A Outra Festa - END
Não foi nada difícil entrar no local já que o portão do quintal estava aberto. E assim que todos entraram, podendo avistar uma garota de bikini cantando alguma música da cantora Katy Perry no karaokê enquanto outras pessoas dançavam, brincavam na piscina ou simplesmente conversavam em uma rodinha com seus copos vermelhos nas mãos, Harry retirou os sapatos, sua jaqueta e sua camiseta, exclamou um "U-huuu" e correu em direção à piscina. Pulou abraçando as pernas no ar e espalhou água para todo lado ao cair. Algumas pessoas o olharam como se ele fosse um idiota, já outras, responderam o seu "U-huuu".
Kate riu ao assistir aquilo. Sem pensar duas vezes, ela retirou os sapatos e juntou-se, sem ao menos tirar uma outra peça de roupa.
— Preciso ir ao banheiro — Derek disse e logo em seguida se desviou dos outros, entrando para dentro da grande casa sem ao menos se preocupar se conhecia ali ou se conhecia alguém que não fosse os seus novos amigos.
— Não posso demorar, estou de castigo — Thomas falou para Victoria ao seu lado. — Por que viemos aqui mesmo?
— Porque ele nos copiou e precisamos mostrá-lo quem é o verdadeiro criador disso.
— Legal — agora foi Victor, que saiu do lado de sua amiga Heather para ficar próximo à Becker. —, nós vamos pegar o microfone do karaokê e dizer “parem tudo o que estão fazendo, ele está nos copiando” — Revirou os olhos enquanto dizia em um tom sarcástico. — ou Harry e Kate bêbados na piscina servem como uma manifestação? — A garota sorriu em uma linha reta e olhou para o Reincke mais novo antes de tombar a cabeça um pouco para o lado.
— Aproveite a festa. Eu vou atrás do Bernarde — e andou.
Na verdade, ela estava mais chateada com o fato de não ter sido convidada do que com o fato de que ele havia copiado seus amigos. Isso era perceptível. Victoria era assim, necessitava ser lembrada por todos que a conheciam.
Thomas trocou um olhar com Victor e deu de ombros antes de seguir para o barril de ponche acima de uma mesa próxima à caixa de som a qual emanava a voz da garota que, de forma desafinada, cantava junto ao ritmo da música.
— Certo... — Victor novamente revirou os olhos e os direcionou para Heather. — Espero que a comida daqui seja boa. Vamos lá ver?
— Não queria entrar na casa do demônio, mas acho que não tenho escolha — respondeu e deu de ombros. — Juro que se ele disser alguma gracinha para mim, eu quebro a cara dele.
— Eu te ajudo — sorriu e abraçou a nuca da garota. — Você vem, Andy? — Encarou o irmão.
— Não, eu... — olhou para o lado por ter estranhado o fato de ter sido o único a ser chamado e assim notou que Claire já não se encontrava mais ali. Então estava sozinho com seu irmão e a melhor amiga dele. — ...Vou... vou ficar por aqui mesmo. — Logo voltou a encará-los e esticou os lábios em um sorriso.
— Certo — o caçula disse e logo caminhou para dentro da casa junto de Heather, deixando seu irmão mais velho sozinho e sem ideia alguma do que fazer por ali.
Sabia que a maioria das pessoas ali presentes não gostava dele, e estava agradecido por não ter recebido um comentário maldoso ou um olhar torto...
...Bom, por enquanto...
Após alguns minutos, quando Reincke se cansou de andar sozinho por aquele quintal, um forte impulso em suas costas fez com que ele desse alguns passos à frente e se inclinasse, por pouco mantendo o equilíbrio para não dar de cara com a grama.
— O que você está fazendo aqui?! — a voz arrastada vinha daquele certo garoto esguio de cabelos pintados de vinho. O garoto cujo havia vacilado feio com Andrew e seus amigos há um ano. — Eu não permito assassinos na minha festa! — Exclamou. Reincke se virou para ele com uma certa seriedade no olhar e tomou uma respiração profunda em seguida.
— Cara... — disse em um tom calmo.
— Cara é o caralho! — nesse momento, Husky tomou a atenção das pessoas que estavam ali próximas a ele e Andrew. — Você vai sair daqui agora antes que eu mesmo o tire, está me ouvindo?! — Indagou enquanto gesticulava com o copo vermelho na mão esquerda e os olhos cobertos de ira. — Garanto que não é isso o que você quer, não é?
