[🏀 + 26] - Inveja

Assim que chegaram a um dos melhores resorts de Busan, Jungwon estava odiando estar ali.

O lugar era incrivelmente lindo. Um paraíso. As longas praias de águas cristalinas paradisíacas aumentavam a beleza do lugar assim como a extensão do prédio onde ficariam hospedados. Pessoas já transitavam por ali, alguns indo para a praia pegar um pouco de sol.

Apesar de não ser um país tropical, com o verão se aproximando o sol estava mais vivo. Os dias já não estavam tão nublados por aquela região e as águas do mar estavam atraentes para um mergulho. Tudo era perfeito demais para ser real e o ódio do ruivo estragava aquilo.

Se não estivesse tão chateado, talvez pudesse aproveitar bem o dia ao lado do namorado após os informes dos professores e da diretora. Entretanto, depois daquela viagem cansativa tudo o que ele queria era subir até a hospedagem e dormir até esquecer de seu próprio nome.

O motivo de sua ruiva tinha nome e sobrenome: Im Soha.

A garota voltou a provocá-los durante toda viagem, fazendo questão de sentar-se no banco atrás deles. Palavras de ódio eram desferidas sob o casal e ao ser questionada do motivo das feições desgostosas de ambos os garotas, Soha fingia que não sabia por quê.

Mesmo tentando ignorá-la durante o trajeto, Jay já se via sem paciência, ainda mais depois que Jungwon não conseguiu se aguentar mais e gritou com a morena, chamando a atenção de todos ali. Desde então, o ruivo se encontrava com enorme bico nos lábios e tinha os braços cruzados, irritado ao extremo.

Nesse momento, mesmo com as pernas curtas comparadas com as do tatuado, Jungwon caminhava rápido, sequer o esperava. Jay tentava acompanhá-lo, mas sempre que o alcançava, o perdia outra vez. E foi assim até todos os alunos e professores chegarem embaixo de uma enorme árvore em busca de fugir dos raios solares.

Park finalmente conseguiu ficar lado a lado com o namorado e sem se importar se levaria um olhar mortal ou um soco no rosto, o rodeou até que ficasse parado atrás dele e o envolveu em seus braços. Imediatamente Jungwon relaxou ao sentir o toque bom do garoto.

O cenário era de tirar o fôlego, com o sol dourado refletindo nas águas cristalinas e a brisa marinha acariciando a pele dos dois jovens. Jungwon, ainda com o semblante fechado, sentiu o calor do abraço de Jay e, aos poucos, sua raiva começou a ceder.

─── Gatinho... — o moreno sussurrou, seus lábios roçando a orelha do ruivo. ─── Desmancha esse biquinho, príncipe.

Jungwon suspirou, olhando para a bela vista à sua frente.

─── Estou tão irritado.

O rebelde sorriu fraquinho e beijou o topo da cabeça dele

─── Não quero que fique irritado. Vai mesmo deixar que ela estrague nosso descanso?

─── Não, mas é tão difícil aturá-la.

─── Sei que é. Ela é realmente insuportável.

Os minutos iam passando rapidamente e nenhum dos dois estavam ouvindo o que era dito. Estavam mais empenhados em ficar encarando um ao outro enquanto faziam caretas engraçadas e se seguravam para não rir.

Depois de mais algum tempo parados ali, de alguma forma, Jay conseguiu convencer o ruivo a saírem dali. Ambos andavam sem rumo para alguma direção, fugindo dos professores.

─── Jay, você está maluco? — ele sussurrou, como se alguém pudesse pegá-los fugindo.

─── Por que eu estaria, gatinho?

─── Porque você está simplesmente me arrastando para longe das informações importantes que precisamos ouvir! Já pensou se a sra. Choi nos pega fugindo?

─── Relaxa, amor. Aquela velha não vai fazer nada. A minha mãe viu a gente saindo.

Jungwon arregalou os olhos.

─── Como assim ela viu? E não falou nada?

─── Não. Mas o olhar que ela me lançou valeu mais que mil palavras. — ironizou.

─── Você está muito ferrado.

─── Nós estamos. Não esqueça de que você também está aqui comigo.

