[🏀 + 33] - A despedida

Eles haviam voltado à escola.

Depois de voltarem da viagem que fizeram ao resort à beira mar, enfim os alunos do último ano voltaram para a escola. Hoje seria o dia em que eles arrumariam tudo para o baile que aconteceria daqui uma semana.

O ano havia passado muito rápido, e num piscar de olhos, eles já estavam se formando. Após aquilo, adeus vida fácil de um estudante de ensino médio, e olá vida difícil de um estudante universitário. 

Jungwon já revirava os olhos por vezes incontáveis. Suas mãos estavam vermelhas pelo esforço que fazia, carregando as caixas pesadas com decorações. O baile aconteceria na quadra e todos os enfeites, comidas, cadeiras e tudo mais deveriam ser levados até o local.

Sunoo tagarelava sem se cansar em seu ouvido desde o momento em que chegou. Heeseung também já não suportava mais a animação do loiro, que a todo momento dizia o quão empolgado estava e que sua curiosidade estava lá no alto.

Enquanto isso, os garotos do time de basquete que cursaram seu último ano, se esforçaram para montar a mesa de som. Todas as decorações, inclusive a música, ficaram responsáveis pelos próprios alunos. A diretora e o coordenador estavam ali apenas olhando.

Mingyu e Jake apesar de não serem do time de basquete, estavam presentes na quadra, também reprováveis pela organização do som. Jay já não tinha mais nenhuma rixa com o primeiro garoto e eles agora poderiam até ser considerados amigos, mas não melhores.

Cruzando o terceiro corredor, Jungwon  já não aguentava mais ouvir as lamentações do amigo. Em uma momento ele dizia que seus pés doíam e que não havia nascido para aquilo. Em outro, pulava tão alto quanto um jogador de basquete em busca de acertar uma cesta. E por qual motivo? Por querer deduzir quem seria o rei e a rainha do baile.

— O Minseok está namorando, não está? — perguntou a um dos amigos, mas não obteve resposta. — E se ele for o rei e a namorada a rainha?

Dessa vez fora Heeseung a revirar os olhos.

— Para isso acontecer, eles teriam que se inscrever e muitas pessoas teriam que votar neles, Sun. — respondeu, entediado.

— Eu sei, mas e se... não, esquece. Não, o Minseok é muito feio para ser rei do baile.

Ao ouvir aquilo, os amigos começaram a gargalhar feito três hienas malucas. Ao se recomporem, Sunoo teve uma nova ideia.

— E se a Minhee fosse a rainha? — perguntou, voltando a se animar.

Depois do ocorrido onde ela havia se arrependido de seus erros e denunciado todos que agiram de má fé para acabar com o relacionamento do melhor amigo, ele passou a repensar e desistiu de ser tão arrogante com a garota. O episódio com o namorado poderia esquecer.

Mas, Heeseung não deixaria aquilo passar a limpo.

— Ela não namora e nem tem um par. Então quem seria o rei? O Sunghoon? — brincou, vendo o amigo que era branquinho, ficar vermelho feito pimenta.

Sunoo inflou os olhos dele e disse:

— O Jake. 

Heeseung se emburrou. Não queria mais brincar.

Já Jungwon, por outro lado, também estava completamente vermelho, mas de tanto rir.

— Ele só ta brincando, Sunzinho. — disse quando conseguiu se recuperar. — Além do mais, a Minhee ainda cursa o segundo ano. Não tem como ela ser rainha do baile.

Sunoo fez um bico, claramente desapontado com a resposta de Jungwon. Ele olhou para o chão, chutando uma pedrinha imaginária, antes de levantar a cabeça com um brilho nos olhos.

— Então, quem você acha que vai ser o rei e a rainha do baile, Jungwonie? — perguntou, curioso.

O ruivo deu de ombros, ainda rindo um pouco.

— Não sei, Sun. Talvez o Minho e a Soyeon? Eles são bem populares.

Sunoo fez uma careta.

— Ah, mas isso é tão previsível! — exclamou. — Eu queria que fosse alguém inesperado, sabe? Alguém que ninguém imaginaria.

Heeseung sorriu de lado.

— Se está tão animado, por que não tenta, Sun? — perguntou. 

— Eu? Não, tenho dois namorados, não posso deixá-los de fora disso. — falou, virando mais um corredor. — Além do mais, eu também sou bastante popular. Claro que seria transparente como a água caso eu fosse nomeado rei do baile. E eu quero ser princesa, tá legal?

