Eight
Talvez a conversa tinha sido demais para Ravenna, eu não ir atrás dela agora, de qualquer maneira iria deixar que ela se acalmasse, ou que colocasse os pensamentos no lugar, ela merecia isso. Um tempo só pra ela, pelo menos depois da conversa.
– Ravenna Tucker, hum? – Rose sorriu olhando na direção do quarto a moça e depois me encarando – Eu tive o prazer de conhecer uma das amigas dela, quando eu estava no FBI. Sophie Cavaunagh, era uma gente de campo muito parecida com Ravenna, no quesito da demonstração de sentimentos pelo menos.
– Mais um coração machucado? – Balancei a cabeça, o que estava acontecendo com essas mulheres que se machucam e se isolam? O que estava acontecendo com os homens que estão ficando cada dia mais idiotas? – Deus precisa fazer o apocalipse acontecer logo.
Sorrindo de uma maneira amigável Rose demonstrou que tinha alguma informação valiosa para mim.
– Sophie me contou algumas coisas, não se envolveu no caso de Ravenna por pedido dela, mas disse que essa mulher, seria incapaz de matar alguém. Ravenna tinha um problema com sangue, sempre desmaiou ao ver sangue. Qual a possibilidade de ter cortado a cabeça dos próprios pais? – Meu queixo caiu. – Pode falar com ela depois, Tucker toma um remédio caro para que não tenha a famosa menstruação, esse remédio corta bastante o fluxo de sangue, e Ravenna tendo essa aversão toda, nunca seria capaz de fazer o que foi condenada por supostamente ter feito.
Era de se esperar que naquele momento o meu queixo estivesse no famoso chão. Aquela era a informação mais valiosa do meu dia, era a comprovação de que Ravenna era inocente, sempre foi, desde o começo, também explicava a crise de pânico que teve ao ver a cena. Talvez tudo tenha acontecido rápido demais em sua cabeça, talvez não tivesse coragem suficiente para dizer que, no fundo, estava horrorizada e sonhava com aquilo todas as noites. Seu pecado foi amar, amar a pessoa errada, alguém que só estava com ela por interesse.
– Por que Sophie como amiga de Ravenna não ajudou? – Essa perguntava ecoava na minha cabeça.
– Sophie estava tão machucada quanto Ravenna. Aquelas duas são como faces da mesma moeda, mas agora, a agente conseguiu se casar e tem um filho com o marido. Além de estarem exercendo tudo na Inglaterra já que foi embora, capaz até mesmo de ter se mudado pro M16 que eu almejava tanto. – Minha cabeça tinha se tornado um turbilhão de informações, e eu não sabia direito o que fazer naquele momento. A única certeza que eu tinha, era que eu precisava livrar Ravenna da cadeia e qualquer jeito, porque definitivamente ela era inocente. – Eu preciso ir embora, vim te trazer essa informação porque achei valiosa.
– Sabia que ela estava aqui? – Perguntei me levantando vendo minha irmã conduzir a cadeira até a saída.
– Claro que sabia, sou uma agente, eu sei de tudo. – Antes de sair, eu quis perguntar se ela precisava de ajuda, mas conhecendo minha irmã, ela odiaria tal coisa. Rose até de cadeira de rodas queria ser provar que podia cuidar de si mesma sozinha. Depois do acidente, mais que nunca. – Mais uma coisa. Se Ravenna se machucar tanto quanto eu nesse caso, você vai se ver comigo Elliot. Faça com que ela retire tudo o que disse, faça com que negue a acusação, nós dois sabemos que não foi ela.
Concordei com a cabeça sabendo que aquela era a coisa certa a se fazer, resolver aquele caso daria sossego a minha irmã, a mim, e a alma de Ravenna que já estava perturbada demais para uma moça de vinte e poucos anos.
– Richard não vai machucar mais ninguém. Prometo a você.
[...]
O almoço passou, e Ravenna não tinha saído do quarto. Eu tinha chamado, mas ela respondeu que não estava com fome, não me convenceu, mas eu não podia ficar no pé dela, naquele momento. No entanto, alimentá-la, ainda era uma tarefa minha, considerando que ela estava em minha casa, e que eu era responsável por ela naquele momento.
