Capítulo XXI - Parte I: Na Biblioteca.
Acordei em meio a madrugada e saltei para fora de minha cama com a reação de meu corpo para algo que acontecera apenas em minha mente.
Algo de que eu, naquele momento, não fora capaz de me lembrar.
Olhei ao redor para o quarto banhado nas sombras cruéis produzidas pelos finos raios prateados que entravam pelas frestas da cortina e procurei no ar que puxei para dentro de mim algum tipo de alento.
Não encontrei nenhum.
O ar recusava-se a entrar em meus pulmões de forma a satisfazer as necessidades de meu corpo e não importava o quanto eu forçasse ou quantas vezes repetisse o ato, pois meu peito continuaria doendo e meus pulmões continuariam pedindo por mais ar.
Saltei uma altura de dez mil metros na direção do chão a partir da cama e caminhei dez mil pés na direção da porta, atravessando o vale desolado habitado por demônios formados, em minha mente confusa, apenas pelas sombras que se projetavam a partir dos objetos cotidianos.
Em minha cabeça habitava uma dúvida que não era eu capaz de sanar sozinha, e não tinha nem a mínima ilusão de acordar algum dos devoradores que conviviam diariamente comigo para pedir por auxílio.
Se é que eles dormiam, isto é.
Só havia uma resposta diante de mim, e esta se encontrava no lugar onde as prateleiras se erguiam mais altas do que montanhas e pareciam segurar todo o conhecimento do mundo em suas mãos frias de madeira que há muito estava morta.
Eu deslizei suavemente pelos corredores banhados pela iluminação sempre presente da mansão. Meu silêncio provinha do desejo de evitar atrair quaisquer atenções indesejadas para minha pessoa enquanto transitava na direção de onde se encontrava o meu tão desejado conhecimento.
Aquele mesmo que havia assombrado sonhos dos quais eu não me lembrava, mantido-me acordada desde o ritual de algumas noites atrás e agora estava me guiando para que eu fosse encontrá-lo em meio às centenas de milhares de livros que haviam na biblioteca.
O grande espaço encontrava-se imerso em uma equivalente cortina de escuridão, quebrada apenas ocasionalmente por aquelas estruturas que emitiam luz de forma intermitente — lâmpadas, eu descobri mais tarde.
Como ponto de referência, eu só tinha a prateleira que livros que Catherine havia me recomendado antes do acidente.
Foi o primeiro lugar onde eu fui procurar por minha ilusão infantil de que existia qualquer tipo de conforto para mim naquele lugar.
Peguei um dos livros daquela gigantesca prateleira, cuja promessa vaga impressa em sua capa foi capaz de fisgar-me com a tentadora promessa de que eu iria encontrar o que eu estava procurando.
Sentei-me a frente de uma das mesas que haviam na biblioteca — um dos poucos pontos de estudo onde a escuridão não era capaz de me tocar, barrada por uma redoma de luz emitida a partir de uma daquelas estruturas confusas de metal polido.
Forçando minha mente a desistir de tentar compreender como aquela luz era emitida daquela maneira, sem nunca precisar de óleo ou qualquer tipo de combustível visível, eu abri a primeira página.
Após diversos tipos de identificações daquele que havia escrito a obra, o primeiro parágrafo da introdução daquele livro dizia-me:
"Os devoradores surgiram quando uma grande era do gelo acabou por prender um grupo de Homo sapiens em uma caverna subterrânea, separados do restante de sua espécie."
Meus olhos famintos devoraram a informação em um segundo, sem necessariamente compreendê-la.
E eles queriam mais.
Passei as páginas de maneira apressada, pulando grandes quantidades de letras organizadas em grandes quantidades de palavras que formavam grandes quantidades de informações quais eu não conseguia entender ou não considerava importantes naquele momento.
"Uma substância desconhecida que estava presente no local de isolamento deste determinado grupo acabou por levar a mutações genéticas diversas que originaram os devoradores como os conhecemos hoje."
