[🏀 + 19] - A aposta

Dois meses se passaram desde o dia em que Jungwon havia ido à casa de Jay. Muitas coisas aconteceram nesse meio tempo, e sua confusão tremenda sobre amá-lo aos poucos se esvaía, deixando-o mais tranquilo. Agora, os dois estavam na casa do ruivo, deitados e abraçados após acordarem. A noite passada fora um tanto intensa para ambos, o que fez com que eles dormissem demais.

Jungwon abriu os olhos lentamente, piscando contra a luz suave que entrava pela fresta da cortina. Já era tarde mas aquele dia amanheceu nublado, fazendo com que os poucos raios de sol se escondessem por trás das nuvens escuras. Ele estava deitado de lado, o corpo quente e aconchegado sob os lençois. Jay estava ali, tão perto que seus narizes quase se tocavam. O ruivo ainda estava adormecido, os cabelos bagunçados e os lábios entreabertos.

Ele sorriu, sentindo o coração se encher de carinho. Passou os dedos pelos cabelos emaranhados do moreno, afastando uma mecha rebelde. O cheiro doce do shampoo que ele normalmente usava invadiu suas narinas, e ele suspirou em contentamento. Jay se mexeu, resmungando baixinho. Seus olhos se abriram lentamente, piscou algumas vezes antes de focar em Jungwon. Um sorriso preguiçoso se formou em seus lábios.

— Oi — ele sussurrou com a voz rouca de sono.

— Oi. — Jungwon respondeu, inclinando-se para beijá-lo.

Os lábios do moreno eram macios e quentes, e o mais novo se perdeu no beijo por um momento. Eles se afastaram, mas continuaram abraçados. Jungwon encostou a cabeça no peito de Jay, ouvindo as batidas do coração dele. Era um som reconfortante, que o fazia sentir-se seguro e amado.

— Como você está se sentindo? — Park perguntou, acariciando os cabelos de Jungwon.

— Bem.

O moreno deixou um beijinho no pescoço dele, o arrepiado. Sussurrou ao pé do ouvido:

— Eu te machuquei?

— Não. — falou afetado pelas lembranças. — Foi bom. Eu gostei.

Jay riu baixinho.

— Eu também gostei.

Eles ficaram ali abraçados por mais um tempo, curtindo o momento. Não precisavam de palavras. O silêncio entre eles era cheio de significado, de promessas silenciosas de que estariam ali um para o outro, não importava o que acontecesse. Jungwon fechou os olhos, sentindo-se em paz. Murmurou alguma coisa preguiçosa, enterrando o rosto no peitoral descoberto do moreno. Queria ficar ali pelo resto do dia.

Depois de mais alguns minutos envolvidos em um abraço caloroso, assim que o relógio digital na cômoda do ruivo marcou às dez horas da manhã de um domingo nublado e com cheirinho de chuva, mesmo com muita preguiça, os dois garotos se levantaram para tomar um banho e lavar os resíduos que ainda existiam em sua pele. Os pais do ruivo estavam na casa de sua avó paterna desde o dia anterior, deixando-os sozinhos em casa.

Preguiçosos e com Jungwon ainda mais manhoso que o habitual, ambos foram até o banheiro. Um sorriso surgiu nos lábios do moreno ao ver o menor caminhar lentamente, vestido no pijama com estampas de coelhos e cenouras. Ele negou veemente antes de envolver a cintura fininha com seus braços e acompanhá-lo para dentro do banheiro.

Após o banho demorado, a fome se fez presente e Jay decidiu ir até a cozinha para preparar um café da manhã para os dois, já que Jungwon não era tão bom na culinária. Ele bocejou e esfregou os olhos enquanto saía do quarto. Antes de sair vestiu apenas uma calça para cobrir sua nudez e desceu as escadas. Jungwon demorou um pouco mais para ir já que estava ocupado fazendo seus cuidados com a pele que sempre fazia todas as manhãs ao acordar. Logo também desceu as escadas, seguindo o cheiro de café fresco que se espalhava pela casa. Também usava apenas a parte de baixo.

A cozinha estava iluminada pelo pouco sol da manhã, e como um coala preguiçoso, o ruivo envolveu o corpo grande do mais velho com seus bracinhos curtos, aproveitando o calor do corpo dele que aos poucos passava calor para o seu e desfrutando do ótimo aroma da comida que ele fazia. Ele descansou o rosto inchado pelo sono nas costas largas do moreno, inalando o cheiro bom de sabonete do recente banho. Mas não demorou muito ali e logo foi se sentar.

Jay se afastou do balcão e abriu a geladeira. Pegou ovos, bacon e pão. Iria preparar um tipo de café da manhã americano. Ao colocar o que tinha pegado em cima do balcão, foi até o armário, pegando uma frigideira. O tempo que estava com o ruivo fora o suficiente para ele se acostumar com a casa e decorar onde fica cada coisa. Principalmente os utensílios de cozinha. E por conta do seu dom culinário, acabou conquistando de vez, o futuro sogro.

Ele então quebrou os ovos na frigideira, mexendo-os com habilidade. Fritou os bacons e depois torrou o pão, sendo observado pelo ruivo. Pegou tudo e preparou a mesa, colocando manteiga e geleia ao lado dos pratos. Com tudo pronto, ele também se sentou à mesa. O café estava fumegante, e o cheiro do bacon era irresistível. Jungwon pegou uma fatia de pão e passou manteiga, lentamente. O moreno o observou, sorrindo ao vê-lo ainda sonolento.

— Ei, gatinho. — Park o chamou, entregando uma xícara de café para ele. — Ainda está com sono?

Jungwon bocejou e esfregou os olhos

— Uhum. E você?

— Estou com fome. — respondeu rindo.

Ele pegou uma fatia de pão e colocou um pouco do ovo mexido dentro e dois pedaços longos de bacon. Cobriu o sanduíche com outra fatia de pão e deu uma grande mordida. Serviu café para si mesmo e sorveu de um bom gole.

— Obrigado por cozinhar, amor. — o ruivo falou, agora mais acordado. — Se você não estivesse aqui hoje eu iria passar o dia inteiro com fome.

Jay sorriu.

— Gosto de te alimentar. Além disso, não quero que você queime a cozinha. Seu pai mataria nós dois.

Jungwon riu, aproveitando cada mordida.

— Isso está ótimo. — falou, com a boca cheia de bacon.

— Está bom mesmo?

— Uhum.

Eles terminaram o café da manhã e se levantaram, levando os pratos sujos até a pia. Jay abraçou o ruivo por trás, beijando sua bochecha corada repleta de sardinhas.

