CAPITULO 1

Não posso deixar de amar você,
Mesmo que eu tente.
Não posso deixar de te querer,
Eu sei que eu morreria sem você.

War of Hearts, Ruelle.

Suas mãos suavam.

Tremiam.

Não paravam quietas no vestido, tentando achar qualquer defeito, uma linha solta ou uma mancha.

Queria que tudo fosse perfeito naquele dia.

No seu dia.

—Acha que ele vai gostar? –perguntou insegura, analisando o corte do vestido feito sob medida.

—Olha para você, está linda... mais do que linda, está... espetacular. –ela riu com aquele comentário e se virou para ele. –Ele tem muita sorte em ter você, espero que ele saiba valorizar e se ele não ficar com o queixo no chão assim que te ver, eu mesmo farei o queixo dele ir ao chão. –ela ri de novo e bate levemente no ombro do homem a sua frente.

—Não seja um irmão ciumento Erick, nem pense em estragar o dia do meu casamento. Quero que tudo seja perfeito... –diz, olhando mais uma vez para o espelho.

—Tudo bem, mas... antes que descesse, queria te dar isso. –Giovanna se vira para ver uma presilha brilhante na sua mão. –Eu comprei para você, mas se você não gostou...

—Não Erick... –diz, agarrando seus pulsos. –Eu adorei, é linda...

Ela pegou da sua mão e prendeu no seu penteado. Os olhos do seu irmão brilhavam olhando a garota que protegeu se tornar uma mulher. A irmã que esteve ao seu lado em momentos tristes e felizes, que lhe tirava do sério as vezes, mas que sempre estava lá para colocar juízo na sua cabeça.

—Daqui a pouco vou ver como o seu marido está e ter uma conversinha de homem pra homem sabe? –Giovanna repreendeu ele, que fingiu não ver e saiu do quarto.

Passos foram ouvidos no corredor e depois de alguns minutos Lira entrou no quarto, abrindo um sorriso.

—Você está muito linda, certeza que o Jace vai cair para trás... –Giovanna tentou sorrir, mas estava nervosa demais. –Você me parece bastante agitada, quer conversar?

Giovanna mordeu o lábio, enquanto a namorada do irmão entrava e fechava a porta caso Jace desse um jeito de espiar. Ninguém deixaria ele fazer isso, daria azar.

Por mais que estivessem na mesma casa, ainda não haviam se visto hoje, regras estúpidas que Giovanna e Jace não ligavam muito, mas Lira e Dolores que eram as madrinhas ligavam.

—E então? O que tanto preocupa você? –Lira perguntou.

—Não sei, o medo de não ser boa o suficiente pra ele no futuro. Sabe, estamos dando um passo enorme e o Jace não é do tipo de cara que se casa, e se ele desistir? Se ele acabar se arrependendo lá na frente, se....

—Ei... Não se tortura assim. O Jace ama você, se fosse qualquer pessoa eu diria que ele fugiria sem olhar pra trás, mas é você. –Giovanna assentiu lentamente, pensativa. –Sabe por que o namoro dele não deu certo com outras garotas, principalmente a Mayra? Porque elas viam apenas esse lado encrenqueiro e badboy dele, a Mayra o abandonou quando ele mais precisava, mas você não. Quando ele foi preso, você estava do lado dele, era isso que ele procurava em alguém. Acha mesmo que ele vai deixar a gata dele escapar? –as duas riram e Lira agarrou as mãos da cunhada que casaria com seu melhor amigo. –Continua cuidando bem dele, vocês vão ser muito felizes.

—Obrigada... -as duas se abraçaram e Lira a soltou. –Pode ir ver como ele está? Se ainda não fugiu... –Giovanna brincou e riu novamente.

Ela sabia que aquilo não aconteceria, ele estaria lá por ela, vestido de um jeito que ela nunca viu. Ela estava curiosa e ansiosa para vê-lo novamente.

