Capítulo 01
N/A: Convido vocês a se divertirem com os sufocos e sustos que esse pai passará nas mãos de seus dois "anjinhos" danados.
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Sara estava possessa e já tinha xingado o diretor do laboratório criminal onde trabalhava, de todos os nomes possíveis e impossíveis de serem ditos enquanto fazia suas malas. Aquele homem não podia ter lhe mandado participar desse minicurso de atualização em outro momento, tinha que ser agora? Seus filhos gêmeos ainda eram pequenos. Ela jamais havia ficado longe deles por mais de um dia, quanto mais por cinco. E ainda tinha o agravante de seu marido nunca ter ficado sozinho com as crianças mais do que umas horinhas apenas. Aquilo estava fadado a não dar certo!
—Querida vai ficar tudo bem. Não se preocupe! - o homem tentou tranquilizar a esposa.
—Impossível, eu não me preocupar, Grissom.
Ele arqueou as sobrancelhas num gesto corriqueiro seu. Quando sua esposa lhe chamava pelo último nome é porque ela estava furiosa. Mas o homem sabia que naquele momento, felizmente, a fúria dela não era com ele.
—Ei! Assim vou pensar que você não confia em mim pra cuidar dos nossos filhos.
Sara parou de fazer as malas e encarou Grissom escorado ao batente da porta do quarto deles. Seu marido tinha uma expressão de levemente ofendido.
—Claro que confio, Gil. - Sara foi até o marido e o abraçou.
—Então qual é o problema?
—Eles são danados, arteiros e com aquelas carinhas de anjo, conseguem ter você na mão. Esse é problema, amor!
Grissom sorriu de leve. Aquilo tudo era a mais pura verdade, mas não significava que ele não desse conta de cuidar dos seus dois 'anjinhos' sozinho.
—Prometo ficar firme e não ceder aos 'encantos' daquelas duas criaturinhas de lindos olhos castanhos como os da mãe. - ele tinha uma das mãos erguidas como se faz num tribunal antes de prestar depoimento.
A esposa não resistiu e foi a vez dela de rir.
—Você nunca ficou sozinho com eles por mais que algumas horas. - argumentou a mulher.
—Sempre tem uma primeira vez, Sara.
—Eu não quero ir, amor!
A morena choramingou abraçando mais ainda o marido. Se ela pudesse esganar seu superior por ele lhe mandar nessa viagem, com certeza, o faria.
—Você tem que ir sabe disso. É importante!
—Vou ficar preocupada com você e as crianças.
—Não fique. Nós ficaremos bem já disse.
—E também vou morrer de saudades!
—Nós também vamos morrer de saudades sua, querida.
******
Na manhã do dia seguinte, um domingo, lá estava Sara com sua família no aeroporto aguardando o chamado de seu vôo pra embarcar.
—Qualquer coisa liga pra Catherine. Ela me disse que vem te socorrer se precisar, Gil.
—Ok! - resmungou o marido após um suspiro.
—Você tem certeza que não quer que eu ligue para a Mary? Acho que ela não se importaria em vir ficar só esses dias que eu estarei fora. Eu posso negociar com ela e...
—Sara não é preciso. - Ele interrompeu a esposa. _Deixa a moça nas férias dela. Eu dou conta do recado.
Grissom estava fazendo um esforço sobre humano pra não brigar com sua esposa. Mesmo ela repetindo diversas vezes que confiava nele, o homem tinha a impressão de quê isso não procedia. Sua esposa vinha agindo como se estivesse deixando as crianças com um estranho qualquer e não com o PAI das mesmas!
—Só espero que quando eu volte, encontre você, as crianças e a casa intactas. - murmurou a mulher.
Um tempo mais tarde, ela se despedia de seus pequenos segurando-se pra não chorar.
—Meus amores, me prometam que não vão enlouquecer o papai, tá bom?
Sorrindo os dois pequenos assentiram.
Com aqueles sorrisos lindos e aquelas carinhas de anjo, os gêmeos só enganavam quem não os conheciam.
