mesma... pensou. Eu deveria estar pouco me fodendo para isso. E quer saber? Eu vou.
Pegou o celular ao lado de seu travesseiro e quando se deu conta de que horas eram, um singelo "Puta merda" escapou de seus lábios, seguido de um "Eu tenho aula amanhã".
— Só vou bloqueá-lo e vou dormir. Foda-se o Andrew Reincke... não... não posso bloqueá-lo, ele vai pensar que estou ligando para isso. Talvez eu deva...
Tuc tuc tuc tuc tuc
O barulho de algo batendo em sua janela cinco vezes fez com que a garota desse um salto na cama. São três horas da manhã e tem alguém batendo na minha janela?
— Deus, por favor, perdoe as vezes em que não fui uma pessoa boa.
— Victoria! — ouviu uma voz abafada e, de certa forma, familiar. Soltou o celular na cama, se levantou e correu até aquela janela, abrindo as cortinas de pano rosa e dando de cara com Harry ali apoiado em uma escada de madeira. Ela arregalou os olhos de imediato e em seguida levantou a parte debaixo de sua janela para abri-la.
— Você é maluco?! Sumiu por dois dias! — tentou demonstrar que estava irritada de uma forma baixa para não acabar acordando os outros, observando seu primo passar por aquela abertura com uma certa dificuldade por conta do espaço ser um pouco pequeno para ele.
— Tenho de devolver a escada para a casa da árvore do vizinho... Sabe que eu sempre quis ter uma daquelas? Foi injustiça o tio Roger não ter construído uma para a gente.
— Harry! Por que você sumiu? Para fugir do castigo e ir beber? Thomas nem sabia onde você estava, Derek não respondia minhas mensagens e meus pais estão super preocupados com você! Que merda andou aprontando?!
— No primeiro dia eu não quis ficar em casa enquanto vocês se divertiam no restaurante. E no segundo... Bom, isso é confidencial. Céus, ainda bem que vi a luz do seu quarto acesa, se não eu teria de dar um jeito de pular o cercado do quintal e talvez até ter de dormir por lá mesmo... — Victoria deu um soquinho em seu peito, forte o suficiente para que ele fizesse uma careta e deixasse um "ouch" escapar. — Hoje por um acaso é o dia das mulheres baterem no Harry? — Levou a mão ao local atingido, alisando-o.
— Esteve com uma mulher?! Hah, eu sabia... eu deveria deixar mesmo você dormir no quintal! — um silêncio se instalou na sala por um momento. Victoria continuava a encarar Harry, que olhava para o chão sem saber o que dizer. Em seguida, ela lhe deu um abraço. — Ficamos tão preocupados... quase tivemos de chamar a polícia para procurar você, mas... eu sabia que estava aprontando, como você sempre faz. — Sorriu, apoiando a cabeça no peito do jovem que sorriu também e retribuiu o abraço, deixando um suspiro escapar.
— Graças a Deus não chamaram... — pensou alto, fazendo com que a garota levantasse a cabeça para olhá-lo e perguntasse "o quê?" — É... ainda bem que não chamaram, imagina a repercussão que isso iria dar. — Disfarçou.
Espero que nenhum policial tenha passado por aqui também... bom... acho que Vicky teria comentado se tivesse passado.
***
"NÃO! PARE COM ISSO!"
Derek mal fechara os olhos e já os abrira novamente pelo susto que havia tomado ao ouvir Heather gritar. Se levantou de imediato e correu até o quarto onde a garota se encontrava, ligando o interruptor, fazendo com que a agora a luz amarelada iluminasse aquela jovem sentada na cama, com os braços cruzados em um X enquanto as mãos apertavam os próprios ombros. Sua cabeça estava baixa, permitindo que suas madeixas desgrenhadas tampassem as laterais de seu rosto, e sua boca trêmula emitia os sons baixos de seu choro.
Ao ver aquilo, a lembrança do evento naquele encontro veio à cabeça de Derek no mesmo momento. Perguntava-se se aquilo acontecia com frequência... provavelmente sim, visto que ele soube há pouco tempo que Heather começou a tomar alguns remédios receitados pelo psiquiatra que a examinou no final do mês passado...
Merda, os remédios! ele pensou, se aproximando da garota em passos rápidos.
— Heath... — encostou a mão em suas costas, fazendo-a estremecer, arfar e olhá-lo rapidamente pelo susto. Seu rosto estava bem rosado e as lágrimas trilhavam pelas suas bochechas.
— Foi só... — passou a mão pelo rosto numa tentativa de limpar as lágrimas e abaixou a cabeça novamente. — Foi só outro pesadelo... — Fungou. — Acontece de vez em quando e... Deus, o que estou fazendo aqui? Eu deveria estar em um reformatório...
— Por que? — ele franziu o cenho. — Concordo que deveria ter recorrido a uma autoridade ao invés de matá-lo, mas... eu entendo o medo. Se estivesse em seu lugar, provavelmente faria o mesmo.
— Não, você não entende! E não é só sobre ele que eu estou falando, eu fiz aquele táxi bater e quase matei aquela mulher!
— Espera, o quê? — indagou totalmente confuso em meio ao que a garota acabou de dizer.
— Ele... ele quer acabar com minha vida... — voltou a chorar. — Não vai parar até conseguir isso... eu não sei mais o que fazer...
— Há quanto tempo está sem tomar os seus remédios, Heather?
— Três dias... mas... isso não importa... Não foi isso que me fez causar aquele acidente...