Cabelos rebeldes que insistiam em cair no seu rosto, calça jeans preta com uma corrente prateada pendurada de lado, botas de motoqueiro e uma camiseta escura com uma jaqueta de couro com a gola um pouco erguida. Ainda assim dava para ver uma tatuagem de cada lado do seu pescoço, duas de muitas que ele tinha pelo corpo, inclusive nos braços; Um piercing na orelha esquerda, lábios e nariz.

Esse era o cara de muitas horas atrás.  

Agora?

Jace Morris é um “estranho no paraíso”. É assim que se sente enquanto se ajeita em frente ao espelho. Sapato social, um terno preto e o cabelo para trás impecavelmente alinhado, e não vamos esquecer da grande vilã dos noivos de primeira viagem: a gravata.

—Quando eu encontrar o idiota que inventou isso, eu vou quebrar a cara dele. –o moreno diz, visivelmente frustrado.

—Deixe-me te ajudar com isso. –uma voz calma e acolhedora se aproxima.

—Achei que ia ter que implorar. –ele se vira em rendição, aceitando de bom grado a ajuda de sua tia Dolores, que movimenta a cabeça em negação.

—Dez a zero pra coitada da gravata. –ela diz, enquanto o ajuda com o nó.

—Coitada? Agora sei porque chamam de gravata borboleta. As pessoas devem ver várias dessas voando pela janela o tempo todo.

—Ai meu sobrinho, deixa de ser dramático...

—Por mim eu casava com minhas roupas de sempre. 

—Não duvido. –sua tia enfim dá o último retoque na gola do terno. –Prontinho! –diz toda orgulhosa. –Não foi nem um bicho de sete cabeças.

Jace retorna para o espelho se auto-analisando. Ele quer estar perfeito, quer sentir orgulho de si mesmo, mas ao invés disso está inseguro demais pra enxergar essa perfeição. Nervoso, suando, quase pode ouvir seu próprio coração.

—Queria que minha mãe estivesse aqui pra ver isso. –soltou um longo suspiro, cabisbaixo. 

—Ei! –Dolores coloca a mão sobre o ombro do sobrinho. –Minha irmã teria muito orgulho de você. 

Ele se vira em direção a tia que o abraça forte, um abraço caloroso e reconfortante.

—Agora trate de mudar essa cara, senhor Morris. –ela se afasta dele o apontando o dedo indicador com um olhar ameaçador. –Ou essa gravata borboleta vai voar pela janela e você está nela agora. –diz seriamente, mas depois solta uma risada contagiante que envolveu o sobrinho.

—Uau! –Uma voz feminina soa na entrada do quarto chamando a atenção de Jace, que imediatamente direciona o olhar em sua direção.

—E aí, Li? –sorri. Sua testa enruga, um pouco envergonhado. –O que achou? –questiona sua amiga, um tanto inseguro.

Lira analisa Jace alisando o queixo pensativa, deixando ele impaciente a espera por sua resposta.

—Você está... perfeito, meu amigo. –diz abrindo um sorriso sincero, aliviando a tensão dele. 

—Bom... vou deixar vocês dois conversando, vou ver como a noiva está. –Dolores diz, se virando para sair.

—Tia, tia... será que você podia sei lá, me dizer como ela está...? –diz, tentando soar indiferente e a tia dá risada dele.

—Paciência Jace. –disse e saiu finalmente.

—Você já viu ela? –Jace pergunta curioso, tirando uma risada da amiga.

—Sim, e meu amigo... Você vai infartar. –ela brincou e o coração dele deu um pulo. –Ela está muito linda.

—Ai Lira, será que eu não posso dar nem uma espiadinha, um beijo...

—Não, nem ouse... –disse, empurrando ele que já andava até a porta.

Jace bufou e revirou os olhos, voltando-se novamente para o espelho.

—Estou me sentindo um completo estranho nessa roupa. –Jace se senta na cama, pensativo.

—É só isso mesmo? –Lira o fita desconfiada, de braços cruzados.

—Não. –confessa, encarando o chão. 

Lira senta ao lado do amigo esperando que ele desabafasse, mas apenas a encara abrindo a boca na tentativa de dizer algo, mas a fecha como se suas palavras estivessem presas na garganta.