Os amigos sorriram, concordando. Eles pularam assustados, quase derrubando as caixas que carregavam quando Sunoo gritou:

— E se houvesse dois reis?

Heeseung levou a mão ao peito.

— Que susto, caramba! — resfolegou, levando ar de volta aos poucos para os pulmões. — Quem você acha que poderiam ser?

— O Jungwonie! — disse, piscando. — Você é bem inesperado, cara.

Jungwon arregalou os olhos, surpreso.

— Eu? Rei do baile? — ele riu, balançando a cabeça. — Não, isso nunca vai acontecer. Aliás, sou presidente do conselho estudantil, não sou tão inesperado.

O loiro colocou uma mão no ombro do ruivinho, sorrindo.

— Era uma vez, o presidente do conselho estudantil que namora o capitão do time de basquete. Os dois se odiavam e viviam como cão e gato, enrolados pelos corredores, brigando feito duas crianças mimadas. — falou como se contasse um conto de fadas. — Você é bem inesperado.

Jungwon revirou os olhos, tirando a mão do amigo de seu ombro.

— Não vai rolar, Sun. — negou, como se já soubesse o que ele estava tramando.

O loiro fez um biquinho.

— Ah, mas por quê?

— Porque não. — se manteve irredutível. — Além disso, temos três turmas que irão votar e participar do baile. Acha mesmo que vão querer dois reis?

— Claro! Vocês eram um casal bem difícil de acontecer, Won. — Heeseung tomou a fala. — Os dois seriam o primeiro casal gay que se odiavam como inimigos mortais, a serem os reis do baile de formatura da Jaywon High!

Sunoo cruzou os braços, determinado a não desistir tão facilmente.

— Vamos lá, Jungwon! — insistiu. — Seria épico! Você e o Jay como reis do baile. Todo mundo ia adorar.

Jungwon suspirou, balançando a cabeça.

— Eu entendo o que você está tentando fazer, Sun, mas não acho que seja uma boa ideia. — disse, tentando ser firme. — Além disso, o Jay provavelmente nem quer isso.

Heeseung, no entanto, não estava pronto para desistir.

— E se a gente perguntasse para ele? — sugeriu. — Talvez ele esteja mais aberto à ideia do que você pensa. Além de que ele é louco por você, e faria qualquer coisa.

O ruivo olhou para os amigos, percebendo que eles estavam realmente empenhados em convencê-lo.

— É justamente por isso que não quero pedir nada a ele. Não quero me aproveitar do quanto ele me ama e faria qualquer coisa por mim, para... — tentou falar, mas foi interrompido por Sunoo.

— Por favor, Jungwonaaa! — implorou, com os olhos brilhando de expectativa. — Só pense na possibilidade. Se não der certo, pelo menos tentamos.

Jungwon suspirou novamente, sentindo-se pressionado.

— Tá bom, eu vou pensar no assunto. — cedeu, finalmente. — Mas não prometo nada, ok? E não me inventem se fazer alguma gracinha, principalmente você Kim Sunoo!

Sunoo e Heeseung comemoraram, satisfeitos com a pequena vitória.

— Isso é tudo o que pedimos! — disse o loiro, sorrindo. — Agora, vamos terminar de arrumar tudo para o baile. Temos muito trabalho pela frente.

Com a resposta que os dois queriam receber — principalmente o loiro —, os três seguiram pelos corredores, agora calados. As caixas pesadas pendiam de suas mãos e eles precisavam fazer um pouco de malabarismo para que elas não caíssem. Se fossem garotas às carregando, elas certamente precisariam de um pouco mais de esforço.

Cruzando um último corredor, o ginásio esportivo finalmente podia ser visto. Os garotos deixaram um suspiro de alívio escapar ao que andavam ao lado das arquibancadas, prontos para entrarem em quadra. Próximos à cesta do lado direito, estavam Jay, Sunghoon, Hansol e Mingyu, que se empenharam em montar a mesa de som. Ao que tudo indica, não estava dando muito certo. Jake havia saído há pouco tempo, piorando tudo.

Mais próximos dos outros garotos, Jungwon pode ver a carranca estampada no rosto do namorado. As veias em seus braços estavam grossas, quase explodindo. Sua feição não era muito amigável, o rosto estava vermelho e os olhos semicerrados, quase como se pudesse voar no pescoço de alguém a qualquer momento. No entanto, os músculos de sua face relaxaram ao ver o ruivo desfilando em sua direção, carregando uma caixa provavelmente pesada.