─── Mas eu não tive escolhas! Você só me puxou pra cá.

Jay gargalhou, continuando arrastando o ruivo com ele para o desconhecido.

Era a primeira vez que os dois iam naquele lugar, mas o mais velho sabia que chegariam a algum lugar bonito e confortável sem se perderem. E, um pouco mais à frente, ele avistou uma árvore enorme, com folhas cheias que dançavam em sincronia ao vento fraco. Ele apertou ainda mais a mão do namorado e seguiu até lá.

O vento sussurrava entre as folhas da árvore, criando uma melodia suave que parecia acalmar os ânimos dos dois jovens. Jay soltou a mão de Jungwon e se aproximou do tronco, apoiando-se ali enquanto observava o ruivo.

Jungwon o seguiu, ainda um pouco irritado, mas curioso. A árvore era majestosa, com raízes que se entrelaçam no chão e galhos que se estendiam para o céu. Os raios de sol filtravam pelas folhas, criando pequenas manchas de luz no chão.

─── Por que estamos aqui, Park? — o ruivinho perguntou, cruzando os braços.

O mais velho sorriu, olhando para cima.

─── Por nenhum motivo especial.

Jungwon franziu o cenho.

─── Nenhum motivo?

─── É. — deu de ombros.

─── Então por que me arrastou pra cá? — perguntou bufando, enquanto ia sentar ao lado dele.

─── Para pensar. Ou você queria continuar ouvindo aquelas baboseiras?

─── Não são baboseiras. É importante para nos situarmos.

─── Minha mãe vai nos falar tudo aquilo depois. Relaxa. — suspirou. ─── Você tá muito paranoico com esse lance da Soha.

O ruivo cruzou os braços, olhando para o namorado de forma desconfiada.

─── Lógico, Jong-seong. Você está tranquilo por ela estar aqui? Eu não estou tendo um bom pressentimento.

Park suspirou novamente, se aproximando mais do amado e segurando seu rosto entre as mãos.

─── Eu não estou tranquilo. Também sinto que algo ruim está prestes a acontecer, mas somos mais fortes que isso, uh? — beijou os lábios atraentes por dois segundos.

─── Não sei se consigo acreditar nisso.

Jay arqueou uma sobrancelha.

─── Você não confia na gente, amor? — ele perguntou de forma sussurrada, seus lábios tocando os do ruivo.

Jungwon sentiu o coração acelerar.

─── Confio, mas é só que-

Ele não pode terminar, seus lábios foram tomados em um beijo delicado.

A mão do mais velho tomou posse da mandíbula pouco marcada, fazendo um leve carinho ali. Jungwon relaxou, ofegante por ter sido pego de surpresa. Suas mãos subiram pelas costas do moreno e pararam nos ombros quando ele ficou em sua frente, aprofundando o ósculo.

O beijo se intensificou, tornando-se quente a cada novo movimento. O vento soprava e as folhas da árvore balançavam, causando um cenário único. Ao finalizarem o contato, ambos sorriram meio desnorteados.

─── É só que nada. Não tem motivos para preocupação, Won. Eu te amo.

O ruivo assentiu ainda incerto.

─── Não acho que foi uma boa ideia ela ter vindo conosco. — suspirou. ─── Sinto que ela está tramando algo.

─── Eu poderia ter falado com minha mãe para não permitir ela vir.

─── Eu sei, mas não seria justo. Ela faz parte do conselho estudantil então tinha que estar aqui.

─── Estamos aqui para relaxar e não para discutir sobre propostas para a escola. Então por que ela precisava estar aqui?

─── Eu não sei.

Jay bufou.

Desde que eles começaram a namorar que não tinham paz. Soha sempre que podia estava no encalço deles, os perturbando e proferindo discursos de ódio, desejando o fim do relacionamento que mal havia começado.

Aquilo era cansativo e frustrante. Nenhum casal recém formado — ou até mesmo já estabilizado — gostaria de ser importunado por alguém que não aceita o fim de algo. Jungwon tentava colocar na cabeça que a garota e o moreno nunca tiveram nada concreto além de algumas noites, mas era difícil.