— O que você quer fazer agora?

Jungwon sorriu.

— Quero ficar agarrado com você.

Park assentiu e o pegou no colo, indo para a sala. Eles se aconchegaram no sofá, abraçados e com os pés esticados sobre a mesinha de centro. Os raios de sol que começavam a aparecer entravam pelas janelas, criando um ambiente agradável e acolhedor.

Jungwon apoiou a cabeça no ombro do moreno, olhando para o teto.

— Quando será o próximo jogo?

— Mês que vem. Entrou um cara novo na escola esses dias e ele passou no teste para o time. Ele é bom e o treinador já quer encaixá-lo na próxima partida.

O ruivo assentiu, acariciando o peito dele.

— Acha que ele vai conseguir ajudar o time com apenas um mês de treino?

— Talvez. Ele é até bem melhor que o Doyoon. — torceu os lábios.

Yang fez uma caretinha.

— Não acho que o doyoon merece o título de co-capitão. Poderia ser do Sunghoon hyung ou do Minseok.

— Estamos vendo sobre isso. Ele é bom, não dá para negar. Mas ultimamente vem fazendo coisas que podem deixá-lo em maus lençois com o time. — pontuou. — E como anda as tarefas do conselho estudantil?

— Difíceis. — suspirou cansado. — Estamos trabalhando em novas propostas mas sempre tem alguém que não se agrada de todas.

— Sinto muito, bebê.

— Está tudo bem. — sorriu. — Há, tantas coisas aconteceram nos últimos meses que eu esqueci de te contar.

Logo seu sorriso morreu e uma expressão enojada tomou seu rosto. Jong-seong franziu o cenho.

— O que foi?

— No mês passado a Yuna desistiu do cargo de RH e eu tive que me desdobrar em dois para abrir uma nova votação para alguém substituí-la. Eu convidei quem quisesse fazer parte do conselho e de acordo com as propostas dadas por cada um, iríamos fazer uma votação para saber quem seria o novo diretor ou diretora de RH. — suspirou fundo. — E a Soha ganhou. — Jay arregalou os olhos. — E desde então ela não para de me estressar. Sempre diz que nós não vamos dar certo e que vocês dois ainda vão voltar porque segundo ela mesma, você ainda a ama.

— Ela é maluca, meu amor. Não dê atenção as merdas que ela fala. Nós nunca tivemos nada, então não tem o que voltar.

— Eu sei, Jun, é que eu fico um pouco mal e tenho medo de você se enjoar de mim já que nós ainda não namoramos por minha causa.

O moreno o encarou com convicção. Levou as mãos até o rostinho dele e beijou o biquinho grande que ele colocou nos lábios.

— Eu nunca vou me enjoar de você, ruivinho. — o beijou outra vez. — Eu lutei tanto pra te ter e não é a Soha ou qualquer outra pessoa que vai nos separar. Dois meses se passaram e agora resta apenas mais um para você ser só meu. Três meses e você fala sim, uh?

O ruivo concordou choroso.

— Os Devils raramente perdem um jogo e estou confiante que iremos ganhar este também. Na comemoração eu irei te pedir em namoro e esclarecer para todo mundo que nós nos amamos, principalmente para os que mais duvidam que o que temos seja algo sério. — sorriu. — Você confia em mim?

— Confio.

— Eu te amo. — sussurrou, olhando nos olhos dele. — Agora desmancha esse biquinho e vamos assistir um filme, uh?

— Tudo bem. — ambos levantaram. — Está preparado para enfrentar a vida universitária? Temos apenas mais dois meses de aula.

Jay sorriu, mas estava nervoso.

— Não estou tão confiante. Ainda nem sei o que cursar.

Jungwon assentiu e eles voltaram para seu quarto, ansiosos para assistir a um filme juntos. No entanto, ao chegarem no cômodo, uma discussão começou, pois Jay queria ver filme de terror, enquanto Jungwon preferia romance.

O mais novo cruzou os braços, olhando para Jong-seong com uma expressão desafiadora. Bateu o pé no chão, fazendo birra como o bom garoto mimado que era.

— Você sabe que eu odeio filmes de terror, Jayie. Eles me dão pesadelos!

Jay riu, balançando a cabeça.

— Nem pense que usar essa vozinha emburrada e me chamar assim irá me convencer.

Jungwon descruzou os braços e caminhou bicudo até o moreno, o abraçando.

— Por favor, Jun, eu não gosto de filmes de terror.

Park o envolveu em seus braços, beijando a bochecha inflada.

— Mas eles são emocionantes, gatinho. E eu gosto de ver você se assustar e esconder o rosto no meu pescoço.

— Mas eu não gosto de levar sustos! — resmungou. — Eu só quero assistir algo fofo!

— Se olha no espelho, bebê. E coloca esse biquinho lindo nos lábios. Fica a coisa mais fofa.

— Não quero.

O moreno sorriu, firmando o aperto.

— Tudo bem. Vamos assistir algo que a gente possa curtir juntos.

Jungwon sorriu, completamente animado. Ele se afastou do maior e agarrou o controle remoto, já ligando a TV.

— Que tal “A Dama e o Vagabundo”? É um clássico da Disney, e tem romance e cachorrinhos fofos.

Jay fez uma careta.

— Sério? Eu estava esperando por algo mais emocionante.

O ruivo revirou os olhos.

— Você quer algo emocionante? À noite eu faço você ficar bem emocionado.

O moreno riu alto.

— Ah, mas não era você que agora a pouco estava todo carente querendo ver algo fofinho? Por que de repente ficou tão safado?

Ele deu de ombros.

— Só queria te convencer.

Park cruzou os braços, perplexo 

— Certo. Vamos ver “A Dama e o Vagabundo”. Depois só não ver secar as lágrimas em mim quando eles compartilharem o espaguete.

Jungwon fingiu indignação.

— Eu não choro em filmes!

— Claro que não chora. — Park brincou, beijando a testa dele.

O ruivo colocou o filme e foi se aninhar nos braços do mais velho que já estava deitado. O tempo fechou novamente e eles se aconchegam nos edredons, esperando a chuva cair. Com a porta e as janelas trancadas, o quarto estava escurecido, com apenas a luz da tela da TV iluminando o ambiente. O filme começou, e a trilha sonora suave preencheu o ar.

“Era uma vez em uma cidadezinha tranquila...”

A narração começou, e Jungwon sorriu, reconhecendo a abertura do filme. Jay apontou para a tela.

— Olha, amor, é a Dama. Ela é tão fofa. Parece com você.