Seus lábios se curvaram em um sorriso e ele não perdeu tempo em avançar na direção do namorado. Ignorando os chamados dos outros caras do time, Park seguiu até Jungwon, agarrando a caixa de suas mãos e a jogando de qualquer forma no chão, o ruivo arregalou os olhos.

— Jay! — reclamou, mas sem êxito. Sua cintura já havia sido agarrada com posse e os lábios tomados, arrancando-lhe o fôlego por um instante. 

Com o tempo juntos — e algumas escapulidas antes mesmo de começarem a namorar oficialmente —, Jungwon já havia se acostumado com aqueles beijos afoitos do moreno, mas toda vez era pego de surpresa. Ele passava os primeiros segundos do ósculo tentando raciocinar coerentemente. 

Ao tomar noção do que estava fazendo, Yang enfiou os dedos na nuca do moreno, puxando os fios escuros entre eles. Com a outra mão, alcançou a mandíbula marcada e acariciou o local, aprofundando o beijo. As mãos de Jay não eram tão diferentes das dele, mas elas apertavam firmemente a cintura fina, vez ou outra descendo para os quadris.

Sempre que estavam no mundinho deles não existia ninguém. Nem mesmo os outros garotos — os que já se faziam presentes e os recém chegados —, que os encaravam boquiabertos. Mesmo que o moreno soubesse da presença deles, não se importava. Não era como se eles pudessem atrapalhar algo dele e de seu garoto. Eles não se atreveriam.

Sem ar para circular em seus pulmões, o ruivo quebrou o contato, olhando nos olhos do namorado.

— Você nem sabia o que tinha dentro da caixa para jogá-la desse jeito. — murmurou, o brilho dos olhos desfocados. — E se fosse vidro?

— Teria quebrado. — respondeu simplório, voltando a beijá-lo.

Dessa vez Park não se importou mesmo com os amigos que estavam ali. Ele firmou os dedos nos quadris do menor e o puxou com mais força, como se ainda fosse possível grudar os corpos já colados.

A língua atrevida se empurrou contra os lábios volumosos, invadindo a boca pequena a força, tomando-o todo ar dos pulmões. Os fios de seus cabelos eram puxados pelos dedinhos rechonchudos, causando-lhe uma dor gostosa. Jungwon finalmente abriu a boca, cedendo espaço para que o namorado pudesse fazer bom proveito. 

E, sem pudor algum, Park empurrou a língua faminta para dentro da boca dele e agarrou as bandas das nádegas fartas. Um pigarro incomodado foi ouvido, mas nenhum dos dois se importaram. Não queriam se importar.

Novamente outro limpar de garganta invadiu seus tímpanos, e dessa vez eles se incomodaram. O beijo foi quebrado a contra gosto do casal.

— Caralho, vocês estavam com fome, hein? — Hansol argumentou, perplexo. 

Como resposta a ele, Park apenas gargalhou baixinho. Mingyu franziu o cenho.

— Com licença, Jungwon. Acho que você deveria aparecer mais vezes e acalmar a fera que tem como namorado. — comentou de forma educada, arrancando um risinho contido do Yang.

Jay, por outro lado, retornou com sua carranca costumeira, quase fazendo um bico involuntário.

— Por que você não vai tomar no c- — se aborreceu, querendo xingá-lo. Jungwon o interrompeu. 

— Cala a boca. — murmurou para ele.

Ele então calou-se.

A voz de Jungwon foi alta o suficiente para os outros o ouvirem. Ao ver a reação imediata do moreno rebelde, eles seguraram as risadas.

Então, como um cachorrinho, Jay colocou o rabo entre as pernas e seguiu até a mesa de som, tentando organizar tudo. Os outros garotos também o seguiram.

Jungwon observou o namorado se afastar, um sorriso crescendo em seu rosto. Enquanto ele ainda mantinha seus olhos no moreno, os amigos ao seu lado o olharam com sorrisinhos safados.

— Ele é impossível. — sussurrou para si mesmo, balançando a cabeça enquanto olhava para os outros garotos que ainda riam.

Seu sorriso morreu quando ouviu Sun dizer:

— Você deve dar muito chá de bunda a esse homem. Não é possível. — jogou no ar, com um sorrisinho sugestivo. — Nunca vi Park Jong-seong calar a boca só porque alguém mandou.

O ruivo revirou os olhos.

— Não tem nem mesmo uma semana que reatamos, Kim Sunoo. Dá um tempo dessas brincadeiras. — murmurou, enfezado.

