Plagiados
Sophie Turner como Heather Blake/Sam Allen
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Quando terminou de cantar, Heather foi até a cozinha, abriu o armário de duas portas que ficava acima da pia e retirou de lá um copo de vidro. Assim, caminhou até a geladeira e o colocou no filtro contido ali, enchendo-o d’água enquanto ouvia a voz de seu melhor amigo Victor cantando “Riptide” do cantor Vance Joy.
— Tenho de admitir que os melhores músicos vêm do seu país — após o primeiro gole, ela se assustou com a voz de Derek Daniel. Olhou em direção ao garoto que havia acabado de passar pela porta com um sorriso nos lábios sem entender o porquê dele ter vindo falar com ela, ainda mais depois de não terem se falado o dia todo, com a exceção da hora em que ele debochou dela na sala de música.
— Hã... — desviou o olhar por um momento antes de voltá-lo a ele e forçar um sorriso. — É, você tem razão. — E deu mais um gole.
Derek riu e abaixou a cabeça por um momento antes de levantá-la novamente e levar a mão ao cabelo, o pondo para trás. Ele ainda estava zonzo, meio alegre, mas conseguindo manter o pouco da consciência que lhe restava.
— Britânica, você tem mesmo uma certa dificuldade para agradecer, certo?
Ela havia feito de novo. Droga, pensou antes de deixar um suspiro escapar e olhar para baixo, laçando o braço livre em volta de seu magro corpo. Mordeu o próprio lábio inferior e logo voltou a encarar o garoto que agora apoiava a mão em uma das quatro cadeiras que circulavam uma pequena mesa quadrada de vidro a qual não ficava muito longe da onde a garota estava.
— Não é isso, é só... — bufou e revirou os olhos. — Eu não sei. Olha, me desculpe por isso e obrigada por ter me salvado e... por ter cuidado de mim. Obrigada mesmo — Assentiu com a cabeça. —, sério. Fico te devendo essa.
Derek arqueou as sobrancelhas.
— Pode me agradecer de outra forma... Tipo, com um encontro — sorriu fechado e tombou a cabeça para o lado, batucando os dedos sobre o encosto de ferro que a cadeira continha.
A garota entreabriu a boca e arqueou uma sobrancelha, mantendo-se calada por um momento antes de deixar um riso escapar. Não havia levado aquilo a sério.
— O quê?
— Falo sério, vamos sair — e caminhou até ela, deixando um suspiro escapar, permitindo-a sentir seu hálito de álcool. Eles tinham quase a mesma estatura, Heather era apenas um pouco mais baixa, mas mesmo assim, não precisava fazer esforço algum para olhá-lo nos olhos. — Conheci um lugar legal esses dias... — Arqueou as sobrancelhas mais uma vez. — Seria bom irmos lá para nos conhecermos melhor, hm? — Tombou a cabeça para o lado novamente enquanto sorria, exibindo seus dentes perfeitamente alinhados.
Blake virou um pouco a cabeça ainda com uma sobrancelha levantada enquanto o encarava.
— Você está bêbado — disse, deu o último gole d’água e fez com que o copo tilintasse sobre o mármore da bancada próxima a ela antes de passar pelo garoto que a seguiu com os olhos mantendo a mesma expressão. Em seguida, ele fechou os lábios e balançou a cabeça negativamente.
***
— Está tudo bem, Andy — Claire falou entre um suspiro enquanto olhava para o chão ainda envergonhada pelo que havia visto. — Não vou contar a ninguém, juro. — Balançou a cabeça negativamente e sacudiu os ombros, mantendo seus braços cruzados.
Eles estavam na varanda do lado de fora da casa pois o garoto havia a chamado para conversar ali. Duas lâmpadas penduradas à parede, cada uma cercada por um vidro branco, os iluminava em meio àquela noite escura. Fora estas, as únicas fontes de luz eram as dos postes que ficavam um pouco depois do portão que cercava o quintal da casa dos Reinckes e os cômodos iluminados exibidos pelas janelas da residência pertencente aos vizinhos da direita. A da esquerda estava toda apagada pois pertencia aos Blakes cujos duas se encontravam ao lado de dentro da casa dos Reinckes, uma ao lado de fora à frente de Andrew e o outro provavelmente em um bar com seus colegas de banda. Havia mais um, mas este já não morava mais ali...
