[🏀 + 31] - Revelações

Ao acordar no dia seguinte, Jungwon sentia sua cabeça pesar e doer tanto, que já estava ao ponto de explodir.

Se passava das três da tarde quando finalmente despertou por completo, e as memórias do ocorrido da madrugada ainda estavam frescas em sua mente. Por mais que quisesse acabar com tudo aquilo de uma única vez e enfim voltar para os braços do namorado, agora sentia que não tinha como encará-lo depois do que fez.

Sua hipocrisia e orgulho foram tão grandes que ele ao menos parou para pensar como Jay se sentia em relação a tudo aquilo. Desde o momento que saiu de casa, sabia que não iria ter ido naquela festa. Uma sensação ruim e um mal pressentimento foram seus companheiros durante a noite e boa parte da madrugada.

Se ele pudesse voltar atrás, jamais teria saído de casa e beijado outro cara. Ele sequer sabia quem era o garoto que beijou, apenas queria que Jay sentisse o mesmo que ele sentiu ao ver Soha beijá-lo. Mas tudo aquilo ocorreu no calor do momento, em uma crise de birra infantil. 

Jay não havia o traído com Soha, ele sabia. Apenas custou acreditar. Mas ele traiu o moreno com um garoto que talvez nunca tenha visto na vida. Mesmo assim, Park o perdoou e quando o beijou como uma forma de selar a paz entre eles, Jungwon simplesmente o esmurrou. Sua mente estava tão perturbada que a imagem de Jaewon passou por sua cabeça em frações de segundos, no rosto do garoto que amava.

Tudo apenas piorou quando não conseguiu se controlar e despejou palavras horríveis sobre o mais velho. Jay enfim perdeu a paciência e o revelou algo que ele sequer seria capaz de imaginar; Jaewon só havia sumido do colégio por ter sido ameaçado pelo capitão.

Desde o momento em que Park o revelou aquilo e saiu de sua casa, sua cabeça ainda não tinha parado no lugar. Ele sentia que precisava se justificar ao namorado e lhe implorar perdão. Pela primeira vez em sua vida, Jungwon conseguiu enxergar seu erro, e sabia que tinha errado feio. 

Seu coração doía ao imaginar que Park não fosse querer mais ver sua cara nunca mais. E ele não julgaria o moreno, afinal, também fez o mesmo com ele, então nada mais justo do que receber sua dose venenosa na mesma quantia. Era isso o que pensava. Ele ao menos sabia se Jay ainda queria ser, ou se ainda era seu namorado depois do que ele fez.

Sua maior vontade era sair correndo pelas ruas e seguir até a casa do mais velho, abraçá-lo e dizer o quanto o ama, mas estava tão envergonhado para fazer aquilo. Ele havia batido no garoto que sempre esteve ao seu lado durante os meses de namoro, a troco de nada. Sem ao menos perceber, lágrimas salgadas passaram a cair de seus olhos, e só aumentaram ao ver seus pais parados em frente a porta de seu quarto. 

Ele tentou secar as lágrimas rapidamente, mas quanto mais se livrava delas, mais apareciam. Minji sentiu o peito apertar e com um olhar preocupado, se aproximou do ruivinho, sentando-se ao seu lado na cama.

— Tente se acalmar, meu amor. — sussurrou suavemente, acariciando seu cabelo.

Uma onda de suspiros longos tomaram suas cordas vocais e gritos altos escapavam da garganta. Desesperada, a mulher o abraçou com força. Hyun-woo também foi até ele, entrando no abraço.

— E-ele não irá me perdoar, mamãe... — conseguiu dizer em meio ao choro angustiado. — Eu o f-feri tanto! O magoei...

Hyun-woo olhou preocupado para a esposa, sentindo o coração doer. A última vez que havia visto o filho daquela maneira foi há três anos, e não estava nem um pouco preparado para lidar com aquilo novamente. 

— Vamos lá, filho, tente se acalmar um pouco. — reforçou a fala da esposa, suas próprias lágrimas caindo.

Jungwon assentiu lentamente, tentando se recompor. 

— Ele n-nunca mais vai querer me ver.

— Lógico que vai! Esse moleque te ama, meu filho!

Uma lágrima raivosa escapou. Mas não pela situação em que se encontrava, mas sim por toda a merda que ele mesmo havia conseguido fazer.

— Não. Não depois do que fiz a ele. — bradou seriamente, olhando para um local fixo. — Ele não irá me perdoar.

O abraço fora desfeito assim que o ruivo se encontrava mais calmo.

Minji segurou em suas mãos firmemente, o olhando com um olhar cuidadoso o qual somente uma mãe poderia lançar a um filho ferido.

— Vocês se amam, Jungwon! Eu nunca vi você tão bem e feliz como estava ao lado do Jay. Ambos estavam quadrados, agindo pelo emocional. Você principalmente. — fez uma pausa para que o filho pudesse compreendê-la. — Converse com ele, querido. Se for para dar certo, então dará. Caso contrário, você já estará ciente de que não foi possível pelos seus atos.

Mesmo que soubesse que tudo o que tentasse fazer para reconquistar o moreno fosse em vão, uma chama se acendeu dentro de si e ele pensou que talvez, Jay pudesse ao menos escutar suas lamentações.

— Eu vou falar com ele — decidiu, enxugando as últimas lágrimas. — Não posso finalizar isso sem ao menos pedir desculpas a ele. Talvez possamos ser bons amigos.

Os pais sorriram para ele, mesmo que ainda temessem o resultado da possível conversa.

— Estamos aqui para você, meu bem. Vá e faça o que precisa ser feito. — sua mãe o encorajou.

— Comfio em você, filho. — Hyun-woo engoliu em seco. — Sei que vai conseguir resolver isso. Mas se você machucar ainda mais esse garoto, será o seu pa-

— Hyun-woo! Pelo amor de Deus! — Minji o interrompeu antes que ele finalizasse.