Tinha lhe dado privacidade, havia prometido que faria aquilo, não entraria em seu quarto, deixaria que ela viesse até mim com informações quando as quisesse me dar. Vamos supor que se ela estivesse produzindo uma bomba na minha casa eu iria gostar muito de saber.
Antes dessa ideia me passar pela cabeça – a de entrar em seu quarto – eu tinha escutado a chuveiro ser ligado, então ela estava tomando banho, era a hora perfeita. Eu só ia verificar se ela não tinha pego meu quadro. Com cuidado eu me levantei e fui caminhando até a porta de seu quarto. Mexi na maçaneta vendo que estava aberta, afinal eu tinha retirado a famosa chave dali. Abri a porta com todo o cuidado que eu podia e assim que entrei, fui surpreendido.
Todo o quarto tinha sido decorado com paredes cobertas por desenhos abstratos, a maior parte deles em folhas brancas de A4, mas no meio do quarto, longe da cama havia uma tela com um rascunho rabiscado. Apenas o esboço do que seria um desenho. Uma mesinha próxima do cavalete tinha as tintas, os pincéis e a inspiração para o quadro que estava sendo reproduzido na tela.
A inspiração era meu quadro, minha foto com minha irmã. Ravenna estava refazendo meu quadro, estava nos pintando.
– Era para ser uma surpresa.
A voz dela me surpreendeu, não tão assustado e apenas observei enquanto ela caminhava pelo quarto com os cabelos presos em um coque não tão forte, e o corpo envolto numa toalha.
Numa toalha, merda.
– Eu estava preocupado com o paradeiro do meu quadro. Podia ter dito que tinha pego.
– E você a pediria de volta antes que eu pudesse fazer algo. – Acompanhei com os olhos seus passos pelo quarto e a vi ficar de costas para mim enquanto abria o guarda-roupas. – Quer ficar no quarto enquanto me visto, detetive?
Um estralo na minha cabeça me fez voltar a bela realidade, e assim que vi seus olhos com aquele brilho malicioso de antes tratei de sair do quarto. O dia tinha sido um pouco mais agitado do que de costume.
– Eu preciso falar com você. – Sua voz falou um pouco mais alto do que de costume e eu fechei a porta.
Quando ela se trocasse poderia me procurar no escritório, e falar o que queria falar, mas naquele momento eu precisava ficar sozinho e respirar por alguns segundos. Além disso, precisava atualizar Duane sobre o andamento do caso, depois do que Rose havia me contado, talvez fosse uma boa hora de chamar um advogado, e fazer com que o caso da senhorita Tucker começasse a ser investigado de outro ângulo.
Fui para o escritório e assim que me larguei sobre a cadeira, encarei o teto. Duas da tarde, e o dia já parecia ter valido por inteiro. Revelações sobre Ravenna, o quadro que ela estava reproduzindo em tela, e a pequena provocação, já tinham sido o suficiente para minha cabeça, o que mais será que ela tinha para me dizer?
– E então, pode me ouvir? – Lá estava ela, uma das várias faces dela, dessa vez era a forte decidida e arisca, que ela usava para falar algo, como tinha feito quando contou a charada sobre o pecado da luxúria, o que iria falar agora? Outro pecado para que eu desvendasse alguma coisa?
– Pode dizer. – Fingi olhar para o computador quando a atenção que suas pernas chamavam eram bem maiores, principalmente a que parecia machucada. Roxos redondos, será que tinha se machucado dentro do quarto? – Como fez esses machucados?
Seus olhos caíram sobre a coxa e depois ela me encarou com um sorriso falso e sem humor. Ai tinha coisa.
– Caí no banheiro. – Lá estava uma desculpa esfarrapada, mas considerando que não eram machucados tão gritantes eu não iria insistir. – Vou ser breve com o assunto. Quero um prazo. Supondo que eu tope cooperar com o caso, será do meu jeito, supondo que entenda meu jeito vai conseguir resolver algumas coisas, mas eu nunca vou denunciar Richard quando sou a acusada. – Acusada não é culpada Ravenna, vamos lá, já está me dando um sinal que quer sair dessa. – Quando começar a descobrir as coisas, não pode dar entrada em algum habeas corpus para mim, não quero. Só quero ser absolvida se Richard for realmente preso, do contrário não quero que a investigação siga em frente. Alguém precisa pagar por tudo quando os pecados acabarem, se não for ele, como você pretende, que seja eu, a acusada.