— Sei que o que eu disser agora vai ser em vão como sempre, mas enfim, você não tem provas. Ninguém tem. E... certo, você não permite assassinos na sua festa, mas... — franziu o cenho e umedeceu os lábios. Sabia que se arrependeria de dizer o que viria a seguir, porém não temia. — Permite estupradores? Porque bom, o anfitrião...
Um confronto causado por duas pessoas sóbrias é péssimo. Mas quando ambas, ou uma delas está embriagada, a coisa pode ficar bem pior...
E Andrew Reincke nem teve tempo de terminar sua frase, pois fora acertado com um soco direto em seu nariz, o que lhe provocou uma péssima dor e fez com que duas trilhas escarlates escorressem por suas narinas.
A primeira atitude do garoto ferido fora levar a mão direita ao local dolorido. Avistou um pouco do sangue ao afastá-la e logo olhou para Husky sentindo seu sangue ferver em ira e devolvendo o soco em seu maxilar, fazendo com que ele mordesse a bochecha por dentro. Com isso, o anfitrião saltou para cima de Reincke, o derrubando no chão, e assim, ambos começaram a rolar em uma série de socos.
Agora até a música havia parado, e enquanto um coro gritava "briga!", "briga!", outras pessoas se perguntavam se ninguém iria separar aquilo.
...Bom, não demorou muito para isso acontecer... mas não foi da melhor forma...
O momento em que Bernarde conseguiu ficar por cima do ruivo de uma vez, passando a pressionar as mãos em seu pescoço, acabando por deixar o garoto vermelho e com falta de ar enquanto tentava se safar daquilo e se perguntava como um garoto tão magro poderia ser tão habilidoso foi o momento perfeito para que, como um tigre, Kate Blake saltasse para cima do Husky, fazendo-a sair de cima de seu amigo e, no mesmo momento, passasse a largar uma série de socos em seu rosto já meio machucado.
As pessoas ali presentes arfaram pela surpresa ao mesmo tempo em que o ruivo tossia, mantendo a mão no próprio pescoço enquanto tentava recuperar o ar. Ele olhou para a situação ao lado achando estranho o fato do garoto não estar reagindo e quando olhou para frente, sua visão passou a ser Claire Blake que, de pé, estendia sua mão. Sem pensar duas vezes ele a segurou, apoiou sua outra mão na grama e por fim se levantou.
— Obrigado — disse ainda ofegante e com o seu rosto completamente vermelho.
— Me solta! — Kate exclamou e largou um soco com as costas da mão próximo ao olho do garoto que a segurou e a tirou de cima do Husky, fazendo-o grunhir e levar a mão ao local. Acabou que quem teve de tirá-la dali foi Thomas Ramírez que quase fora acertado também e pedira para que ela se acalmasse enquanto a levava para dentro da casa para tomar um copo d'água.
— Vem, vamos voltar — Claire disse antes de pôr o braço do ruivo em volta da própria nuca e abraçá-lo pela cintura.
— Andrew! — Victoria exclamou ao correr até eles. Estava ensopada, com os cabelos e o uniforme pingando. — Você está bem? Céus, seu nariz está sangrando muito... — Ela apresentava um semblante preocupado.
Antes dela comentar, Reincke pareceu ter se esquecido completamente da dor em seu nariz... mas agora... era como se ela tivesse voltado de forma pior.
E Claire novamente sentiu o constrangimento tomar conta de si ao se lembrar do que viu, mas não pôde fazer nada naquele momento.
— Sim, estou — Andrew disse ao fungar e limpar o sangue escorrido do nariz com a manga de sua jaqueta quadriculada. — Pode avisar ao meu irmão que eu estou indo para casa?
— Claro... eu digo quando eu vir ele, mas... você está bem? Precisa de ajuda?
— Sim, estou, e não... não preciso. Obrigado. Vamos, Claire — e andou com a pequena garota loira que o abraçava pela cintura enquanto o braço dele ainda estava jogado sobre seu ombro.
— Okay, hã... tchau, Vicky! — ela falou ao passar pela morena, mas não obteve resposta.
***
Heather Blake sentiu-se abandonada quando seu melhor amigo passou a deixar de conversar com ela para conversar com a irmã mais nova de Bernarde Husky: Rachel. Era uma garota do primeiro ano alta e magra tal como o irmão e com os cabelos pintados de azul. Heather nunca havia ido com a cara dela, mas Victor tinha criado um tipo de amizade com a garota desde que o novo diretor da escola apareceu no ano passado trazendo Bernarde Husky para suas vidas.
