Capítulo IV: O Baú

Uma fuga, eu nunca teria imaginado chegar a esse ponto, mas diante dos fatos, eu teria que realiza-la para me salvar, a paciência e a coragem teriam que estar comigo agora. Eu precisava guardar o caderno novamente, meu pai não poderia notar que eu tinha o pego.
Eu precisaria de mantimentos, qualquer coisa seria útil para mim na minha fuga.

A noite tinha chegado, e estava assustadora, os ventos uivavam, os altos trovões cortavam o céu que estava prestes a chorar.

Eu pude ouvir passos do lado de fora, me aproximei sorrateiramente para a porta, era ele, meu pai, estava segurando uma espécie de baú, que estava bem velho, o que poderia ter ali? Deveria ser algo ruim, era o meu pai afinal. Ele levou o baú para o celeiro, talvez fosse esconde-lo ali e eu teria que ver de qualquer forma.

"Sua absurda curiosidade ainda irá mata-la"

Eu repetia essas palavras mentalmente a mim mesma, mas o que eu poderia fazer? Meu pai era um louco, eu só poderia saber o que estava acontecendo ao meu redor.

Meu pai tinha retornado para dentro de casa e estava estranhamente inquieto, ele já deveria estar dormindo, estava tarde, suas ações eram estranhas, ele entrava e saía a todo momento, ele cochichava palavras estranhas, eu não entendia o que estava sendo dito, ele soltava pequenas risadas, era como se estivesse se divertindo. Eu só sentia o nervosismo tomar conta de mim novamente, o medo de ser morta por ele era muito grande, ele estava a cada dia mais louco.

Eu já não o ouvia mais, talvez tinha caído no sono? Eu só precisava dormir agora.

Eu acordei assustada, meu coração estava batendo rápido, a minha respiração ofegante parecia me sufocar, ainda estava de noite, o que estava acontecendo? Eu poderia ouvir trotes em volta da minha casa, como de um animal, parecia arranhar as paredes.
Não, não poderia ser, eu estava ficando louca também? Eu tinha certeza, era ela, a bruxa, estava em minha casa.

- Lucie? Eu vou esmagar a sua cabeça.
Risadas poderiam ser ouvidas e aquilo foi o suficiente para me fazer desmaiar, o meu medo não tinha me ajudado.

Eu acordei desesperada, eu não estava morta, e não tinha sinal da criatura, um sonho? Não, não poderia ser, foi real, e até demais.
Me levantei, precisava olhar lá fora, deveria ter algo, mas em frente a porta, estava meu pai que começou a gritar de imediato comigo.

- Inútil! Se algo acontecer, será tudo sua culpa, e eu não vou me responsabilizar.
Eu não pude sequer dizer uma palavra, ele já tinha saído, o que eu tinha feito? Velho louco! Como pode? Estou farta dessa loucura!
Aquela casa já passava um ar obscuro, era como se a todo momento algo me observasse, eu não seria capaz de ser tão forte.

Sai em direção ao celeiro, e não tinha nada, nenhum vestígio de que algo esteve ali, eu tinha certeza que àquilo não tinha sido um sonho.

Peguei a comida dos animais, era nojenta, parecia estragada mas eles pareciam adorar aquela mistura. Aquele celeiro era velho, sua estrutura parecia que estava prestes a cair, o chão era lamacento e um tanto nojento. Era notável que faltava animais ali que provavelmente já estavam mortos.

Andando em meio a lama, algo chamou minha atenção, o baú, eu o tinha esquecido. Era velho mas parecia caro, onde ele tinha conseguido aquilo? Eu decidi abri-lo, e o que estava dentro do baú era aterrador.

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