Jungwon sorriu, se aconchegando mais no peito do moreno, seus olhos fixos na tela enquanto a pequena cocker spaniel corria pelo quintal.

“Dama, a cachorrinha mimada de seus donos, vivia uma vida confortável e cheia de mimos.”

— Eu adoro essa parte. — Jungwon apontou para a tela quando Dama recebeu um prato de espaguete. — Você se lembra?

Park riu.

— Claro que sim! É a cena do famoso jantar romântico. A Dama e o Vagabundo compartilhando um prato de espaguete.

“Quando dois corações batem como um só...”

A música começou a tocar e Jungwon sentiu seu coração se aquecer. Ele se aconchegou mais perto de Jay, e os dois assistiram enquanto Dama e Vagabundo se aproximavam, seus focinhos se tocando.

— É tão fofo. O ruivo sussurrou. — Eles são perfeitos um para o outro.

Jay concordou, seus dedos acariciando os cabelos laranjas.

— Assim como nós.

O filme continuou, mostrando as aventuras de Dama e Vagabundo pelas ruas da cidade. Jungwon riu quando eles escaparam do canil e se esconderam em um beco.

“Vagabundo, o cachorro de rua com um coração livre e aventureiro...”

A narração continuou.

“Ele mostrou a Dama um mundo além dos portões de ferro de sua casa.”

Jungwon se aconchegou mais no peito do moreno, inalando seu aroma bom. Ele suspira com as cenas marcantes que quase o faziam chorar, apenas não o fazia para que o garoto agarrado a si, não o incomodasse depois. As mãos de Jong-seong faziam carinho nos fios ruivos e no braço arrepiado, o dando conforto.

Assim que o filme chegou ao fim, a tela escureceu. Mais nenhum dos dois se separam. Ambos permaneceram abraçados, enrolados no edredom grosso e quentinho.

— Eu amo esse filme. — o ruivo sussurrou, suspirando. — É tão doce. A cena do espaguete é icônica. Quem diria que um prato de massa poderia ser tão romântico?

O moreno sorriu, ouvindo todas as explanações que saiam da cabeça criativa do menor.

— Acho que é porque eles compartilharam o mesmo fio de espaguete. É como se estivessem conectados. — ele continuou.

— Assim como nós. — Jay finalmente falou, olhando nos olhos do ruivinho. — Eu deveria ter preparado um prato de espaguete?

Jungwon sorriu, sentindo-se emocionado.

— Talvez.

Eles se beijaram suavemente, os lábios se movendo com ternura. O beijo era doce, cheio e caloroso. Jungwon se aconchegou ainda mais nos braços de Jay, aprofundando o ósculo. Ao se separarem, o moreno acariciou o rostinho corado.

— Eu não trocaria esse momento por nada. — sussurrou — Você e eu, aqui, assistindo a um filme bobo e eu me apaixonando cada vez mais por você.

Jay o beijou lentamente, como o idiota apaixonado que estava se tornando. Logo o beijo calmo e delicado passou a ser bruto e necessitado. As bocas deslizavam com raiva e as línguas brigavam por espaço. Os lábios se chocavam com pressão e os dentes batiam um no outro.

O moreno finalizou o beijo e com pressa subiu em cima do corpo pequeno, levando seus lábios até o pescoço marcado, vítima da noite anterior. Ele parecia ter fome quando abocanhou o pedaço de pele exposta, sugando-a para dentro da boca quente. Contudo não demorou muito ali e deslizou os lábios famintos para os biquinhos suculentos que pareciam implorar para serem mordidos.

Jungwon arqueou as costas, prendendo um gemido baixinho. Suas mãos foram rápidas ao agarrar os fios negros, revirando os olhos e os fechando. Park continuava com a boca colada no mamilo durinho, com força apertou a cintura fininha com ambas as mãos, se concentrando no prazer do ruivo. Parecendo acordar de sua bolha, Jinin abriu os olhos, encarando o teto.

— J-Jong-seong... — ofegou, o encarando. O moreno ergueu a cabeça. — Já chega, hm?

— Por quê? Eu quero te chupar. — murmurou ao largar o peito dele.

— Assim tão... de repente?

— É. Não posso. — franziu o cenho.

— Não, pode. Mas é que você é muito espontâneo.

— Espontâneo como?

— Bem, nós estávamos em um momento fofo e romântico e agora você quer me chupar.

Park sorriu.

— Eu quero colocar em você.

O ruivo arregalou os olhos.

— De novo? Ontem não foi suficiente pra você?

— Foi. Mas eu quero de novo.

O moreno passou a ondular o quadril, chocando com o do ruivo. Voltou a chupar o mamilo eriçado, adorando ouvir o ruivinho gemer e se derreter em seus braços. Jungwon puxava os cabelos bagunçados do moreno com força, sem se importar se iria machucá-lo. Em um único e rápido movimento, Park puxou a calça que ele vestia e agora somente a cueca cobria seu corpo.

— J-Jay, já chega. Os meus pais p-podem chegar a qualquer momento!

Park parou de chupá-lo e o olhou por cima dos cílios.

— Eu quero colocar em você, amor. Deixa.

— Não, Jay. Você acabou comigo ontem. Estou todo dolorido.

O tatuado franziu o cenho.

— Mas você falou que eu não te machuquei.

— Falei que você não me machucou, não que não estava dolorido. — sorriu. — Às vezes você perde o controle, sabia?

— Desculpa.

Jungwon sorriu, olhando o biquinho adorável que o mais velho colocou nos lábios. Inclinou-se um pouquinho e o beijou.

— Você não vai sossegar até ter o que quer, não é?

— Não. — seus olhos brilhavam. — Deixa, amor. Só uma rapidinha.

O ruivo suspirou.

— Tudo bem, eu quero. Mas é rápido mesmo e-

Antes que acabasse de falar, o moreno virou seu corpo com agilidade, o deixando se bruços. Rapidamente abaixou a cueca que cobria o que ele tanto queria. Ao arrancar a peça vermelha do corpo pálido, passou as mãos grandes pela carne macia das nádegas avantajadas, acertando um tapa logo em seguida.

— Eu quero te foder assim.

O ruivo enterrou o rosto no travesseiro.

— Ei! Você não estava carente até agora?

— Eu estava carente da sua bunda. Agora já tenho ela, a carência passou.

— Você é um puta safado!

— E você um puta gostoso.

Jay sorriu, deixando mais um tapa forte na bunda branquinha que agora passou a adquirir um tom adorável de rosa. Ele inclinou-se um pouco mais, deslizando o membro coberto apenas pelo tecido fino da calça pela abertura da bunda bonita.

— Uh, você já tá excitado...