Soha dava chilique por qualquer coisa, por mais pequena que fosse. Se os dois andavam de mãos dadas, ela berrava. Se compartilhassem um abraço ou algum gesto de carinho, ela surtava. Se trocassem um beijo então, ela só faltava morrer. Aquilo não era normal e talvez ela tivesse desenvolvido dependência emocional pelo mais velho, o que era muito problemático.

Jay insistia que eles nunca voltariam a ter o que tinham antes, porque nunca tiveram nada, mas a garota não pensava da mesma forma. Em várias discussões dela com o casal, ela esbravejava que se dependesse dela, eles nunca dariam certo. E uma viagem que era para ser divertida e relaxante, estava se tornando um inferno cansativo por conta dela.

Ambos estavam exaustos. Eles se esforçarem para manter a calma, mas Soha estava sempre à espreita, pronta para lançar suas palavras venenosas. E pelas feições nada boas do casal, os dois pensavam no mesmo assunto.

Jungwon segurou a mão de Jay com firmeza, então olhou para o moreno com um sorriso triste nos lábios.

─── Talvez ela consiga o que tanto quer.

Jong-seong arregalou os olhos.

─── Como pode falar uma coisa dessas, Jungwon? Ela não vai acabar com a gente, me ouviu?

O menor suspirou.

─── Você sabe como eu sou.

Automaticamente os olhos grandes do moreno voltaram-se para o mais novo. Ele sabia ao que Jungwon se referia e aquilo o doía. Doía mais por não saber como reverter a situação. Ele se desesperou.

─── Ei, me escuta. — proferiu com a voz trêmula. ─── Eu não sou ele. Nós dois sabemos que eu não comecei da melhor forma com você, mas eu não sou ele.

─── Eu sei quem você é, Jay.

─── Então confia em mim! Eu jamais te machucaria.

Jungwon desviou o olhar e levantou-se, atordoado.

─── O problema não está em você, Jay. Está em mim! — tremeu. ─── Eu não consigo mais confiar totalmente em ninguém porque sempre vou lembrar dele. É por isso que tenho tanto medo.

Jay também levantou-se, indo até ele.

─── Você acha que eu seria como ele?

O ruivo ofegou, mas não hesitou em dizer.

─── Não.

─── Então por que não consegue confiar em mim?

─── Eu também não confio em mim. — desviou do assunto e do toque do moreno. ─── Se ela tentar fazer alguma coisa envolvendo você, por mais que eu saiba que seja inocente, ainda assim eu não saberei como reagir.

Park engoliu em seco.

─── O que quer dizer com isso?

Suspirando, Jungwon novamente desviou do toque dele quando ele tentou abraçá-lo.

─── Nada. É melhor encerrarmos por aqui.

─── Yang, eu não estou te entendo.

─── Não precisa me entender. Só... vamos para nosso quarto.

A tensão no ar era palpável, como se cada palavra trocada entre eles carregasse o peso de um passado doloroso — e carregava —. Sem trocarem nenhuma palavra durante o caminho, eles subiram para o resort, indo direto para o quarto privativo em que ficariam pelos próximos dois dias.

Jungwon respirou fundo, com os olhos fixos no chão. Ele não queria reviver as suas memórias, mas estava preso a elas como um marinheiro em uma tempestade interminável. Jay, por sua vez, parecia confuso e ferido, como se tentasse decifrar em que ele estava errando.

─── Jungwon, por favor me fala alguma coisa. — sua voz soou suave, quase implorando por uma resposta que pudesse acalmar a tormenta entre eles.

O ruivo ergueu o olhar, encontrando os olhos escuros do moreno. Por um momento, ele viu a sinceridade ali, a promessa de que Jay não era como Jaewon.

─── Não é sobre você, Seong. — falou com a voz falha. ─── É sobre mim. Sobre o medo que me consome toda vez que alguém se aproxima demais.

O mais velho deu um passo à frente, mas Jungwon recuou, criando uma distância entre eles.

─── Eu não sou ele, Jungwon. — Jay repetiu, sua voz firme. ─── Eu nunca faria o que ele fez. Eu te amo, e isso deveria ser suficiente para você confiar em mim.

