[🏀 + 14] - Cenourinha vermelhinha

No dia seguinte, o sol da manhã filtrava pelas árvores, criando padrões de luz e sombra na lona da barraca. Jungwon bocejou e esfregou os olhos, ainda sonolento. Ele como sempre, fora o primeiro a acordar. Jay estava deitado ao seu lado, os cabelos bagunçados e os lábios curvados em um sorriso preguiçoso.

Não parecia estar dormindo. Mas também não parecia estar acordado. A bochecha estava amassada e os olhos um tanto inchados. Um biquinho se formou em seus lábios, logo roçando-os na pele do rosto do ruivo, que sobressaltou. Ele não havia percebido que o mais novo já estava desperto e só quando sentiu uma movimentação, tentou falar algo, o olho meio aberto.

— Amor — sussurrou — Você está acordado?

Jungwon assentiu, esfregando o rosto com as mãos. Sorriu para todo o dengo matinal que o moreno parecia ter.

— Sim, estou. Acho que dormi demais. Pelo menos podemos levantar até às nove.

Jay riu baixinho, concordando.

— Não se preocupe, gatinho — apertou os braços ao redor dele — Eu também dormi demais. A noite passada foi... deliciosa.

O ruivo corou.

Não se recordava mais da última vez que ficou envergonhado por saber que fez sexo ou algo parecido. Corar era raro para ele que se intimidava com poucas coisas. Mas com Jay era diferente. O moreno tinha o poder de controlá-lo na hora que bem entendesse e o moldava de uma forma muito fácil.

Trocar flertes e piadinhas sexuais com outros caras nunca lhe foi um problema, ele sabia bem como fazer e agir. Só que com aquele rebelde, sentia que se pisasse em falso, tudo poderia dar errado. E mesmo sentindo sua pele arder, no calor do momento, ele devolveria as provocações do moreno. Sempre devolveria.

— Sim, ontem foi uma loucura.

— Uma loucura muito boa.

Park sorriu, beijando os lábios cheinhos rapidamente.

Eles se acomodaram melhor na barraca, os corpos ainda quentes sob os edredons. Estava passando uma brisa suave, causando um friozinho bom. De repente, o moreno ficou tenso.

— Você acha que isso vai durar? — perguntou nervoso de mais. Sua voz tremendo — Nós dois, eu quero dizer.

O ruivo olhou para ele, confuso. Jay não parecia ser o tipo de cara que se preocupava se um “relacionamento” iria para frente ou não, mas ele estava interessado em saber.

Era confuso porque ele nunca amou antes e nem parecia estar disposto a amar agora. E Jungwon era apenas mais um jovem ferido por relações passadas que infelizmente não deram certo. Mas estava disposto a tentar, mesmo que isso significasse ter seu coraçãozinho quebrado em mil pedacinhos outra vez.

Ele então entrelaçou os dedos curtos e gordinhos com os de Jay, acariciando o polegar na palma.

— Não sei, mas quero descobrir.

O sorriso que o moreno abriu naquele momento ao ouvir aquilo fora impagável. Ele voltou a beijar os lábios bonitos, agora distribuindo vários selares.

— É engraçado como começamos — falou ao parar com suas sessões de beijos — Nós nos odiavamos.

O ruivo sorriu fraquinho.

— Talvez o ódio tenha sido apenas a pontinha do iceberg.

Jay concordou, afundando o rosto no pescoço branquinho. O seu continuava marcado mas não se importava muito. Porém, o contato bom não durou tanto. A luz do sol passou a ser mais forte, invadindo a barraca e deixando a lona quente como um forno aumentando de temperatura. Em alguns minutos, seria impossível permanecer lá dentro.

A voz do inspetor Kim também já era ouvida ao longe, chamando os estudantes para levantar, afinal, já se passava do horário combinado em que todos despertariam. Park rugiu frustrado.

— Está com fome? — perguntou com preguiça.

— Uhum.

Sem coragem de levantar e sair de perto do ruivo, Jay ergueu o tronco como muito pestanejar e largou a cintura pequena.

Abriu sua mochila — a qual sua mãe fez questão de comprar uma própria para acampamentos — e de lá, pegou uma bolsa térmica onde colocou todas as comidas e bebidas que havia trago.

— Vamos?

— Espera um minuto, eu vou pegar minha comida.

O moreno ergueu uma sobrancelha.

— Está aqui — levantou a bolsa para ele, mostrando que já tinham o que precisavam.

