CAPITULO 4
E nessas promessas quebradas,
Lá no fundo,
Cada palavra se perde no eco,
Então, uma última mentira,
Eu vejo através dela.
Lost In The Echo | Link Park
[1 ano depois]
—Genna! Diz ao Matt para ir buscar as caixas lá no depósito. –digo, abrindo uma caixa de bebidas. –Ele tá muito preguiçoso, vou te contar...
Matt entra no bar e solto um suspiro alto, agradecendo mentalmente.
—Cheguei! -ele diz, e olho com cara feia.
—Você tá pedindo para levar uns cascudos, seu folgado. –digo, enquanto ele se aproxima, pondo as caixas no balcão.
—E quem vai dar? O Jace?
—E eu lá preciso de homem para me defender, eu tenho mão. –digo, dando um tapa na sua cabeça e ele reclama. –Agora arruma tudo para aprender... eu vou atender aquele outro cara que chegou.
Me dirijo ao cliente, que parece ser de fora, nunca o vi antes no meu bar. Ele fica olhando ao redor, certamente encantado com a decoração.
—Gostou do lugar? –ele assente lentamente. –Tá, e o que vai querer? –ele fica me encarando e abre um sorriso.
—Não sabia que tinham uma garçonete tão bonita assim.
—Correção querido, eu sou a dona desse lugar...
—Você me chamando de querido assim, eu fecho esse bar hoje. –reviro os olhos e lhe encaro.
—Eu sou uma mulher casada, então se não escolher algo para beber, vou ter que pedir ao meu amigo grandão ali, o Ralph, para te pôr pra fora. –ele olha na mesma direção que eu e aceno para o motoqueiro enorme.
—Um whisky com gelo, por favor. –ele diz e quando me viro, dou risada.
Ponho a sua bebida com dois cubos de gelo, e quando me viro vejo um homão passando pela porta. Meu homem.
Boto a bebida para o cara que fica me encarando, enquanto o Jace se aproxima do bar e me dá um beijo. Ele encara o homem que já estava nos observando.
—E então? Vamos almoçar juntos hoje ou tá difícil? –ele me dá um sorriso e meu coração aperta.
—Não vai dar querido, estou cheia de clientes hoje, ainda tem um monte de caixa no estoque para trazer para cá, a Genna não tá dando conta das mesas e...
—Tudo bem, eu entendi... –diz, dando risada e encolhe os ombros. –Deixa para uma próxima.
—Espera Jace, eu tenho que te pedir um favor... –digo, saindo de trás do balcão. –Será que depois de almoçar, você pode ir na cidade, deixar essa encomenda para mim? Se não puder...
—Ei, claro que eu vou. –diz, pegando o envelope da minha mão. –Depois eu venho pegar a caixa.
—Você é o melhor marido do mundo. –digo e ele dá risada, me dando um beijo.
—Não me canso de ouvir isso sair da sua boca querida, pode dizer mais vezes. –ele sai andando e balanço a cabeça indignada.
Volto para trás do meu balcão e o homem já havia terminado sua bebida.
—Mais uma?
—Por favor... –diz e entrelaça os dedos. –Como uma mulher tão nova já pode ser casada? –diz e dou risada.
—Você é muito curioso mesmo... –comento e ele dá de ombros. –Bom, respondendo a sua pergunta, eu amo meu marido e ele me ama, acho que isso é tudo o que importa.
—Eu já fui casado e eles sempre acabam da pior forma, a mulher levando tudo que a gente tem.
—Bom, eu nunca sequer briguei seriamente com meu marido para pensar em me separar, então...
—Ah, mas vai, pode ter certeza. –disse, dando um gole na bebida. Bati no balcão e fiz cara feia.
—Ai credo cara, não joga praga no meu casamento... –digo e volto a secar os copos, enquanto Ralph se aproxima.
—Mais uma mistura daquelas que só você sabe fazer. –pego uma garrafa e o homem olhava com curiosidade.
—Só não deixa a Genna encostar nisso, ela ainda tem muito trabalho para fazer e quando ela vê isso... eu até escondo as garrafas.
—Pode deixar baby... –ele sai e quando chega perto da mesa, Genna olha indignada. –Sua chefa disse que você não pode...
