CAPÍTULO 6

São Paulo, 06:45 AM

—  Ei, acorda.

Assustei com meu pai me cutucando.

Levantei sentindo meu corpo quebrado em mil pedaços, minhas cabeça parecia que eu tinha levado umas cacetadas na cabeça até desmaiar. Estava péssima, e ainda por cima minha roupa estava molhada.

—  Que horas são? —  perguntei ainda sonolenta e com muita vontade de voltar a deitar.

Isso que dá ir pra festa em meio de semana.

—  Seis horas, quase sete —  levantei correndo.

Merda!

Hoje era dia de pegar o fardamento do colégio, caso eu não pegasse teria que pagar pra ter, só que já não tinha dinheiro pra outras coisas quem dirá pra comprar um fardamento.

Fui pro banheiro e tomei um banho rápido lavando os cabelos. Vesti uma calça cintura alta rasgada e uma blusinha, fiz as coisinhas básicas e sai.

—  Ei! Comprei café! —  meu pai falou quando me viu passando pela sala apressada.

— Tô atrasada, pai. Beijos amo vocês —  falei vendo meu pai e o Pedrinho tomando café.

—  Também te amo, boa aula —  escutei meu pai falar

—  Tchau, Mel!

Corri até o ponto de ônibus e por sorte estava passando um que ia direto pro Rotary.

[...]

Tinha chegado atrasada, a aula de química já estava rolando, então decidi ficar do lado de fora esperando a segunda aula.

Fiquei ali no pátio lembrando de algumas coisas que tinha acontecido na festa até que lembrei do cartão que Joyce tinha me dado, eu ainda não tive tempo de ligar.

Disquei o número que tinha no cartão e no terceiro toque escutei uma voz feminina no outro lado da linha.

- Alô

- Oi, é que uma moça me passou esse contato para que eu a uma vaga de emprego - falei procurando paralavras e gaguejando um pouco por conta do nervosismo.

- Ah, sim, claro. Você pode vir hoje a tarde? Eu te passo o local, tem caneta aí?

- Só um instante - peguei meu caderno e ela me passou o endereço certinho - Obrigado.

A moça desligou e senti uns friozinho na barriga, só de saber que estava a alguns passos de um emprego e ajudar minha família já fazia minha felicidade aumentar em um grau muito alto.

A aula de química tinha acabado.

Fui e assistir todas as aulas. Era incrível como os professores faziam as aulas serem interessantes, nunca senti isso no meu último colégio.

Bateu o intervalo e fui pegar meu uniforme, e não demorou muito porque estava sem fila.

Quando estava passado vi a Lenny e Joyce juntas sentadas na escada.

—  Oi —  falei chegando próxima delas e logo vi o olho da Lenny arregalar.

A Joyce estava bem cabisbaixa, parecia bem triste. Sentei ao lado.

—  Oi —  falou sem dar muita importância.

—  O que aconteceu que você foi embora ontem cedo? Pensei que fosse a última a sair da festa.

—  Terminei com meu namorado —  falou —  E ainda descobri que ele ficou com uma garota. Só não me deram nomes —  ela olhou pra minha mão —  E ainda tenho que vesti esse uniforme orroroso.

— É bom você nem saber mesmo

—  Por que? Você sabe quem é?

—  Não né, mas é sempre ruim descobri —  ela falou me fazendo sorrir.

—  A festa na sua casa e você não sabe com quem meu namorado ficou, você é uma tonta Lenny —  ela falou com raiva e saiu furiosa.

Olhei pra Lenny e ela deu de ombros.

—  Sabe quem é o namorado dela? —  neguei —  É o...

Sinal tocou indicando o final do intervalo.

—  Depois você me fala, tenho que ir pra não chegar atrasada. Beijos

— Beijos na boca de língua.

[...]

Eu estava extremamente cansada, meu corpo só pedia cama e algo pra comer, porém tinha que ver o emprego.

Pedi o ponto ao ônibus e logo parou.

Peguei o papel com o endereço vendo que eu estava no lugar certo, só que a rua era meio abandonada e dava medo. Olhei tentado achar o número do lugar onde a moça tinha me dado e dei de cara com um lugar que parecia um armazém, só que com três andares e todo vermelho.

Tomei coragem e entrei pela grande porta de vidro dando de cara com um corredor escuro apenas iluminado por algumas luzes pequena. Ouvi algumas vozes e um som ligado.

Tomei coragem e fui andado até dar de cara com um salão todo vermelho e preto, alguns pole dance espalhados pelo salão, mesas, um bar, tudo aquilo era tenebroso.