— Mas aí é a sua.

— A nossa

— Eu não vou comer sua comida, Jay.

Park sorriu.

— Já disse que é nossa. E anda logo que aqui dentro já está muito quente.

Revirando os olhos, o ruivo se aproximou dele. Jay abriu a barraca, saindo. Jungwon fez o mesmo.

Ambos se acomodaram em um pequeno espaço ao lado da barraca. Jay pegou uma pequena manta, grande o suficiente para os dois e a abriu no chão. Jungwon ficou tentando lembrar o momento em que ele pegou aquilo.

Aos poucos, ele foi colocando tudo o que estava dentro da bolsa em cima da manta e Jungwon apenas observava. Pão, bolos, leite, suco, geleia e frutas. Havia também algumas poucas barras de chocolate. Mas, de todas as variedades que tinha ali, Jay pegou uma maçã e a ofereceu a Jungwon.

— Você quer?

Jungwon sorriu, aceitando a fruta.

— Obrigado. Você sempre foi bom em escolher as melhores maçãs.

Park ergueu uma sobrancelha.

— Como você sabe disso?

O ruivo gargalhou, deixando uma mordida na fruta suculenta.

— Bem, o Sun me contou. O Sunghoon falou pra ele.

Jay deixou um suspiro escapar, sorrindo. Quando era criança, costumava brincar com o melhor amigo na pracinha próximo a casa deles onde tinham algumas macieiras. E o mais novo era completamente apaixonado por maçãs e sempre escolhia a dedo quais colheria.

Ele pegou uma maçã para si mesmo e a mordeu. Enquanto mastigavam, observavam o acampamento ganhar vida ao seu redor. Alunos riam, alguns ainda sonolentos, outros já animados para as atividades do dia. O sol brilhava através das folhas das árvores, criando padrões dourados no chão.

Jay pegou um pedaço de bolo e ofereceu a Jungwon.

— O que acha que vamos fazer agora?

— Não sei. Talvez vamos ouvir os professores falarem mais alguma coisa.

Park concordou.

Eles continuaram a compartilhar o café da manhã, conversando sobre coisas triviais. O vento brincava com os cabelos de ambos. O moreno, como quem não quer nada, roubou o pedaço de bolo das mãos do ruivo, dando uma mordida, fazendo-o rir.

— Jay! — repreendeu, fingindo indignação. — Você é uma ladrão.

Jay piscou.

— Apenas quando se trata de bolo e de você.

O ruivo bateu os olhos, sem entender.

Jay devolveu o bolo pela metade e pegou a mão dele, entrelaçando seus dedos. Eles permaneceram ali, lado a lado, compartilhando a comida e o calor do sol da manhã.

Jungwon bebeu um copo de suco rapidamente e Jay se ofereceu para guardar o restante da comida assim que acabaram de comer.

Após o lanche, o ruivo se dirigiu aos melhores amigos. Ambos estavam sentados em uma das mesas de piquenique, e o melhor: sem namorados. Depois de dias sem ter os amigos só para si, Jungwon suspirou feliz por finalmente poder conversar direito com eles.

Assim que parou em frente aos dois, eles o receberam com sorrisos maliciosos.

— O que foi? — perguntou desconfiado.

— Jungwonie — Sunoo falou animado — Como foi a noite, uh? Vocês se divertiram bastante, não é?

O ruivo revirou os olhos, sentando ao lado do mais velho.

— Como foi, Won? Alguma fogueira romântica?

— Não exatamente, Heeseung hyung. Nós apenas conversamos.

Heeseung arqueou uma sobrancelha, trocando um sorrisinho sugestivo com o outro Kim.

— Apenas conversaram? Hmm, isso não soa muito emocionante.

— Pois é, nós ouvimos coisas. — o loiro sorriu safado.

— Vocês dois são insuportáveis — bufou irritado — A verdade é que... foi incrível. Nós rimos e... bem, foi legal.

Sunoo fez uma careta dramática.

— Legal? Transar com um cara que você mal está tendo algo é legal?

Jungwon corou, mas não negou. Estava focado demais, tentando raciocinar que, provavelmente, todos os alunos ouviram o que ele o moreno fizeram durante a madrugada inteira.

Os dois trocaram olhares cúmplices.

— Nós não transamos. Parem com isso. — falou ao voltar a realidade.

— Não? E o que foi tudo aquilo? — Heeseung perguntou.