O ruivinho murmurou, agarrando o lençol com força, ansioso. Sua espinha se arrepiou ao sentir o mais velho sorrir e logo em seguida morder sua nuca fortemente, mas não o suficiente para machucá-lo. Um gemido escapou de sua boca.

— Por que me mordeu?

— Não sei. Você é gostoso, só queria comprovar.

— Então agora você é canibal?

Ele não respondeu, apenas passou a beijar as costas nuas do ruivo. Jungwon arrepiou-se por completo quando o sentiu lamber a linha de sua coluna, o entorpecendo com a língua molhada. Ele já não conseguia mais deixar os olhos abertos e prendeu a respiração quando Park desceu seus beijos e lambidas para suas nádegas durinhas. Um grito alto escapou de sua garganta assim que os dentes salientes foram de encontro a sua carne, o mordendo.

A dor que sentiu fora tanta mas sequer se comparava com o prazer. Jay passou a beijar a mordida que havia feito e depois voltou a lamber as costas arqueadas, chegando ao pescoço. Seu quadril se movia com pressa e aquilo tudo já estava deixando o ruivo frustrado. Ter o mais velho se esfregando em si usando apenas uma calça de moletom e sem cueca era um grande desafio.

— Jay... — murmurou.

— Diga, meu amor. Estou te ouvindo.

— Se quer me comer então come de uma vez. Pare de me provocar, cacete.

Park soltou uma risadinha rouca e deixou mais um tapa forte na banda já avermelhada. Sorrateiro, empurrou um dedo para dentro do interior apertado do ruivo, sentindo ele sugar tudo para dentro quase que instantaneamente. Ele estava quente e molhado.

— Porra, ainda está abertinho.

Retirou o dedo grudento de dentro dele e baixou a própria calça até o meio das coxas. Segurou o falo grosso o bombeando com pressão antes de penetrar o ruivinho de uma vez, colocando tudo. O impacto fora tão forte que o corpo pequeno moveu-se para cima.

Sem dar tempo para ele, Jay passou a aumentar a velocidade das estocadas, entrando e saindo em um ritmo frenético. Jungwon revirou os olhos e seus gemidos eram tão altos que era o único som ouvido dentro do quarto silencioso. Logo os sons de seus gemidos necessitados se mesclaram com o barulho dos corpos se chocando e da cana batendo na parede.

As respirações ofegantes e os gemidos roucos do moreno passaram a soar como a mais bela e entorpecente melodia para o mais novo que se entregava completamente a ele. Park agarrou suas mãos e as prendeu em suas próprias costas, aumentando o ritmo em que metia no ruivo. Com os movimentos rápidos, o pau melado e gotejante escapou para fora do pequeno canal, fazendo com que o moreno rosnasse enfurecido.

Sem paciência, pressionou o membro na entrada judiada e meteu novamente, se enterrando no interior apertado e quente. Finalmente livrou as mãos trêmulas que estavam presas nas costas e elas foram rapidamente para os lençois, onde os segurou com força. As estocadas eram tão brutas e violentas que o corpo do ruivo ia e voltava. Seu membro esquecido implorava por atenção enquanto era sufocado por seu abdômen e pelo colchão em meio a fricção.

O ruivinho sentia sua cabeça girar conforme tinha o corpo empurrado para cima e depois voltando para baixo. As mãos de Jay apertavam a carne da bunda branquinha com força, se enterrando ainda mais para dentro. Os olhos do menor já estavam marejados e ele sentia seu ápice cada vez mais próximo.

Notando isso, Jay pressionou o corpo dele ainda mais, fazendo com que os movimentos ajudassem a masturbar, ao menor um pouco, o membro dele. Se empenhou também em continuar com a penetração para que ele também pudesse atingir seu limite. Em um gemido mudo, Jungwon gozou.

— Jay! — gritou depois de um tempo que havia chegado ao ápice, sentindo espasmos e o restante de seu gozo ser liberado, manchando o lençol e seu abdômen.

O moreno continuou com os movimentos, prolongando o prazer do ruivo e se aproximando do seu. Mais uma estocada fora o suficiente para fazê-lo se aproximar de seu ápice e rapidamente se retirou de dentro do mais novo, punhetando o membro ainda duro. Revirando os olhos, Jay gozou com um gemido rouco, derramando tudo nas costas do menor. Cansado, desabou em cima dele.

O moreno, com os cabelos grudados na testa, tentou recuperar o fôlego. Girou o corpo ficando deitado agora ao lado do ruivo. Olhou para ele que tinha os olhos fixos em algo aleatório. Yang estava tão cansado e exausto quanto ele, também tentando normalizar a respiração. O silêncio entre eles era quase palpável. Não precisavam dizer nada. Sempre que transavam era assim. Ficavam apenas se encarando, esperando o fôlego voltar para os pulmões. Agora, apenas o som das respirações pesadas quebrava o silêncio. Cansados demais, entregaram-se ao sono, abraçados.

• 🥕 •

No dia seguinte, Jay acordou com o som estridente do despertador. A luz do sol começava a invadir o quarto, e ele esfregou os olhos, ainda sonolento. A segunda-feira sempre parecia mais difícil. O despertador marcava cinco e meia da manhã e com os olhos ainda pesados, se espreguiçou e levantou-se da cama, sentindo o chão frio sob seus pés descalços. Seguiu para o banheiro onde tomou um rápido banho gelado para despertar do sono que ainda o envolvia devido a insônia da noite anterior.

Ao retornar ao quarto, pegou o uniforme de dentro de seu armário e o vestiu rapidamente, sem se importar se as peças estariam amassadas demais. Jogou o blazer em um dos ombros de qualquer jeito e pegou a gravata que sempre era um desafio. Depois de muitas tentativas falhas e já sem nenhuma paciência, conseguiu dar um nó no mínimo decente.

Com a mochila nas costas, desceu as escadas e encontrou a babá dos gêmeos na cozinha. Ela estava preparando o café da manhã, e o cheiro de panquecas frescas encheu o ar. Jay pegou uma e a devorou rapidamente enquanto a mulher lhe dava um beijo na testa.

— Minha mãe já saiu? — perguntou, pegando mais uma panqueca.

— Há alguns minutos, querido. Irá em seu carro?

— Sim, pretendo levar um comigo.

A mulher de meia idade sorriu sugestiva, largando a panela no fogão e encarando o garoto com um olhar perverso.

— O menino ruivinho?

Park assentiu, sorrindo travesso.

— Sim, o ruivinho.

— E quando vocês dois vão assumir que namoram, hein? Não adianta mais tentar me enganar, eu não sou cega e vejo muito bem os olhares apaixonados que trocam. — levou as mãos a cintura, fingindo uma falsa indicação.