Ela olha na minha direção e bufa. Dou risada, enquanto ela volta a limpar uma mesa de um casal que acabou de sair. Olho para o cara balançando a sua bebida e vou até Matt que está terminando a última caixa.
—Deixa que eu termino... pega aquela encomenda lá atrás e entrega ao Jace, ele vai deixar lá na cidade.
Matt solta um suspiro e sai resmungando que merece um aumento.
—Não merece nada seu folgado! –começo a pegar as bebidas e vejo que ele acabou colocando tudo de forma errada. –E ainda faz tudo errado... e ainda quer aumento, eu mereço.
Troco as garrafas de trás com as da frente e sinto os olhos daquele homem em cima de mim. Finjo não estar vendo, mas pego ele olhando descaradamente para minhas pernas.
—Perdeu alguma coisa aqui? –digo, andando em direção ao balcão.
—Eu... não... nada. –ele começa a mexer nos bolsos e me olha atento. –Eu... acho que perdi minha carteira.
—Ah, pronto... só o que me faltava. –olho para ele exasperada e reviro os olhos. –Tudo bem, vai embora daqui antes que eu peça ao Ralph para fazer isso por mim...
—Po-por quê?
—Acha mesmo que não vi você me secando? E ainda por cima dá a velha desculpa "esqueci a carteira" –digo e ele me olha com os olhos arregalados. –Você vive de enganar os outros, mas a mim não, agora sai e não volta mais...
Ele sai rapidamente, quase correndo para fora e solto um suspiro, pegando um pano para limpar o balcão. Genna se aproxima e põe o pano no ombro.
—Por que ele saiu correndo daqui? -diz, erguendo uma sobrancelha. Faço um gesto com a mão para que ela esqueça. –Mais um que dá em cima de você?
—Eles tentam a sorte. –digo, dando risada.
—Mas só o Jace tem ela, e ganhou na loteria. –diz e coro envergonhada. –Ah minha amiga, vocês são de dar inveja.
—Ah Genna, eu que acho que ganhei na loteria viu. O Jace é atencioso, compreensível e às vezes falta tempo para a gente se curtir, você sabe... –ela se senta no balcão e sirvo a ela uma mistura, enquanto ela abre um sorriso. –Eu acabo por ficar mais tempo que o normal no bar e às vezes eu chego em casa tão tarde que ele já está dormindo, ou estou cansada demais para fazermos alguma coisa.
—Ah minha amiga, sabe do que você precisa? Tirar um fim de semana para vocês dois se curtirem, saírem ou fazerem um programa em casa mesmo...
—Gen, você sabe que eu não posso, aos sábados é que as coisas ficam mais cheias por aqui, quando os motoqueiros se juntam.
—Isso não é problema, você pode deixar eu e o Matt no controle de tudo por um diazinho, não vamos pôr fogo no lugar. –diz e dou risada. –Aliás, aproveita que vocês não tem filhos e quem sabe... possam fazer um.
—Genna! –falo indignada e dou risada. –Eu e o Jace nunca nem falamos disso, nem sei o que ele pensa disso...
—Ora, uma hora vocês vão ter que conversar, já estão casados há mais de um ano, essa conversa deve ter saído em algum momento.
—Sim, a gente brincou uma vez sobre isso, quando ele me pediu em casamento, mas... não tocamos mais no assunto.
—Você quer uma criança? –olho com os olhos arregalados e ergue uma sobrancelha. –É, você mesma.
—Ah, eu... eu sempre sonhei em ser mãe, mas eu ainda sou muito nova para isso, e ainda tem o bar...
—Menina, você tá na flor da idade, aproveita que tem pique para isso, quando ficar mais velha não vai ter disposição pra correr atrás de criança danada...
—Ei, está dizendo que se eu tivesse um filho ele seria assim?
—Com certeza, juntando sua personalidade com a do Jace seria um mini pestinha impossível de segurar.
—Ai, vamos parar de falar disso por favor... eu nem sei se ele quer ter filhos algum dia, ele nunca deixou claro. –digo, pensando na nossa conversa antiga.
—Como eu já disse, conversa com ele.