Nesse momento, a voz falhou. De repente ficou trêmula, com nuances de choro.

Jungwon fechou os olhos, lutando contra as lágrimas que ameaçavam escapar. Sempre que tinham conversas assim, ele se sentia um fraco impotente porque queria se entregar à paixão que os unia, mas o passado não o deixava seguir em frente

─── Eu sei que você me ama, Jay. — sussurrou. ─── Às vezes eu vejo o rosto dele quando olho para você, e isso me aterroriza. Não é sempre, mas eu vejo.

Jay olhou para ele com os olhos arregalados, sem poder acreditar na revelação que acabara de escutar.

─── O-o que?

Ele sentiu o chão desaparecer sob seus pés. As palavras ecoavam em sua mente, como um trovão em meio a um céu escuro. Ele nunca imaginara que o passado pudesse se entrelaçar tão profundamente com o presente, mas ali estava ele, encarando a vulnerabilidade nos olhos do garoto que amava.

─── Jungwon... — sua voz saiu trêmula. ─── Eu não sou ele.

O ruivo balançou a cabeça, os cabelos laranjas caindo sobre a testa.

─── Eu sei, Jay. Eu sei que você é diferente. Mas o meu coração não entende lógica. Ele só sente.

O moreno se aproximou devagar, como se temesse que qualquer movimento brusco pudesse quebrar o frágil equilíbrio entre eles.

─── Eu te amo. — as palavras saíram com uma urgência que ele não conseguia conter. ─── E se você me der uma chance, eu vou provar que sou digno da sua confiança.

Jungwon olhou para ele, os olhos marejados.

─── Eu acredito em você, Jay. — sussurrou. ─── Mas vai levar tempo para confiar em mim mesmo. E eu... eu não sei se consigo esquecer de tudo.

Park segurou o rosto dele entre as mãos, os polegares acariciando suas bochechas.

─── Me desculpa — inclinou a cabeça, selando os lábios cheinhos em um beijo suave. ─── Por favor, me desculpe.

─── P-por que está se desculpando?

Jay engoliu o choro.

─── Você me disse que consegue ver o rosto dele no meu. — embargou as palavras. ─── Eu não queria te fazer lembrar dele. Me perdoe.

Jungwon sentiu o toque suave dos lábios de Jay, e por um instante, o mundo pareceu desaparecer. O beijo era doce e carregado de emoção, como se cada célula de seus corpos estivessem se comunicando em uma linguagem que só eles entendiam.

Quando se separaram, Jungwon olhou nos olhos escuros de Jay. Ele podia ver a dor e a sinceridade ali, misturadas em um turbilhão de sentimentos.

─── Seong... — sussurrou. ─── Você não precisa se desculpar. Não é sua culpa que eu carregue essas lembranças.

O moreno acariciou seu rosto com ternura.

─── Eu só quero que você saiba que sou diferente. — falou firmemente ─── Eu não sou ele, Jungwon. Falarei isso quantas vezes forem necessárias para você acreditar que eu não sou ele.

O ruivo fechou os olhos, sentindo as lágrimas escaparem.

─── Me desculpe também. — murmurou. ─── Por não conseguir retribuir o que você sente na mesma intensidade.

Jay assentiu, o abraçando.

─── Shh, não se preocupe com isso. Eu irei esperar o tempo que for necessário. — tentou acalmá-lo. ─── Não chore por isso.

Jungwon suspirou em meio às lágrimas.

─── Por que você f-faz isso? — perguntou choroso.

─── Porque você vale a pena.

Longos momentos se passaram com os dois abraçados, cuidando um do outro. Mas a exaustão chegou e o ruivo desabou, dormindo tranquilamente como se aquela discussão nunca tivesse acontecido.

Jay o colocou confortavelmente na cama, o observando dormir. O biquinho que ele fazia quando descansava era adorável. Os olhinhos ficaram fechados em duas linhas retas e as bochechas ficavam estufadas e ainda mais vermelhinhas.