— Mais próximo do que a senhora imagina.

— É bom mesmo. Se toda essa demora for medo do que o senhor Park irá falar, não se preocupe, querido. Eu e sua mãe iremos defendê-lo.

Jay sorriu, mudando seu semblante ao lembrar que tinha um pai. Mas especificamente, que seu pai era Park San. Sentindo seu sangue ferver. Perguntou a mulher:

— Sabe se ele já foi trabalhar?

Kyung-mi soltou o ar pesado pela boca.

— Não faço a mínima ideia, Jay. Segundo a senhora Somin, ele não voltou pra casa desde que saiu ontem a tarde. Talvez dormiu em algum hotel e foi direto para a empresa.

Jay revirou os olhos, soltando um risinho sarcástico.

— Ele dormiu em um motel, Kyung. Um motel 5 estrelas com no mínimo, duas garotas 10 anos mais jovem.

A mais velha suspirou, derrotada.

— A Somin não merece isso. Onde ela estava com a cabeça quando se envolveu com esse idiota?

— Isso é o que eu me pergunto todos os dias. — ofegou. — Mas bem, eu tenho que ir. Os meninos já acordaram?

— Ainda não.

— Certo. Eu já estou indo, Kyung. Até sábado. — sorriu fraquinho.

— Tenha uma boa semana na escola, querido. Não se preocupe tanto com problemas que não são seus, foque nos seus estudos e namorado.

Ele gargalhou, já saindo da cozinha.

— O Jungwon ainda não é meu namorado, Kyung-mi! Ainda!

Ainda sorrindo e fingindo que não sabia onde seu pai estava, Jay seguiu até a garagem. Destravou o carro entrando no mesmo. Franziu o cenho ao ver que o carro de seu pai ainda estava ali. Curioso acerca daquilo, abriu a porta do veículo e saiu. Caminhou sorrateiramente até a BMW M8 preta estacionada. Observou o interior do carro arregalando os olhos com o que viu.

Seu pai estava sentado no banco do motorista, dormindo desorientado. O terno estava completamente amassado. A camisa social estava aberta até metade de seu peitoral e havia marcas de batom na gola. O pescoço estava marcado em tons de roxo e verde. Em sua mão, uma garrafa de whisky e na boca, uma pontinha de cigarro babado. No banco do passageiro havia roupas íntimas femininas, mas nenhum sinal de mulher.

Irritado, o moreno marchou dali com fúria, abrindo e fechando a porta de seu carro com brutalidade. Com as mãos trêmulas, abriu o porta luvas e tirou uma carteira de cigarro puxando um. Levou a droga até os lábios finos acendendo com o isqueiro. Tragou com força, levando uma enorme quantidade de fumaça para os pulmões. Sua mente estava girando em 360° e os os olhos ardiam.

Jay estava no limite. O cheiro de cigarro impregnava suas roupas, uma trilha de fumaça que marcava sua fraqueza. Ele havia prometido a si mesmo que nunca mais cederia a esse vício, mas a traição de seu pai o empurrara para o abismo escuro do tabaco mais uma vez.

Há alguns meses havia parado de fumar, a fim de tentar recuperar sua saúde. Ele tão jovem, com apenas 19 anos, não deveria estar estragando a própria vida com porcaria de cigarros. O seu vício já estava sendo quase completamente curado, mas sempre que tinha uma recaída, recorria a fumaça preta novamente. O leve sabor de menta do cigarro invadia seu paladar o alucinando. Ao finalizar a droga, fechou o porta luvas antes que pudesse pensar em tragar mais um. Pisou forte no acelerador e arrancou com o carro para longe.

Ele sempre fora um ótimo motorista, mas naquele momento não se importava muito com as regras de leis de trânsito. Tudo o que queria agora era se enterrar no pescoço de seu menino e inalar o cheiro bom dele que sempre o acalmava. Mesmo tendo estado praticamente o final de semana inteiro junto dele, ainda não parecia o suficiente. Tê-lo era como ter seu remédio controlado, que o fazia apenas desejá-lo para poder estar bem.

Por conta da velocidade que seguia pelas estradas, não demorou muito para que o moreno chegasse na casa do mais novo. Rapidamente, pulou para fora do carro e desesperado passou a esmurrar a porta, querendo ver o outro garoto. Logo a porta foi aberta e a senhora Yang arregalou os olhos por ver Jong-seong ali, daquele jeito.

— Jay? O que aconteceu?

Park sorriu envergonhado por ter sido atendido justamente por sua futura sogra. Torceu para que ela não sentisse o cheiro de cigarro.

— O Jungwon já foi? — atropelou-se.

— Não, estávamos saindo agora.

— Pode ir sozinha, tia Minji. Eu levo ele.

A mulher franziu o cenho.

— Tem certeza? Você está sentindo alguma coisa? Tem febre? — tocou o rosto dele.

— E-eu estou bem! Posso ver o Jungwon?

— Claro. Então eu já vou indo não posso me atrasar hoje. E nem vocês, então não demorem muito. — ela sorriu, deixando um beijo na bochecha quente dele. — Se apressem.

Ele assentiu.

Assim que Minji entrou em seu carro, Jong-seong entrou na casa, fechando a porta. Ele subiu as escadas, já conhecendo bem o lugar. Caminhou até o quarto do ruivo com o coração batendo um pouco mais rápido. Ele bateu na porta e esperou. Não muito tempo depois, a porta se abriu, e Jungwon apareceu, com os cabelos arrumados e os olhos sonolentos.

— Jay? O que faz aqui?

— Eu vim te buscar para irmos até a escola juntos.

— Mas você não me falou nada, eu vou com a minha mãe. — explicou, dando espaço para ele entrar.

— A tia Minji já foi. Eu vou te levar.

Antes que Jungwon pudesse pensar em falar algo, seus lábios foram atacados pelos famintos de Jay que o beijaram com certa pressa. As bocas dançavam juntas e por conta da velocidade da osculação, os dentes se batiam, causando um tilintar agonizante. Park ergueu o corpo menor, o fazendo envolver sua cintura com as pernas bonitas, sem se importar se iria ou não, amassar o uniforme bem alinhado dele.

Com pressa de senti-lo, Park caminhou às cegas até a cama arrumada, deitando-o nela. Subiu em cima do corpo do ruivo e levou uma mão até o rosto dele e a outra até a cintura afinada, onde apertou com força. Jungwon soltou um gemidinho e passou a língua pelos lábios do moreno, sentindo o leve sabor mentolado deles. Com medo de se atrasarem, quebrou o contato, não questionando o outro garoto o porquê daquele beijo tão repentino e necessitado. Ele sabia da urgência que Jay sempre tinha em beijá-lo.