Ela levanta e vai até mais um cliente que chegou pela estrada. A alguns metros daqui tem um posto de gasolina que vive cheio de turistas, então isso é bom para a gente. Tanto para o meu bar, quanto para a oficina de motos do Jace, se bem que a maioria das motos que eles concertam lá é dos motoqueiros.
A tarde passa tranquila quando o Jace volta a aparecer, com um rosto cansado e ao se aproximar, ele me entrega o envelope e vejo que está com o carimbo.
—Como foi? Você demorou um monte. –digo, me sentando com ele em uma mesa.
—Eu quase mato aquele cara, ele estava me tirando a paciência. Tive que ir até outro lugar para buscar outros papéis, para ele poder liberar a encomenda, essa merda de burocracia.
—Me desculpa por te fazer passar por isso querido... –digo, me sentindo culpada e ele me oferece um sorriso cansado. –Deixa eu te recompensar com uma bebida e quem sabe... uma massagem mais tarde. –digo, chegando perto do seu ouvido.
Sinto ele abrir um sorriso sacana e morder o lábio inferior com o rosto próximo ao meu.
—A massagem eu posso deixar para de noite, mas agora eu queria outra coisa. –diz e ergo uma sobrancelha me fazendo de desentendida. –Ah, não sabe o que é? Eu posso te mostrar no seu escritório...
Mordo meu lábio e levanto para ir buscar sua bebida. Minhas pernas estão tremendo de excitação e ele levanta e entra atrás do balcão comigo. Ele pega o copo da minha mão e vira a bebida, ainda me olhando.
Jace põe o copo na pequena pia e pega na minha mão, entrelaçando os nossos dedos. Eu sinto uma eletricidade percorrendo nas minhas veias, quando ele começa a me puxar lá para dentro. Olho para trás e vejo Genna nos olhando, abrindo um sorriso malicioso e faz gestos com as mãos, me estimulando a ir.
Jace olha por cima do ombro sorrindo e sinto todo o meu corpo começando a queimar antes mesmo dele me tocar. Ele abre a porta e assim que fecha, me encosta na porta e devora a minha boca. Ouço ele passando as chaves na porta e seus lábios se curvarem em um sorriso, ainda encostados nos meus.
—Você não sabe o quanto eu estava sentindo falta disso. –diz, descendo em direção ao meu pescoço, dando leves chupadas e um beijo logo em seguida. Eu solto um gemido baixinho e ele dá uma risada. –Acho que não sou só eu que estava com saudade disso...
—Você fala como se eu... não tivesse saudades... suas... –a minha voz já está carregada de excitação, então agarro seus cabelos com força.
Jace não falou mais nada, apenas me guiou até a mesa de madeira polida e me pôs sentada em cima dela. Algumas lembranças me vêm em mente e parece que eu e ele estamos em sincronia.
—Sabe do que lembrei agora? Das visitas íntimas na prisão. –coro um pouco lembrando e ele dá risada. –Você nunca vai deixar de ficar assim, vermelha...
—Jace... -digo, segurando no seu pescoço e começo a tirar sua jaqueta. Ele me olha fixamente e me ajuda a tirá-la. Abaixo meus olhos e puxo a barra da sua camisa, deixando seu peito tatuado à mostra.
Meu Deus, nunca vou me cansar de olhar para ele assim.
—Eu adoro quando você me olha desse jeito. –levanto o rosto e vejo ele me encarando e mordo o lábio.
—Eu te amo. –digo e o puxo pela calça para mais perto. –Te amo muito...
Ele sussurra baixinho um eu te amo, enquanto tira a minha roupa. Seus dedos descansam nas alças do meu sutiã e a puxa para baixo, depositando um beijo em seguida. Eu amo quando ele fala que me ama, ou o quanto eu sou linda, me sinto amada de verdade.
Observo todas as nossas roupas no chão, quando ele se aproxima e pega nas minhas pernas, as acariciando. Solto um gemido e mordo o lábio, quando sinto ele adentrando no meu corpo. Estava com saudades disso e um pouco frustrada com as suas provocações. Seguro nos ombros do meu marido, enquanto ele movimenta nossos corpos lentamente.
Ele aperta as minhas pernas com o rosto enfiado no meu pescoço, onde vez ou outra ele dava um beijo. Fecho os olhos e jogo a cabeça pra trás, sentindo o calor crescer no meu corpo gradativamente. Abro os olhos e vejo Jace me encarando, tiro seus cabelos suados da testa e sugo seus lábios. Ouço seu gemido baixo e isso me faz soltar um também.