Um dos maiores sonhos e desejos do moreno era poder ver aquela cena pelo resto de sua vida. Zelar o sono do mais novo e protegê-lo de todos seus medos e pesadelos que o assombravam constantemente. Ficar ao lado dele, o cuidando. E pensar que talvez aquilo tudo não fosse possível por conta dos acontecimentos passados e de certas pessoas, quebrava seu coração em mil pedaços.

Depois de alguns minutos observando o amado dormir serenamente, ele ergueu-se e deixou o quarto, procurando esfriar os pensamentos e por a cabeça no lugar.

• 🥕 •


Depois de longas horas andando sem rumo de um lado para o outro sem conhecer absolutamente nada daquele lugar, Jay finalmente cansou e decidiu voltar para o quarto.

Ele estava em um grande dilema sobre encontrar o ruivo ainda dormindo ou já acordado. Se estivesse dormindo, seria mais fácil chegar e guardar o que havia comprado em uma lojinha que encontrou por acaso. Mas se ele já estivesse acordado, teria que se esforçar para conversar sobre algo banal e não voltar ao mesmo assunto de antes.

Suspirando, apertou a sacola que carregava com mais força e apertou o passo. Com o resort lotado de pessoas desconhecidas, ele pegou o celular e o ligou, focando na tela acesa em um jogo qualquer para não ter que lidar com olhares de pessoas que ele não conhecia. Já era bem familiarizado a andar com o celular enfiado no rosto, porém, em um lugar que ele já conhecia e que não havia tanta gente.

Por conta desse descuido, acabou esbarrando em alguém, quase levando a pessoa ao chão. Ele foi rápido em segurá-la com a mão que levava a sacola. Seu rosto se contorceu em vergonha ao notar que ele quase havia derrubado uma garota e que sua mão rodeava a cintura dela.

─── Perdão. — proferiu embaraçoso, querendo dar o fora dali.

Ele sequer olhou para a garota, verificando se ela havia se machucado com o quase impacto com o chão, ou se sua pegada rápida tinha sido um pouco bruta. Só queria ir embora.

─── Eu acabei esquecendo o quão forte você é. Obrigada por me lembrar.

Aquela voz.

Jay ergueu o rosto com rapidez ao ouvir a voz irritante e incrivelmente fina irromper seus tímpanos.

─── Você está ainda mais forte. Andou malhando?

Ele engoliu em seco.

─── Um pouco. Eu preciso ir. — proferiu rápido.

─── Mas já? Não irá nem mesmo me cumprimentar adequadamente?

─── Não tenho nada para falar com você, Soha.

─── Mas um simples “boa tarde” não vai arrancar pedaços seus.

Agora ele revirou os olhos, já se estressado.

Jay sentia-se como um animal encurralado, preso entre a vontade de escapar e a necessidade de manter a compostura. Soha, com seu sorriso afiado e olhos perscrutadores, parecia se deliciar com o desconforto dele.

─── Boa tarde, Soha. — disse com uma falsa cortesia, os dentes cerrados. ─── Agora eu realmente preciso ir.

Ele tentou se afastar, mas a garota bloqueou seu caminho, inclinando-se para mais perto.

─── Você não mudou nada, Park Jong-seong. Ainda é o mesmo garoto que partiu meu coração.

Jay novamente revirou os olhos.

─── Eu não parti seu coração.

Ela sorriu debochada.

─── Caras como você sempre dizem a mesma coisa. — se aproximou mais dele. ─── Você me magoou tanto. Ainda me magoa, sabia? E eu continuo me esforçando para você.

─── Soha, eu não estou nem aí para o que você acha que eu fiz com você. Você se magoou sozinha. — sua voz saiu mais ríspida do que pretendia. ─── Agora, por favor, me deixe passar.

Ela riu, uma risada que ecoou pelo corredor.

─── Você sempre foi tão sério, Jay. Mas eu sei que ainda pensa em mim. Afinal, quem poderia esquecer nossa paixão ardente?

Jay respirou fundo, tentando manter a calma.

─── Eu não tenho tempo para isso, Im Soha — ele apontou para a sacola que segurava. ─── Tenho coisas a fazer.

Soha o estudou por um momento, os olhos estreitos.