A próxima página — se isso era depois de um capítulo ou dez, eu não sabia dizer — que conseguiu captar minha atenção durante alguns instantes tratava sobre a substância que haveria alterado os devoradores, e portanto perdeu rapidamente o meu interesse.
Meus dedos dançavam pelas páginas enquanto as viravam, o som do papel se dobrando e se arrastando contra mais papel começando a irritar meu cérebro confuso.
Eu não sabia há quanto tempo estava ali, nem quantas informações havia absorvido — ou se havia absorvido alguma coisa sequer.
Acredito eu que já havia pulado pelo menos oito capítulos de informações que eu considerava inúteis quando comecei a ver pequenas coisas sobre a organização dos devoradores.
"A Sociedade foi criada quando os Patronos, os mais poderosos, sábios e com mais tempo de vida dentre os devoradores, se levantaram para organizar a forma como iriam viver no mundo humano — que começava a se desenvolver à época que os devoradores finalmente se libertaram de seu confinamento."
Aquela mesma para qual Benjamin havia me introduzido durante uma de nossas aulas — elas me pareciam tão distantes naquele momento —, e com a qual eu não conseguia me importar menos naquele momento.
Mas havia uma fome em minha mente e uma coceira na ponta de meus dedos que só podiam ser resolvidas pela leitura e pelo movimento constante de passar aquelas páginas.
Sim, todas aquelas informações sobre como os devoradores viviam e se organizavam eram interessantes, mas não o que eu buscava naquele momento.
"Recentemente, entretanto, um grupo de devoradores ingratos se levantaram para questionar o domínio dos Patronos. Eles não merecem o reconhecimento que se dão ao se nomearem como um grupo distinto, pois se trata apenas de mais um grupo de separatistas ingratos que tentam se desvencilhar do grande presente que foi oferecido à Sociedade pelos Patronos. Atualmente eles estão sendo caçados em larga-escala, e é quase certo que estarão extintos em menos de cinquenta anos."
Já haviam se passado vinte páginas, ou seriam vinte capítulos? Eu não sabia dizer ao certo.
Minha confusão era tamanha que quaisquer informações entre aqueles pequenos excertos havia se perdido no caminho que conectava meus olhos a meu cérebro.
Ávida por mais, por mais daquelas informações, para saber mais sobre aqueles que haviam mudado tanto minha vida, tentei passar a próxima página.
As informações sobre aquele ritual devem estar na próxima página, eu continuava dizendo a mim mesma.
Mas elas não estavam.
Cheguei a contra-capa do livro. Eram apresentadas informações sobre o autor para com as quais eu não conseguiria me importar menos, mesmo se tentasse por meio bilhão de anos.
Durante alguns instantes, meus dedos tentaram agarrar alguma parte da contra-capa e puxá-la, na esperança de que houvessem mais páginas atrás dela e que aquela fosse apenas uma ilusão.
Mas o livro havia acabado. E, apesar de que eu ainda precisasse saber de mais, aquele fato não iria mudar.
As perguntas em minha mente, que haviam me trazido até aquele lugar, ainda continuavam sem respostas.
O que havia acontecido na noite passada?
Como era possível que Nora tivesse se manifestado naquela sala?
O que era aquela sensação de estar fora de meu corpo, e o que havia sido aquele abraço?
Eu estava prestes a me levantar e procurar por um outro livro, quando uma pergunta foi feita por cima de meu ombro.
— Separatistas, é? — A voz de Catherine, vinda pelas minhas costas, assustou-me, fazendo com que me virasse imediatamente em sua direção.
Para meu alívio, Catherine estava olhando para a capa do livro, não para mim.
Os próximos dois segundos de minha vida eu passei pensando em porque eu sentia alívio com aquele fato.
— S-sim. — Foi tudo que eu, pega de surpresa naquele momento tão íntimo para mim mesma, consegui dizer. — Eu queria saber mais sobre os devoradores e...
— Passou a noite inteira em claro para ler os livros que eu recomendei? — Catherine caminhou até o outro lado da mesa enquanto dedilhava suavemente pela superfície de madeira. — Bem, pode me perguntar se tiver alguma dúvida. Você se interessa pelos separatistas?