O homem olhou seriamente para o filho.

— Não estou sendo sincero. Mas saiba que não tolerarei que você machuque ainda mais ele, Jungwon. Não é porque sou seu pai que irei passar a mão em sua cabeça.

O ruivo assentiu.

— Eu sei, papai. Sei lidar com meus atos, já tenho maturidade o suficiente. 

Hyun-woo sorriu, orgulhoso. Ele inclinou-se lentamente e selou a testa do filho.

Com um último abraço de seus pais antes de deixarem o quarto, Jungwon se levantou, sentindo-se um pouco mais forte. Estava decidido a encontrar Jay e se resolver com ele. Não mentiria ao dizer que não tinha a necessidade de voltar a ter o namoro saudável que tinham antes, mas se o moreno quisesse apenas continuar como seu amigo, não reclamaria.

O seu maior obstáculo agora era fazer Jay confiar nele. Em meio a tudo isso, o ruivo abandonou de vez seu medo e sabia que Park era o cara certo para si e já tinha confiança nele. Agora, tudo indicava que o moreno quem não confiava em si, e ele estava disposto a mudar isso.

Tudo o que ele queria agora era consertar as coisas e voltar a sentir o calor dos braços do moreno, se aconchegar no peito dele e poder enfim, se sentir em paz.

• 🥕 •

Depois que Jay chegou em casa não tinha mais forças. Sua cabeça já não pensava coerentemente e ele não tinha mais nenhuma lágrima para derramar.

Com o pensamento de que havia perdido tudo, ele seguiu direto para seu quarto. Não conseguiu dormir e às sete da manhã já estava de pé, parecendo um zumbi. Para se desgosto, descobriu que o pai havia retornado de viagem e para também sua surpresa, essa havia sido de fato, uma viagem a trabalho. Ele estranhou quando não precisou dar satisfação de onde estava ao pai.

San parecia diferente, menos arrogante.

Quando a tarde chegou, o empresário decidiu sair com a família para um restaurante chique e caro, mas Jay se recusou a ir. Os gêmeos se empolgaram por finalmente terem um tempo com o pai e ficaram chateados quando o irmão mais velho decidiu não ir junto. Jay conhecia muito bem a peça que era Park San e ele facilmente poderia estar tramando alguma coisa.

Sozinho em casa, ele parou para refletir um pouco.

Chegou a conclusão de que, apesar de tudo o que havia acontecido, ele ainda amava o ruivo. Na verdade, sempre o amaria. Vê-lo beijando Doyoon apenas para afetá-lo de alguma forma doeu como o inferno. Foi difícil tentar entender o lado do namorado, mas ele finalmente havia conseguido. 

O soco que Jungwon havia dado não se comparava com a dor que sentia no peito. Mas ele também não o julgaria de maneira alguma. Ele conhecia o ruivinho o suficiente para saber que outra vez ele havia o confundido com Jaewon. Ele sabia que novamente o rosto daquele monstro estava no seu aos olhos do mais novo.

Provavelmente Jungwon o odiava ainda mais depois do que ele no calor do momento havia dito. Aquilo foi uma péssima ideia. Jaewon ter sumido do mapa tão de repente depois de tudo o que havia feito ao ruivo, o deixou pior ainda. Mas naquela época, Park achava que se livrar daquele idiota seria o melhor a se fazer.

Sua cabeça estava tão lotada de pensamentos embaralhados, que ao ouvir o som da campanhia, acabou caindo do sofá. Mancando pela queda, ele foi até a porta, a abrindo. Sua sobrancelha se arqueou ao ver uma garota parada. Ela usava uma roupa simples e tinha um semblante indecifrável. 

— Você por acaso errou o endereço? — perguntou, confuso.

A garota o encarou mais a fundo e a sombra de um sorriso surgiu em seus lábios.

— Acho que não, Jay oppa. 

Ele franziu o cenho. Quem diabos era essa garota?

Até que ele se lembrou. 

Ela era uma das líderes de torcida que acompanhava Im Soha naquela noite desastrosa. Suas narinas se dilataram e uma veia saltou em seu pescoço. 

— O que você quer aqui? — perguntou apressado, o seus músculos se retesaram.

— Eu sou Kim Minhee, acho que você não deve saber meu nome. Talvez nem me conheça. 

Jay a olhou desconfiado.

— Não, eu não conheço.

Minhee suspirou.

— Sou a garota que era perdidamente apaixonada pelo Sunghoon oppa. — confessou, envergonhada. — Até o namorado dele me ameaçar. 

A mente dele clareou. Minhee era conhecida pelo time de basquete como a garota loucamente obcecada por Sunghoon. O jogador havia sofrido alguns maus bocados nas mãos dos caras do time. Eles sempre chacoteavam o Jung por causa daquilo.

— Qual deles? — ele perguntou.

— O loirinho. Amigo do Jungwon oppa.

Park ficou tenso.

— O que você quer aqui? — perguntou, pronto para fechar a porta na cara dela. — Você foi uma das culpadas pelo fim do meu relacionamento.

Outro suspiro escapou dos lábios da garota.

— É exatamente sobre isso que vim conversar com você.

— O quê? Nos fazer sofrer não foi o suficiente? — ele olhou para além dela. — Onde ela está?

Minhee franziu o cenho.

— Ela quem? 

— A desgraçada da Soha. — outra veia saltou de seu pescoço ao pronunciar o nome da garota.

— Ela não está aqui. Eu vim sozinha, oppa. — Minhee se encolheu. — Não estou mentindo.

Jay voltou a olhar a garota, ainda desconfiado.

— Não quero você aqui. Vá embora.

Ele estava pronto para fechar a porta quando Minhee colocou o braço entre a madeira e a parede. Ela soltou um gritinho.