— Obrigado... — o ruivo levou a mão à própria nuca e alisou o local antes de deixar um suspiro escapar, encarando a loira a sua frente. — Me desculpe mesmo por aquilo. Não era pra você ter visto...
— Está tudo bem, não é nada comparado ao que eu já vi meu pai... — deixando a última palavra pairando no ar, ela revirou os olhos, sentindo um tremendo incômodo ao se lembrar daquilo. Andrew fez uma careta antes de deixar um riso baixo escapar. Mesmo estando bem para a idade, ainda era estranho imaginar o pai de sua amiga fazendo aquele tipo de coisa, mas não era difícil de se acreditar já que ele agia como se ainda estivesse em sua adolescência nos anos oitenta e parecia sair até mais do que o garoto e seus amigos.
Ao ver sua reação, Claire forçou um sorrisinho e logo desviou o olhar novamente, agora para a parede ao seu lado. Ela não conseguia olhá-lo sem sentir-se constrangida.
— Você realmente virou a mais responsável da casa... — suspirou mais uma vez e logo mudou o semblante. — Céus, é incrível como seu pai mudou depois daquilo... hm... você sabe, daquilo com a sua mãe. Eu não imaginava que ele ficaria assim.
— É... mas ele ainda é uma boa pessoa...
— É...
Um silêncio reinou entre os dois, o que deixou Claire com mais vontade de sair dali do que nunca. Fora a música lá dentro, o único som que se ouvia era o ruído de um grilo que deveria estar em algum lugar daquele quintal.
...Até que um pouco após a música acabar, a porta foi aberta, tomando a atenção deles. Ironicamente havia sido Victoria quem a abrira, e ao olhar aqueles dois, ela sentiu um pouco de vergonha, mas tentou ignorar esse sentimento.
— Temos outra festa para ir — declarou, levantou o celular em sua mão e tocou em seu visor antes de virá-lo para Andrew e Claire, exibindo um vídeo posto no Instagram de Bernarde Husky. Este mostrava uma aluna da HHHS com uma garrafa de uísque na mão dizendo uma meta aleatória para seu ano letivo. Logo ela passa a garrafa para uma outra garota que agora tomara o foco fizera a mesma coisa.
— Ele nos copiou? Isso é sério? — Andrew indagou e franziu o cenho.
— É por isso que nós vamos para lá — ela bloqueou o aparelho ao abaixar a mão e assentiu com a cabeça. — Sei que ele é meu amigo, mas o ritual anual é uma coisa somente nossa.
— É! — a voz de Harry foi-se ouvida e logo foi possível para o ruivo e a loira avistarem o garoto a uma certa distância atrás do ombro de Victoria. — Vamos quebrar a cara dele! Mas antes vamos curtir a piscina dele!
— Harry, você não faz mal nem mesmo a uma barata — falou Kate, que estava sentada no sofá próximo a ele, mexendo em seu celular com um sorriso estampado nos lábios.
— Nós vamos só entrar de penetra — Victoria disse ao se virar para eles. — Ele nem me convidou! — Franziu o cenho e apontou para si mesma com o polegar. — Não posso acreditar nisso...
— Sei que de qualquer forma isso vai dar merda, mas e aí? — agora foi Heather. — Nós vamos agora?
— Só precisamos deixar o Luke em casa.
— Por que me deixar em casa? — o gêmeo entrelaçou os dedos de ambas as mãos em volta do abdômen, mexendo o indicador da esquerda.
— Porque é uma festa de idiotas, é melhor que fique em casa com o pai e a mãe — ela se aproximou e olhou nos olhos do irmão que sequer a encarava. — Diga a eles que eu não vou demorar, certo? — Pôs a mão em seu ombro e o acariciou gentilmente. O garoto assentiu com a cabeça e agora olhou nos olhos da irmã, que lhe lançou um sorriso seguido de dois tapinhas nas costas. — Vamos! — E o soltou, olhando seus amigos um de cada vez, notando que faltava alguém naquela sala. — Cadê o Derek? — Franziu o cenho.
— Provavelmente deve ter ido tirar a água do joelho depois de tanta bebida — Thomas se manifestou com um sorriso nos lábios — Nem sei como ele se manteve aqui durante esse tempo todo. — E após a sua última frase, Derek apareceu na abertura retangular presente na parede da sala. Abertura esta que dava passagem para o corredor.
— Me segurei um pouco — ele falou ao arquear as sobrancelhas uma vez e suspirar. — Onde vamos... — Bocejou. — Onde vamos mesmo?