A loira havia mentido ao ter dito que ia ao banheiro em meio aqueles dois que apenas assentiram e voltaram a conversar. Ela andou, parou a uma certa distância, os encarou por cima do ombro e, ao revirar os olhos, voltou a olhar para frente.
— Heather! — um Harry totalmente encharcado e sem camisa exclamou assim que veio em sua direção. — Você perdeu a briga... Céus, foi muito... — Franziu o cenho por um momento. — Onde está o Teco? — Ela novamente olhou para trás.
— Serve aquele ali? — e o garoto olhou na direção de Victor que ria junto da garota Husky.
— Oh, certo — voltou a encarar a garota como se não tivesse dando a mínima para aquilo. — Então... Andy se meteu em uma briga feia com Bernarde Husky.
— O quê?! — Heather franziu o cenho. Embora não fosse tão amiga de Andrew, havia ficado preocupada com ele.
— É, é, acho que chegaram até a chamar a ambulância porque a Kate se meteu e quebrou a cara do garoto com gosto — riu por um momento, mas logo pigarreou e parou. Sua amiga arregalou os olhos. — Certo, eu não deveria rir disso... bom, deixa eu ver como posso começar...
...E no meio da história de Harry sobre a briga, Blake acabara se distraindo por um momento ao ver uma garota de pele morena sair pela porta que não ficava muito distante da onde ela e seu amigo estavam. A garota ajeitava a alça de seu vestido curto e amarrotado com a mão direita e ria ao mesmo tempo em que sua esquerda segurava a mão de um outro alguém. Alguém que saíra logo atrás dela. Alguém cujo os cabelos castanhos de uma altura um pouco acima dos ombros estavam bem bagunçados. Alguém que carregava um sorriso nos lábios e uma jaqueta preta de couro sintético acima do ombro.
Heather se sentiu aliviada por não ter aceitado aquele encontro, mas ao mesmo tempo, sentiu um certo desconforto. Se ele tinha planos para outras garotas, por que me chamou para sair? se perguntou e, ao ver aqueles adolescentes selarem seus lábios, uma palavra involuntária saiu de sua boca no momento em que ela estreitou os olhos.
— Canalha...
— É, eu sei, ele é mesmo um canalha — disse Harry, fazendo com que a garota voltasse a atenção a ele. Céus, eu deixei ele falando sozinho... pensou. — Sério que não ouviu o pessoal gritando "briga" lá fora?
A garota abriu a boca por um momento, novamente olhou para aqueles dois adolescentes que agora pareciam estar prestes a ter um segundo round do que fizeram segundos atrás dentro daquele banheiro, e logo comprimiu os lábios, franziu o cenho, negou com a cabeça e voltou o olhar ao amigo.
— Não — piscou os olhos três vezes, alternando o olhar para o chão e logo para o garoto à sua frente mais uma vez. —, Kate está bem?
— Sim, Thomas levou ela para beber água... devem estar na cozinha provavelmente... — suspirou, levou as mãos ao quadril e logo olhou para trás. — Puta merda — Disse entre um riso. —, aquele é o Derek?!
— É — arqueou as sobrancelhas e suspirou. —, o próprio. — E mais uma vez foi abandonada, dessa vez por Harry, que foi em direção ao outro amigo e pôs a mão em suas costas, atrapalhando o momento entre ele e aquela garota.
Heather mais uma vez revirou os olhos e andou em direção a cozinha. Esperava de verdade que sua irmã e Thomas estivessem lá, pois não queria nunca mais ficar sozinha em uma festa, não importava que tipo fosse.
— Parabéns, cara... — Becker falou para o seu amigo antes de olhar para a outra jovem. — Wow. Agatha? Esta belíssima! E pelo visto já conhece o Derek Daniel... até demais, certo? — Riu, fazendo-a revirar os olhos e balançar a cabeça negativamente. Logo ela pôs a mão na nuca de Daniel e depositou um último selinho em seus lábios.
— Me mande uma mensagem — disse, escorregou o dedo pelo peito coberto pela camiseta cinza do garoto e saiu dali, fazendo-o sorrir e segui-la com os olhos.
— Cara... — Harry assentiu com a cabeça enquanto olhava aquela garota de cima a baixo. — Essa garota é um espetáculo! Eu sempre quis pegar ela, como você conseguiu?! Seu sortudo do caralho. — E deu um soquinho no braço do amigo que riu e alisou o local.