—Será que... vou ser um bom marido? –disse enfim. –E se... –engole em seco. –E se com o tempo eu me tornar um cretino como o meu...?

Antes mesmo que completasse a frase, Lira coloca a mão na boca dele, o impedindo de continuar. 

—Não. Não ouse mencionar aquele homem. –então afasta as mãos. –Você nunca vai ser como ele, você é um cara incrível, um amigo incrível. Será um ótimo marido, um ótimo pai, avô, bisavô e tataravô.

—É... por enquanto vamos ficar só até no ótimo marido, sim? –responde desconfortável.

—Pai, não? –ela pergunta, com uma das sobrancelhas arqueadas.

—Talvez... Eu não sei, nunca parei pra pensar nisso. Na verdade, nunca me imaginei casando e... bom, olha só o senhor encrenca todo engomadinho e comportado.

—Você ia ficar tão fofo de pai...

—Ai, Lira... –diz, soltando uma risada. –Não me deixa mais nervoso do que eu já estou. 

—Pai? –alguém aparece na porta com uma expressão séria e ambos se viram para encará-lo. –Se tiver engravidado minha irmã, Giovanna vai ficar viúva antes de se casar.  

—Erick! –Lira repreende o namorado.

—Ei, relaxa... –Jace fala, ficando nervoso com a situação. –Ela não está.

Erick olha desconfiado e assente lentamente.

—Acho que temos que conversar.

—Erick... –Lira diz desconfiada.

—Relaxa Li, é só uma conversa entre cunhados, prometo deixá-lo inteiro por mais alguns anos.

Lira conhecia bem o namorado. Sabia que ele tinha aquele jeito intimidador, mas confiava nele. Sabia que ele jamais faria algo pra estragar o casamento da irmã.

—Vou te esperar lá embaixo. –Lira passa por ele, o avisando.

—Já vou descer, vai ser rápido. –sorri pra namorada, lhe dando um beijo rápido.

Enquanto Lira se retira do quarto deixando-os a sós, Erick se escora na cômoda.

—É difícil ainda aceitar que minha irmã se apaixonou justo por você... –diz, se aproximando de Jace. –Mas
vou ser obrigado a aceitar, só espero que não a magoe ou eu juro que te faço em pedaços.

Jace nem podia imaginar que seu cunhado estava falando bem sério, não só no sentido figurado.

—Não vou. –disse firme. –Eu amo a Giovanna e vou fazer de tudo pra fazê-la feliz.  

—Assim espero. –Erick descruza os braços, e lhe estende a mão. –Trégua?

—Trégua. –concorda, apertando a mão do irmão da sua futura esposa.

Erick começar a caminhar até a porta.

—Ah, e mais uma coisa... –diz parando e se vira. –Você ficou bem com essa roupa.

—Valeu...

—Aliás, você ficou melhor do que eu nesse terno. 

—Sério? –Jace pergunta, desconfiado.

—Na verdade, não. –diz sério. –Não chega nem perto. –Erick ri, enquanto sai do quarto fechando a porta. Aquilo significava que ele só estava sendo irônico.

Jace retorna para frente do espelho suspirando aliviado. Embora a conversa com Erick não tivesse sido tão ruim quanto imaginou que seria, ainda assim foi tensa. 

Falta alguns minutos para o casamento, benditos minutos que pareciam uma eternidade para passar. Ele quer vê-la, tocá-la e sentir o perfume dela.  

Um brilho no olhar e um sorriso bobo se formou no seu rosto.

—Olha só pra você, cara! –dizia para o próprio reflexo enquanto pensa se isso está realmente acontecendo, ou se é apenas um sonho que ele pode acabar despertando a qualquer momento.

Jace saiu do quarto pronto, no fundo queria correr até o fim do corredor e dar uma espiadinha na sua futura mulher, mas sua tia certamente está com ela nesse exato momento e lhe tiraria de lá a base de tapas e puxões de orelha.

Melhor não, pensou.