— Aquilo o que?

O loiro revirou os olhos.

— Jungwon, não adianta negar. Você geme alto pra caralho. Teve sorte dos professores e do diretor estarem nas cabanas e que só quem ouviu vocês, foram quem estava mais próximo da barraca onde estavam.

Corado ainda mais, Jungwon se encolheu.

— Se o Park te visse nesse momento, te chamaria de Cenourinha vermelhinha. — Heeseung brincou.

Mas o ruivo não ligou. Ele estava sim envergonhado, mas não por praticamente todo o acampamento saber o que tinha acontecido dentro daquela barraca, mas sim por ter gemido para um tal Coelho quando prometeu para si mesmo que jamais faria isso.

— Nós não transamos. Meio que só tivemos preliminares. Nada demais. — tornou a falar.

Sunoo estava boquiaberto.

— Como assim não transaram?

— Só não fizemos, simples.

— E por que não?

Jungwon revirou os olhos.

— Porque não tínhamos camisinha.

— E desde quando você se importa em usar? — Heeseung perguntou.

— Tá! Tá legal! Eu só não queria transar em uma barraca.

— Achei que você não queria transar com ele. — O loiro alfinetou.

— Eu quero, Sun. Mas em uma cama.

Ambos os amigos concordaram.

Não muito longe dali, Jay se aproximava de onde Sunghoon e Hansol estavam. Eles pareciam estar envolvidos em uma conversa animada. Ao parar em frente a eles, a conversa cessou.

— Por que se calaram? A conversa não está boa?

Os sorrisinhos sugestivos surgiram nos lábios.

— Estávamos só esperando você chegar, cara — Kang mordeu o lábio.

— E pra que?

— Você sabe muito bem, Park — Sunghoon deixou um tapinha no ombro dele — Eu apostei com o Hansol que o ruivo nunca ia dar pra você, mano.

Jay sorriu.

— Eu falei que o peixinho ainda caía na minha rede, hyung.

— Você é um canalha.

— Eu sou — sorriu lânguido — Mas nós não transamos. A primeira vez tem que ser especial para meu príncipe.

Hansol olhou para Sunghoon e os dois começaram a gargalhar feito duas hienas.

— O que foi?

— Nunca pensei em te ver assim, Park. Todo apaixonado. Ainda mais pelo Jungwon.

— Ele será o meu primeiro namorado então tenho que fazer tudo certinho pra agradar o ruivo. — falou como um bobo apaixonado. E decerto era.

— Você tá tão engraçado todo apaixonadinho.

Park sequer pensou em retrucar a provocação.

O professor chegou onde eles estavam, anunciando que voltariam até a trilha que fizeram no dia anterior para terem uma aula sobre os ecossistemas.

Jay se aproximou do ruivo de fininho e grudou nele. Os dois seguiram o professor e Youngjae.

O grupo de estudantes junto ao professor e ao inspetor, caminharam de volta para a trilha a qual fizeram no dia anterior. Agora não andariam os 7,4 quilômetros, apenas um pouco.

O ar estava úmido, e o som dos pássaros e insetos enchia o ambiente. Os alunos, com suas mochilas e cadernos, caminhavam com tédio, ansiosos para voltarem à escola.

Já Jungwon e mais alguns outros alunos, carregavam um enorme sorriso no rosto, prontos para aprender sobre os segredos da natureza.

O professor parou em um claro, onde a luz do sol filtrava pelas folhas das árvores. Todos os adolescentes também pararam. O mais velho ergueu as mãos, chamando a atenção dos alunos.

— Bom dia, jovens naturalistas! — disse ele com um sorriso. — Hoje, estamos aqui para explorar os ecossistemas desta linda floresta. Essa floresta é um exemplo de um ecossistema chamado floresta tropical. — apontou para as árvores altas ao redor. — Aqui, encontramos uma incrível diversidade de vida. Desde as copas das árvores até o solo, cada camada desempenha um papel vital.

Alguns alunos se aproximaram, curiosos. Outros nem tanto. Os burburinhos de conversas e risadas eram ouvidos ao lado do ruivo que sequer se importava. Jay tagarelava besteira com Sunghoon e Hansol.