— Foi ela quem chegou.
— Céus, eu estou invejado!
— Eu preciso ir para casa... estou fedendo a álcool e... bom... — aproximou a mão em formato de concha do nariz e logo a afastou, franzindo o cenho sem tirar o sorriso dos lábios.
— Posso cheirar? — indagou o outro, fazendo com que seu amigo olhasse para ele e desfizesse o sorriso por um momento.
— Eca, você é pirado — riu mais uma vez e balançou a cabeça negativamente. — Até amanhã, Harold. Bom, espero estar bem para ir amanhã.
— É Harry! — afirmou em meio a um riso.
***
Andrew grunhiu e franziu o rosto em uma expressão de dor quando Claire pressionou a compressa gelada na região roxa próxima ao seu olho.
— Obrigado, Claire... — ele disse ao pressionar as pálpebras por um instante antes de voltar a olhar para a loira a sua frente. — Deus, minha avó vai ficar uma fera quando chegar amanhã...
— A culpa não foi sua, você sabe disso... — ela falou serena enquanto alternava a compressa entre os ferimentos de seu rosto, limpando aqueles que estavam sangrando. — Foi ele quem comprou a briga.
— Exato, ela vai ficar uma fera com ele — afirmou. — E com o fato de irmos até uma festa na casa dele. Eu praticamente pedi por isso. — Blake apenas balançou a cabeça negativamente vendo-o pressionar as pálpebras mais uma vez.
— Desculpe — e logo ambos foram interrompidos por James Blake, que abriu a porta de casa e entrou à casa, avistando os dois jovens sentados no sofá. — Hey, pai. — Disse antes de voltar ao que estava fazendo. O homem deixou um longo suspiro escapar.
— Hey, querida... Hey, Andrew... — franziu o cenho e estreitou os olhos ao ver o estado do garoto que, para ele, estava um pouco turvo. — Está tudo bem?
— É... foi só... — desceu os cantos dos lábios e levantou a mão, abaixando-a logo em seguida. — Foi só uma briga. Nada que eu não tenha passado antes...
— Certo... — assentiu com a cabeça. — Vou deitar um pouco, minha cabeça está me matando. Claire, onde estão suas irmãs? — E andou em direção ao quarto.
— Ainda estão lá — ela disse e abaixou a mão a qual carregava a compressa, olhando na direção do quarto do pai.
— Certo, não demorem pra dormir, vocês têm aula amanhã — e fechou a porta.
— Ele chegou cedo dessa vez — sorriu antes de voltar a olhar o ruivo à sua frente. — Um novo recorde. — O garoto apenas retribuiu o sorriso sem dizer uma palavra e ela pegou a maleta vermelha ao seu lado. — Okay... pra finalizar... vou fazer uns curativos.
***
Dirigir embriagado é um grande risco. Ninguém deveria fazer isso, não importa o quão "bom de roda" seja...
...E Derek Daniel, mesmo sabendo dos riscos, já fez isso diversas vezes. Essa seria apenas mais uma.
Embora a bebida lhe deixasse um pouco agitado, também lhe dava bastante sono, mas ele não se importava, e nunca, sequer uma vez bateu com o carro ou foi parado pela polícia. Seria sorte? Ele não sabia.
Andou sozinho o percurso da casa dos Huskys à casa dos Reinckes, onde próximo à grade que cercava o quintal, estava seu Corolla da cor preta que o acompanhava desde seus catorze anos de idade — mesmo que ilegalmente.
Lembram-se de quando ele disse sobre sua emancipação? Não era legal, era falsificada, assim como suas diversas identidades, sua carteira de motorista e alguns ingressos que ele vendia. E como ele conseguia tudo isso? Bom, eram segredos que ele guardava há um bom tempo.
"Para tudo há uma primeira vez", essa frase quase, quase se aplicou a Derek Daniel nunca ter batido seu carro. Bom, de uma forma, até que se aplicou...
Ele não estava dirigindo rápido, estava devagar, mas por se distrair por um momento, acabou sentindo um certo impacto cujo o fez parar o veículo na mesma hora, por muito pouco não acabando por dar de cara com o volante.
Com o coração extremamente acelerado e o corpo trêmulo, ele encostou as costas no banco, respirando fundo e fechando os olhos por um breve momento na tentativa de se acalmar...
E abriu as pálpebras novamente no exato momento em que escutou uma espécie de choro. E este não parecia vir de um ser humano...
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