O loirinho ergueu as mãos para cima em forma de rendimento. 

— Ele realmente te escuta. — Heeseung também comentou, mais educado.

Jungwon concordou.

— Alguém tem que manter a ordem por aqui. — respondeu, piscando para ele.  

— Isso se chama chá de bunda. — Sunoo emendou.

O garoto decidiu não dar mais atenção ao amigo e mudou de assunto, conversando sobre o baile de formatura. 

Enquanto isso, Jay tentava se concentrar na mesa de som, mas não conseguia evitar lançar olhares furtivos para o namorado. Sua vontade agora era largar tudo e correr até o ruivinho, encher os lábios bonitos de beijos e a bunda farta de tapas.

O sorriso de Jungwon era a coisa mais bela que ele já teve a honra de apreciar. Park amava cada parte do corpo e rosto do namorado, em especial o sorriso. O dentinho torto que ficava bem na frente era o seu ponto fraco, e quando o ruivo sorria e ele aparecia, Jay quase tinha um ataque de fofura, mas se concentrava em manter a postura.

— Ei, Park! — Mingyu chamou, querendo implicar. — Vai mesmo babar aí? Cadê sua coleira, cara?

Jay desviou o olhar do sorriso bonito do ruivinho para encarar o novo “amigo” irritante.

— Vai se foder, nerdola. — responde ríspido.

Antes que Mingyu pudesse rebater, seu celular começou a tocar. O sorriso do garoto cresceu ao ver quem o ligava. Não pensou duas vezes antes de atender. 

— Oi, meu amorzinho lindo. Está se sentindo solitário? Quer que eu vá ficar contigo?

Ele se afastou com o celular na orelha. Park gritou:

— Cadê a sua coleira, amigo?

Os outros caras do time gargalharam como hienas.

— Em resumo, todo cara que começa a namorar ganha uma coleira de brinde. — Hansol murmurou após a crise de risos. — O Minseok por exemplo, depois que começou a namorar, nem me dá mais moral. Fica com aquela garota o tempo todo. — revirou os olhos ao imaginar a cena.

— Ele não vai deixar a namorada para ficar com você o tempo inteiro, Kang. Supera que perdeu seu melhor amigo. — Sunghoon rebateu.

— Falou o cara que tem duas coleiras. — indignou-se. — Eu cheguei bem antes dela.

Hoon deu de ombros. Tinha mesmo duas coleiras e não negava a ninguém. 

— Que que tá pegando? — Niki murmurou ao acabar de chegar.

— Estamos discutindo sobre coleiras. Oi, amor. — Sunghoon respondeu, puxando o menor pela cintura. 

Niki abriu a boca para que a língua do namorado pudesse entrar. Sunghoon era rápido.

— Coleira? — perguntou ao finalizar o primeiro beijo. — Vocês vão comprar um cachorro? 

Park negou.

— Não. Nós somos os cachorros. — voltou a beijá-lo.

As línguas se moviam com pressa e o beijo era doce. Logo o contato teve fim assim que os pulmões imploravam por ar. Sunghoon passou a ponta da língua pelos lábios do namorado, sentindo o gostinho característico do loiro.

— Uh, seus lábios estão com o sabor da boca do Sun. — pontuou.

O mentolado sorriu baixinho.

— Eu também o beijei antes de vir até você.

Hansol revirou os olhos.

— Cara, você sabe o sabor da boca do Sunoo só em lamber os lábios do Nishimura? — perguntou, estagnado.

— Sei. — deu de ombros. 

— Porra, você é estranho pra cacete.

— Estranho é meu pa-, espera — se auto interrompeu, voltando a fixar seus olhos no namorado. — Você já beijou o Sun?

— Já. — ditou simplório. 

Sunghoon correu os olhos pela quadra, encontrando o outro namorado ao lado dos amigos.

— Kim Sunoo, o que eu te fiz? — perguntou, chamando a atenção do loiro.

Sun franziu a testa e seguiu até os namorados, sendo acompanhado pelos dois melhores amigos. 

— O quê? — questionou ao parar ao lado do moreno.

— O que eu fiz para você?

— Nada, meu amor. Não que eu saiba. — falou, pensando se o namorado havia dito ou feito algo. 

— Você tá chateado comigo, boneca?

— Não! — soltou de uma vez, já perdendo a paciência. — O que foi que já aprontou, Park Sunghoon?

— Nada.

— Então por que todas essas perguntas sem sentido?