— Seu hálito está fresco. Com sabor de menta. — comentou, desnorteado.

Jay engoliu em seco, afastando-se minimamente.

— Ah, isso...

Ele então rapidamente levantou-se, afastando-se do ruivo. Preocupado, Jungwon também levantou, indo até ele.

— Jay... menta é o sabor do seu cigarro. — se preocupou, se aproximando um pouco mais dele. — Você fumou?

O moreno não disse nada. Com desgosto de ter sido ignorado, Yang segurou em seu braço, o virando, fazendo-o olhar em seus olhos. Ao encontrar os olhos clarinhos, Jay não conseguia esconder o desconforto. O olhar do menor se fixou em seu corpo tenso, como se pudesse enxergar a mancha de cinza que pairava sobre ele. Jungwon franziu o cenho, preocupado.

— Jay, o que está acontecendo? Você está bem?

O moreno suspirou, sentindo o peso da culpa em seus ombros. Desviou o olhar.

— Eu… eu vi meu pai com outra mulher. Traindo minha mãe. Não com uma mulher, mas tinha pessoas íntimas no carro junto dele. — as palavras saíram trêmulas, como se ele estivesse prestes a desmoronar. — Eu não entendo porque ele faz isso com ela. A minha mãe nunca fez nada de ruim pra ele. Nunca!

Jungwon o abraçou, segurando-o com força.

— Oh, meu amor, eu sinto muito.

— Eu não sei o que fazer. — admitiu, descansando o rosto no pescoço cheiroso e acolhedor do ruivo. — Eu não queria voltar a fumar, mas… eu não aguentei.

— Está tudo bem, Jay. Apenas tente não recorrer aos cigarros quando tiver alguma recaída.

— É difícil, Jungwon. É difícil porque você e o cigarro são as minhas únicas válvulas de escape. E eu não tinha você. — fungou.

Ainda mais preocupado, Jungwon o abraçou apertado, o ouvindo suspirar baixinho. Seus dedos se emaranharam nos fios naturalmente bagunçados e fez um carinho ali, o confortando.

— Está tudo bem, meu amor. Não estou te julgando, só não quero que se entregue ao vício novamente. Sempre que estiver mal me liga que eu vou te ver. — beijou a bochecha dele, o olhando nos olhos. —
Eu quero que você desconte suas frustrações em mim, Jong-seong... Desconta em mim! Na minha boca, no meu corpo, amor!

Jay olhou para Jungwon com os olhos marejados, a fumaça do cigarro pairando no ar. Sabia que iria decepcionar o ruivo mas não conseguia se livrar do vício naqueles momentos. O mais novo se aproximou um pouco mais, segurando o rosto do moreno entre suas mãos. Seus olhos claros estavam cheios de compreensão e amor.

— Eu estou aqui para você, amor. — sussurrou com seus lábios roçando suavemente nos de Jay. — Não importa o que aconteça, eu sempre vou estar ao seu lado. Então, sempre que se sentir sufocado e eu não estiver por perto, me ligue.

Park se sentiu um pouco mais leve, como se o menor tivesse tirado um peso de seus ombros.

— Eu não quero te decepcionar, gatinho. —murmurou ele, sua voz rouca.

— Você nunca me decepciona, meu amor. Sei que é forte e corajoso, mesmo quando se sente fraco. E eu estou aqui para te ajudar a superar isso.

Jay se inclinou para um beijo apaixonado, suas mãos agarrando a camisa de Jungwon.

— Eu te amo. — suspirou. — Porra, eu te amo tanto.

Jungwon riu, seus lábios se encontrando novamente.

— Precisamos ir agora, Jay.

O moreno assentiu e juntos saíram da casa. Com o mais velho naquele estado, Jungwon preferiu dirigir até a escola para a segurança de ambos. Parados por conta do sinal, Jay ofegou.

— Às vezes eu sinto como se morar em um planeta isolado e sozinho, seria o melhor. — suspirou. Jungwon o encarou. — Eu sempre tive demônios dentro de mim que me sufocavam como se estivessem apertando o meu pescoço e me privando de ar. E quando penso nisso, queria viver no meu próprio asteroide B-612.

— Como o pequeno príncipe?

— Sim. Eu me sinto como ele. Bem, esse é o meu livro preferido desde que eu tinha 8 anos.

Jungwon sorriu, voltando a dar partida no carro quando o sinal abriu.

— Eu me sinto como ele. Sabe, o pequeno príncipe. — continuou. — Sempre me perguntei quando iria encontrar o meu aviador para poder contar tudo o que vivi no meu minúsculo asteroide mas nunca o encontrei. Com o tempo aprendi que eu sou o meu próprio aviador. Mas eu sou tão orgulhoso que não poderia ser a minha própria rosa. — sorriu, brincando com os dedos. — E eu finalmente a encontrei. Não só a minha rosa como a minha pequena raposa também.

Jungwon apertou as mãos no volante, prendendo o lábio inferior com os dentes.

— E-e onde eles estão agora?

— Ao meu lado. — sorriu. O ruivo o olhou rapidamente. — Você é minha rosa, Jungwon. Quando estou com você, eu sinto que tenho a necessidade de cuidar de você e te amar o máximo que eu conseguir. É como se você me desse forças para seguir em frente porque eu não posso te deixar sozinho. Você é minha raposa. E assim como a raposa do pequeno príncipe, você se tornou meu amigo. Sempre estar comigo e me escuta. Você me ensinou o significado da palavra cativar, gatinho. E eu estou completamente cativado e apaixonado por você e sempre que você tem que ir embora eu sinto vontade de chorar. Assim como a raposa quis se entregar as lágrimas quando o pequeno príncipe precisou ir embora.

Emocionado, Jungwon agradeceu mentalmente quando mais um sinal ficou vermelho e ele pode olhar nos olhos do moreno.

— “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.” — Park recitou sua frase preferida do livro. — Eu tenho que ser responsável por ti, amor. Tu me cativou.

Inclinando-se, o ruivo sorriu, beijando os lábios mornos.

— “O essencial é invisível aos olhos, e só se vê bem com o coração.” Essa é minha frase preferida. Bem, acho que deve ser por isso que nós estamos finalmente apaixonados.

Jay sorriu e aproximou-se do ruivo.

— Você sabe, as rosas são especiais. Elas exigem tempo e dedicação para florescer. — segurou em suas mãos. — Todo esse tempo que dediquei a minha rosa a tornou tão importante para mim.