Encontrou seu futuro sogro e o irmão dela lá embaixo, ainda não havia visto Piter e sabia que em algum momento ele o puxaria para uma conversa, só não esperava que fosse agora.

Ok, primeiro a tia e a amiga, depois Erick e agora o sogro. Jace pensou que se depois dessa saísse vivo, poderia viver para o resto da sua vida sem temer nada. Não que ele tivesse medo de Piter, ele parecia um homem poderoso, aliás a maioria das despesas da festa ele que estava pagando, mas era um homem bom por dentro sabia disso, se não a filha nunca teria o perdoado.

—E aí filho, como está se sentindo? –essa era uma pergunta que todos estavam lhe fazendo, sempre com as mesmas respostas. –Sei que está nervoso filho, eu sinto. Sei que sente que não é o suficiente para ela...

Jace olhou para o sogro, como se ele estivesse lendo sua alma. Piter abriu um sorriso que confortou o caos dentro de Jace, dizendo que tudo ficaria bem.

—Olha filho, eu acredito em você, no seu potencial para fazer a minha filha feliz e sabe o melhor? Ela também acredita, você a faz mais feliz do que sequer pode imaginar então não duvide de si mesmo, por que ela já te disse sim para tudo, vocês vão ser mais felizes do que imaginam... Você acredita nisso?

Jace ficou alguns instantes encarando Piter, percebeu que todas as suas inseguranças eram frutos de seu próprio medo de fracassar.

—Sim, acredito... –respondeu finalmente.

—Então não tenha medo. –Piter disse, agarrando o ombro de Jace. –Faça minha filha feliz, tudo que peço.

Ele assentiu, recebendo um sorriso de volta. Depois voltaram onde Erick estava conversando com alguns parentes da família de Giovanna por parte de pai. Piter estava orgulhoso da filha e queria que todos vissem como ela estava deslumbrante, por mais que esses parentes fossem mais reservados.

Os carros estavam estacionados do outro lado da rua e se suspiraram de alívio ao ver quem chegava de terno, gravata e um óculos escuro. Enzo se aproximou de Jace com um sorriso, e apertaram as mãos. Fez o mesmo com Piter e Erick e os que saíam, acenou com a cabeça.

—E aí cara, finalmente hein... –Enzo diz, tirando o óculos e olhando atento para os outros dois.

Enzo se sentia incomodado na presença do homem que teve um caso com sua falecida mãe. Conhecia Erick desde criança, nas suas visitas ao casarão e agora o mesmo namorava sua "irmã" Lira. Por mais que não tivesse o mesmo sangue, ainda a considerava. Giovanna sua meia-irmã como gostava de chamar, estava certamente lá em cima se arrumando e queria dar os parabéns a garota, mas no momento certo.

Na época que Giovanna morava com Jace na casa ao lado ainda não tinha ciência de quem ela era, e depois que acordou do coma descobriu sua ligação materna. Enzo gostava do fato de ter mais alguém, além de Lira. Sabia que Giovanna era uma boa pessoa, se ela aturava o Jace com certeza tinha que ir para o céu. Não se sentia mais sozinho, mas estava esperando o momento certo para contar o que pretendia fazer depois do casamento. Sabia que as magoaria, mas precisava fazer.

—Sim cara... –Jace respondeu suspirando depois de um sorriso. –Por que demorou tanto pra chegar? Achei que quem tinha mais chance de fugir era eu e não você.

—Você sabe... –disse, colocando o óculos no bolso do paletó. –Eu tinha que estar devidamente apresentável.

—Nem a Giovanna que é a noiva demora mais que você... –Jace resmungou e se virou para frente. –Os carros já estão esperando, eu vou pegar a chave da moto e já que veio com seu carro...

Jace correu pra dentro de casa e olhou para as escadas que levavam até a mulher da sua vida.

—Giovanna! Saiba que eu te amo e não vou fugir tá bom? –ele gritou a plenos pulmões e esperava uma resposta, mas não a recebeu. –Tudo bem, vamos lá... –sussurrou pra si mesmo.

Piter, seu sogro ia ficar para levar a filha. Ele estava dando tchau a Erick que ia no seu carro e olhou mais uma vez para o genro.