— Não, eu — Endireitei as costas e tentei deixar que o ar fluisse mais livremente de fora para dentro de meus pulmões. — Eu só queria... Queria saber mais sobre os devoradores. Por que?
Era claro que eu jamais poderia compartilhar aquele tipo de experiência com Catherine.
Afinal, o que ela faria, além de usá-la como uma nova ferramenta para torturar-me?
— Achei que fosse ter mais interesse neles, é só. — Ela sentou-se na cadeira oposta a minha e descansou ambos os braços sobre a mesa. — Afinal, já se encontrou com os Rubros, não é mesmo?
— Os Rubros? Quem são eles?
— O grupo de devoradores que tentou lhe sequestrar, e ao qual esse livro se refere.
Catherine esticou as mãos pela mesa, fazendo com que os dedos de ambas brincassem de tentar envolver uns aos outros.
— A primeira edição desse livro foi escrita há mais de mil anos. — Seus lábios se curvaram para cima de uma forma estranha. — O autor achava que eles seriam exterminados naquela grande inquisição. Engraçado como Benjamin estava procurando por eles quando encontrou informações sobre você.
— Bem... — Eu hesitei. De longe, aquela havia sido a maior conversa que eu havia tido com Catherine.
Sem que ela adicionasse xingamentos ou qualquer tipo de ofensa a minha pessoa, é claro.
— Esse livro diz que eles são só um grupo de rebeldes, não é mesmo?
— Bem, de certo ponto de vista. — Catherine usou uma das mãos para mexer naquela fonte de iluminação que estava sobre a mesa, mudando a direção para a qual sua luz branca era emitida. — Mas eu não recomendo que acredite em tudo que lê. Afinal, a história é contada por aqueles no poder. Enquanto Roma ainda era um império, todos aqueles que a atacassem seriam apenas bárbaros.
Eu permaneci em silêncio, encarando-a.
Havia sido pega de surpresa por aquela, que tinha aparência de uma criança, sentada a minha frente.
O que somente serviu para me lembrar da diferença enorme que havia entre os devoradores e eu.
Caso eu estivesse caminhando pelas ruas com Catherine, seria um erro comum caso dissessem que ela era minha irmã mais nova — ou até mesmo minha filha.
Mas aquela demonstração de conhecimento servia apenas para lembrar-me de que, apesar de sua aparência, Catherine poderia facilmente ter vivido ao menos três vezes a minha vida. Talvez até mais.
— Os Rubros vêm ganhando notoriedade desde aquela época. Eles são organizados, e estão englobando outros grupos menores. Eles não só sobreviveram a segunda Grande Inquisição da história, como também parecem ter aprendido com ela. Os Patronos nunca deixaram de enviar seus melhores Exarcas e Inquisidores, mas nunca conseguiram descobrir nada sobre a nova rede de comando dos Rubros.
Catherine deixou a fonte de luz em sua posição original e direcionou seu olhar para mim, o que me fez encolher um pouco os ombros e tentar afundar na cadeira.
Mas não havia aquele ódio ou aquele ressentimento no fundo de suas íris quando eu tentei olhar melhor.
Na realidade, eu não conseguia dizer o que havia ali.
— Como vo... Como você sabe sobre tudo isso?
— Benjamin é um Nobre, se lembra? Os Patronos repassam suas informações para que ele possa cuidar de Hampton Beach adequadamente. — Catherine levou as mãos até seu colo e começou a brincar com seus dedos mais uma vez. — Como uma Dama de Benjamin, ele me conta algumas coisas.
— Uma... Dama?
Catherine cobriu discretamente a boca ao soltar uma risada.
— É uma posição de honra na Sociedade. — Ela estava olhando para algum lugar além daquela sala enquanto falava. — Normalmente Damas e Cavaleiros são escolhidos por Duques e Grão-Duques, mas Benjamin tem permissão para escolher os postos dentro de Hampton Beach.
— Quais são as limitações da... Posição de Benjamin?