– Os pecados, serão suficientes para prendê-lo? Ele já cometeu tantos. – Dei de ombros tentando entender o motivo de tudo aquilo.
Se quando ela acabasse com os pecados eu não estivesse com Richard preso, não podia salvá-la, era um desafio interessante, e, ao mesmo tempo, preocupante, e se eu não o algemasse até lá?
– Você, detetive, não vai atrás dele, pelos pecados que ele cometeu. – Apertando o próprio pulso ela sorriu para mim, sorriu de maneira sombria, assustadora. – Vai atrás dele através dos meus pecados.
Uma áurea sombria parecia ter tomado o lugar. Não era algo gostoso de maneira nenhuma, estava me dando certo medo, na verdade. Interessante saber que Ravenna podia ser assustadora às vezes, me dava forças para tomar um pouco mais de cuidado com ela e com aquele caso.
Iria entrar no jogo dela, não porque acreditava que daria certo, mas porque era um desafio interessante, eu iria provar para todos inclusive para ela mesma que aquilo tudo não tinha sido culpa dela. Sabia como ela se sentia, o caso com minha irmã não foi muito diferente.
Rose e Richard eram um casal feliz, quando ela nos apresentou aquele idiota, realmente caímos no joguinho dele, pensamos que ele era de uma boa família, que os pais estavam morando em outro país, e que ele queria algo sério com a caçula da família. Nossa mãe teria se remexido no túmulo por causa dele se pudesse, afinal mais tarde, se mostrou um péssimo homem para que deixássemos que Rose se envolvesse. Começou com uma discussão, um ciúme obsessivo, e até então, as conversas pareciam dar certo, se ajeitavam rapidamente depois. Eu não gostava mesmo, mas não podia me envolver, não queria que minha irmã tivesse a impressão que eu achava que ela não podia cuidar de seu próprio relacionamento. Então Rose começou a aparecer com alguns machucados, e as crises de diabete voltaram, foi uma época conturbada onde eu queria acusar Richard de tudo aquilo e ela negava, negava porque achava que a errada era ela, achava que era a culpada pelo relacionamento ir de mal a pior, quando aquela porcaria se tornou um relacionamento abusivo, tudo por causa dele.
Minha irmã sempre aparecia deprimida, e isso quando aparecia, não tinha mais vontade de sair de casa, e pegou férias de um emprego que adorava. Não existiam explicações que me convencesse, então comecei a investir Richard com tudo o que eu tinha, todos me ajudavam e eu era muito agradecido por aquilo. Mesmo assim quando ele desconfiou do que eu estava fazendo, sua cartada final já estava pronta. Rose debilitada pela diabete não estava nada bem, e ele ainda fez aquilo.
Atirou em uma de suas pernas, sabendo que a ferida não iria cicatrizar por conta da doença.
Estava roubando as joias de nossa mãe quando ela viu, já que era uma agente de campo tentou impedi-lo, mesmo fraca, com depressão e ainda mais contra a pessoa que mais amava, não teve chance nenhuma, principalmente depois do tiro.
Aquilo destruiu tudo o que ela tinha. Por muito tempo, nós dois ficamos sem falar um com o outro, eu tinha relaxado no trabalho, e até mesmo desistido de ir atrás de Richard, com medo por causa das sequelas que ele tinha deixado para trás. Então quando Rose se recuperou, eu prometi que iria retomar a investigação, mas ele já tinha sumido.
Prometemos um ao outro que esse idiota seria preso, mesmo que agora ela não fosse se envolver em nenhuma investigação mais direta. Até que o caso de Ravenna apareceu, e dessa vez ele não tinha tirado a capacidade de alguém andar, ele tinha tirado os pais de uma mocinha de vinte a poucos anos que tinha tudo pela frente, mas tinha ficado com um buraco tão grande no peito que sua única escolha naquele momento era se sentir culpada.
Já que eu não pude livrar a minha irmã daquele idiota eu iria fazer aquilo por Ravenna, iria sim, ou não me chamava Elliot Green.
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Olá gente ♥ O capítulo não demorou tanto dessa vez, então vamos manter esse ritmo. Vou ter mais tempo pra nossa história agora, então espero que vocês fiquem aqui comigo em kkkk. Adoro vocês, beijão e até a próxima ♠
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