Six
Ajeitei a jaqueta e dei uma última olhada no espelho, não estava mal, não estava mal mesmo pra quem tinha feito o que eu fiz. Claro que minha cabeça ainda estava me torturando falando coisas como "como você pode bater uma punheta pensando na menina de cabelos roxos?" e eu não ia dar ouvidos a minha consciência agora.
Sai do quarto vendo a porta do quarto de Ravenna fechado, e sabia que Duane estava para chegar. Respirando fundo eu me aproximei da porta e dei batidas leves, esperando que a moça a abrisse, talvez estivesse dormindo, mas não havia comido nada e eu me preocuparia em sair e deixá-la ali, sem ter comido e dormindo sem nenhuma explicação da minha parte.
Não que ela fosse se preocupar se eu sumisse, era só para que eu mesmo não ficasse na preocupação.
Escutei alguns barulhos do lado de dentro do quarto e logo depois a porta se abriu. Eu havia retirado a chave dali, só para não correr o risco da moça se trancar, mas ela mantinha a porta fechada o tempo todo, e eu não queria invadir sua privacidade.
– Vai sair? – Ela perguntou antes que eu pudesse dizer. – Não vou incendiar a casa caso prepare algo para comer.
Observei enquanto a porta vinha novamente na minha direção, como se ela fosse mesmo fechar a porta do quarto na minha cara, e a impedi com um sorriso leve antes. Certo, não era bem aquilo que eu esperava, ela nem dava bandeira de que um tempo antes estava no meu sofá se contorcendo se tocando e que tinha gemido meu nome.
– Espera, eu... – Palavras, aonde estão vocês exatamente? – Eu volto logo.
– Não estou preocupada com a hora que vai voltar. Não me deve explicações. – A porta se abriu mais um pouco e eu percebi uma manchinha de tinta escura na altura da bochecha dela.
Claro que aquela mancha estava roubando meu olhar, é uma dessas coisas que você percebe uma vez e depois não consegue simplesmente "desver" é quase impossível. Sem me controlar, e agindo até mesmo estranho eu ergui a mão tocando o rosto de Ravenna e limpando a tinta da sua bochecha com calma e tendo certeza de que iria sair dali. Quando foquei seus olhos novamente ela estava olhando diretamente para minha boca, como se não houvesse mais pudor ali.
– Ravenna? – Chamei a garota pelo nome enquanto ela voltava a focar meus olhos e um sorriso malicioso se formava em seus lábios. – Tudo bem?
– Claro, achei que fosse acontecer algo. – Seus ombros subiram e desceram mas o olhar e o sorriso malicioso continuaram ali.
– Algo como o quê? – Tentei instigá-la a falar, mas quando o sorriso só se alargou eu desejei ser um pouco menos lento, pelo menos com ela. Era óbvio que ela estava falando daquilo. – Achou que eu fosse te beijar? Você é quase como minha subordinada, isso seria muito errado não acha?
Sua mãozinha veio de encontro ao meu peito me empurrando um pouco para trás para que ela pudesse sair de dentro do quarto, enquanto eu apenas observava tudo e obedecia cada comando. A porta atrás de Ravenna se fechou e ela me encarou novamente, com a mesma expressão de antes, só que agora, um brilho diferente tinha se apossado de seus olhos.
– Eu acho, que bater uma punheta no banheiro gemendo o nome da sua quase subordinada é errado. Mas também seria errado se por acaso ela tivesse ficado atrás da porta escutando e se tocando também, não é?
Meu rosto esquentou e eu não sabia exatamente o motivo, até que a campainha tocou e meu transe se dissipou me indicando que Duane havia chegado.
– Até depois, Ravenna.
Foi tudo o que eu consegui dizer antes que mais alguma frase e constatação mirabolante passasse pela minha mente e acabasse me traindo. Eu tinha um caso para resolver.
[...]
Luzes vermelhas fortes e mulheres dançando no palco, essa era a frase para descrever a boate "Luxuria" sem nenhum perigo de esquecer alguma coisa. Eles tinham drinks com nomes próprios, coisas originais, e o lugar era grande, sem dúvidas quem mantinha o serviço esbanjava uma boa grana por ai.
