CAPÍTULO 9
Eu não tinha dormido nada essa noite, meu sono tinha ido embora e tinha dado lugar a minhas lágrimas. Ontem cheguei a quase três da madrugada e meu corpo estava moído por completo, mas nem isso me fez dormir. Eu estava me sentindo a pior pessoa do mundo, e completamente suja.
Hoje depois do colégio eu iria pegar meu dinheiro como combinado.
Estava atravessando a rua distraída quando um carro me pegou em cheio me jogando no chão. De imediato senti meu braço arde, por sorte não bati minha cabeça.
— Perdão eu não vi você — ouvi uma voz falando vindo em minha direção, sua voz era de preocupado.
Mexi minha pernas pra ver se doía mas não senti nada.
— Não foi nada, só foi um susto mesmo — quando olhei dei de cara com Gustavo agachado em minha frente.
— Lógico que foi, Mel. Olha seu braço, tá ralado. Tá algum lugar doendo? Por que se estiver eu chamo a samu.
A única coisa que eu sentia doer era o meu braço ralado e um pouco do meu pé, mas nem era tanta coisa assim.
Nesse momento já tinha criado uma rodinha em volta de nós com pessoas que viam a situação.
— Não. Tô bem, mas obrigado — falei e segurei nele como apoio pra levantar.
O Gustavo me segurou pela cintura e passei o meu braço pelo seu ombro.
— Vou te levar no médico.
— Não precisa de verdade.
— Para de ser teimosa, você vai. Vai que tu quebrou algo? Não quero ser responsável por machucar uma boneca como você — o Gustavo falou me fazendo ficar vermelha.
Sorrir um pouco tímida.
O Gustavo me levou até seu carro indo em direção ao hospital.
[...]
— Pelo raio X não deu nada quebrado, ok? Só vou passar uns desinflamatórios — o médico disse passando uma receita.
— Obrigado mesmo, doutor Brito
— Sabe que é sempre um prazer cuidar da sua família — Gustavo e o médico deram um aperto de mão — Não que seja da minha conta mas ela é sua namorada?
Gustavo sorriu e eu sorrir de nervoso, as pessoas gostam de me constranger.
— Ainda não — ele deu um sorriso de lado e olhou pra mim.
— Sabe que você é a primeira garota que ele trás aqui?
— Talvez ele não tenha atropelado tantas meninas assim — Doutor Brito gargalhou.
— É verdade. Mas mesmo assim é a primeira.
— E vai ser a única — ele riu — Tô brincando...
— Ou não...
— Emfim, até a próxima.
— da próxima vez que ser atropelada pode vir tá, Mel?
— Certo, mas não garanto muito — ele assentiu e acenou com a mão dando um tchau e eu devolvi.
O Gustavo me deu carona até a rua de traz da boate, não queria que ele visse aquele lugar assustador.
— Tem certeza que quer ficar aqui? — ele observava o lugar.
— Sim, tenho que pegar uma coisa na casa da minha amiga.
— Você aceita sair hoje comigo? Como pedido de desculpa.
O Gustavo tinha um jeito tão fofo de agir. Nunca tinha conhecido um cara assim. A última vez que namorei foi aos quatorze anos e o menino era um escroto, só fez tirar minha virgindade e sumiu.
— Sim. Quem dera todos os pedidos de desculpas fossem assim.
— Mas eu sei que nenhum pedido de desculpas vai fazer você se sentir melhor da dor.
— Tudo bem, eu te molhei com drink e você me atropelou, estamos kits — ele sorriu me fazendo sorrir — Agora já vou.
Quando eu ia abrir a porta pra sair Gustavo segurou meu braço sentindo todas as vibrações do seu toque percorrer por todo meu corpo.
— Que horas posso passar na sua casa?
— As oito
— Até as oito
Sai do carro vendo o mesmo sumir no trânsito.
Fui até a boate entrando e indo em direção ao escritório do Mauro, assim como ele tinha dito pra fazer.
Bati algumas vezes na porta e escutei um "entra", quando entrei o mesmo estava em sua mesa fumando e anotando algo. O escritório dele chegava ser mais aterrorizante do que a própria boate. Era totalmente escuro e toda de madeira.
— Vim buscar meu dinheiro — falei direita indo em sua direção.
— Ver qual desses invelopes tem seu nome e pode pegar.
O Mauro tragou seu cigarro e depois soltou e nenhum momento olhou pra mim, ele continuou assinando algo.
Olhei seis envelopes em cima da mesa e logo peguei o meu colocando na mochila e dando as costas.
— Não vai contar o dinheiro? Vai que coloquei menos dinheiro.
— Tenho certeza que não — revirei meus olhos.
— Tem que ser rata, esperta — me virei vendo que o Mauro tinha seus olhos em mim — Hoje você tem um programa, ele paga muito bem — ele falou com sua voz extremamente grave.
— Hoje eu não posso, tenho um compromisso.
— Mais importante do que estrorquir homens ricos?
— Não faço isso, o único cafetão aqui é você — falei serrando meus pulsos mas tentando manter a calma.
— Só porque você é bonitinha vou marcar amanhã pra você — debochou.
Sai da sala com muito ódio, agora eu estava me sentindo culpada.
Assim que fui descendo as escadas vi a Janete e Bruna que entravam.
— Já está indo? — Janete me perguntou
— Sim
— Espera a gente
Fiquei alguns minutos esperando as meninas no salão e não demorou muito e elas descerram.
— Você veio sozinha? — Bruna me perguntou enquanto caminhávamos até o ponto de ônibus.
Bruna e Janete eram lindas, a Janete era ruiva do cabelo bem curto e era bem magra e a Bruna era loira e tinha um corpão.
— Sim. Por quê?
— Por que o Mauro é um mostro em forma de jente — Bruna falou — Apesar de ele ter nos ajudado muito a gente ele faz coisa que o diabo dúvida. Nenhuma de nós entramos mais sozinha depois que ele estuprou as meninas.
Só de ouvir aquilo tudo senti um frio na espinha, eu estava correndo risco...
— Eu fui uma delas... — Janete falou enquanto olhava pra lugar fixo — Foi o pior dia da minha vida.
— Foi você e mais quem? — perguntei assustada — E porque não denunciaram?
Meus olhos só faltaram pular.
— Tainan, Erika, Sandra, Janete, Eduarda... — Bruna falava tudo aquilo e meu coração quebrava em pedaços — Eu sou uma das últimas a chegar, as meninas sempre tentam me proteger. É uma protegendo a outra. E não tem como denúnciar o Mauro, ele é muito poderoso aqui em São Paulo, Mel. Ele conhece polícias, advogados, médicos, políticos...
—Eu mesma já atendi um governador — ela encarava o chão — Mas só em questão disso mesmo. Só um conselho Mel — Janete falou — Nunca confie em ninguém aqui, nem mesmo em mim e Bruna, porque qualquer momento quando precisar vamos te passar a perna — Janete falava com cautela — E nós sabemos quem te recomendou, foi a Joyce né?
— Ela disse que queria me ajudar.
— A Joyce não é de ajudar ninguém, a única coisa que ela ganha te recomendando é o luxo que o pai dela oferece a ela a nossa custas — Bruna falava
— Nunca confie em ninguém, Mel. Só isso que te digo.
Todas aquelas palavras ficaram rodando em minha mente.
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