Samantha - END
Sophie Turner como Heather Blake/Sam Allen
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Todos foram para a delegacia. Como parte do acordo, James havia sido solto, mas nem mesmo lhe deram a chance de ver a “filha” desaparecida. Apenas o mandaram partir. E assim, injuriado, ele foi, junto de Andrew e de sua filha Claire.
Derek não havia sido levado para um reformatório mesmo tendo feito o que fez. Após ter ouvido um sermão de Phil Abraham e de Alex Wilbert sobre o fato dele portar uma identidade falsa, esconder a filha de Christopher Allen e mentir, além de se livrar das provas em seu telefone, ele conseguiu se livrar de tudo com apenas uma pergunta:
“De quanto precisam para me soltar?”
…
Saiu da delegacia com as mãos nos bolsos de sua jaqueta verde-escura sentindo um pesar em seu coração. No final, o esforço para salvar aquela garota havia sido totalmente em vão e isso o irritava profundamente, além de também entristecê-lo. Ele havia a perdido…
Terminando de descer as escadas pétreas, pôde sentir as gotas de chuva caírem sobre si. Eram tão ligeiras que não demoraram para molhá-lo por completo no caminho até o seu carro. Logo a porta do lado do motorista foi aberta, revelando Harry que encarava seu amigo com a boca entreaberta, carregando uma certa culpa em seu olhar. Ele havia pedido aos policiais para que pudesse levar o carro do amigo, o que foi permitido apenas quando o garoto lhes mostrou sua carteira de motorista. Também foi autorizado a levar consigo a cachorra Debbie, localizada no banco de trás.
— Hey, cara, eu sinto mui… — foi interrompido por um soco de direita em sua bochecha, o que fizera com que, além da dor do impacto, o garoto mordesse-a por dentro. — PORRA! — Grunhiu, levantando o rosto em seguida e entortando o maxilar. — Okay… — Levou a mão ao local atingido com uma careta estampada em seu semblante. — Talvez eu tenha merecido isso.
Ao sacudir a mão uma vez e retomá-la ao bolso, o jovem de cabelos longos fechou os olhos e tomou uma respiração profunda.
— De qualquer forma, você não teve muita escolha, certo? — por mais durão que Derek fosse, ou que ao menos mostrava ser, ele não conseguiu esconder o tom amargurado em sua voz naquele momento.
— Na verdade, eu não sei… Ouch… — fechou os olhos com força, mas os abriu no mesmo minuto. — Ninguém sabe o que realmente é verdade. Eu a entreguei porque eles me pressionaram e eu fiquei com muito medo. Sinto muito, cara, de verdade... Fui um péssimo parceiro de crime…
Daniel quase disse algo do tipo “Ainda bem que você sabe”, mas estava certo de que não podia culpá-lo. Afinal, ele era apenas um adolescente comum, não sabia como lidar com aquele tipo de coisa. Era óbvio que ficaria assustado e que não precisariam de tanto para fazê-lo entregar tudo.
— Não, cara, está tudo bem, essa foi e vai ser a última vez que colocaremos nossas vidas e liberdades em risco. Agora só vamos nos preocupar em curtir, em estudar e...
— E com as gostosas — completou com um sorriso malicioso nos lábios, assentindo com a cabeça. Seu amigo deixou um riso anasalado escapar, mesmo não estando no clima para tal piada.
— Melhor irmos embora — desviou o olhar para o vidro da parte detrás do carro em que estava próximo e, em meio às gotas de chuva que deslizavam por este, pôde ver um par de patinhas cor de rosa pressionando ali. — Devo admitir que foi um péssimo dia para levá-la para passear — Suspirou.
***
Família…
Um conceito bem amplo, que deveria não só englobar o vínculo sanguíneo, mas também o amor e a proximidade daqueles cujos realmente são importantes para cada um dos membros, não descartando também, a presença de pai, mãe, e gente que no final, só quer nos ver feliz e vice-versa. E assim, sentindo a família, o que um pai a procura de sua filha desaparecida há mais de três anos normalmente faria ao reencontrá-la?
Um abraço forte... Um beijo estalado na testa, um choro emocionado, um dizer: “Estava morrendo de saudades”, seguido de incessantes questionamentos como: “O que aconteceu?”, “Por que você sumiu?”, “Você está bem?”
...Mas não foi isso que acontecera no reencontro de Christopher Allen com sua filha dessa vez acordada. Pelo menos, não dessa forma...
— Você nos deixou preocupados, Samantha — disse ele de pé, com sua carranca encarando a jovem ruiva sentada na cadeira, segurando ambas as pontas de uma toalha branca que cobria seus ombros. Os cabelos ainda estavam molhados, assim como o mesmo conjunto de moletom que trajava. — Deveria ver o estado em que deixou sua mãe. Ela estava grávida. Consegue imaginar como foi para ela lidar com aquilo enquanto segurava sua irmã na barriga?
Claro, agora ela seria a culpada. Como se já não bastasse todo aquele sofrimento, toda a agonia acumulada capaz de fazê-la jogar tudo para o alto e de fato fugir de casa... No final, ela era a única causadora de todo o sofrimento da família. Por mais que não quisesse mais derramar lágrimas, não conseguia negar a tamanha dor de cabeça alastrada em seu cérebro e a vontade incessante de conseguir paz de um jeito nada convencional...