—Agora é o começo de uma nova vida Jace, esteja pronto pra isso. –ele assentiu e caminhou até a moto.

A roupa era desconfortável para dirigir, um pouco apertada na virilha e nos cotovelos mas não abriria mão daquilo. Olhou bem para a moto e abriu um sorriso, foi por causa dela que a conheceu, quando Giovanna tentou roubar sua moto há algum tempo. Nunca abriria mão daquela moto, de alguma forma ela lhe trouxe o melhor presente que a vida podia ter lhe dado depois de tanto lhe tirar.

Giovanna estava lá em cima quando ouviu o que seu futuro marido disse. Ela soltou uma risada e os olhos lacrimejaram, mas afastou as lágrimas para não borrar a maquiagem.

Dolores e Lira que estavam com ela se aproximaram da janela para ver os carros e o ronco da moto partindo. Agora a ficha caiu, pensou.

Há alguns minutos Dolores contou o desespero dele em espiar a noiva, além do seu nervosismo. Giovanna também se sentia assim, sentia que algo podia dar errado, ou algum dos dois acabar se arrependendo lá na frente, o medo de não ser bom o suficiente um para o outro. Eles partilhavam dos mesmos medos, mas no fundo Giovanna sabia que um peso pior estava nos ombros de Jace. Sabia que ele amava a mãe e ela não estaria ali para lhe ver, o medo de se tornar alguém como o pai escroto que ele teve. Giovanna sabia disso tudo, Dolores apenas confirmou.

—Ah querida, está tão linda...  –Dolores disse, enquanto ajeitava o véu dela. –Pronta para seu grande dia?

—Só um pouco nervosa com tudo, mas feliz... –disse sorrindo e olhando pela janela do quarto.

—Eu entendo seu receio meu bem, é normal. Ainda não conheço nenhuma noiva que não sentiu esse mesmo frio na barriga... –as três riram e Dolores deu as mãos a Giovanna. –Eu só queria dizer que estou muito feliz por vocês... Desde que você apareceu na vida do meu sobrinho, não vejo aquela aura escura de culpa e raiva do mundo que ele levava consigo. Você trouxe a alegria dele de volta, não o via sorrir sinceramente desde que a mãe dele, a minha irmã... se matou. –Dolores falava com pesar e saudade, mas não deixou o sorriso vacilar. –Obrigada por isso querida, obrigada por cuidar tão bem do meu sobrinho quando todos achavam que ele era um caso perdido... não vou desejar felicidades, porque vocês já tem. Apenas quero que ela cresça e...

Mããããeeeee! –o discurso de Dolores foi cortado pela voz de um pestinha nas palavras de Jace. –Quanto tempo mais a gente vai ficar aqui? Essa roupa é muito quente!

As três riram e as madrinhas, que estavam com vestidos cor de creme saíram no corredor para ver o garoto de cabelos revoltos.

—Christopher! Olha seu cabelo como está, não para quieto! –a noiva pegou o buquê e saiu no corredor para ver a confusão que se instalara.

Christopher abriu a boca admirado e sua amiga só pode sorrir mais.

—Jace que me desculpe, mas eu vou tomar a noiva dele. –Christopher então recebeu um tapa de Dolores. –Ai mãe, isso dói!

—Era para doer mesmo e ver se você toma jeito! –Dolores suspirou e tentava arrumar a roupa do filho. –Pronto, vê se não meche mais.

—Eu vou tomar seu comentário como um elogio Christopher. –Giovanna riu, recebendo um sorriso do pequeno. –Melhor irmos, meu pai já deve estar nos esperando lá embaixo.

Giovanna foi na frente, enquanto alguém lhe auxiliava levantando o véu longo. Piter que estava no sofá, se aproximou para admirar a filha. Na sua opinião, era a mulher mais linda do mundo, não havia outra. Ele sentia uma felicidade que há muito tempo não sentia, depois do perdão é como se todo o mal que tivesse feito não existisse mais dentro do seu corpo. Os anos que perdeu ao lado da sua filha foram os mais torturantes e ser ele quem levaria sua princesinha até o noivo não tinha preço.