—Eu.... eu acho que vou... –ele não falou mais nada, apenas se desmanchou soltando um suspiro.
Ele para por um segundo, mas continua se movimentando para me fazer derreter como ele acabara de fazer. Eu agarro seus ombros com mais força quando ele pôs mais intensidade, soltando um palavrão baixinho no meu ouvido.
—O que você disse? –eu abro um sorriso e me viro para ver ele com a sobrancelha erguida. –O que você disse no meu ouvido...
—Você gosta quando eu xingo? -dou um sorriso de canto, mas não respondo.
Ele dá risada e em um movimento brusco ele me levanta da mesa e me prensa na parede perto da porta. Dou um sorriso surpresa e olho para ele, que está com a cara enfiada no meio dos meus seios, beijando a minha pele. Bato as costas na parede e solto um gemido alto e dou risada depois.
—Desse jeito vai chamar a atenção... –diz e levanta a cabeça para me olhar. –Deixa eu dar um jeito nisso...
Ele me beijava e eu deixava leves gemidos escaparem enquanto sentia as costas baterem na parede fria. Eu agarrei com mais força ainda os ombros do meu marido quando senti minhas pernas ficarem rígidas. Fechei os olhos com mais força e soltei o ar quando me desmanchei toda ainda suspensa no ar.
Desço lentamente do seu colo, e assim ficamos prensados na parede com ele agarrado a minha cintura. Seguro os seus braços tatuados e dou um sorriso ainda ofegante. Jace se aproxima e descansa a cabeça no meu ombro e aliso suas costas e seus cabelos.
—Você tá pesadinha hein... –bufo indignada, enquanto empurro ele que está rindo de mim. –Eu só estou dizendo a verdade, querida...
—Esse tipo de coisa você guarda para si mesmo. –começo a pegar as minhas roupas do chão, quando ele me abraça por trás.
Eu sempre sou rendida quando ele me pega de surpresa assim, ele segura firme a minha cintura e deposita um beijo no meu pescoço afastando os cabelos pregados lá.
—Jace... –me viro para olhar para ele. –Eu também estava com saudades, mas não podemos repetir a dose, não aqui ao menos, nem agora...
—Isso é uma promessa de que vai tentar chegar cedo hoje? –sempre fico com o coração apertado quando vejo seu olhar esperançoso. Tenho deixado meu marido dormir sem me ver toda noite, porque passo tempo demais no meu trabalho.
Não posso reclamar e negar os clientes que chegam a noite, em plena madrugada, são eles e suas conversas chatas que dão o dinheiro que nos sustenta. Eu e Jace ganhamos bem, muito bem na verdade, e desde que casamos dividimos todas as despesas.
Mas essas noites longe do meu marido estão virando rotina, e isso pode acabar desgastando o meu casamento com ele. Por mais que ele diga que não vai cansar de mim, eu ainda sou insegura em relação a isso. Nós dois éramos acostumados a não ter ninguém ao nosso lado, mas agora temos um ao outro. É disso que tenho medo, perder a única pessoa que eu tenho.
—Eu vou tentar querido... –digo, passando o dedo na sua barba que começou a crescer.
—Tudo bem, eu vou indo... –digo e ergo uma sobrancelha.
—Desse jeito? –aponto para ele ainda sem roupa e ele dá um sorriso malicioso.
—Sim, por quê? –ele me provoca e cruzo os braços e dou risada.
—Essa eu quero ver, sai desse jeito que eu duvido, te pago mil pratas. –ele ergue uma sobrancelha e fica pensando seriamente no que eu disse.
—Mil pratas? Hmm... Não vale a pena deixar você nervosinha por tão pouco... –diz e cruzo os braços.
—Triplico o valor, ainda assim vai negar? –ele abre a boca para pensar e dou um soco nele. –Não acredito mesmo que estava pensando em fazer isso Jace... –começo a vestir minhas roupas, quando ele pega a calça dele do chão.
—Você bate forte demais, coitado do meu braço... –ele resmunga.
—Para alguma coisa o boxe me serve e isso é para nunca mais pensar em fazer algo assim...