O professor continuou:

— Vamos começar pelo dossel da floresta— apontou para as copas das árvores. — Aqui, encontramos uma competição feroz por luz solar. As árvores mais altas têm vantagem, pois recebem mais luz. Elas abrigam orquídeas, epífitas e uma variedade de aves coloridas. — agachou-se e apontou para o solo. — A camada do sub-bosque é onde a magia acontece. — mostrou as samambaias e arbustos. —Aqui, encontramos insetos, pequenos mamíferos e répteis. Eles se escondem nas folhas caídas e se alimentam dos restos orgânicos.

Os alunos que estavam maia a frente, em busca de conseguir ouvir melhor, dentre eles, Jungwon, anotavam tudo o que o professor falava. Uns para obter o conhecimento e outros para realizarem a futura atividade que o professor passaria.

Jay continuava conversando com os amigos e agora irritado pelo barulho, o ruivo deu-lhe uma cotovelada, fazendo-o se calar.

— Porra, amor, pra que isso? — sussurrou, acariciando o braço dolorido.

— Se não quer prestar atenção então não atrapalhe quem quer, idiota — sussurrou de volta.

Jay imediatamente murchou, como um cachorrinho que fora negado comida. Os amigos riram da forma em que ele obedeceu o mais novo e ele lançou-lhes o dedo do meio, o que só ocasionou em mais gargalhadas.

Sunghoon também fora repreendido pelo loiro por sua gargalhada estrondosa. Esse também ficou caladinho. Hansol continuava rindo da desgraça dos amigos.

Algumas pessoas observavam aquela interação e Heeseung sorriu, olhando do loiro para o ruivo.

— Fui o único a encontrar um namorado exemplar — ditou baixinho.

Jake gargalhou fraquinho, deixando um beijo casto em sua bochecha. Logo voltaram a prestar atenção na aula.

O professor levantou-se e olhou para o chão, tocando-o.

— Aqui, no solo, está a camada mais importante: a serapilheira. — pegou uma folha seca e a mostrou aos alunos. — Essa camada é rica em nutrientes e abriga minhocas, besouros e microrganismos. Eles decompõem a matéria orgânica, reciclando nutrientes para as plantas.

Os alunos anotavam freneticamente em seus cadernos e as conversas paralelas acabaram. O professor continuou:

— E não podemos esquecer dos rios e riachos que atravessam a floresta. — mostrou um rio próximo.

Jungwon corou ao notar que aquele era o mesmo rio o qual se banhou com o moreno no dia anterior. Notando o comportamento dele, Jay sorriu.

— Está lembrando da nossa aventura de ontem, gatinho?

O ruivo ficou ainda mais corado. Park gargalhou um pouquinho mais alto, apertando a bochecha gordinha.

— Não estou falando da aventura da barraca, minha Cenourinha. A do rio.

Jungwon o empurrou.

— Saia daqui, estou tentando estudar. Deveria fazer o mesmo.

Em resposta o moreno só sorriu, estalando a língua no céu da boca.

— Essas vias d'água são essenciais para a vida aqui. Peixes, anfíbios e insetos aquáticos dependem delas para sobreviver. — o professor tornou a falar,  olhando para o grupo de estudantes com seriedade. — Lembrem-se, jovens naturalistas, os ecossistemas são como uma teia interconectada. Cada parte desempenha um papel crucial na manutenção do equilíbrio.

Jay suspirou com sono. O professor continua sua explanação sobre os ecossistemas, mas o moreno parecia alheio, perdido em pensamentos que não tinham nada a ver com a biodiversidade ou a serapilheira.

Seus olhos vagaram por todos os lados mas só tinham um único destino: o ruivo de sorriso cativante.

Jungwon estava parado ao seu lado, com caneta na mão, anotando diligentemente cada palavra do professor. Park suspirou novamente. Como ele poderia se concentrar em ecossistemas quando tudo o que queria era estar abraçado com Jungwon?

Não tinha como prestar atenção em nada do que saía da boca do professor, quando a única boca que ele queria olhar era a do ruivo. Beijar os lábios rosados e banhados pelos gloss de melancia até que eles ficassem inchados e vermelhinhos. Queria tocar-lhe o corpo como fizera na madrugada passada. Sentir ele se remexer embaixo de si e revirar os olhos a cada nova investida.

Ele tentou se aproximar, mas Jungwon o ignorou, completamente imerso nas últimas explicações. Jay se sentiu rejeitado, como se fosse um inseto insignificante no sub-bosque da floresta. Ele se afastou, desviando o olhar para seus amigos, que o provocavam com risadas e cutucões.