Assustado, Jay abriu a porta novamente e encarou a garota segurar o braço com uma feição dolorosa. 

— Cacete. — se martirizou por machucá-la. — F-foi mal, eu não sabia que você ia...

— Não tem problema, oppa. — ela sorriu, tentando disfarçar a dor. — Eu apenas quero esclarecer o que realmente aconteceu antes de ir embora. Por favor, oppa, me escute.

Jay suspirou, dando espaço para que ela entrasse.

Sem saber o motivo para ter cedido tão rápido, ele caminhou até a cozinha e buscou por uma bolsa de gelo. Quando retornou à sala, encontrou Minhee acanhada no canto da parede.

— Você pode ficar à vontade e se sentar. — jogou a bolsa para ela, que pegou com dificuldade no ar. — Use isso no braço. Seja breve.

Ela assentiu.

Ainda acanhada, Minhee caminhou lentamente até o sofá no meio da sala e sentou-se. Ela descansou a bolsa de gelo onde a madeira da porta havia batido, suspirando.

— Eu não queria ter participado daquilo. Mas ela nos obrigou. — começou, contando o que tinha pra falar. — Ela nos ameaçou. Disse que se nós não fossemos com ela, não nos apresentariamos no próximo jogo. E bem, ela é a capitã.

Park cruzou os braços, prestando bastante atenção.

— Eu me senti tão culpada por isso. — ela ergueu os olhos para ele. — Juro que não queria interferir em seu namoro com o Jungwon oppa! Todos sempre diziam que vocês não combinavam em nada por serem completos opostos e por se odiarem, mas eu...

— Você...?

— Eu... sempre achei que vocês foram feitos um para o outro. — corou violentamente. — Q-quando eu comecei a estudar na Jaywon o ano passado, eu tinha muito medo de você, Jay oppa.

Jay a encarou perplexo, não entendendo nada.

— Por que você teria medo de mim? Eu sei que nunca fui um cara muito receptivo e que para o time tem essas brincadeiras de zoar os novatos, mas nunca fiz nada pra você.

Ela baixou o olhar outra vez.

— Eu sei. Eu tinha medo porque... porque eu imaginava coisas sobre você... com o Jungwon oppa.

O moreno arregalou os olhos. Seria o que eles estava pensando?

— Que tipo de coisas?

— Bem, vocês viviam brigando feito gato e rato e eu sou uma garota estranha!

Frustrado ao extremo, Jay puxou os fios do cabelo ruidosamente. Pelos céus, ele não estava entendendo nada!

— Estranha? Minhee, seja mais direta.

— Eu gosto de garotos gays! — assumiu, cobrindo os olhos.

Jay ficou ainda mais confuso.

— Você... sente atração por garotos gays? — arriscou perguntar.

— Ai, meu Deus, não! — soltou um gritinho,  exasperada. — E-eu gosto porque acho bonitinho. Sabe, é fofo.

— Então você gosta de garotos homossexuais ao ponto de escrever fanfics? — brincou. Ela ficou calada. — Espera, você realmente...?

Minhee engoliu em seco.

— Sim. Eu escrevo fanfics gay. — voltou a encará-lo. — Eu gosto muito de casais que se odeiam o livro inteiro para começarem o romance somente no final. Você e o Jungwon oppa eram assim...

— Está me dizendo que...?

— Uhum. Eu já escrevi sobre vocês. Mas dois apenas dois capítulos, eu juro! — se embolou. — Era por isso que eu tinha medo de você. Porque se você discutisse que eu escrevia algo romântico seu com o agora que odiava, eu estaria morta!

Jay passou a andar em círculos, desacreditado. 

— Eu não tô acreditando nisso.

— Desculpa, oppa. — seus olhos se encheram de lágrimas. — Eu realmente não queria ter ido tão longe...

— Não estou chateado por você ter escrito uma fanfic minha com o Jungwon. O que me intriga é o fato de você se mostrar gostar tanto de nós dois juntos e ter ajudado a nos separar.

Ela engoliu em seco.

— Eu não queria ter ajudado. É por isso que estou aqui. — ela estendeu o próprio celular desbloqueado para ele.

— O que é isso?

Park franziu o cenho ao ver o aparelho aberto no gravador de voz.

— A prova que você precisa para ter o Jungwon oppa de volta. — murmurou tímida.

Atordoado, Jay apertou no play e a voz irritante de Soha passou a ecoar pelas saídas de som.

“Você é muito burra, Minhee! Está tão claro que nenhum dos dois patetas irão perceber o que estou prestes a fazer. Você não precisa se borrar inteira, quem irá beijar o Jay sou eu.”

“Talvez você esteja passando dos limites, Soha.”

Outra voz surgiu. Poderia ser da outra garota que estava junto às outras duas.

“Por que você precisa fazer isso, Soha? Eles se amam, então por que quer arruinar isso?”

“Você é muito inocente, Minhee. Às vezes isso me irrita.”

O áudio se encerrou.

Jay ergueu os olhos para Minhee que chorava cupiosamente. Ele estava pálido, branco como um papel.

— M-mostre o áudio a ele, oppa.

— Minhee, isso... você não sabe o quão importante isso é pra mim.

Ela sorriu.

— Me sinto tão arrependida. — tapou os olhos. — Ela não agiu sozinha.

Jay arregalou os olhos.

— Como é?

— Ela teve ajuda. Não agiu sozinha. Três pessoas além de nós duas também a ajudou.

— Quem?

Minhee engoliu em seco.

— Quem? — persistiu quando ela se manteve calada.

— Doyoon, Sanwoo e... Jaewon. — proferiu de uma vez.

O moreno cambaleou para trás. Sua cabeça estava prestes a estourar.

Doyoon ele já desconfiava, agora Sanwoo? Estava bem em sua cara o tempo inteiro e ele foi tão burro! Lógico que aquele garoto era suspeito. Ele entrou no time quase no final do ano, jogou apenas uma vez e depois desapareceu completamente sem deixar rastros. Como ele havia sido burro!