—Mas eu não ia fazer, você sabe que eu estou brincando. –diz, já colocando a camisa e buscando a jaqueta.
—Continua brincando assim comigo tá? –digo, ajeitando meu cabelo e vendo que ele já estava vestido abri a porta para sair.
—Não fica assim comigo... –ele diz, saindo do escritório e me encurralando na parede do corredor. –Está brava comigo? –cerro os olhos, mas logo dou risada.
—Não seu bobo, não estou. –disse agarrando a sua jaqueta, o puxando para lhe dar um beijo. –Vou para casa tomar banho...
—Estava pensando em fazer a mesma coisa. –Jace diz, com um sorriso malicioso e dou risada.
—Então vai tomando o seu que eu chego já, quem sabe eu coma alguma coisa...
—Eu vou te esperar, quem sabe eu consiga uma segunda rodada. –ele provoca e dou um empurrão nele.
—Deixa de ser pervertido... –digo, voltando a andar e sinto ele parado me olhando.
—Só por você! –ele grita quando já estou longe o suficiente e me viro para encarar ele, rindo.
—Maluco... –digo para mim mesma e quando volto, Genna está atrás do balcão lavando alguns copos. Quando me vê, dá um sorriso que diz muito. –O que foi hein?
—A coisa foi boa lá dentro hein, até demoraram... –sinto minhas bochechas queimando e me viro para ver se alguém ouviu.
—Vamos voltar ao trabalho né? Daqui a pouco vou para casa. –digo e vejo Jace passando e me acenando.
—Te vejo daqui a pouco... –ele diz e assinto lentamente, enquanto ele segue em direção a porta.
—Que história é essa menina? Vai com ele agora! –eu olho para ela e nego. –Jace! –ela grita e ele para perto da porta se virando para nos encarar. –Leva ela, se for esperar ela chegar em casa, só de madrugada.
—Mas.... –eu dizia, mas ela me empurra para fora do meu próprio bar.
—Toma, leva a sua garota....
Eu a olho frustrada, mas caminho até o Jace que dá risada da situação.
—Pode deixar Gen, dessa daqui eu vou cuidar bem, com essa gata eu até caso! –diz, agarrado a mim e dou risada, lhe guiando para fora.
—Vamos seu bobo, antes que eu mude de ideia... –digo, sentindo seu braço ao redor dos meus ombros.
—Ah, mas se fosse preciso eu te carregaria no colo, só para você não fugir de mim, mesmo que eu ficasse com as costas doendo... –me viro novamente para ele e cerro os olhos.
—Está insinuando de novo que eu estou gorda? –digo e ele dá risada, mas meu semblante muda. –Eu acho que preciso mesmo voltar a treinar...
—Ei, olha pra mim... –diz, levantando meu queixo. –Eu só estava brincando com você.
—Eu sei... –digo, forçando um sorriso quando entramos na nossa casa.
Vou até a geladeira e tiro a comida congelada quando o Jace tira a jaqueta e joga no sofá.
—Não sabia que tínhamos um guarda-roupa na sala. –debocho e ele revira os olhos e pega novamente, levando para o quarto. –Tenho dó dessa casa quando não estou...
Brinco porque sei que Jace tem um senso de arrumação até melhor que o meu. Ele às vezes esquece a jaqueta pela sala, mas a casa sempre está impecável quando eu chego.
—Tô vendo que se eu fosse realmente tirar um dia de folga além do domingo, seria para arrumar essa casa... –provoco mais um pouco entrando no quarto, onde ele já está sem camisa.
—Então vai tirar um dia de folga? Mas se não era apenas para arrumar a casa, para que era então? –ele pergunta, jogando a roupa no cesto.
—Eu... nada. –digo, lembrando do que a Genna me aconselhou a fazer.
—Hmm... agora fala. –diz, se aproximando com um sorriso de lado.
—Foi uma coisa que a Gen me aconselhou, para.... hmm... a gente fazer um programa, só nós dois.
—Eu apoio essa ideia, nem preciso dizer o quanto. –diz, alisando as minhas costas. –Agora vamos tomar banho...
—Vamos. –digo, tirando as botas e colocando perto da cama. Ponho a roupa no cesto e entro no box, onde Jace já está todo molhado.