— Cara, você está perdendo a aula — disse Hansol, rindo. — O professor já falou um monte de coisa agora e aposto que você só quer saber do ruivo.

Jay bufou irritado.

— Eu sei, mas essa porra não me interessa.

— E onde está o garotão que disse que iria mudar e se esforçar nos estudos para conquistar um certo ruivinho? — Sunghoon perguntou, segurando um risinho.

Jay ignorou as provocações dos amigos. Sua mente ainda estava em outro lugar.

— Jungwon... — murmurou ele, desejando que o ruivo olhasse para ele pelo menos uma vez.

Mas Jungwon permaneceu focado, seus olhos fixos no professor. Jay se sentiu como um animal solitário na floresta, observando o mundo ao seu redor, mas incapaz de se conectar com ele.

E assim, enquanto o professor continuava sua aula, Jay se resignou. Talvez os ecossistemas fossem importantes, mas o ecossistema do coração humano era ainda mais complexo. E ele estava preso em uma teia de emoções, onde a biologia e o amor se entrelaçavam de maneira confusa e incontrolável.

— Park, você tá com cara de cachorro abandonado — Hansol fez graça.

Sunghoon olhou para o amigo vendo sua expressão chateada e um biquinho enorme nos lábios finos.

— Deixa ele, Kang. Isso é o efeito do amor — tentou sair em defesa do moreno.

— Você também fica assim quando o Sunoo te ignora?

— Não só o Sunoo... — engoliu em seco.

Hansol ficou confuso.

— Que porra é essa, cara?

Ao perceber o que tinha dito, Hoon arregalou os olhos.

— D-digo... eu só confundi. É claro que fico chateado quando o Sun me ignora.

Kang o olhou desconfiado mas preferiu não comentar. Deixou ambos os amigos envolvidos em suas bolhas apaixonadas e frustradas enquanto o professor falava.

Depois de mais alguns minutos, a aula chegou ao fim.

— Alguma dúvida? — o professor perguntou.

Silêncio.

— Ótimo, queridos. Então agora vamos para o exercício!

Os alunos reclamaram pela atividade que teriam que fazer e o professor respirou fundo, olhando para os alunos com satisfação. A aula sobre ecossistemas havia sido longa, mas ele sabia que tinha plantado sementes de curiosidade e compreensão nos corações de seus jovens naturalistas.

— Muito bem, pessoal! — disse ele, batendo palmas. — Agora, vamos aplicar o que aprendemos. — soou animado — Vamos lá, eu só direi o que é para ser feito uma vez, portanto fiquem atentos e anotem tudo!

— Não tenho folha nem caneta. — Kyungsoo falou do fundo.

— Isso é irresponsabilidade sua já que estamos aqui a estudos e não a passeio — falou. — Mas não se preocupe. Se junte quem tem. Será em dupla.

Os demais não perderam tempo e já foram em busca de suas duplas.

Jay agarrou o braço do ruivo antes que alguém chegasse para tentar fazer com ele. Jungwon sorriu e se preparou para anotar o que o professor estava prestes a falar.

— Comecem anotando a seguinte frase: Atividade em Dupla, dois pontos, Explorando o Ecossistema. Abaixo disso escrevam: Número um, ponto, Escolham um ecossistema. Entre paretenses: Pode ser a floresta tropical, o oceano, o deserto, etc.

Deu um tempo para que os alunos escrevessem.

— Número dois. Descrevam as diferentes camadas desse ecossistema e os seres vivos que habitam cada uma delas. Número três. Identifiquem a interdependência entre essas camadas. E respondem: Como os elementos se conectam?

Fez uma pausa e voltou falando tudo outra vez, mesmo tendo dito que não faria.

— E número quatro. Discutam como a ação humana pode afetar negativamente esse ecossistema e proponham soluções para a preservação.

Os alunos se agruparam, cada um indo para uma mesa.

Jay agarrou o braço do ruivo com mais pressão e o arrastou até uma mesa livre. Já sentados, ele olhou para Jungwon, que estava lendo tudo o que anotou com atenção. Seus olhos se arregalaram. Ele não fazia ideia de como começar.

— Ruivinho, eu... eu não entendi nada do que o professor falou — sussurrou, com um olhar de desespero. — Como vou fazer essa porra?

Jungwon revirou os olhos o encarando.

— Se tivesse prestado atenção saberia como fazer.

O moreno ficou bicudo. Agora o manhoso da relação era ele.