Ainda tinha Jaewon metido em tudo aquilo. Não satisfeito em destruir a vida e o psicológico de Jungwon, ele ainda teve que agir de má fé novamente e o colocar contra o atual namorado, o fazendo acreditar que Jay havia o traído.

Suando frio e sentindo as pernas tremerem, Jay agarrou um jarro de flores de cima da mesa de centro e arremessou contra o painel da TV. A porcelana se desfez em mil pedacinhos assim como seu coração e as flores voaram em direções diferentes. Minhee se encolheu.

— FILHOS DA PUTA! — o grito alto irrompeu do fundo de sua garganta. 

Suas pernas enfim cederam e ele foi ao chão, gritando e chorando. As lágrimas que tanto segurou desde que voltou para casa agora escorriam por seu rosto como uma cascata.

— O Sanwoo estuda na atual escola em que o Jaewon. Eles são melhores amigos. — Minhee continuou contando. — O Jaewon queria se vingar de você por ter o ameaçado no passado, mas não podia dar as caras, então mandou o Sanwoo. 

Mesmo assustada pelo recente episódio de fúria extrema do moreno, a garota não se calou e despejou sobre ele tudo o que sabia.

— O Doyoon também é apaixonado pelo Jungwon oppa e assim como a Soha te queria, e-ele também queria o Won... — ela parou de falar assim que o moreno se ergueu. 

Jay tinha um olhar profundo, completamente vermelho e cheio de lágrimas. Suas mãos estavam fechadas em punhos e sua vontade era de quebrar todos os idiotas que fizerem seu garoto sofrer.

— Todos eles se juntaram para separá-los. O Sanwoo ficaria responsável para saber se a Soha iria mesmo beijá-lo, porém, acabou tendo um contratempo e machucou o braço em uma queda que sofreu nos corredores da escola, então teve que retornar para sua cidade natal. — Minhee suspirou e continuou contando tudo o que sabia. — Então, sem ele para provar ao Jaewon, ela nos obrigou a fazer isso. Eu tive que estar lá para dizer a ele que ela realmente te beijou, mas não fui capaz. Eu sinto muito, oppa.

O moreno respirou fundo, tentando processar todas as informações. A raiva e a dor se misturavam em seu peito, o atordoando. 

Ele sentia um ódio avassalador e uma dor profunda ao descobrir a verdade. Seu coração parecia estar sendo esmagado, e sua mente estava em turbilhão. Ele ainda não conseguia acreditar que pessoas extremamente desocupadas haviam conspirado contra ele e Jungwon. A armação de Doyoon, Sanwoo, Jaewon e Soha, todos eles, queimava em seu peito como fogo, e a imagem do namorado sofrendo por causa dessas mentiras só aumentava sua agonia. 

Em um novo acesso de fúria, ele socou a parede com toda a força que ainda restava em seu corpo, sentindo os nós dos dedos se machucarem e o sangue escorrer. A dor física era insignificante comparada ao tormento emocional que o consumia. 

— Então, tudo isso foi uma armação — murmurou para si mesmo, levado pela cólera.

Minhee assentiu, os olhos cheios de arrependimento e lágrimas não derramadas.

— Sim, oppa. Eu sinto muito. Eu nunca quis que as coisas chegassem a esse ponto. Me perdoe, por favor.

Jay passou as mãos pelo rosto, tentando clarear a mente. Ele precisava falar com Jungwon, precisava esclarecer tudo. Mas antes, precisava de um momento para se recompor. Tudo deveria ser resolvido em seu devido tempo. E agora com aquelas provas dadas por Minhee, tudo iria voltar aos conformes.

— Minhee, obrigado por me contar a verdade. Eu... eu preciso de um tempo para pensar. — ele se levantou após cair novamente, ainda sentindo as pernas trêmulas. — Vou falar com o Jungwon.

Minhee assentiu novamente, aliviada por finalmente ter contado a verdade e se livrado daquele peso.

— Eu espero que vocês consigam resolver tudo. Jungwon oppa te ama muito. Eu já enviei o áudio para seu contato.

Após dizer isso, a garota se levantou do sofá, deixando a bolsa de gelo sobre a mesa de centro. Ela foi até a porta, a abriu, e deixou a casa do moreno.

Novamente sozinho, Jay jogou os fios para trás, sentindo o peso das revelações em seus ombros. Sua mente estava cansada, mas ele não se deu ao luxo de descansar, afinal, a verdade finalmente estava vindo à tona, e ele não deixaria que mentiras e manipulações destruíssem o que eles tinham conseguido conquistar.

Antes que ele pudesse pensar no que fazer, a porta foi aberta novamente e o rosto sem graça de Minhee apareceu.

— Esqueceu de algo? — ele perguntou. 

— Na verdade não. — sorriu amarelo. — Eu só queria perguntar se posso continuar escrevendo a minha fanfic sobre você e o Jungwon oppa, já que vocês irão finalmente se resolver. 

Ele franziu as sobrancelhas.

— O que exatamente você escreve?

Sem ao menos perceber, Minhee já havia entrado novamente. 

— Sobre dois caras que se odeiam durante o dia e que se amam às escondidas, durante a noite. — confessou, muito tímida.

— Interessante. 

— Eu parei no segundo capítulo porque não estava tendo tanto tempo para escrever e quando pretendia retomar, todo esse desastre aconteceu. 

O tatuador concordou.

— Qual o título?

De repente, a garota ficou sem graça.

— Er, quer mesmo saber? — se contorceu em vergonha.

— Eu sou o protagonista, não sou? — ela assentiu. — Então eu quero saber.

Ainda envergonhada, ela falou:

— Se chama: Opps! Cara errado!