Jungwon ofegou, afetado emocionalmente por todas aquelas belas metáforas que acalentaram seu coração. E então, Park segurou seu rosto delicado entre as mãos e o beijou apaixonadamente. O beijo foi suave como uma brisa de primavera, mas carregava toda a intensidade do amor que o Pequeno Príncipe sentia por sua rosa. Jay deixou-se levar pela imaginação e sentiu como se estivesse beijando não apenas a sua rosa, mas todo o universo contido naquele pequeno asteroide que por tanto tempo ele desejou viver.

Quando se separaram, os lábios estavam inchados e vermelhos. Os dois estavam perdidos em seu pequeno mundo e só voltaram à realidade quando um som alto de buzina os despertou. Eles caíram na gargalhada ao notar que ficaram tanto tempo se encarando que acabaram criando um trânsito não intencional. O ruivo voltou a dirigir.

O silêncio que se instalou no interior do veículo era confortável. As ruas estavam tranquilas, com apenas algumas pessoas que transitavam por ali e outras caminhando tranquilamente com seus cachorros. Jungwon acelerou um pouco mais para não chegar atrasado. Ao se aproximar da escola, já se podia ver pessoas por todo lado. Algumas ainda sonolentas e preguiçosas e algumas animadas por mais uma semana na escola.

Assim que o ruivo estacionou o carro, Jay foi rápido em sair do mesmo e dar a volta no veículo, abrindo a porta para o mais novo como de costume. Jungwon sorriu em agradecimento, achando adorável que mesmo quando era ele quem dirigia, Park ainda assim abria a porta para que ele saísse.

Os dois adentraram a escola, caminhando lado a lado. Ainda inquieto, Jay  sentia suas mãos tremerem, mas relaxou um pouco quando sentiu o ruivo entrelaçar a sua palma pequena com a dele. Enquanto ambos caminhavam pelo corredor em direção a sala de aula, o pouco sol da manhã que adentrava pelas janelas iluminava seus rostos e os olhares curiosos acompanhavam cada passo do improvável casal. Afinal, quem poderia imaginar que os dois garotos que costumavam se provocar e trocar farpas estivessem prestes a se tornar algo mais?

Ambos apenas ignoravam toda aquela atenção indesejada. Não era a primeira vez que recebiam tantos olhares assim e provavelmente não seria a última, ainda mais quando finalmente oficializarem a relação. Apesar de tantos pares de olhos curiosos em seus rostos e mãos coladas, nenhum os incomodava verdadeiramente a não ser o de Im Soha.

A garota de longos cabelos morenos e olhos expressivos, estava encostada na parede próxima à entrada de sua sala. Jungwon suspirou ao notar que para irem até a sua própria sala de aula, teriam que passar pela morena. Sem se deixar abalar, Yang apertou ainda mais o contato das mãos, sorrindo travesso assim que seus olhos encontraram com os da garota.

Soha revirou os olhos ao ver os dois juntos, seu rosto se contorceu em uma mistura de nojo e raiva.

— Então vocês estão mesmo juntos.

Ela provocou, cruzando os braços. Sua voz ecoou pelo corredor, chamando a atenção de algumas pessoas que caminhavam preguiçosamente até suas salas.

Jay se perdeu no rosto do ruivo, sem saber o que responder. Afinal, estavam juntos? Ele não sabia. Talvez o que estivesse tendo era apenas algum tipo de amizade colorida. Ainda restava um mês para que o pedido de namoro fosse enfim realizado e até lá, eles não estavam juntos, estavam? Mas, para a surpresa do moreno e da garota encostada a porta, Jungwon respondeu com convicção:

— Sim, estamos. — respondeu sem hesitar. — Por que a pergunta, Solzinha? Está curiosa?

Soha bufou e novamente revirou os olhos.

— Isso não é da sua conta, Jungwon!

— Bem, o que eu tenho com o Jay também não é da sua, Soha. — retrucou. — E acredito que você só quer chamar atenção. Não é de hoje que eu e o Jay andamos de mãos dadas ou estamos sempre juntos. Isso já ficou bem claro para todos que nós não somos apenas bons amigos, não?

Os murmúrios e olhares aumentaram a partir do momento em que Jungwon proferiu sua sentença. Soha quase explodiu de tanta raiva.

— Não pensei que o presidente fosse tão rude assim com seus colegas. — falou cinicamente.

— Não estou sendo rude e não sou. Você está muito interessada na minha vida e na minha relação com o meu namorado e eu apenas a respondi como deveria. Você acabou de entrar para o conselho estudantil, Soha. Por favor, não queira sair tão cedo.

De boca aberta, a morena olhou embasbacada para o tatuado ao lado do mais novo. Assim como ela, Jay também estava surpreso, mas não demonstrou. Ao contrário, ele abriu um sorriso tão grande que ia de orelha a orelha. Soha cruzou os braços, os olhos faiscando.

— Seu namorado? Vocês dois juntos? Isso é uma piada, não é? — riu de forma sarcástica, ignorando o aperto firme das mãos dos dois. — Mas é claro que é uma piada. Até porque o Parkzinho nunca iria te namorar!

— E por que, Soha? — Park finalmente falou. Estava calmo, mas sua expressão endureceu.

— Porque vocês não combinam! — rolou os olhos. — Vocês dois eram como cão e gato! O Jungwon não te tratava bem diferente de mim! E o que você fez, Jay? Me trocou por ele!

— Você me tratava bem, Soha? Você me sufocava, garota! Eu não te troquei por ninguém, deixei bem claro que não éramos apenas ficantes!

— E o que somos agora? Fala, Jay! Eu não aceito isso!

— Não somos nada, porra! Para de ser ridícula!

Soha calou-se.

Jungwon acariciou as mãos juntas, tentando acalmar o moreno. A respiração dele estava entrecortada e as pessoas que transitavam por ali, olhavam curiosas. Depois de se acalmar um pouco, Jay se afastou do ruivo, soltando as mãos. Se aproximou da garota com os olhos pegando fogo.

— Soha, você precisa entender que nós não estamos pedindo sua aprovação. Apenas respeite nossa escolha.

Ela ergueu as mãos para cima como se dissesse que estava desistindo, mas seus olhos mostravam o contrário.

— Tudo bem. Mas vocês não irão funcionar, não vão dar certo. Depois não adianta chorar pra mim.

— Por que você acha que não daríamos certo? — Jungwon também se aproximou dela.

Sorrindo, Soha cruzou os braços, o sorriso cínico ainda estampado em seu rosto.