Piter estava emocionado, abriu um sorriso de doer as bochechas para ela que imediatamente correspondeu. Assim que desceu o último degrau, Piter estendeu a mão para a filha e a abraçou.

—Como você está linda filha... –sussurrou no ouvido dela. –É a mulher mais linda do mundo.

Olhou para a filha, que soltou uma risada. Era o som que adorava ouvir quando ela era apenas uma garotinha, antes de deixá-la a própria sorte com Jeferson. Piter não sabia explicar a sensação de poder ouvir isso de novo.

—Obrigada pai, mas acho que está exagerando... –disse um pouco envergonhada, enquanto ouvia alguns resmungos de Christopher descendo as escadas.

—Não estou exagerando em nada, é apenas a verdade... –disse, com as mãos no rosto dela. -Só quero que saiba que somos felizes por ter você na nossa vida. Eu, Erick, Jace... somos os homens da sua vida meu bem, sem você estaríamos perdidos.

—Ela tem mulheres na vida dela também. –Dolores se mete e aponta para si e para Lira. –Ela tem a nós... –então Dolores sente alguém puxando seu vestido e lhe dando um olhar inquisidor. –Ah, e um tampinha também.

Christopher resmungou com a mãe e logo após suas bochechas estavam vermelhas, fazendo todos rirem. A noiva agarrou o braço do pai e caminharam para fora da casa.

O pequeno resmungou um finalmente e foi andando até o carro de Piter, que fez questão de levar a filha. As outras duas ajudaram com o véu e se acomodaram no banco de trás.

Por mais que o trajeto fosse acompanhado de músicas antigas e calmas no rádio, Giovanna ainda sentia uma ansiedade tomar todos os poros do seu corpo.

Ele estaria lá, para ela era tudo o que importava, pensar no seu homem. Logo estariam frente a frente, trocando alianças, casando.

Ela olhou para Piter ao seu lado quando ele parou o carro na frente do salão de cerimônias. Os noivos decidiram casar com um juiz de paz e reunir apenas os poucos conhecidos, parentes e vizinhos numa cerimônia pequena e simples.

E aquela era a hora. A sua hora.

A porta do passageiro foi aberta, tirando Giovanna dos seus devaneios. Seu pai lhe estendeu a mão que ela pegou de bom grado. Levantou um pouco do vestido enquanto Dolores pegava o seu véu e ia atrás com todo cuidado. As pernas de Giovanna tremiam a cada passo dado e seu corpo vibrava de nervosismo.

Vai dar certo. Ele está me esperando. Ela mentalizava isso e soltou um suspiro ao parar no grande corredor, enfeitado perfeitamente.

Em mil de seus pensamentos, Giovanna não se imaginava ali, fazendo o que estava prestes a fazer. Mas estava, e não se arrependia.

Ela ouvia apenas Dolores falando com Chris e lhe dando uma almofada para levar até o altar do salão. Depois que as duas madrinhas entraram com seus buquês em mãos, restou apenas ela e Piter. Olhou para o homem ao seu lado que estava nervoso, mas não deixou transparecer para não assustar ainda mais a filha.

—Está pronta querida? –Piter abriu um sorriso amoroso e orgulhoso. Ela assentiu lentamente e respirou fundo. –Esse é o seu momento, o homem que te ama está lá te esperando.

Essas últimos palavras lhe deram o incentivo de caminhar até as grandes portas. Ela procurou Jace com os olhos e lá estava ele. O nervosismo dos dois se dissipou no mesmo instante e sorrisos apaixonados e sinceros tomaram seus rostos.

War of Hearts começou a tocar e cada passo que dava, sentia-se flutuando na direção dele. Ele estava lindo naquela roupa e saber que ele deixou suas roupas habituais por um terno fez seu coração se derreter. Sabia que ele era lindo, parecia um anjo rebelde e agora ele estava lhe esperando, pronto para lhe dizer o sim.










O que acharam do capítulo 1? Votem e comentem.

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