─── Flores? Para quem são? Para o Jungwon? — sorriu amarga. ─── Você nunca foi alguém romântico. Nunca me comprou flores e hoje anda por aí com um buquê lindo e esbanjando uma aliança cara. E divide isso com outro homem. Patético.

Jay respirou fundo e antes que ele pudesse responder, Soha se afastou, deixando-o ali, com o coração acelerado e a mente em turbilhão.

Com um último olhar para a garota, ele seguiu em frente, determinado a encontrar Jungwon e esquecer aquela breve e incômoda interação. Mas as palavras de Soha continuavam ecoando em sua mente, como um aviso sombrio de que o passado nunca estava realmente enterrado.

Balançando a cabeça para espantar os pensamentos, acelerou os passos e não demorou a chegar onde pretendia ao ser interrompido. Sem se preocupar em bater na porta, abriu a mesma, não encontrando ninguém. Seu coração acelerou, mas logo se acalmou ao ouvir o som do chuveiro.

Ele deixou o tênis que usava próximo a porta e colocou o que havia trago com delicadeza em cima da cama. Passou alguns minutos observando aquilo, imaginando se o ruivo iria gostar. Sua atenção se dissipou assim que o barulho de água cessou e não se ouvia mais nada. Assustado, caminhou até a porta do banheiro, batendo na madeira.

─── Won? Está tudo bem?

A porta foi aberta logo em seguida, revelando o ruivo já vestido. Um suspiro de alívio irrompeu dos lábios finos.

─── O que foi? — perguntou, confuso.

Jay negou.

─── Nada. Eu pensei que tinha acontecido alguma coisa.

─── Nada aconteceu. Onde você estava?

Ele pediu espaço para passar e o moreno o concedeu, indo atrás dele.

─── Lá fora. Queria um pouco de ar.

Jungwon assentiu, seus olhos fixos nas sacolas sob a cama.

─── O que são?

Por um momento o moreno gelou, achando que o menor não fosse gostar. Mas relaxou ao ver um pequeno sorriso esboçar em seus lábios bonitos.

Ele foi até a cama, pegando primeiramente as flores que automaticamente lembrou do ruivo ao vê-las. Por isso decidiu comprar.

─── Algo bobo que comprei. Talvez te anime.

Jungwon sorriu largamente ao ver as flores.

Eram três gerberas rosas, organizadas em um papel adorável cor-de-rosa clarinho. O rosto do menor se iluminou e ele correu até o mais velho, pegando o buquê para si.

─── São pra mim? — seus olhos brilhavam.

─── Claro que são, meu amor.

Jungwon estava encantado pelas flores. Ele olhava para elas com carinho, lembrando-se de quando ganhou várias margaridas do moreno ao irem para a aula de campo. A aliança feita pelas pequenas flores delicadas se tornou uma feita de ouro caro.

Sorrindo, o ruivinho levou as flores até o nariz, sentindo o aroma adocicado que elas tinham. Jay estava maravilhado assistindo aquela cena. Ver Jungwon sorrir e alegre era uma das suas vistas preferidas, a qual ele não queria esquecer nunca e sempre carregar consigo na memória. O menor segurava o buquê com delicadeza, como se fosse um tesouro precioso.

Jay se aproximou, seus olhos fixos no sorriso bonito do mais novo. Ele estendeu a mão e acariciou a bochecha do menor, traçando o contorno suave com o polegar. Jungwon fechou os olhos, aproveitando o toque.

─── Como pode ser tão bonito? — sussurrou, seus lábios prontos para tocarem os cheinhos do ruivo.

O ruivinho riu baixinho, os olhos ainda fechados. Ele se inclinou para frente, buscando os lábios do namorado em um beijo doce e apaixonado. As flores caíram no chão, esquecidas, enquanto eles se perdiam naquele momento.

Mas ao notar o que fez, Jungwon quebrou o contato e abaixou-se rapidamente para recuperar as pobrezinhas. Assim que as pegou de volta, Park o puxou pela cintura novamente, colando os lábios mais uma vez.

O toque se tornou bruto, mas nunca perdendo a delicadeza e doçura. A mão do moreno passeava livremente pela pele quente do menor, por dentro da camiseta. Os lábios eram sugados para dentro de sua boca com fome, querendo ser saciado mas nunca conseguindo. Sempre tinha sede de mais e mais.