Uma risada sincera escapou dos lábios do moreno. Ele sorriu tanto que precisou levar as mãos até a barriga.

— Opps, o que? — perguntou em meio a crise de risos. 

— Argh! Eu não consegui pensar em nada melhor! — se defendeu. — Você tinha bastante problema e o Jungwon oppa era o cara todo certinho. Então você tinha que ser o errado!

A explicação da garota em defesa de seu título só serviu para arrancar mais gargalhadas do garoto. Quando ela o olhou de cara feia, ele se forçou a ficar sério.

— Tá legal. E qual foi o nome do shipp que você utilizou? — tentou se recompor. 

Minhee franziu a testa. 

— Você sabe sobre isso, oppa?

— É claro que sei! Agora diz.

— Jaywon. — bradou de uma vez.

Park arregalou os olhos.

— O nome da escola?

— É, ué.

— Por quê?

— Porque parece o nome dos dois.

Park arregalou os olhos. Ele nunca pensou naquilo antes e depois que Minhee falou, fazia bastante sentido.

— Você nunca parou para pensar nisso? — ela perguntou. 

— Não.

— Eu parei. — sorriu. — Eu poderia ter usado Jongwon também, mas Jaywon é mais empolgante. Afinal, o romance dos dois acontece dentro da Jaywon High!

— Você é muito desocupada mesmo, garota.

— Não sou! — rebateu — Você vai me deixar continuar escrevendo, oppa?

Antes que ele pudesse falar, batidas na porta o interromperam. Assim que Park abriu a mesma, seus olhos quase pularam para fora.

— Jungwon?

Seus lábios foram atacados pelos famintos do ruivo.

Jay quase caiu ao ser pego desprevenido e pela intensidade que o namorado o beijou. Ele levou as mãos para a cintura do menor e o puxou para si, esquecendo-se completamente da presença da garota ainda na sala. Fazia tanto tempo desde que eles trocaram um beijo daqueles, que o moreno podia jurar que sentiu gosto de mel nos lábios cheinhos.

Jungwon estava obstinado a resolver tudo. Sua língua se movia com pressa, invadindo a boca do moreno e sugando todo o seu ar. Ainda parados em frente a porta, Jay retribuiu o beijo na mesma intensidade ao se acostumar com a intromissão do músculo molhado do ruivinho. Quando o ósculo chegou ao fim, Park finalizou o beijo com uma leve mordida no lábio inferior do mais novo.

Ambos se encaravam com um brilho desfocado nos olhos.

O ruivo estava com os lábios ainda mais inchados e formigando. Seus olhos piscavam a todo momento, atordoados. Depois de alguns minutos se encarando, lágrimas grossas e salgadas saltaram dos olhos miúdos.

— M-me desculpa, eu não d-devia ter te beijado. — chorou baixinho. — E-eu já v-vou.

Ele tentou se virar, entretanto, Park segurou em seu braço.

— Não. Fica.

Jungwon piscou.

— Eu vim para conversar. S-sobre a nossa última discussão. 

Jay sentiu o coração apertar.

— Entra, vamos conversar melhor lá dentro.

— N-não! O que eu tenho pra falar é breve. — murmurou, secando as lágrimas.

— Então?

O ruivo suspirou fundo antes de começar:

— E-eu não vou implorar para que me perdoe, Jay. Não vou pedir para que esqueça tudo o que fiz. — fungou. — Q-quando foi sua vez, quando v-você me pediu perdão, eu não te perdoei. Quando me pediu para te ouvir, eu não te escutei. Quando me p-pediu para acreditar em você, eu não acreditei! — mais lágrimas rolaram por seus olhos. — Então também não quero que me perdoe ou acredite que o que fiz não foi para te machucar, por que foi. Mas eu me arrependo! Eu me arrependo amargamente do que eu fiz!

— Won... — seu peito doeu ao vê-lo naquele estado.

— A-agora é a minha vez de pagar pelos meus erros, é a minha de sofrer. Então me deixe sofrer! Me deixe sentir na pele o que você passou! Me deixe saber como é ser ignorado e ferido por quem se ama, por favor, me quebre em pedacinhos assim como eu te quebrei!

Ele se entregou de vez ao choro, derramando lágrimas de dor e angústia. Seus olhos ardiam e ele sentia a garganta se fechar. Jay o abraçou apertado, também se entregando às lágrimas. Ele segurou o namorado com força, sentindo o corpo do ruivo tremer em seus braços. As lágrimas de ambos se misturavam, criando um momento de pura vulnerabilidade e dor compartilhada.

— Jungwon, eu... — Jay tentou falar, mas sua voz falhou. Ele respirou fundo, tentando se concentrar no que dizer. — Eu não quero te ver sofrer. Eu não quero que você passe pelo que eu passei. Você já foi ferido demais, e tudo o que eu passei eu pude suportar. Você não aguentaria tudo isso novamente. 

Jungwon soluçou, apertando ainda mais o abraço. Suas lágrimas caíram desesperadas e seu corpo estava tão fraco, que se não fosse os braços fortes do moreno o aparando, ele poderia ir ao chão a qualquer instante.

— M-mas eu mereço, Park-ah! Eu mereço sentir essa dor. — se debateu, o peito se fechando. — Tudo o que eu causei em você, e-eu mereço sentir em dobro!

— Não, você não merece, meu amor. — ele afastou-se ligeiramente, segurando o rosto do namorado entre as mãos. — Você. Não. Merece.

O ruivo olhou nos olhos dele, tentando se concentrar unicamente na noite estrelada que eram suas pupilas.

— Eu te amo tanto, Jong-seong. Sinto muito! E-eu estraguei tudo!

Jay travou. Ele ainda não havia se adaptado à ouvir o ruivo dizer que o ama, e escutar a confissão em um momento tão delicado como aquele o causou extrema dor.