— Poxa, amor, não joga na minha cara. — fingiu um chorinho. — Por que está tão malvado comigo?

— Não estou malvado com ninguém.

— Está sim. Você nem quis me deixar te abraçar — emburrou-se.

Jungwon quis gargalhar daquela cena e dizer o quão fofo ele estava, mas não baixaria a guarda.

— Você queria me abraçar na hora da explicação do professor.

— E o que tem?

— Eu te conheço muito bem, Park. Você iria me desconcentrar e eu não iria entender nada. E se eu eu não tivesse entendido, como íamos fazer o exercício?

— Você é inteligente, ruivo. Duvido muito que já não saiba disso tudo o que aquele velho falou.

— Jay! Tenha mais respeito! — o repreendeu — E eu já sei de tudo sim. Agora vamos começar logo porque não temos tanto tempo.

Jay concordou, passando os braços em volta da cintura dele. O ruivo não reclamou ou pediu para que ele saísse de perto, já que se o fizesse poderia machucá-lo. Já havia percebido que o moreno estava carente e aquela era a primeira vez que o via assim. Ele pegou a caneta e começou a escrever algumas ideias.

— O que vamos fazer? — Park murmurou.

— Primeiro, vamos escolher a floresta tropical como nosso ecossistema.

Jay assentiu, afundando o rosto no pescoço dele.

— E depois?

Jungwon o afastou um pouco e apontou para seu caderno, onde havia desenhado um diagrama das camadas da floresta.

— Vamos começar com o dossel, depois o sub-bosque e a serapilheira. — escreveu os nomes das camadas no papel. — E aqui, vamos listar os seres vivos em cada uma delas.

O moreno olhou para o papel, sentindo-se como um peixe fora d'água.

— E a interdependência?

Jungwon riu. Pelo menos ele prestou atenção em alguma coisa.

— Bem, aí entra a parte divertida. Vamos pensar em como os pássaros do dossel dependem das árvores para abrigo e alimento. E como os insetos da serapilheira reciclam nutrientes para as plantas.

Jay suspirou.

— E a ação humana?

O ruivo olhou para ele com seriedade.

— Vamos falar sobre o desmatamento e a caça ilegal. E propor medidas de conservação, como reflorestamento e conscientização.

Jay ainda estava confuso, sem saber como fazer a atividade. Jungwon sorriu.

— Nós vamos nos sair bem, Seongie.

O moreno o olhou surpreso.

— Do que você me chamou?

— De Seongie. Uma forma fofa de falar seu nome. — sorriu, transformando seus olhos em duas linhas — Gostou?

— Pra caralho.

Sem se conter mais, Jay avançou nos lábios cheinhos, os beijando com vontade. Jungwon ofegou, pego de surpresa mas retribuiu, não se importando com as pessoas ao redor.

O beijo aprofundou e Jay deixava pequenas mordidas nos lábios do ruivo para conter a vontade de beijá-lo muito mais.

— Jay, já está bom. P-precisamos fazer o exercício.

Jungwon tentava falar em meio ao ósculo mas o moreno afoito não deixava.

— Só mais um pouquinho.

— Mas um pouquinho? — ele sabia que esse mais um pouquinho, seria meia hora.

— Uhum.

Park voltou a beijá-lo com gosto, sentindo todo o gloss dele ir para seus lábios, depois para a língua. O gosto não era tão bom quanto o cheiro, mas no meio do beijo se tornava o melhor sabor.

O contato foi quebrado pelo ruivo ao ouvir batidinhas na mesa. Sentiu seu rosto corar ao ver o professor parado ali.

— Hora de fazer a atividade. Namorico depois.

Jungwon corou até as orelhas e afastou o moreno de si.

— M-me desculpa, senhor! Isso não vai mais acontecer.

O professor sorriu e quando estava prestes a sair, Jay falou:

— O senhor por acaso tem algo contra dois caras se beijarem?

Jungwon quis morrer ao ouvir aquilo.

O professor voltou-se para ele e o ruivo sorriu amarelo para amenizar a situação.

— Não, Jay. Não sou homofóbico. Também não tenho nada com o gosto de vocês, mas agora não é o momento. — falou — Vocês tiveram a noite inteira para namorar e querem fazer isso na minha aula?

Jay iria responder mas Jungwon foi mais rápido em cobrir sua boca com a mão.

— Nos perdoe, professor. Nós vamos fazer o exercício agora. — falou desesperado.