— V-você não mudou nada — retrucou com a voz trêmula e o olhar desviado. — Continua sendo o mesmo pai de merda…
— Samantha, tenha um pouco mais de respeito…
— NÃO! — exclamou, levantando-se da cadeira de supetão, fazendo com que a toalha em seus ombros caísse para trás. — Você nunca foi um bom pai para mim! — Empurrou a cadeira, provocando um estrondo quando esta se chocou contra o azulejo. — Nunca foi um bom pai para Noah! Era como se nós dois não existíssemos para você! EU ESTAVA FELIZ AQUI! — Se aproximou da mesa que os separava e deu um soco na mesma. — EU TINHA UMA FAMÍLIA DE VERDADE! — A fúria em seus olhos brilhantes pelas lágrimas era visível, tornando-os belas jóias preciosas. — Sinto pena da minha irmã estar crescendo com vocês… e eu realmente espero que Noah já tenha saído de casa!
Por que tinha de ser assim? Por que a vida tinha de ser tão injusta? perguntou-se. A sombra do que era sua felicidade demorou a ser reconstruída, e agora, como um castelo de areia, ao tocante da mais leve maré se desfazia na frente de uma única pessoa. Alguém que deveria amá-la, compreendê-la… alguém que lhe colocara no mundo...
Às vezes... Pode ser terrível não poder escolher a família a qual irá nascer...
As duras palavras de sua filha apenas causaram ao policial um longo suspiro indignado, além de levar a mão para a própria testa, escorrendo-a pelo seu rosto, puxando as bolsas de seus olhos para baixo. E então, Christopher levou a mão ao pequeno microfone preso no bolso de sua farda e, com algum resquício do que poderia ser considerado um pesar em seu coração, ligou o aparato com força. Após um pequeno chiado causado pela estática daquele objeto, disse:
— Podem mandar os paramédicos entrarem — ao ouvir aquelas palavras, os lábios de Heather (Ou Samantha) se entreabriram e seus ombros antes pouco elevados desceram. — Você vai me agradecer depois por isso. — Talvez pela primeira vez em toda a sua vida, ela conseguira ver os olhos de seu pai marejarem, mas mesmo assim sua carranca continuava. — Me desculpe, filha… Eu deveria ter feito algo no momento em que eu e sua mãe percebemos o problema…
— Que paramédicos?! De que problema você está falando?! — no momento em que terminara a frase, dois homens de branco entraram ao local, fazendo um forte barulho na porta atrás da ruiva. Eles eram altos e fortes, muito mais em comparação a Christopher, que era apenas um pouco mais alto do que sua filha.
— Eu discutia com a sua mãe pois pensava que tudo aquilo era apenas uma forma que a sua mente encontrou para lidar com o luto, mas com o tempo, seu quadro foi agravando — ele suspirou mais uma vez, mantendo o olhar marejado aos olhos afoitos de sua filha. — até que tudo saiu do controle quando você esfaqueou o seu irmão.
— EU TIVE MOTIVOS PARA ESFAQUEÁ-LO! — os dois homens agarraram seus braços. — QUE TIPO DE POLICIAL VOCÊ É?! QUE NEM MESMO TEVE UMA SUSPEITA DO QUE AQUELE MONSTRO FAZIA COMIGO?! — eles a arrastavam para fora da sala enquanto ela gritava e, sem sucesso, tentava se livrar das mãos daqueles grandes homens. — EU ODEIO VOCÊ! — Tentava olhá-lo por cima do ombro.
— ELE É SANGUE DO SEU SANGUE! — finalmente Christopher se alterou, indignado com tantas falácias daquela garota. — NÃO IMPORTA O QUE VOCÊ ACHA DE MIM, EU SÓ QUERO O MELHOR PARA VOCÊ!
— VOCÊ NÃO SABE O QUE É MELHOR PARA MIM! — sua trêmula voz lutava, lutava contra suas fortes lágrimas e também, contra as amarras que lhe prendiam não só os braços em rumo a algum lugar desconhecido, mas também, para ter o direito da liberdade a qual era ceifada injustamente por alguém que no final, parecia não se importar de verdade. — VOCÊ NUNCA SOUBE O QUE É MELHOR PARA MIM! EU TE ODEIO! COM TODAS AS MINHAS FORÇAS! — Reafirmou a jovem praguejando, amaldiçoando ele.
— S-sammy? — naquele momento seu coração pareceu parar por um segundo quando ouviu aquela maldita voz...
O mundo antes frenético e caótico agora parecia funcionar em câmera lenta enquanto ela virava o seu rosto para poder vê-lo ali, com aqueles duros olhos azuis aparentemente preocupados com seu estado, e os cabelos negros úmidos e desgrenhados, provavelmente por um pequeno período de exposição à chuva.
Os paramédicos pararam de andar e, com uma força que nem mesmo a própria Heather conseguira explicar, ela se desvencilhou dos braços daqueles homens para em seguida acertar um soco no rosto do garoto a sua frente, usando toda a raiva que continha dentro de si. A ira encarnada de uma longa vida de sofrimento. Ele por sua vez não caiu, mas, afoito, levou a mão ao local acertado enquanto com passos desengonçados para trás procurava novamente o seu equilíbrio. E ela, quando estava prestes a partir em cima daquele rapaz, sentiu por mais uma vez os fortes braços segurarem os seus, imobilizando os seus movimentos, a privando de todos os seus impulsos.
E, antes mesmo de apagar… a última coisa que sentira fora a nostálgica sensação de uma agulha penetrando sua pele, na lateral de seu pálido e indefeso pescoço...
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Olá, meus amores! Espero que estejam bem e que não estejam querendo me matar k
Chegamos ao fim da primeira temporada! O que acharam? Sei que provavelmente não vos agradou, mas fiquem calmos que a segunda temporada vem aí. Não demorarei para postá-la.
Nos vemos logo logo no capítulo dos agradecimentos❤️
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