— Porque você beijou o Guinho e não me beijou. — cruzou os braços. — E já faz um bom tempo que você chegou.

Sunoo suspirou, percebendo o motivo da irritação do namorado. Ele abriu um sorriso e se aproximou mais, segurando o rosto dele com delicadeza. Sunghoon era só um bebê no corpo de um adulto.

— Ah, meu amor, me desculpa. — disse suavemente, olhando nos olhos escuros. — Eu estava distraído com as caixas, mas você sabe que eu nunca esqueceria de você.

Sunghoon ainda mantinha os braços cruzados, mas seu olhar suavizou um pouco.

— Então me beija agora. — pediu, com um leve sorriso nos lábios.

O loiro sorriu de volta e, sem hesitar, aproximou-se mais e selou os lábios nos de Sunghoon, num beijo terno e cheio de carinho. Os amigos ao redor reviraram os olhos para toda aquela melação. 

Sunghoon rodeou a cintura do loiro e o puxou para si, aprofundando o beijo. Suas mãos apertavam a cintura dele e a língua se empurrou contra a boca pequena, implorando por espaço. O beijo seguiu lento, cheio de línguas e mãos bobas, e quando finalmente a falta de ar se fez presente, Sun rompeu o contato.

— Melhor agora? — perguntou, ainda com um sorriso no rosto.

— Muito melhor. — respondeu, finalmente relaxando. — Mas não se esqueça de mim de novo, uh?

— Nunca. — prometeu, abraçando o namorado com força.

Hansol voltou a revirar os olhos.

— Que merda. O mundo hoje só tem gente desocupada.

— Calma, cara, a sua vez ainda vai chegar. — Jay consolou o amigo, dando um tapinha em seu ombro.

Mas ele não queria de fato consolá-lo, e sim chamar sua atenção. Quando conseguiu, puxou o namorado pelo braço e o beijou, mordendo o lábio inferior dele ao finalizar os ósculo.

Kang suspirou, irritado.

— Eu já estou indo. — Heeseung falou, quebrando o silêncio. — O meu namorado ligou. Preciso ir encontrá-lo.

Agora Hansol quase explodiu.

— Ah, fala sério! Até você, Heeseung?

Kim franziu o cenho.

— Eu o que?

— Nada. Esquece.

Irritado, Hansol deixou a quadra, deixando Heeseung confuso, Jay rindo da sua cara e Jungwon o mandado parar de rir do amigo. O trisal também não perdeu tempo em ir embora e logo Hee os acompanhou, ficando apenas Jungwon e Jay sozinhos.

Eles também tomaram seu rumo, seguindo para o antigo dormitório. Sunoo oficialmente deixou de dividir o quarto com o amigo e agora Park, dormia com o ruivo. O trajeto até lá foi tranquilo, tirando os momentos em que o moreno simplesmente achava uma boa ideia estapear a bunda do namorado no meio dos corredores.

• 🥕 •

Jay organizava algumas roupas quando a porta foi aberta com brutalidade. 

Assustado, olhou rapidamente para a mesma direção, vendo três cabeças adentrarem o dormitório. Sunoo assumia a frente, como um verdadeiro líder. Do seu lado esquerdo estava Heeseung, que aparentava não querer estar ali. Do seu lado direito, Jihoon, com uma pequena feição desentendida. O moreno franziu o cenho.

— O Jungwon está na cafeteira. — falou, ainda sem entender o que eles queriam. 

— Não viemos falar com ele. — O loiro advertiu.

Jay ficou ainda mais confuso, erguendo as sobrancelhas.

— Então?

— Nós viemos conversar com você. — Heeseung balbuciou. — Sobre o baile.

Park cruzou os braços, olhando para os três garotos de cenho franzido. Jihoon e Heeseung até que passavam uma faceta de inocência, já Sunoo era outra história. Ele era uma réplica exata do Satanás, se não o próprio. 

— Estou ouvindo. — murmurou.

— Seremos diretos. — o loiro voltou a assumir a fala, todo pomposo. — É o seguinte, nós queremos mudar um pouco o rumo das coisas e nada melhor do que ter dois reis do baile.

— Tá, e onde eu entro nisso? — piscou os olhos, um de cada vez.

— Aí é que tá, meu caro Park Jong-seong — moldou uma expressão esquisita. Park pode jurar ver um sorriso maléfico surgindo nos cantos de seus lábios. — Queremos que você e o Jungwon sejam os reis. E não adianta negar. Você só pode dizer sim e nada além disso.