— Vou pedir para Victor trazê-los amanhã — se sentou no pequeno espaço ao lado dela e envolveu suas costas com um braço, parando a mão no ombro dela e passando a alisá-lo gentilmente. — Para te ajudar a dormir melhor...
A loira encarou aquele garoto calada e passou a refletir um pouco enquanto ele levava a outra mão a uma de suas madeixas e a colocava atrás de sua orelha. Desde o ocorrido tinha aquele problema dentro de si. Jason costumava a assombrar apenas os seus sonhos, por um tempo conseguiu conviver com eles, mas após Derek beijá-la naquele encontro, eles passaram a se intensificar mais a cada dia, fazendo com que a garota tivesse de apelar para uma consulta ao psiquiatra para conseguir seus remédios — coisa que ela não queria, mas não tinha escolha. James também a obrigara a ir — A única vez em que algo como o que aconteceu no táxi ocorreu, foi quando Bernarde Husky a agarrou no banheiro da casa dos Reinckes no "Ritual Anual" do ano passado. Mas isso não piorou a sua situação, pelo menos não como agora.
É tudo um fruto da minha insegurança. É o medo de alguém me tocar, é o medo de eu me relacionar com alguém. É tudo fruto de algo que minha mente criou após Jason ter feito aquelas coisas comigo... pensou.
Já houveram diversos garotos que deram em cima de Heather em Heaven Hills. Ela já recebeu várias cantadas, algumas bonitas, algumas dignas de se ter vergonha e outras bem nojentas. Isso sempre a incomodou bastante, de uma forma inexplicável, mais do que incomodaria uma garota comum, porém ela tentava relevar. O único que fez algo além das palavras — fora o Bernarde. —, algo que ela quis corresponder... foi o garoto ao seu lado, que agora percorria com os dedos o caminho que estes fizeram para colocar uma de suas madeixas atrás de sua orelha.
E se eu desafiasse minha mente? Será que eu conseguiria vencer isso? ela pensou, tentando ignorar a dor que sentiu em seu coração e a aflição que tomou conta de si devido ao fato de ter cogitado tal ideia. Bom, de qualquer forma... Eu não conseguiria dormir sozinha nem se eu quisesse.
— Quer dormir comigo? — ela perguntou. O garoto deu de ombros.
— Okay — foi tudo o que disse. Não estranhou sua pergunta, sabia que ela estava assustada e que provavelmente teria dificuldades de dormir daquela forma.
***
Segunda-Feira, 22 de setembro de 2014
Victor não conseguiu expressar tamanha foi sua revolta quando chegou em casa pela madrugada — após ter estacionado o carro de Derek do outro lado da rua —, viu uma caixa de pizza fechada em cima da mesa e no momento em que a abriu, notou que havia apenas o pedaço de uma borda da pizza. Pela manhã, sua avó disse que foi uma punição por ele ter saído sem avisar e perguntou diversas vezes onde o garoto estava. Ele se cansou de dizer que estava jogando videogame com Derek, o que fez com que Claire — que dormiu na casa dos Reinckes naquela noite — e Andrew estranhassem. Eles mal conversavam um com o outro, nem mesmo tinham uma amizade, estavam mais para colegas de um mesmo grupo e resolveram jogar videogame juntos justo no dia em que Heather desapareceu? Para os dois jovens, isso era bem suspeito.
Após ter se separado de seu irmão e sua amiga nos corredores do colégio de Heaven Hills, se dirigiu ao seu armário um tanto irritado por ter dormido bem pouco e ainda ter aguentado sua avó reclamando pela manhã, além de tentar se desviar das perguntas de Andrew sobre o que realmente tinha acontecido. Ele chegou até a perguntar se Derek era gay e se os dois estavam tendo um caso.
Está doido para comer minha melhor amiga, é claro que ele não é gay, foi o que quis dizer naquela hora, mas ao invés disso, ele só negou e disse o quanto o ruivo estava sendo estúpido por estranhar tanto o fato de Daniel e ele estarem sendo amigos. Bom... de certa forma, eles não eram amigos. Mas aquela era a primeira desculpa que veio na sua cabeça naquele momento e a única que poderia acobertar.
Seu rosto estava visivelmente cansado, isso passava percebido por qualquer um que passasse os olhos nele naquele momento. Ele girou a combinação de seu armário com uma lentidão que fez até mesmo com que algumas pessoas ali presentes pensassem que ele poderia desmaiar de sono ali mesmo. E para Victor, aquilo era possível.
— Victor! — uma voz feminina exclamou, fazendo-o se assustar e girar nos calcanhares de imediato, sussurrando um "porra" não só pelo susto, mas também porque não esperava que aquela garota viesse conversar com ele agora, ainda mais em um momento como aquele. O único contato que tiveram desde aquela noite foram algumas ofensas e indiretas que ela postava em seu Twitter e em seu Facebook, mas que quase sempre eram ignoradas por ele. — Podemos conversar? Por favor?
Suas madeixas azuis estavam amarradas em dois rabos de cavalos baixos, um de cada lado, caídos sobre seus ombros. O receio era evidente em seus olhos cor de mel junto aos lábios rosados comprimidos e a ruga presente no meio de suas sobrancelhas negras e um pouco grossas.
Reincke suspirou.
— Escuta, Rach... sei que está abalada porque não correspondo os seu sentimentos ou sei lá o que, mas... por que não entra na sua cabeça? Eu gosto de paus. E já deixei isso claro muitas vezes.
— Do que está falando, seu estúpido? — o olhou de cima a baixo. — Mas que droga! Não acredito que um viadinho egocêntrico de merda como você vai ser o pai do meu filho.
— Espera... o quê?
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