— Eu também te amo, Wonie. — enxugou as lágrimas do rosto do ruivo com os polegares. — Muito.

O menor voltou a abraçá-lo.

— Me faz esquecer. P-Por favor, me faz esquecer dessa dor.

— Eu irei, príncipe. — sussurrou. — Vamos começar de novo, juntos.

Eles permaneceram abraçados por um longo tempo, sentindo o calor e o conforto um do outro, como se o mundo ao redor tivesse parado. As lágrimas secaram lentamente, dando lugar a uma sensação de paz e reconciliação. 

O ruivinho sentia o coração bater mais calmo contra o peito de Jay, enquanto o moreno acariciava suavemente suas costas, transmitindo segurança e amor. Finalmente, Jay se afastou um pouco, ainda segurando Jungwon pelos ombros, e olhou nos olhos dele com um sorriso suave. 

— Vamos entrar, meu amor — disse, a voz gentil. — Podemos conversar melhor lá dentro e começar a resolver tudo isso juntos.

Jungwon assentiu, sentindo uma nova esperança brotar em seu coração. Com um último aperto de mãos, eles se dirigiram para dentro.

Yang travou ao ver a garota sentada no sofá.

— Minhee? — estreitou os olhos.

Jay ficou pálido. Antes que ele pudesse pensar em como se explicar ao ruivo, Minhee pulou do sofá e foi ate eles.

— Jungwon oppa, acredite em mim, não aconteceu nada! Eu apenas vim contar a verdade ao Jay oppa!

— Que verdade? — franziu o cenho. 

— A verdade sobre o plano da Soha de separá-los — suspirou. — O Jay oppa não te traiu. Eu tenho provas.

Jungwon olhou para Jay. 

— Eu nunca te trairia, bebê. — sorriu. 

As lágrimas voltaram para os seus olhos.

— Do que adianta você não ter me traido, se eu trai você? — perguntou, as lágrimas caindo aos montes.

Park o abraçou com carinho, afagando suas costas.

— Esqueça isso, meu bem. — sussurrou em seu ouvido. — apenas escute o que a Minhee tem a lhe dizer.

Ao se ver mais calmo, Jungwon assentiu.

Minhee contou tudo o que sabia a ele.

• 🥕 •

Após escutar tudo o que Minhee disse, Jungwon se sentia sem chão.

Claro, ele já sabia que o moreno não havia beijado Soha por contra própria, mas aquilo era tudo o que sabia. E isso era somente a ponta do grande iceberg. Depois disso, ele chorou mais e mais. Jay o apoiou em todos os momentos, o abraçando e afagando suas costas para que não se entalasse com os próprios soluços.

Depois de alguns minutos e com o ruivo mais calmo, a garota resolveu então também contar a história de como começou a escrever sua fanfic sobre os dois. Ela explicou o porquê começou a escrevê-la e o que despertou seu lado de aspirante a escritora. Depois de contar suas histórias impactantes, Minhee se despediu do casal, resolvendo os deixar a sós para que pudessem conversar melhor. 

Jay guiou Jungwon até o banheiro de seu quarto, deixando que ele levasse o tempo necessário para tomar um banho e esfriar a cabeça. Jungwon sempre foi muito cuidadoso e bastante zeloso com suas coisas, então não deixava roupas em nenhum lugar, nem mesmo na casa do namorado. Ele teve que vestir algumas peças do moreno, as quais eram três números a mais que o seu. Ficaram enormes em seu corpo pequeno.

Após o banho, ele se aconchegou na cama, esperando por Jay que havia ido cozinhar algo para comerem. Na verdade, Park foi cozinhar para o ruivo, mas ele negou. Então o moreno decidiu cozinhar para os dois. Sozinho no quarto, Jungwon tomou a liberdade de escolher algum filme do extenso catálogo da Disney. Agora, se sentia em paz, tranquilo como nunca antes.

O moreno não demorou a voltar, trazendo consigo uma bandeja com quatro pães na chapa e bastante queijo derretido. Tinha também suco de uva e leite de banana. Jay entrou no quarto com um sorriso suave, colocando a bandeja na mesinha ao lado da cama. Ele se sentou ao lado de Jungwon, que o observava com olhos ainda um pouco vermelhos, mas agora mais calmos.

— Eu fiz o seu favorito — falou, oferecendo um dos pães. — Espero que isso te faça sentir um pouco melhor. Eu gostaria de poder te dar uma fatia de bolo de cenoura, mas não tenho um pronto e demoraria um pouco para fazê-lo.

O ruivo aceitou o pão com um sorriso tímido, dando uma mordida pequena e sentindo o queijo derreter em sua língua. 

— Obrigado, Jun. Não precisa se preocupar com bolo.

Park subiu na cama e aconchegou-se ao lado do namorado. Passou um braço ao redor dos ombros dele, puxando-o para mais perto.

— Como você se sente agora?

— Melhor. — sorriu fraquinho, tirando mais um pedaço do pão macio.

— Mesmo? 

— Uhum.

— Então vamos assistir a algum filme e esquecer tudo por um tempo, uh? Depois conversamos.

Jungwon assentiu, se aconchegando mais no abraço do mais velho enquanto o filme escolhido começava. A familiar melodia da Disney encheu o quarto, trazendo uma sensação de nostalgia e momentos bons da infância. Os dois ficaram assim, até o desenrolar do filme se iniciar.

Enquanto a trama avançava, o ruivinho sentiu a tensão lentamente se dissipar. Apesar de todos os últimos ocorridos, ele se sentia bem nos braços do namorado, sentindo o cheirinho característico dele o qual sentiu tanta falta.

Do meio para o final do filme, nenhum dos dois assistiam mais. Eles estavam concentrados um no outro, perdidos em cada detalhe da beleza única que cada um tinha. Sem ao menos perceberem, os lábios já estavam grudados.