Jay arregalou os olhos.

— Espera, o que? — apontou para o próprio peito. — Eu, rei do baile?

— Você e o Jungwon. — Heeseung acrescentou. Woozi assentiu, dando credibilidade aos amigos.

— Tá bom. Por mim tudo bem. — cedeu. 

Sunoo arregalou os olhos.

— Tão fácil assim? — perguntou, desacreditado. 

— Sim, ué. Vocês estão me pedindo para ser o rei do baile ao lado do meu namorado. Se ele quer, então é certeza de que eu irei. — falou com convicção. — Eu só não aceitaria essa loucura caso eu tivesse que fazer para colocar outra pessoa ser rei que não fosse meu ruivinho.

Os três amigos se entreolharam e soltaram uma risadinha contida, comemorando a pequena vitória. Park estranhou, mas não perguntou.

— Mas vocês sabem que isso depende de uma votação, não sabem? — voltou a falar, atraindo a atenção dos garotos.

— Sabemos. Mas isso não é um problema agora.

— Então qual é? 

— Convencer o Jungwon. — os três garotos disseram em uníssono. 

Park descruzou os braços, impaciente. 

— Eu pensei que o Jungwon já estivesse de acordo. Não foi por isso que vieram aqui?

— Bem, não tecnicamente — Jihoon falou pela primeira vez desde que entrou no quarto, com a vozinha mansa e tímida. — É que o Jungwonie hyung acha que você não vai concordar em concorrer a vaga de reis do baile junto dele.

— Por que ele pensaria algo assim?

— Eu não sei. — murmurou uma última vez antes de se calar.

Sunoo pensou um pouco, mas não conseguia falar nada. Então, Heeseung balbuciou:

— Talvez por você ser esse cara tão popular que sempre foi. Mesmo que vocês namorem, o Jungwon é o Jungwon, né? Ele não se sente seguro em algumas coisas, então achou que você não concordaria. — explicou, atraindo toda a atenção do moreno pra si. — Mas agora que já sabemos que você topa, vamos conversar com ele.

— Como vão fazer para recebermos os votos? — Park perguntou, curioso. 

— Deixa comigo. — Sunoo falou uma última vez, antes de deixar o dormitório. 

Heeseung e Jihoon o seguiram, deixando Jay novamente sozinho.

Jay suspirou, ainda processando a conversa com os amigos do namorado. Ele se jogou na cama, olhando para o teto, quando ouviu a porta do quarto se abrir. Jungwon entrou, carregando uma sacola.

— Oi, amor. — o ruivinho sorriu, colocando a sacola sobre a escrivaninha. — Trouxe alguns doces pra gente.

Jay se levantou e foi até ele, abraçando-o por trás.

— Oi, gatinho. — murmurou, sentindo o cheiro familiar do namorado. — Como foi o restinho de seu dia depois que voltou pra casa?

— Foi bom. — respondeu, virando-se para encará-lo. — E o seu?

— Tranquilo. — sorriu, tentando esconder a excitação sobre a conversa do baile. — O que você trouxe?

— Ah, só algumas besteiras. — deu de ombros, tirando alguns docinhos que trouxe da cafeteira da escola da sacola. — Pensei que poderíamos assistir a um filme hoje à noite. Sabe, hoje foi muito cansativo. Tivemos que arrumar várias coisas e amanhã também será assim. Queria ficar um pouquinho com você.

Jay assentiu, beijando o pescoço dele.

— Também quero um tempo só com você, ruivinho. — murmurou, pegando uma fatia de torta de morango e dando uma mordida. — Qual filme você quer ver?

— Que tal algo de ação? — Jungwon sugeriu, pegando o controle remoto. — Faz tempo que não assistimos a um. E você gosta.

O moreno foi até ele quando ele se esgueirou e foi para cima da cama. Park deitou-se ao lado dele, ainda comendo a torta.

— Você prefere romance. — balbuciou, engolindo a massa fofinha.

— Eu sei, mas você gosta de ação. O último que assistimos foi romance. — sorriu, olhando para o moreno. — Pode escolher o que quiser. — entregou o controle a ele.

— Perfeito. — Jay abriu um sorriso. — Pode ser algum de terror?

O ruivo se acanhou, pensando em negar. Mas era dia do namorado escolher, então tudo bem.

— Pode, mas eu tenho medo de algumas cenas.

— Eu sei que tem, gatinho. Eu vou te abraçar. — sorriu, dando mais uma mordida na torta.