Olhei todas aquelas meninas que dançavam de costas pra mim, elas pareciam estar ensaiando para algo, era em média nove meninas.

—  Oi, posso ajudar? —  uma mulher baixinha, branca e com cabelo de luzes me perguntou. Ela tinha trajes de limpeza e uma vassoura em mãos

—  Eu acho que tô no lugar errado, eu... —  eu não sabia racionar direito, aquelas luzes me fazia ficar atordoada.

—  Você é a menina que ligou mais cedo, né? Eu já falei com o chefe, só vou chamar ele. —  ela saiu apressada me deixando sozinha ali, apenas acompanhada das meninas que não tinham notado minha presença.

A moça subiu por uma grande escada vermelha que tinha na sala.

Minha vontade era de sair correndo, porém minhas pernas não obedeciam, o lugar tinha um clima tão pesado que parecia que meu corpo estava travado.

A moça não demorou muito e desceu indo direto pro bar. Atrás dela desceu um negro alto, ele vestia roupas sociais, não tinha cabelos, tinha olhos grandes e lábios grossos. Ele foi descendo ajeitando seu terno e nem por um minuto tirou os olhos de mim. Ele de primeira me causou medo me fazendo engolir em seco.

—  Parem a música! —  ele ordenou fazendo as meninas de imediato olharem pra ele.

— Mas Mauro, você mesmo pediu para que a gente ensaiace muito pra amanhã —  uma das meninas retrucou.

Ele deu uma olhada pras meninas fazendo desligarem o som e saírem correndo.

Ele caminhou até mim em passos lentos até parar em minha frente.

—  Esperava uma biscate, mas não tão bonita como você —  ele falou olhando nos meus olhos —  Você é muito linda, como a Joyce tinha falado.

— Você pode me explicar o que é isso?  — perguntei jurando para que ele me dissesse que não era uma casa de prostituição.

Ele riu e foi até o bar colocando whisky em um copo e bebendo.

—  Você é bonita mas é meio burrinha —  ele deu um gole em seu whisky —  Homens não gostam de mulheres burra.

Ele parecia bastante com a Joyce, era como se fosse uma cópia masculina dela.

—  Isso aqui é um bordel, não percebeu meu bem? —  eu olhava nos olhos dele, assim como ele olhava os meus.

Me mantive calada e a encarando por todo o tempo, mas minha vontade era de sair correndo pela porta.

—  Não sou prostituta. Nunca vou vender meu corpo pra... —  ele me cortou.

—  Ajudar sua família? Dar uma vida boa a seus pais? A Joyce me contou toda a história. Confesso que senti dó —  ele falava sinicamente —  Tô falando sério.

—  Fica com essa dó pra você —  falei dando as costas pro mesmo indo embora

—  É com teus princípios e boa moral que você vai colocar comida no prato da tua família —  ele falou me fazendo parar —  Aqui você pode ganhar muito dinheiro menina. Caso mude de idéia liga pro número do cartão, temos um evento amanhã, as meninas irão ganhar dois mil reais. Pensa na proposta.

Assim que ele terminou de falar caminhei apressadamente até a porta, minhas lágrimas já desciam sem esforço algum.

Jamais iria me prostituir, mesmo que fosse pra ajudar minha família.

Sentei na calçada sentindo todas minhas forças ir embora. Meus soluços eram impossível de controlar.

[...]

Cheguei em casa vendo minha mãe quebrando a casa inteira bêbada com uma garrafa de cachaça barata.

—  Vida de merda! Família de merda! Agora chegou a linda Mel pra completar a linda e bela família! —  ela falava gargalhando sem menor graça.

—  Mãe... —  tentei me aproximar dela mas a mesma quase jogou a garrafa em mim.

— Não chega perto de mim ou eu quebro essa garrafa em você —  minha mãe estava descontrolada.

O Pedrinho olhava toda aquela cena na frente do corredor assustado com seu carinho na mão.

Olhei pro meu pai que estava próximo dela a olhando assustado.

—  Quem deu essa cachaça pra ela, pai?

— E interessa?! O que importa é que ela é meu alimento! Já que nessa porra de casa nem comida tem!

Minha mãe foi em direção a porta esbarrando em tudo que via pela frente.

—  Bando de merdinha! Odeio vocês —  ela saiu deixando a porta aberta.

Não era à primeira vez que acontecia isso, foi assim que ela quebrou o espelho da sala.

Minha vida está um pesadelo.

Já não aguento mais tudo isso.

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