Jungwon ofegou quando separou o beijo, sentindo os lábios formigando, ficariam inchados em breve.

─── Me desculpa pelo o que disse antes de cair no sono. — sussurrou, envergonhado.

Jay sorriu, acariciando sua cintura.

─── Mas você não disse nada de mais, amor. Nada do que eu não tenha ouvido antes.

Ele suspirou.

─── Mas é diferente. Eu deixei claro que não confiava em você e não quero isso. Eu confio sim em você.

─── Você só estava confuso. É normal sentir medo. Eu também estou sentindo.

─── Eu não quero que você se sinta culpado pelo o que vou falar, mas por que você teve que ficar com a Soha? Seria tão mais fácil sem ela no nosso caminho.

Jay soltou ar pelos pulmões.

─── Fiquei com ela porque eu era um idiota. Um babaca. E não tem como não me sentir culpado em relação a isso.

─── Não, Jay. Não quero que se culpe. Se for assim, eu também sou culpado. — ditou, sério. ─── Se eu não tivesse me apaixonado pelo Jaewon, aí sim tudo seria mais fácil.

─── Jungwon...

─── Mas é verdade, Jay.

O moreno suspirou, sem querer focar naquele assunto.

─── Vamos falar sobre outra coisa, uh?

─── Sobre o que?

─── Sobre o outro presente que eu te trouxe. — sorriu, o beijando novamente.

─── Você me comprou outro presente?

─── Comprei.

─── Eu achei que você havia trago apenas as flores.

─── Aí você se engana, ruivinho. — colocou o melhor sorriso de cafajeste nos lábios.

─── E o que é? Me mostre!

O moreno sorriu, se afastando dele a contra gosto. Caminhou até a cama e pegou a sacola esquecida ali. Puxou duas caixas médias e um tanto altas, suspirando ao colocar uma em cima da outra e encarar o ruivo.

─── Na verdade eu comprei pra mim também. — começou, envergonhado. ─── É um conjunto fofinho de casal, sabe? Pra gente usar juntos.

Jungwon sorriu largamente, ficando ainda mais feliz ao ver a vermelhidão tomar conta do rosto bonito do mais velho.

─── Ah, que gracinha! São roupas?

─── Não. Eu não quero falar. — corou. ─── Toma, abre.

Empurrou as caixas para o menor.

Jungwon se empolgou, começando a abrir a caixa que estava em cima. Seu sorriso cresceu ao ver uma pantufa fofinha dentro do papelão. Era do pochacco, personagem do sanrio. Pela numeração, imaginou que aquela não fosse a sua.

Empolgado para ver qual personagem seria a sua pantufa, sentou-se no chão mesmo e guardou as do moreno dentro da caixa novamente. Abriu a sua e Jay pode ver seus olhos brilharem. As pantufas que escolheu para o ruivo eram do personagem cinnamoroll, em sua cabeça era a cara do menor.

Jungwon soltou um gritinho animado.

─── Eu não acredito nisso, Park Jong-seong! — gritou mais alto.

O moreno ficou tenso.

─── Você não gostou?

O ruivo negou, sorridente. Levantou-se do chão e pulou animado em cima do mais velho, o fazendo cair com as costas no colchão.

─── Eu amei, idiota! — sorriu. ─── Você é incrível, sabia?

Jay suspirou aliviado.

─── Eu fiquei mal de te ver daquela forma. Queria te animar um pouquinho. Eu consegui?

─── Conseguiu! — o beijou agradecido. ─── Vai me comprar presentes sempre que discutirmos agora?

─── Vou.

Negando com a cabeça, Jungwon atacou os lábios finos do namorado, agarrando os fios de cabelo macio. Ele simplesmente esqueceu dos presentes que havia ganhado e focou somente na boca tão beijável que o moreno tinha.

Jay também não perdeu tempo e agarrou ambos os lados da cintura afinada, apertando com cuidado. Os lábios se moviam em sincronia, dançando com harmonia. As línguas se embolavam e os dentes batiam em meio ao beijo afoito, mas nenhum dos dois se importavam.