Enquanto Jay se concentrava em escolher o filme, Jungwon fora buscar a sacola com os doces que havia comprado. Ele voltou para a cama e o moreno já havia escolhido o filme.

— IT a coisa? — perguntou, vendo a capa do filme na TV. Sentiu um leve arrepio com a imagem do palhaço.

Park assentiu, puxando o braço do namorado e o deitando em seu peito.

— Não é tão assustador.

Jungwon se aconchegou no peito de Jay, tentando ignorar o arrepio que sentia ao olhar para a imagem do Pennywise na tela. 

— Tudo bem, mas se eu gritar, a culpa é sua. — falou, apertando o braço de Jay.

— Prometo que vou te proteger. — Park riu, beijando a testa do namorado.

O filme começou, e Jungwon tentou se concentrar na trama, mas não conseguia evitar os sustos. A cada cena assustadora, ele se encolhia mais no abraço do namorado, que o segurava firme, sussurrando palavras de conforto.

— Tá tudo bem, Won. — murmurou acariciando os cabelos do ruivo. — É só um filme.

Jungwon assentiu, tentando se acalmar. Quando uma cena particularmente assustadora apareceu, ele não conseguiu segurar um grito, enterrando o rosto no peito do moreno. Jay riu alto.

— Eu disse que ia gritar. — sussurrou, a voz abafada.

— E eu disse que ia te proteger. — Jay respondeu, rindo suavemente. — Quer que eu desligue?

— Não, vamos continuar. — respirou fundo, tentando se acalmar. — Eu consigo.

Park sorriu, admirando a coragem do namorado, mesmo que aquele filme não fosse tão assustador quanto o ruivo achava. Enquanto o filme continuava, Jay manteve Jungwon apertado em seus braços, pronto para protegê-lo de qualquer susto que viesse.

Conforme o filme avançava, Jungwon começou a se sentir um pouco mais à vontade, embora ainda se assustasse com algumas cenas. Jay continuava a segurá-lo firme, oferecendo conforto e segurança.

Finalmente, chegou a parte do filme em que as crianças do Clube dos Perdedores se uniram para enfrentar Pennywise. Eles estavam no esgoto, armados com suas armas improvisadas e uma coragem que só a amizade verdadeira poderia proporcionar. Jungwon pensou que, se fosse ele, Sunoo, Heeseung e Woozi ali, o palhaço já teria os devorado há muito tempo.

— É agora, amor. A melhor parte. — Jay sussurrou, sentindo a tensão aumentar. — Eles vão derrotar o Pennywise.

Jungwon assentiu, os olhos fixos na tela, embora ainda estivesse um pouco apreensivo. As crianças começaram a atacar o palhaço assassino, usando suas armas e enfrentando seus maiores medos. A batalha foi intensa, com o vilão da trama tentando de todas as formas assustá-los e separá-los.

Mas quando tudo parecia estar dando errado, o Clube dos Perdedores conseguiram ferir Pennywise gravemente, forçando-o a recuar. O palhaço, enfraquecido, tentou escapar, mas os Perdedores não desistiram. Com um último esforço conjunto, eles conseguiram derrotá-lo, fazendo-o desaparecer nas profundezas do esgoto.

Jungwon soltou um suspiro de alívio, sentindo o coração desacelerar. Ele olhou para Jay, que estava sorrindo.

— Viu? Não é tão assustador assim. — Jay disse, acariciando o rosto de Jungwon.

— É, você tinha razão. — o ruivinho sorriu, sentindo-se mais calmo. 

— Sempre, meu amor. — respondeu convencido, beijando suavemente os lábios do namorado.

Jungwon estapeou seu peito.

— Idiota.

Jay gargalhou fraquinho.

— Agora, que tal um filme mais leve para relaxar?

— Acho uma ótima ideia. — Jungwon concordou, rindo. — Pode ser uma comédia?

Park franziu a testa, tentado a negar o pedido do ruivinho. Era sempre uma enorme discordância na hora da escolha do filme.

— Pode. — ele finalmente cedeu, pegando o controle remoto novamente, pronto para escolher algo mais divertido para terminar a noite.

Yang se aconchegou mais no peito do namorado.

— Qual filme você quer ver? — perguntou para o moreno.

— É sua vez de escolher, meu amor.

Jungwon pensou um pouco, mas no final desistiu.

— Não quero mais ver filme. — falou, decidido.

— Não?

— Não. 

— Quer fazer o que então?

— Quero te beijar. Muito.