Eu me aproximo dele e peço passagem para me molhar. Ele observava meus gestos fixamente, e dou um sorriso discreto. Olho de relance para ele enquanto pego o shampoo e o ofereço.
Observo ele massagear o cabelo e quando entra debaixo do chuveiro, vejo os cabelos batendo nos seus olhos, onde ele afasta jogando para trás.
—Ele tá bem grande hein, já está bom de cortar. –comento, quando ele abre os olhos para me encarar.
—Sim, mas estou sem tempo para isso. –diz, dando um sorriso. –Vem, deixa eu passar o sabonete em você. –dou risada, enquanto ele pegava o frasco e botava um pouco na esponja.
Desliguei o chuveiro, enquanto ele passava a esponja no meu corpo e abro um sorriso. Me viro de costas e tiro o cabelo para que ele passe nas costas. Ele deposita um beijo no meu ombro e mordo o lábio quando ele passa na minha clavícula.
—Está com frio? –ele pergunta, alisando os meus braços.
—Hmm... é outra coisa... –sussurro e me viro para ele. –Deixa eu passar em você.
Ele me observava entretido, enquanto eu enchia a esponja com o sabonete. Começo com seu peito e subo para o pescoço. Vejo ele fechar os olhos quando passo em suas costas, então ligo o chuveiro e começo a tirar o sabão de mim e ele me agarra para ficarmos os dois embaixo da água.
Dou risada e me agarro ao pescoço dele, que me rouba um beijo calmo e molhado. Sinto suas mãos bobas e olho seriamente para ele.
—Acalma esse seu fogo Jace, não sou uma máquina de sexo... –digo e ele revira os olhos, resmungando.
Visto uma toalha e saio para vestir uma roupa. Sento na cama para pentear o cabelo e passar hidratante. Jace sai quando já estava com o cabelo penteado e me aproximo para pegar uma roupa no guarda-roupa.
Ele se aproxima por trás e pega o desodorante, e depois o perfume. Vesti uma lingerie e de repente me deu uma preguiça. Me joguei na cama de braços abertos, olhando para o teto quando Jace entra no meu campo de visão.
—O que foi? –ele perguntou entretido, enquanto resmungo.
—A cama está me chamando mais e mais, mas não posso me render. –digo, quando ele apoia o joelho na cama e se inclina sobre mim. –O que está fazendo?
—Rendendo você ora... –diz, me dando um beijo calmo, outro na bochecha, descendo para o pescoço. –Amo seu cheiro sabia?
Dou risada e resmungo, levantando da cama. Jace senta na cama e me acompanha com os olhos, enquanto visto a minha roupa. Vou até a cozinha colocar a comida no forno. Depois que termino e vou até o banheiro escovar os dentes, vejo que Jace está com a mão no rosto, ainda de toalha.
Quando volto, ele ainda está na mesma posição e me aproximo para ver se ele dormiu.
—Jace? –sussurro, tirando o braço do seu rosto e ele me dá um sorriso. –Se quiser pode dormir, eu vou na oficina dizer que você vai mais tarde.
—Não se preocupa, eu já vou levantar. –diz, suspirando.
—Tudo bem, eu já estou indo.... –me aproximo dele e dou um beijo na sua testa. Ele tira o braço do rosto e me dá um sorriso, me puxando para um beijo maravilhoso.
Saio de casa e passo a tarde toda com o bar cheio. Ainda vejo o Jace de relance lá fora, conversando com nossos amigos motoqueiros. Até que a noite chega, e o meu bar ganha uma tonalidade escura, com as poucas luzes amarelas espalhadas pelo bar, dando discrição aos clientes nas mesas.
Acho que depois de andar atarefada com o trabalho, virou um ritual diário ele sair da oficina e vim até aqui me dar o último beijo do dia. Sei que ele não se importa que eu chegue tarde, ele diz que faz parte mas isso me deixa com uma sensação de estar fazendo mais pelo meu trabalho do que pelo meu casamento.
Ele apareceu na porta e cumprimenta alguns motoqueiros em uma mesa. E quando ele me olha, meu Deus... sinto como se tudo fosse apenas ele. Acho que nunca vai mudar o fato do meu coração acelerar e um sorriso espontâneo se abrir no meu rosto quando ele aparece.