As bocas se encontraram em um beijo suave e cheio de carinho. Era um momento de pura conexão, onde todas as preocupações e tristezas pareciam desaparecer. O beijo começou tímido, mas logo se tornou mais profundo, carregado de sentimentos que palavras não poderiam expressar. As mãos de ambos passeavam pelo corpo um do outro, em busca de relembrar cada detalhe.

O rebelde acariciou o rosto do mais novo com uma mão, enquanto a outra o puxava para mais perto. Jungwon, por sua vez, envolveu os braços ao redor de seu pescoço, se entregando completamente ao momento. O calor do corpo de Jay e o ritmo calmo de sua respiração eram tudo o que ele precisava para se sentir seguro.

Quando finalmente se separaram, ambos estavam ofegantes, com sorrisos gigantescos nos rostos.

— Eu te amo — Jungwon sussurrou em uma confissão secreta, seus olhos brilhando com sinceridade.

Jay sentiu o coração dar um salto dentro do peito.

— Eu também te amo, amor. — respondeu, sentindo seu coração bater ainda mais rápido. — Te amo muito. Nunca, nunca mais me mantenha longe de você. — praticamente implorou. Ele beijou a testa do namorado e puxou-o para um abraço apertado. — Sempre estarei aqui para você, não importa o que aconteça.

Jungwon assentiu, choroso.

Eles ficaram assim por um tempo, apenas aproveitando a presença um do outro. O filme continuava a rodar em segundo plano, mas para eles, o verdadeiro espetáculo estava na intimidade e no amor que compartilhavam. Naquele momento, nada mais importava além do conforto e da segurança que encontravam nos braços um do outro.

O tempo passou e ambos continuaram na mesma posição. Jay estava deitado com o ruivo sobre seu peito, ressonando baixinho. Mesmo que pudesse aproveitar o momento, ele não conseguia. Sua mente estava a mil. Ele olhava para o teto, depois para a parede, para enfim, voltar a olhar para o teto, tentando encontrar coragem para fazer uma pergunta ao namorado. Aquilo estava entalado a muito tempo e ele precisava falar, mas o medo de magoar Jungwon ou de piorar a situação em que se encontravam, o deixava hesitante.

Ele se mexeu na cama, inquieto, o que chamou a atenção do ruivo.

— Amor, está tudo bem? — Jungwon perguntou, virando-se para encará-lo.

Park respirou fundo, tentando acalmar seu coração acelerado.

— Sim, está tudo bem — respondeu, mas sua voz traiu sua ansiedade.

Jungwon franziu a testa, percebendo que algo estava errado.

— Jay, o que está acontecendo?

Ele levantou-se de uma vez, atordoado. Seus olhos perdidos olharam o namorado com um brilho desfocado, com medo dele ter mudado de ideia de repente e o mandasse embora de sua casa e de sua vida, de uma vez.

Jay sentia um nó se formar em sua garganta.

Com os últimos resquícios de coragem que ainda tinha, finalmente, ele decidiu que precisava falar, mesmo que fosse difícil. Jungwon entenderia sua preocupação de qualquer forma.

— Ji, eu... eu quero te perguntar algo. Sobre um assunto que já vem martelando em minha cabeça a muito tempo. — começou, sua voz tremendo levemente. — Mas tenho medo de como você vai reagir.

O ruivo engoliu em seco.

— Jay, por favor, nós acabamos de nos resolver, não completamente, mas já estamos bem. — engoliu em seco. — O que você está pensando?

Ele suspirou. 

— É justamente por isso que estou hesitando tanto. Eu não quero ficar de mal com você de novo. Nunca mais.

Jungwon se aproximou, segurando a mão dele com carinho.

— Então o que é? Você pode me perguntar qualquer coisa, eu prometo que vou ouvir.

O moreno olhou nos olhos de Jungwon, encontrando a coragem que precisava.

 — Bem, uh... você já pensou alguma vez em fazer... fazer terapia? — embolou-se completamente no que dizia. — S-sabe, pra tentar resolver ou amenizar esse trauma. Te deixar um pouco mais seguro de si.

Jungwon ficou em silêncio por um momento, processando a pergunta. Ele apertou a mão de Jay, sentindo a sinceridade e a vulnerabilidade em suas palavras. 

Sua mente se fechou completamente e quando tentou puxar na memória os momentos de terror que viveu há três anos, nada veio. Mas ele sabia que aquilo era apenas o seu psicológico já tão afetado, tentando bloquear aquelas memórias ruins. Mesmo que fosse por algum tempo, logo elas voltavam de uma vez.

Ele respirou fundo, tentando pensar coerentemente no que dizer. A ideia de revisitar aqueles traumas o assustava profundamente. Finalmente conseguiu dizer:

— Eu... eu já pensei nisso, sim — admitiu, sua voz baixa e hesitante. — Mas é difícil, sabe? Reviver tudo aquilo... é como abrir uma ferida que nunca cicatrizou. Eu também tenho muito medo do que posso enfrentar sozinho. Eu sei que tenho você, os meus pais e os meninos, mas eu irei me isolar de vocês e vou querer lidar com tudo sozinho. E eu não vou conseguir. — suspirou.

O namorado apertou sua mão com mais força, oferecendo seu apoio silencioso. 

— Eu sei como sua cabeça funciona, Jungwon. Sei que quando as coisas começam a ficar difíceis, você tende a afastar todos que te amam justamente para não preocupá-los. Mas eu não deixarei que você me afaste outra vez. Eu vou estar ao seu lado em todos os momentos, sejam eles bons ou ruins.

O ruivo piscou os olhinhos já cheios de lágrimas e olhou para o mais velho, vendo a preocupação genuína em seus olhos. 

— Talvez... talvez eu devesse tentar — disse, sua voz tremendo levemente. — Se isso pode me ajudar a me sentir melhor, a superar esses medos... talvez valha a pena. Você vai estar comigo, não vai?