— Os Nobres são escolhidos dedo a dedo pelos Patronos. No caso de Benjamin, ele faz parte da linhagem direta de Salina. — Ela analisou meu olhar confuso, o décimo só naquela conversa. — Uma dos Patronos, isso é. Dentro de seu domínio, um nobre é a autoridade máxima. Ainda assim, eles são considerados muito influentes caso venham a participar de assembleias na Sociedade.
Eu mantive-me calada, o único som produzido por mim sendo o da saliva que engoli em seco.
Aquela conversa com Catherine, apesar de interessante, havia feito nada mais do que despejar uma imensa quantidade de pontos de interrogação no mar que eu já tinha deles.
— Ah, quase esqueci o porquê de eu ter vindo aqui em primeiro lugar. — Catherine olhou para os dois lados.
Não pude evitar que meu coração disparasse quando eu também notei que eu estava sozinha com Catherine naquele momento.
— Benjamin vem estando bastante ocupado com uma carta que ele recebeu. — Foi a vez de Catherine recostar-se na cadeira e encolher os ombros, soltando um suspiro que eu sabia que não era necessário para ela. Devoradores não precisavam respirar, afinal. — Eu não posso ajudá-lo a resolver esse problema, mas eu gostaria de fazer algo. Então...
Catherine havia desviado seu olhar para a janela — uma das várias que haviam sido quebradas durante o "acidente", mas que foram restauradas a sua antiga glória em questão de um dia — e seus dedos perseguiam uns aos outros sobre a mesa.
Ela inspirou profundamente mais uma vez.
Minha respiração continuava trancafiada às sete chaves em meu peito, minhas narinas obstruídas pela preocupação que meu corpo exalava naquele momento.
Creio que Catherine tenha percebido, pois ela direcionou um olhar para mim — um afetado, com as sobrancelhas enrugadas e os lábios empurrados para frente — e se levantou.
— Me desculpe. — Catherine se virou e começou a caminhar na direção das portas. — Eu não deveria ter lhe incomodado.
Minha mente apresentou-me a imagem de minha mãe, no dia em que nos despedimos pela última vez. Enquanto eu saltitava na direção da porta, ela segurava minha mão com mais força, caminhando lentamente.
Como se quisesse um motivo para não ir, não embarcar naquele navio e nunca deixar-me para trás.
— Catherine. — Eu disse, tendo arrastado a cadeira sobre o carpete da biblioteca ao me levantar sem nenhum cuidado. — O que pensa em fazer?
As palavras fluiram através de meus lábios como a água flui para fora da nascente. Tudo o que eu sabia era que não desejava perder mais ninguém — ninguém, mesmo que este alguém fosse Catherine.
Naquele momento, foi suficiente para que as palavras saíssem de minha mente diretamente para meus lábios.
Catherine manteve-se em silêncio durante alguns instantes, como que tentando processar as informações que havia recebido. Ela se virou, um leve sorriso testando o caminho para se manifestar em seus lábios.
— Há uma receita que Benjamin me ensinou quando... Bem, alguns anos antes de eu me tornar devoradora. — Catherine estava escolhendo cautelosamente as suas palavras. — Ele disse que era sua favorita, pois foi Salina quem o ensinou.
Eu mantive-me em silêncio, dando espaço para que Catherine pudesse continuar.
— Eu gostaria de prepará-la hoje a noite. Já fazem quase quarenta anos desde a última vez que a preparei... Mas ainda me lembro de cada passo, como se fosse ontem. — Catherine cruzou as mãos atrás das costas e abaixou levemente o rosto.
— Eu entendo. — Apresentei um sorriso apesar do leve aperto que senti em meu coração. — Como eu posso ajudar, Catherine?
— Temos que comprar os ingredientes. — Catherine estava a minha frente antes que eu pudesse perceber, segurando minhas mãos. — Benjamin deve estar em seu escritório, e Henry está encumbido de cuidar de Vincent hoje. Podemos ir agora? Assim nenhum deles irá suspeitar, e poderemos fazer uma surpresa!