Noan e Liah têm três anos de idade. Extremamente risonhos e falantes até às orelhas, eles são uma dupla e tanto no quesito: 'danadices'. São arteiros, hiperativos e danados demais. Só que a mãe consegue mantê-los na linha. Com ela, os gêmeos não aprontam tanto, o que já não se pode dizer o mesmo do pai. Grissom é mais "coração mole" com os dois pequenos e com isso, os gêmeos aprontam bem mais e fazem o papai de "gato e sapato".
—Mamãe, você traz uma boneca das princesas pra mim? - pediu Liah com um dedo no canto da boca.
—Eu trago, meu amor. E você, Noan, quer também pedir algo pra mamãe trazer pra você?
—Uma capa igual a do superman.
O pequeno Noan tem verdadeiro fascínio por esse super-herói.
—Pedido anotado, meu pequeno herói.
Um beijo em cada um de seus dois pequenos e Sara logo depois já abraçava o marido.
—Esses cinco dias longe de vocês vão ser os mais longos cinco dias da minha vida, amor.
O homem concordou com um gesto de cabeça.
O casal trocou um beijo e ouviu Noan resmungar um 'eca' como seu tio Greg havia lhe ensinado a fazer quando os pais se beijassem na frente dele.
Despedidas feitas, Sara seguiu para o portão de embarque e antes de cruzá-lo, ela deu uma última olhada na direção de seus filhos que estavam segurando a mão de Grissom. Ainda nem tinha partido dali e já sentia saudades daqueles três. Ia ser dureza ficar longe da família todos esses dias, mas teria que aguentar.
******
À caminho do supermercado pra fazer umas pequenas compras que estavam em falta na dispensa, Grissom dirigia atentamente enquanto ouvia seus dois filhos cantarolarem no banco de trás do carro, as musiquinhas que os pequenos já tinham aprendido na escola.
Há três meses eles começaram a frequentar a escola localizada no bairro de cas. Em pouco tempo, os dois já eram os queridinhos da professora por sua demasiada esperteza e inteligência pra pouca idade que tinham. Eram pequenos gênios, segundo a professora, algo que deixou os papais de primeira viagem em total orgulho de seus pimpolhos.
E sempre que eles chegam em casa da escola é uma alegria, pois sempre chegam empolgados com novidades pra contar aos pais e uma nova musiquinha na ponta da língua pra ensiná-los. Os pequenos têm uma facilidade incrível de aprender as coisas.
—Canta, papai.
Ele ouviu Noan e Liah pedirem em determinado momento da cantoria deles. E atendendo ao pedido dos filhos, ele cantou com eles. O que aqueles dois lhe pediam, ele fazia. Eles realmente o tinham na mão como Sara vivia lhe repetindo.
O trio cantou a música do sapo, da borboleta, da estrelinha e quando iam começar a cantar da formiguinha, chegaram ao supermercado.
—A gente canta mais na volta, okay?
—Okay! - os dois responderam em coro alto e com largos sorrisos de dentes pequenos.
Depois de tirar cada um de seus filhos das cadeirinhas deles, fechar o carro e acionar o alarme, Grissom seguiu em direção ao supermercado trazendo seguro em cada uma de suas mãos seus filhos.
******
Quinze minutos!
Esse foi o tempo que levou pra num descuido de segundos Grissom perder Noan de vista. O homem virou-se pra entregar algumas sacolas de frutas pra serem pesadas e trocar algumas palavras com o atendente, quando voltou-se para os filhos de novo Noan já não estava mais ali ao lado da irmã. Grissom perguntou a Liah pelo menino e ela disse que não sabia. O homem se desesperou. Logo já se pôs a procurar o filho, mas Noan parecia ter virado fumaça pra angústia do pai.
Segurando Liah no colo pra que também não perdesse a filha como perdeu Noan, o homem que abandonou seu carrinho de compras, agora circulava apavorado pelo supermercado atrás do seu pequeno. Dois seguranças e o gerente do estabelecimento que haviam se juntado a Grissom após o mesmo lhe comunicar o desaparecimento do menino, ajudavam na procurar por Noan.