— Por conta de vocês mesmos, Jungwonzinho. Vocês são como água e óleo. Sempre se repelindo, sempre provocando um ao outro. Como esperam que isso funcione?

Park respirou fundo, tentando manter a paciência.

— As pessoas mudam, Soha. Às vezes, o que parece incompatível pode se transformar em algo bonito. — o ruivo respondeu.

— Bonito? — riu alto. — Bonito é o que eu eu o Jayie tínhamos antes de você aparecer. Vocês juntos é só uma piada de mau gosto.

— Isso tudo é inveja, fofa?

Ela sorriu, ignorando o sarcasmo do ruivo.

— Não. Longe de mim ter inveja de alguém tão baixo quanto você, Jungwon. Estou apenas os alertando.

— Alertando o quê?

Soha balançou a cabeça.

— Vocês ainda vão se machucar muito com tudo isso. Aposto que não dura nem mais um mês.

— Não iremos durar nem mais um mês por que você decidiu isso? Ah, sim, Soha, agora eu entendi o seu ponto.

A morena cruzou os braços, o olhar desafiador.

— Você dois são homens. Não importa o quanto tentem, nunca vão funcionar. O homem foi feito para ficar com a mulher. Está escrito na Bíblia. Vocês não leem? — sorriu cinicamente. — E eu não sou substituível. Nem por uma mulher, nem por um homem. O Jong-seong só está confuso, por isso está com você.

O ruivo e o moreno trocaram olhares, mantendo a calma. Jay voltou a apertar a mão de Jungwon, como se buscasse apoio.

— Você não se escuta não é, Soha? Reflita um pouco sobre as merdas que está falando. — Jungwon se irritou. — Nós não queremos te magoar, por que você se vitimiza tanto?

— Não querem me magoar? — sorriu, amarga. — Vocês já fizeram isso. E agora, querem me dizer que estão apaixonados? Por favor, não se enganem a si mesmos.

— Olha aqui, Soha, não vou perder o meu tempo tentando colocar algo na sua cabeça podre.

— Vocês não têm ideia do que estão fazendo.

— Ah, pode apostar que nós temos.

— Irão se arrepender disso. — concluiu. — O seu pai já falou que me adora, Jay. Eu sou a nora perfeita para ele, não esse aí. E tenho certeza que esse “namoro” é apenas fachada.

Jungwon revirou os olhos, sem mais nenhuma paciência para aturar Soha e seus chiliques.

— Acredite no que quiser. — Jay falou, puxando o ruivo pela cintura.

Os olhos da morena acompanharam o movimento.

— Acha que vou acreditar que estão juntos apenas com isso?

Já sem nenhuma calma, Jungwon segurou em ambos os lados do rosto do moreno, fazendo um biquinho nos lábios finos surgir.

— Sabe de uma coisa, amor? De repente estou sentindo uma vontade do caralho de te beijar.

Antes que o moreno pensasse em algo, seus lábios foram beijados. Jungwon segurava suas bochechas e deslizava os lábios com carinho. Empurrava a língua para dentro da boca do mais velho, encontrando com a dele e sentindo seus músculos relaxar ao sentir o piercing gelado. Ainda sem reação, Jay levou as mãos para a cintura dele, apertando a carne. Ao pegar o ritmo da osculação, Park aprofundou ainda mais o beijo, sem querer largá-lo.

Soha estava boquiaberta, e por mais que tentasse desviar os olhos e sair dali, seu corpo não obedecia. Era quase como se ela estivesse presa naquele momento, como alguma espécie de punição. Seus olhos faiscavam e seu rosto estava completamente vermelho. As mãos se fecharam com força e as unhas grandes perfuravam a palma delicada.

Park quebrou o beijo, levando seus lábios afoitos até o pescoço cheiroso do ruivo. Passou a lamber a pele e chupar fraquinho, sem deixar marcas. Deixou beijinhos por todo o colo manchado, se deliciando com os suspiros baixinhos que recebia em troca. Os olhos atrevidos de Jungwon encontram com os da morena. Um sorriso perverso surgiu no cantinho de seus lábios enquanto a encarava.

— Não deixe mais marcas, amor. Ainda estou me recuperando das que me fez ontem. — sorriu safado.

E como se estivesse acabado de acordar de seu transe, Soha bufou irritada, saindo dali. Nem mesmo adentrou a sala de aula e saiu marchando para longe dos dois, com tanta fúria que poderia estrangular alguém.

• 🥕 •

Depois do dia cansativo que Jungwon teve, tendo que aturar Soha por mais alguma vezes ao longo da tarde, ele finalmente pode descansar. Estava em seu dormitório, junto de seus dois melhores amigos. Mas ainda assim, preferia estar sozinho porque os dois garotos não paravam de irritá-lo. As luzes estavam apagadas, e o quarto estava iluminado apenas pela luz fraca das telas dos celulares. Os três estavam sentados na cama de Sunoo.

— Para com todo esse drama, Jungwon. — o loiro falou, cruzando os braços. — Você apostou, perdeu e agora vai ter que pagar.

Heeseung olhou para o amigo com um sorriso travesso.

— A aposta foi feita, e agora você tem que cumprir.

— Mas eu não quero ter que usar isso! Por que você não usa, Sun? É a sua cara fazer algo assim!

— Porque foi você quem perdeu a aposta e você quem vai ter que usar!

Heeseung concordou.

— Não adianta dar pra trás agora, Won.

O ruivo revirou os olhos.

— Com que cara eu vou entrar naquela quadra vestindo uma camiseta com o nome do Jay nas costas?

— Com a sua cínica de sempre.

— Sunoo?! — olhou indignado para o loiro.

— Não sei pra que tanto drama, Jungwon. Se o Joonie fosse do time de basquete eu com certeza faria isso por ele.

— Isso vai ficar ridículo em mim.

Jungwon suspirou, rolando os olhos pela camiseta branca que estava segurando. O nome do moreno estava estampado nas costas em letras grandes.

— Não é ridículo. E ele vai amar te foder com essa camisa.

O ruivo olhou o amigo boquiaberto. Enquanto isso, Heeseung ria alto.

— Por que você é assim, Kim Sunoo?

— Assim como? Você falando desse jeito até parece um garoto virgem, Jungwon.

Irritado, o ruivo levantou-se da cama do amigo e jogou a camiseta em cima da sua. Cruzou os braços e acendeu as luzes.

— Tá legal. Eu vou usar essa merda. — bufou, irritado. — Mas eu nunca mais vou apostar nada com vocês dois!

Ainda mais irritado, apagou as luzes novamente e marchou para sua cama, deitando-se e ignorando os amigos completamente.

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