Apesar da menção do nome de Vincent, o entusiasmo de Catherine foi suficiente para enterrar as memórias ruins inerentes ao que havia acontecido com aquele que mais havia se importado comigo.
Quase como se sua energia atravessasse o espaço que nos separava e me contaminasse também, tornando negar ao seu pedido algo bem difícil.
Apesar do sono que sentia, assenti duas vezes com a cabeça, e o sorriso que explodiu no rosto de Catherine foi algo que fez valer a pena aquele esforço.
— Vamos, vamos para Hampton Beach agora!
Catherine desapareceu em um borrão de movimentos que se direcionou até a porta da biblioteca antes de parar. Ela olhava para mim, convidando-me a segui-la.
Testei o chão a minha frente com dois passos, um pé indo a frente do outro enquanto uma mão invisível me puxava para trás.
Quando seu aperto sobre meus ombros se tornou menor, meus passos transformaram-se em passadas, e eu consegui seguir Catherine enquanto ela caminhava pelo corredor.
Descemos as escadas e saímos pela porta principal, Catherine observando os nossos arredores e pedindo-me para parar de vez em quando.
Fomos até os estábulos adjacentes da mansão, uma construção posicionada ao lado esquerdo da entrada.
Lugar onde uma daquelas caríssimas carruagens que eu havia visto apenas de relance estava preparada para a partida, amarrada aos animais e com os condutores esperando pacientemente em seus lugares.
— Não acha que eles vão notar caso uma das carruagens saia?
— Benjamin vai passar a maior parte do dia no escritório, e devemos ter até a hora do jantar antes que Henry saia das masmorras. — Catherine subiu primeiro, estendendo a mão para que eu pudesse também. — Se formos rápidas, eles não irão notar.
Eu encolhi os ombros quando a memória de Vincent acertou-me novamente, mas aceitei a mão de Catherine e subi na carruagem.
Havia algo em sua voz que não me deixava dar créditos suficientes para o que Catherine dizia, mas eu queria acreditar em suas palavras.
Um dos condutores fechou a porta após uma leve saudação para Catherine
Eu pude sentir o trotar dos cascos dos cavalos sobre a estrada pavimentada que existia no terreno McIntyre passar para a estrada de terra que nos conduziria até Hampton Beach.
Os sons dos cavalos relinchando calmamente podiam ser ouvidos dentro da cabine, deixando óbvia a sua total confiança nos condutores.
Observar os cedros-vermelhos passando pela janela da carruagem deveria ser algo relaxante, mas, aquele momento, tudo o que me era causado por aquela visão era uma dificuldade maior para respirar.
Em um momento indefinido para mim, perdido em meio ao tempo, os dedos de Catherine se agarraram a seus joelhos através do longo vestido branco que ela utilizava na ocasião.
Acompanhei seu olhar vazio até o mundo através dos vitrais da janela, deitando-se sobre o horizonte montanhoso e as infinitas formações rochosas que cercavam Hampton Beach.
Cercando-nos como se fosse uma prisão, sempre indiferente a quaisquer um daqueles que podiam viver em seu interior, mas sempre presentes e impedindo que qualquer pensamento de liberdade verdadeira fosse possível.
Atrás daquelas cadeias montanhosas, entretanto, encontrava-se o astro-rei. Ele se levantava de seu descanso além do horizonte e estendia seus raios potentes e dourados na direção de todos que estavam abaixo.
Através de sua presença, lembrei-me dos dias de minha vida em que ver o sol nascer e se pôr eram os únicos marcos importantes em meu cotidiano.
Como minha vida havia mudado tanto, em tão pouco tempo, era algo assustador para mim naquela época.
Perguntei-me, no interior de meu coração repleto de cicatrizes e remendos, se eu era mesmo tão especial quando Benjamin me dizia.
Apesar disso, senti-me abraçada em meu interior, e o calor de meu corpo fez com que meu coração batesse com mais certeza durante algum tempo.
Apesar de tudo, de todas as minhas dúvidas e inseguranças, eu, naquele momento, não me senti sozinha.
Porque havia alguém, em algum lugar, em algum momento, que se importava comigo.
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