Poucos minutos haviam passado desde o sumiço do garotinho e Grissom já estava quase chorando de desespero. Será que seu filho tinha sido sequestrado? Nunca ia se perdoar se por culpa de uns segundos de descuido seu, o seu garotinho tenha sido levado por alguém inescrupuloso que poderia fazer algum mal a Noan.
—Papai por que o Noan não aparece?
_Não sei filha. Mas ele vai aparecer, querida.
Seu coração estava angustiado. Nada de ruim podia acontecer com seu pequeno. Era a prece que ele fazia silenciosamente.
—Senhor acho que encontramos seu filho.
Aquelas palavras foram tudo o que ele mais ansiava ouvir dos seguranças do lugar.
—Aonde ele está pelo amor de Deus!
—No estacionamento. Meu supervisor acabou de me passar um rádio avisando que as câmeras do lado de fora flagraram um menino com a descrição que nos deu. Ele está brincando com um cachorrinho. - explicou um dos segurança enquanto ele, seu outro colega, o gerente e Grissom e Liah que seguia no colo do pai, se encaminhavam para encontrar Noan.
Como ele veio pra cá tão rápido?, Pensou Grissom. Isso também não importa agora, pois o mais importante era encontrar seu filho e foi o que aconteceu.
Assim que viu seu filho sentado na calçada do estacionamento brincando todo sorridente com um filhote de vira-lata, Grissom sentiu como se vinte toneladas de desespero e medo tivessem saído de cima de seus ombros e de seu coração. Agradecendo aos seguranças e ao gerente por terem lhe ajudado a encontrar seu menino, o homem seguiu com a filha no colo em direção ao outro filho que estava distraído com o cãozinho de rua.
—Filho, graças a Deus! - Ele abraçou o garotinho após chegar nele e colocar Liah no chão.
Algumas lágrimas começaram a escorrer por seu rosto. Nunca mais na vida ia querer passar por tal experiência. Foram minutos do mais puro terror que ele já passou em toda a sua vida enquanto seu filho permaneceu desaparecido. Grissom tinha sensação de que envelheceu mais cinquenta anos só nesses minutos de sumiço do filho.
—Papai por que você tá chorando?
O menino ficou assustado ao ver o pai assim.
—O papai ficou com medo do seu sumiço, filho. Por que saiu de perto de mim sem avisar, Noan?
—Eu fui buscar um biscoito daqueles que a mamãe sempre compra pra mim, que você esqueceu de pegar. Aí, eu vi pela parede de vidro do supermercado o cachorrinho aqui fora e vim brincar com ele, porque o pobrezinho tava sozinho. Ele não é bonito, papai? - Noan mostrou o cãozinho que segurava.
A vontade de Grissom era de ralhar com seu pequeno por lhe causa esse quase infarto com seu sumiço repentino, mas guardou a bronca. O pior já passou e seu filho estava são e salvo, e era isso que importava pra Grissom.
—Ele é lindo sim, filho. - concordou o homem tocando o cãozinho.
Apesar de ser de rua, o bichinho realmente era lindo. Malhadinho e com cara de bonachão, ele era uma coisa fofa.
—A gente pode levar pra casa o cachorrinho, papai?
—A gente já tem o Hank, filho.
Hank era um cão da raça boxer que tinha quatro anos de idade, era adestrado e foi adotado numa feira de adoção.
—Ah, mas o Hank precisa de um irmãozinho que nem eu tenho a Liah.
Grissom sorriu da esperteza do filho.
E antes que o homem dissesse algo, sua filha se juntou ao irmão no pedido pra levar o cachorrinho. Foi difícil para Grissom negar o pedido para aqueles dois que junto com Sara, eram os maiores tesouros que aquele homem tinha na vida.
—Ok! - Deu-se por vencido.
—Eba! - Os gêmeos abriram um sorriso lindo que acalmou de vez o coração de Grissom que ainda se encontrava assustado pelo momentâneo sumiço de Noan.
Momentos depois o pai, os dois filhos e o cachorrinho vira-lata seguiam pra casa. Grissom acabou nem fazendo as compras, desistiu delas. Mais tarde ligaria e faria os pedidos pra que entregassem. O supermercado tinha esse serviço de entrega.
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