Jay sorriu, sentindo um alívio misturado com orgulho. 

— Eu estarei com você em cada passo do caminho, príncipe. Você não precisa enfrentar isso sozinho. — acariciou a palma da mão pequena. — Eu não vou te deixar sozinho.

O ruivinho assentiu, as lágrimas finalmente caindo.

— O-obrigado, Parkzinho. Muito obrigado. 

O maior puxou seu namorado chorão para um abraço apertado, sentindo o calor e a fragilidade do pequeno corpo contra o seu. 

— Nós vamos superar isso juntos, amor. Eu prometo.

Eles ficaram abraçados por mais um tempo, encontrando força e conforto um no outro. A decisão de Jungwon de considerar a terapia era um pequeno passo, mas um passo importante na direção da cura. E com Jay ao seu lado, ele sabia que poderia enfrentar qualquer desafio que viesse pela frente.

Depois de um tempo, o moreno se afastou ligeiramente, apenas o suficiente para olhar nos olhos do namorado. Ele viu a mistura de medo e esperança em seu olhar perdido e sentiu uma enorme vontade de protegê-lo 

— Eu te amo, minha Cenourinha — sussurrou, aproximando-se lentamente.

Um sorrisinho escapou dos lábios cheios do ruivo.

— Eu também te amo... meu Coelhinho...? — falou, meio incerto.

Jay também já se encontrava sorridente.

Jungwon suspirou, fechando os olhos enquanto sentia os lábios do tatuado se aproximarem dos seus.

O beijo se iniciou suave e cheio de carinho, uma promessa silenciosa de apoio e amor incondicional. Era um momento de pura conexão, onde todas as palavras não ditas eram transmitidas através do toque gentil de seus lábios.

Conforme o beijo continuava, ele se tornou mais intenso. Jungwon sentia o calor dos lábios de Jay, cada toque transmitindo os sentimentos que ambos sentiam. Seus corações batiam em uníssono, e o mundo ao redor parecia desaparecer, deixando apenas os dois em um momento de pura intimidade. Com aquele beijo, a tão famosa sensação de ser o último, não passou pela mente do moreno.

Pelo contrário, para ele, aquele era o primeiro de muitos beijos que eles trocariam após se resolverem. As suas mãos acariciavam suavemente o rosto do ruivo, enquanto ele se entregava completamente ao beijo, sentindo cada segundo como uma eternidade de conforto e carinho.

Jay, por sua vez, sentia a suavidade dos lábios de Jungwon e a leveza de seu toque. Ele queria que aquele momento durasse para sempre, um refúgio seguro onde nada mais importava. O beijo era uma dança silenciosa de sentimentos, onde cada movimento era uma declaração de amor e apoio. O moreno ofegou, puxando o namorado para seu colo.

O beijo antes lento agora era bruto e desesperado, desajeitado. As mãos fortes e tatuadas deslizaram do rosto até as nádegas cheias do namorado, apertando a carne com gula. Quando o ar faltou em seus pulmões, Park finalizou o beijo com uma leve mordida nos lábios cheinhos.

Jungwon se afastou rapidamente, os olhos com os brilhos apagados. Uma lágrima caiu.

— O que foi? — Park perguntou assustado, sentindo o peito se apertar ao ver o ruivinho chorar.

Jungwon negou veemente, alegando não ser nada. Ele inclinou o rosto em direção aos polegares do moreno quando ele os usou para secar suas lágrimas.

— N-não é nada, só... não me beije assim se não for me perdoar.

Jay sorriu, aliviado.

Seus lábios se curvaram em um sorriso singelo, acalentando o coração do ruivinho.

— Eu te perdoei antes mesmo de saber que você tinha errado comigo. — acariciou a bochecha corada — sei que tudo o que você fez não foi porque realmente quis. Eu confio em você, Ji. Eu confio a minha vida a você.

Um suspiro alto deixou a garganta dele.

— C-confia mesmo? — fungou. 

— Claro que confio, meu amor. — sorriu.

— Você é tão bom pra mim, Parkgoo-ah. 

— Esse é o propósito de um namorado perfeito, não é? — fez uma caretinha, arrancando a primeira risada sincera do ruivinho.

— É. — confirmou, ainda sorridente. — Você é um namorado perfeito.

— Sou? — soou convencido.

— Sim. Você é.

Tão desesperado para senti-lo em seus braços novamente, Jay puxou o menor pela coluna com uma única mão, enquanto a outra permanecia onde estava. Jungwon sorriu abobalhado. As bocas se grudaram. 

Os lábios afoitos se moviam com ligeireza, buscando saciar a fome de um mês sem contato. Jungwon não se importava mais com o fato de estar passando dos limites, porque caso estivesse, o moreno o conteria. Tudo o que ele ansiava era matar o desejo crescente dentro de si, sentindo as pernas formigarem e a barriga doer.

Sem conseguir se conter mais por nenhum minuto, o ruivo passou a se movimentar em cima do namorado, ondulando os quadris em movimentos arredondados. Ele já sentia o membro do mais velho endurecer debaixo de si, denunciando que ele não suportaria por muito tempo. Jay pendeu a cabeça para o lado quando ele fez com mais precisão.

Suas mãos foram para os quadris do ruivo, tentando fazê-lo parar.

— Ei, calma. — ofegou baixinho, extasiado pelo momento.

Jungwon lançou um sorriso perverso, continuando.

— Cala a boca. — exigiu, voltando a beijá-lo com afinco.

Não perdendo tempo e aproveitando a oportunidade, Park agarrou as coxas firmes do ruivo e o deitou delicadamente para trás. Na posição que estavam, Jungwon ficou com as costas no colchão enquanto o moreno estava enfiado no meio de suas pernas. Ele firmou as coxas ao redor do namorado e em nenhum momento o beijo foi rompido.

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