— Cara, quer ir pra casa? — indagou o latino mantendo sua expressão. Daniel, com uma ruga nas sobrancelhas, chegou a cabeça para trás e a balançou.
— Não, não, eu estou bem. Não é a primeira vez em que fico assim e espero que não seja a última — riu, fazendo com que Harry risse também.
— Agora ele falou a minha língua — ele disse. Também já estava um pouco alterado. — Vamos lá!
***
Após andarem até a casa dos Beckers para deixarem Luke, os adolescentes seguiram o caminho em direção ao outro destino. Não era muito longe, a residência ficava a três quarteirões dali e ao passar pelo segundo, já era-se possível ouvir a música alta tocando.
Enquanto alguns conversavam, Heather e Derek se mantinham quietos, andando bem atrás deles, lado a lado e sem dar atenção alguma à conversa a qual seus amigos estavam tendo.
— Então, sexta-feira às oito? — o garoto quebrou o silêncio e olhou para a loira de braços cruzados ao seu lado. Ela franziu o cenho ao ouvir aquela pergunta.
— O quê? Céus, eu não acredito... — retrucou séria enquanto mantinha os olhos nos adolescentes à sua frente.
— Você disse que me deve uma. Logo, me deve um encontro — sorriu e arqueou as sobrancelhas. A garota bufou.
— Não era esse tipo de coisa que eu estava me referindo, garoto bêbado.
— Lhe garanto, não irá se arrepender. Nós podemos sair como amigos, não há problema algum... só acho que deveríamos nos conhecer melhor já que estamos fazendo parte do mesmo grupo e já que eu te salvei, por que não? — deu de ombros.
— Então marcará um encontro com todos do grupo? Um de cada vez? — Derek riu anasalado antes de abrir a boca para dizer algo, mas foi interrompido. — Garanto que não irá querer me conhecer, sugiro que peça às outras garotas... — Ela finalmente o encarou. — Quer um conselho? Chame a Victoria.
— Eu já sei sobre a Victoria, eu quero sair e saber sobre você. É só para conversarmos e nos divertirmos, vamos... vai ser legal.
A loira permaneceu calada. Ela sabia que Derek estava dando em cima dela e não iria se deixar levar por isso, até porque ficava nervosa só de pensar nele tentando beijá-la. Suas mãos suavam e um arrepio desconfortável tomava conta de si apenas pelo fato do garoto estar ao seu lado, a chamando para um encontro. Essa não era a primeira vez em que alguém dava em cima dela, mas a sensação que sentia era a mesma em quase todas. Na maioria era pior.
Heather odiava ter esse medo. Era apaixonada em filmes de romance e em alguns casais pertencentes a algumas séries, até mesmo conseguia idealizar uma história de amor para ela mesma. Ora costumava a ser com o Joe Jonas, que antes pertencia a banda Jonas Brothers, ora era com o Zayn Malik da One Direction. Mas quando um garoto possível chegava perto de si, ela sentia-se bem nervosa.
Acreditava e tinha a completa certeza de que havia desenvolvido esse medo por conta do que tinha passado, mas se perguntava como mesmo assim ainda conseguia idealizar tais histórias.
Talvez seja porque ela sempre pulava algumas determinadas partes de suas idealizações... e porque dentro da cabeça dela, os garotos apaixonados conseguiam fazê-la feliz de verdade, diferente dos do lado de fora que só conseguiam deixá-la com medo...
...E na maioria das vezes, a culpa nem era deles...
— Vic! — ela chamou, ignorando totalmente o garoto ao seu lado. No mesmo momento, seu melhor amigo e Victoria a olharam por cima de seus ombros, mas quando Becker notou que ela estava olhando para Victor e fazendo um sinal para que ele fosse até ali, voltou o seu olhar à frente. E o garoto foi.
— Diga, vadia — falou enquanto andava de costas, mantendo o ritmo da garota que o encarava.
— Husky é um idiota mesmo, né? Não acredito que ele nos copiou — havia sido a primeira coisa que viera a sua mente. O verdadeiro motivo pelo qual ela chamou Reincke foi para poder se livrar daquele papo com Derek Daniel. E ele percebeu sua intenção, pois imediatamente revirou os olhos, mas não deixou de caminhar ao seu lado, mantendo as mãos nos bolsos de seu jeans escuro.
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