Jay sorriu. Não estava tão surpreso com a resposta do ruivo. Ele colocou o controle remoto de lado e olhou nos olhos do namorado.

— Então, o que estamos esperando? — disse, com um brilho travesso nos olhos.

Jungwon não precisou de mais incentivo. Ele se aproximou e selou os lábios de Jay em um beijo suave, que logo se intensificou. As mãos do moreno deslizaram para a cintura dele, puxando-o mais para perto, enquanto o ruivo envolvia os braços ao redor do pescoço bronzeado.

O beijo era cheio de paixão e carinho, cada movimento transmitindo o quanto significavam um para o outro. Quando finalmente se separaram para respirar, Jungwon encostou a testa na de Jay, sorrindo.

— Eu poderia fazer isso a noite toda. — murmurou, os olhos brilhando de felicidade. — Te beijar é uma das melhores coisas.

Jay sorriu, acariciando a bochecha dele.

— Lembro que quando falei que poderia morrer sem um beijo seu, você disse: “Morra então”. — sorriu safado, mordendo o piercing do canto do lábio. — Você ainda vai me deixar morrer?

Jungwon negou com a cabeça.

— Eu te odiava. Então naquele tempo eu não me importava muito se você estivesse vivo ou morto. Também não tinha como saber se você queria mesmo me beijar ou só zoar com minha cara. Você facilmente faria isso. — explicou, levando a mão até a nuca dele. — Mas hoje eu sei que você queria mesmo me beijar e agora não posso mais viver sem você. Então não morra.

Jay assentiu, voltando a beijá-lo.

Jungwon fechou os olhos, sentindo a brisa fria do ar-condicionado soprar em seu rosto. Quando seus lábios novamente se encontraram, foi como se o tempo parasse. O beijo era suave e cheio de ternura, um encontro de almas que se amavam profundamente. O ar lhes faltou.

— Quero te beijar a noite inteira. — Jungwon sussurrou, confidenciando. 

— Eu não me importaria nem um pouco. — Jay devolveu, acariciando o rosto dele. — Você é tudo para mim, príncipe. — também sussurrou. 

— E você também. Eu te amo. — falou, antes de puxá-lo para mais um beijo.

Os beijos entre o casal continuaram, cada um mais intenso e apaixonado que o anterior. A conexão entre eles era palpável, e ambos se perderam no momento, esquecendo-se do mundo ao redor.

Jay deslizou uma mão pelos cabelos de Jungwon, enquanto a outra acariciava suavemente suas costas. O ruivo, por sua vez, explorava o rosto do moreno com as pontas dos dedos, como se quisesse relembrar cada detalhe.

— Eu nunca me canso de você. — Jay murmurou entre os beijos, seus olhos brilhando de amor.

— Nem eu de você. — Jungwon respondeu, sorrindo contra os lábios do namorado. — Você me faz tão feliz.

O rebelde também sorriu contra os lábios do ruivinho, sentindo seu coração dar um salto dentro do peito.

— E você me faz o homem mais feliz do mundo. — sussurrou, puxando-o para mais perto. — Eu quero casar contigo, Jungwon.

Jungwon paralisou, olhando para o namorado com as sobrancelhas franzidas.

— O quê? — se perdeu nas palavras.

— Quero me casar com você. — repetiu.

— Nós ainda somos tão jovens, Seong...

— Tem idade para casar? — franziu o cenho.

— Não, é que- — fora interrompido pelo dedo do moreno em seus lábios.

— Shh, eu te amo e quero me casar com você. — voltou a dizer, irredutível. 

Jungwon sorriu.

— Eu também quero casar com você.— sussurrou de  volta.

Jay grudou os lábios outra vez.

Eles passaram a noite assim, trocando beijos e palavras doces, aproveitando a intimidade e o amor que compartilhavam. Eventualmente, os beijos se tornaram mais suaves e preguiçosos, e eles se aconchegaram sob as cobertas, prontos para dormir.

— Boa noite, meu amor. — Jungwon sussurrou, fechando os olhos enquanto se aninhava no peito de Jay.

— Boa noite, gatinho. — respondeu, beijando o topo da cabeça do namorado. — Eu te amo.

— Eu também te amo. — murmurou, já meio adormecido.

Assim, eles adormeceram nos braços um do outro, com a certeza de que, independentemente do que o futuro trouxesse, sempre teriam um ao outro para enfrentar qualquer coisa. E talvez mais pra frente, eles seriam marido e... marido.

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