A única coisa que eu esperava esbanjar eram as chances de conseguir informações sobre Richard. Se aquele era seu primeiro ponto, nada podia ser melhor que aquele lugar.
– Ela não vai tocar fogo na casa? – Duane perguntou se encostando comigo no balcão e logo pedindo uma bebida. Sempre soube das suas histórias com bebidas mas nunca presenciei nenhuma. Raramente saíamos juntos, e quando acontecia eu voltava para casa mais cedo.
– Eu espero que não. Talvez nem faça nada para comer, apenas coma algum biscoito, não parecia muito animada hoje à noite. – Dei de ombros. Claro que ela não parecia animada, ela só tinha se confessado que se tocou me ouvindo gemer o nome dela, nada fora do comum, nada que animasse alguém, não é mesmo?
Dois dias Ravenna, dois dias e a menina já tinha bagunçado toda a minha cabeça. Mas eu precisava dela, precisava dela para resolver meu caso, para dar sossego a minha própria mente, e para a dela também. Nenhuma mente que assume a culpa pelos erros dos outros fica sã por muito tempo, ela iria ter um troço com o tempo, iria deixar a culpa que nem era dela corrompe-la.
A música alta começou novamente, e dessa vez entraram mulheres mais velhas no palco, com roupas características de cabarés antigos, talvez fosse uma noite especial ou algo assim. Elas pareciam mais experientes do que as que estavam ali em cima antes, e eu sabia que se tinha alguma chance de conseguir informações eram com aquelas que pareciam ter mais tempo ali.
– Não se esqueça. – Toquei o ombro de Duane que virava o copo com o licor de uma só vez. – Estamos aqui para conseguir informações, pode pegar quem quiser depois de me dizer algo interessante o bastante para que eu te deixe em paz.
– Pode deixar senhor, quando for embora, vou procurar a mais parecida com Ravenna, e me divertir um pouco. – Dei as costas para meu amigo, sorrindo um pouco.
Que pena para ele, não acharia ninguém parecido com a senhorita Tucker porque ela era única.
Me sentei em uma mesa próxima do palco, havia uma mulher alta, de cabelos loiros e curtos dançando a minha frente, em seus lábios tinha a cor vermelha mais viva que eu já vi e seus olhos eram bem contornados com preto. Ela dançava conforme a música mais de época tocava, afinal estavam representando um cabaré mais antigo também, talvez aquela fosse a noite de época que eu não tinha prestado tanta atenção assim. O local não estava exatamente lotado, mas tinha bastante gente, em sua maioria homens, mesmo que alguns casais viessem ali, acho que eram um local mais frequentado pelo público mais masculino.
A loira do palco percebeu que a encarava, e eu torci para que ela pudesse me dar alguma informação mais tarde, afinal de contas eu estava ali pelas preciosas informações mesmo.
A música parou de tocar e ela desceu do palco sensualmente vindo na minha direção, talvez tivesse percebido o olhar descarado que eu tinha lhe mandado no começo da dança e durante toda ela.
– Será que minha maquiagem está borrada em algum lugar? Seu olhar não desgruda do meu. – Seu corpo se apoiou contra a mesa alta onde eu me encontrava.
– Eu só a estava te admirando, pelo que vi talvez faça isso a um bom tempo. Tem experiência no palco. – Jogando verde para colher maduro, já dizia o ditado.
– Só aqui, já faz alguns aninhos. – Ela se aproximou e tocou minha coxa com a palma da mão. Tinha as unhas longas pontudas e pintadas de vinho.
A puxei pela mão com calma fazendo com que se sentasse em meu colo, a mulher rapidamente sorriu, não muito surpresa com meu ato.
– Então você sabe muito sobre o local não é? – Encontrei seu pescoço com os lábios, tinha o cheiro de um perfume gostoso. – Aposto que até conhece quem mantém esse lugar de pé.