Ao finalizarem o beijo, Jungwon sentou-se na cama animado, segurando suas pantufas firmemente nas mãos. Ele se apressou em calça-las, colocando uma por uma nos pés pequenos. Assim que calçou, deitou-se novamente e ergueu os pés para cima, balançando-os no ar.

─── Você gostou, não foi? — Park perguntou, sorridente.

─── Sim! Coloque as suas!

Ele sorriu novamente, saindo da cama e pegando a caixa com as pantufas que estava no chão. Voltou para a cama. Ele sentou-se ao lado do namorado que continuava deitado, balançando os pés enquanto admirava seus novos calçados. Abriu a caixa e desembrulhando as pantufas com cuidado. Eram macias e felpudas, com o personagem fofinho bordado na parte frontal. Ele não se via usando aquilo em nenhuma vida, não combinava consigo. Mas para agradar o ruivinho, faria qualquer coisa.

─── Não é algo que me agrade muito, mas preciso admitir que são fofas.  — exclamou, deslizando os pés nas pantufas.

Jungwon finalmente se levantou, ficando atrás do moreno e vendo ele calçar as pantufas por cima de seu ombro.

─── Ficaram lindas em você. — elogiou, sorrindo. ─── Obrigado por nos dar essas pantufas incríveis.

Jay sorriu, sentindo-se feliz por ter feito o garoto sorrir e ter o deixado alegre depois da pequena discussão.

Ao terminar de calçar as pantufas, virou-se para trás, encontrando os olhinhos curiosos do ruivo. Os lábios se encontrando com ternura. O quarto estava quente e aconchegante, e eles se acomodaram na cama, os pés enfiados nas pantufas, compartilhando risadas e carinhos.

─── Estou me sentindo uma criança. — Jay reclamou.

O ruivinho gargalhou, se aconchegando no peito dele.

─── Para, foi você quem as comprou.

─── Comprei porque assim que as vi lembrei de você. E eu te conheço o suficiente para saber que você gosta de coisinhas fofas que combinam. Sabia que você gostaria de usar algo assim comigo.

─── Eu realmente gostei, Jay. Obrigado.

Jong-seong sorriu, acariciando os cabelos laranjas que pareciam fogo ardente contrastando com a luz clara do quarto. Os dois estavam tão próximos que podiam sentir o calor um do outro.

─── Eu sou um grande sortudo por ter você. — Park murmurou, olhando nos olhos do ruivinho.

Jungwon corou, sentindo-se emocionado. Sua mão deslizou pelo peitoral firme do moreno e o apertou carinhosamente, acariciando logo em seguida.

─── Não quero me gabar, mas você realmente é muito sortudo por me ter. — sussurrou.

─── Que convencido! Achei que você ia falar que também era sortudo por me ter.

─── Nah, isso é muito brega.

─── Usar essas pantufas são bregas.

─── Mas foi você que comprou! E me deu flores também. Isso é brega?

Jay gargalhou da indignação dele.

─── Não, meu amor. Receber flores não é brega.

─── Pelo menos você sabe que isso é romântico. Eu gosto de caras românticos.

─── Não, você não gosta de caras românticos.

─── Gosto sim.

─── Não. Você gosta de mim porque sou romântico.

O ruivinho gargalhou alto, deixando um tapinha no peito dele.

─── Besta.

─── Eu falei alguma mentira? — arqueou uma sobrancelha, brincalhão.

─── Não. Não falou.

Jay concordou, beijando a testa do ruivinho.

─── O que você mais quer fazer durante nossa estadia aqui? Sabe, vai ter as festas nas próximas duas noites, você vai? — perguntou, mudando de assunto.

─── Você me deixaria ir, senhor cara romântico? — zombou.

─── Claro que sim. E de qualquer forma eu também irei.

─── Bem, estou animado para ver como vai estar a decoração e louco para provar as comidas.

O ruivo se aconchegou mais nele.

─── E eu tô louco pra te beijar dentro do mar.

Ambos sorriram da fala do moreno. Jungwon fechou os olhos e relaxou. Ficou ali por longos minutos, aproveitando do calor que emanava do corpo forte do namorado.

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