—Eu já estou indo para casa... –diz apoiando a mão no balcão e solta um suspiro. Me aproximo um pouco mais e me curvo sobre o balcão para capturar seus lábios.
—Como foi seu dia? –pergunto, enquanto preparo uma bebida para ele. Jace abre um sorriso cansado e senta em um dos bancos do balcão.
Ele começa a me contar e vez ou outra, alguém aparece para pedir uma bebida. Vejo ele esfregando o rosto e boceja discretamente.
—Vai para casa querido, você está cansado. –digo, dando a volta e pondo as mãos nos seus ombros. Suas mãos repousam na minha cintura me puxando mais para perto, enquanto dou um beijo na sua testa.
—Olha, eu não vou discutir mas... –ele ficou apenas me fitando e ergo uma sobrancelha.
—Mas...?
—Eu queria um beijo de boa noite da minha gata. –sei que não era isso que ele ia dizer, mas apenas me inclinei para ele e beijei seus lábios.
Um pequeno beijo se tornou algo maior, ele afundou a mão nos meus cabelos e me trouxe mais para perto. Ele suga meu lábio e todo o meu corpo se aquece, acabo soltando um gemido abafado, mas lembro de onde estamos e me afasto deixando ele confuso.
—Não estamos em casa Jace... -digo, olhando se ninguém prestava atenção na gente. Por sorte não.
—Ok... Então nesse caso, não tenho mais nada a fazer aqui. Boa noite querida. –diz, selando nossos lábios rapidamente.
—Boa noite... –digo, voltando para trás do balcão. –Te amo.
—Também te amo. –ele diz, sorrindo e sai do bar, levando meu coração junto.
Eu tive a impressão que ele iria comentar algo sobre eu não estar em casa a noite, mas ele desviou o curso da conversa. Acho que as coisas estão ficando realmente preocupantes e difíceis até mesmo para ele.
Paro de pensar nisso, focando na noite longa que viria. Meu último cliente saiu as duas da manhã. Lavo os copos, seco e guardo e quando vou ver, já são quase três. A minha sorte nessas horas são o Matt e a Genna, eles trocam os turnos entre si, assim hoje a Genna foi mais cedo e o Matt ficou até mais tarde comigo.
Confio totalmente no Matt, ele nunca tentou nada comigo, a não ser no seu começo quando não sabia que eu era casada. Mas as coisas foram mudando e ele acabou se tornando meu amigo de confiança assim como a Genna. Eu não trocaria eles por nada, são eficientes e os melhores no que fazem, mas não posso dizer isso na frente deles, ou vão começar a se achar e exigir aumento, o que o Matt faz sempre. Ele já havia limpado algumas mesas, e fechou a grade da porta da frente.
Agora estou sozinha, e saio pela porta lateral, lembrando de apagar todas as luzes. Quando entro em casa, solto um suspiro ao ver tudo desligado, apenas a costumeira luz da cozinha acesa, iluminando o resto dos cômodos.
Me rastejo até o quarto e vejo meu marido já dormindo, como achei que estaria. Tiro minhas botas e coloco no mesmo lugar de sempre, perto da cama. Tiro as roupas e tomo um banho quente, acabei pegando essa mania do Jace. Visto minha camisola e me jogo embaixo do edredom, onde ouço o resmungado dele e vejo seus olhos abrindo lentamente.
—Te acordei...? –sussurro e ele fecha os olhos lentamente, negando com a cabeça. –Tudo bem...
Sinto ele me puxando mais para perto, agarrado a minha cintura. Fico fitando seu rosto calmo, e me aconchego mais ainda nele. Seu nariz roça na minha bochecha e seus lábios buscam cegamente pelos meus. Selo nossos lábios rapidamente e vejo um sorriso brotar discretamente no canto dos seus lábios. Me aconchego melhor no meu marido e fecho os olhos respirando a loção pós-barba dele.
Sinto ele me abraçando mais, ao ponto de quase fundir seu corpo quente ao frio do meu. Suas pernas estão entrelaçadas as minhas, e sinto a minha consciência se esvaindo com um último pensamento, que mais uma vez quebrei uma promessa.
Votem e comentem!
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