– Ah... – Podia imaginar seus olhos fechados, estava treinada para fingir e fazer aquilo independente se eu estava fazendo algo gostoso ou não. – Nosso maior sócio manda tudo da suíça, ainda não tive o prazer de conhece-lo. – Eu sabia exatamente o prazer que ela teria em conhecer um sócio do porte que morava na suíça e mandava o dinheiro para cá. – No entanto, ele esteve aqui esses dias, a uns dois dias atrás. É jovem, aposto que vou me divertir com ele, assim como posso me divertir com você.
As unhas grandes tocaram minha nuca num carinho gostoso, mandou alguns arrepios pelo meu corpo, mas o assunto ali estava mais interessante. Aquele jovem que ela estava falando, podia ser Richard, ele tinha uma grana enorme guardada das coisas que fez, as coisas que roubou e as que ganhou fazendo serviços, eu podia sentir o cheiro do dinheiro sujo dele por ali.
– O rapaz foi um mal menino e teve que ir se refugiar é? – Minha mão encontrou a carne de sua bunda, meio coberta e eu apertei a região a remexendo em meu colo.
– Um mal menino assim como você.
Era Richard, tinha que ser. Aproximei meu rosto do da moça e lhe beijei a bochecha sorrindo logo depois.
– Obrigada doçura.
A coloquei de pé ao meu lado e sorri para ela que ficou um pouco sem reação, mas logo deu meia volta e saiu do meu campo de visão, coisa que eu também fiz dando um jeito de achar Duane no meio daquele povo, esperava que ele não tivesse encontrado nenhum rabo de saia para para se enfiar.
Fui até o bar afim de tentar achar meu amigo, mas enquanto ele não aparecia pedi uma bebida leve só para que eu não acabasse sendo o retrógado do local. Enquanto isso pensava na informação que tinha conseguido.
Se Richard estava mantendo aquele lugar da suíça, ele tinha conseguido passar pelo menos o tempo da prisão de Ravenna fora do país, o que era inaceitável, ele tinha conseguido fugir usando o que? Piloto particular? Passaporte falso? Eu queria ouvir de onde ele tinha tirado o dinheiro para fazer tudo aquilo.
"Richard levou as joias da mamãe"
Aquele imbecil não seria capaz de ter penhorado as joias de minha mãe. Eu iria arrancar a cabeça dele fora, ou pelo menos quando o pegasse iria fazer de tudo para que ele levasse a pena de morte, e não Ravenna, sem dúvida nenhuma ela era inocente nessa história toda. Tucker me preocupava, se ela fosse realmente uma assassina o que eu duvidava eu estaria sendo um tolo nesse momento. Caso ela fosse má, seria do tipo assassina silenciosa, o pior tipo, afinal me preocupa mais quem fica em silêncio do que quem faz um escarcéu. Richard era do tipo silencioso, por isso raramente encontrávamos alguma pista dele, se ele ficasse por ai esbanjando a grana que ele tinha conseguido com as duas mulheres que ele enganou, talvez já o tivéssemos pego, mas ele estava sendo cuidadoso, investindo em lugares que já chamavam a atenção sozinhos, nada que fosse gritante.
Um pouco sorridente demais eu vi Duane passar do meu lado com o braço enlaçado em uma loira, ele tinha achado diversão afinal de contas.
– Escute. – Ele parou ao meu lado e se aproximou do meu ouvido, tanto por causa da música alta quanto da moça que estava ao seu lado. – Eu consegui um endereço, não é tão importante, mas você deveria checar.
Em suas mãos tinha um papel dobrado e eu apenas concordei com a cabeça e peguei o papel, vendo meu companheiro de aventura sumindo em seguida sendo acompanhado pela loira. Um de nós iria se divertir com mais do que uma punheta afinal de contas. Já eu, precisava voltar para casa, não era recomendável deixar Ravenna sozinha tanto tempo, da última vez ela dormiu no meu sofá com um bilhete em mãos, o que ela não faria dessa vez? Talvez sozinha ela ficasse se martirizando por tudo o que aconteceu, e eu não podia deixar aquilo acontecer.
Ravenna merecia um futuro melhor.
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Galerinha, eu não escolhi ninguém porque a verdade, todas as mensagens foram emociantes demais. Obrigada por cada amiga de vocês, e perdão pela demora, não quero que ela se repita mais. ♥
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