— Assim espero.

O professor sorriu e se retirou.

Jungwon suspirou aliviado mas não tirou a mão da boca do moreno. E só se deu conta disso, quando sentiu algo molhado pincelar em sua palma.

— Eca, Jay! — se arrepiou ao sentir a saliva escorrer em sua mão — Não acredito que você lambeu a minha mão!

Jay apenas gargalhou.

— Por que tá manhosinho agora? Você chupa a minha língua quando me beija.

O ruivo arregalou os olhos.

— Eu não faço isso!

— Ah, ruivinho, você faz. — sorriu perverso — E por que está tão irritado? De madrugada você não reclamou quando eu lambi e chupei seu c-

Jungwon ficou vermelho e voltou a cobrir a boca dele.

— Jay, cale a boca.

O moreno sorriu, pegando no pulso dele e tirando a mão pequena de sua boca. Dessa vez, deixou um beijinho na palma.

— Tudo bem, meu amor. Agora vamos começar a fazer o exercício.

— Vamos, antes que o professor volte aqui.

Park assentiu e olhou para o papel com o exercício estendido à sua frente, as palavras escritas como se fossem hieróglifos indecifráveis.

— O que é esse tal de serapilheira? E por que ela é importante?

— A serapilheira é a camada de folhas, galhos e matéria orgânica no chão da floresta. Ela é como um tapete natural que protege o solo e alimenta os microrganismos.

— E o que tem a ver com os insetos?

Jungwon procurou por uma folha seca no chão e assim que a encontrou, mostrou-a para Jay. Tentaria explicar da melhor forma possível. Era incrível como ele estava falando tudo o que o professor já tinha falado.

— Os insetos vivem na serapilheira. Eles se alimentam dela, quebrando-a em pedaços menores. Isso ajuda na decomposição e libera nutrientes para as plantas.

Jay olhou para a folha com atenção.

— Então, os insetos são como os recicladores da floresta?

— Exatamente! — sorriu — Eles fazem um trabalho essencial. Sem eles, a serapilheira se acumularia e sufocaria o solo.

O surpreendendo, Jay pegou a caneta e começou a escrever.

— Vamos listar os seres vivos na serapilheira e discutir como eles mantêm o equilíbrio. — disse. — E depois, podemos falar sobre como a ação humana afeta essa camada.

Jungwon ainda estava surpreso.

— Você está se saindo muito bem, Park.

Jay o olhou.

— Não gosto quando me chama assim. Prefiro quando me chama de Seongie.

O ruivo riu alto.

— Eu só te chamei assim uma vez! Mas que garoto emocionado!

— Apaixonado. É diferente.

Jungwon gargalhou fraquinho, voltando a prestar atenção no exercício.

Enquanto os dois trabalhavam juntos, o sol filtrava pelas folhas, criando padrões de luz no papel. Jay ainda não tinha certeza se estava fazendo tudo certo, mas Jungwon estava ali, paciente e compreensivo.

E deu tudo certo. Não demorou muito e eles já tinham acabado. As apresentações se iniciaram e num piscar de olhos, chegou a vez deles.

Então ambos se levantam e se aproximam do professor, segurando a folha de papel com o exercício. O professor olhou para eles com um sorriso encorajador.

Eles haviam combinado quem falaria cada parte, mas agora com os olhos de todos sobre eles, o moreno travou. Aquela era a primeira vez que ele apresentaria algo que ele mesmo havia feito, deixando todos surpresos.

O professor estava ainda mais orgulhoso.

— Escolhemos a floresta tropical como nosso ecossistema e descrevemos as camadas e os seres vivos em cada uma delas. Também discutimos a interdependência e as ameaças à preservação. — o ruivo falou entusiasmado.

Jay, por sua vez, parecia nervoso.

— Sim, professor. — coçou a nuca. — Mas... eu meio que não entendi muito bem.

O professor riu.

— Não se preocupe, Jay. — ele pegou o papel e leu as anotações. — Vocês dois fizeram um ótimo trabalho! Agora, apresentem para os colegas.

Os alunos reunidos em torno deles estavam curiosos, ainda mais para saber como o moreno se sairia na apresentação.

Jay olhou para Jungwon, que lhe deu um sorriso tranquilizador. Eles começaram a explicar, com Jungwon falando com confiança e Jay gaguejando um pouco.

— Nós... nós escolhemos a floresta tropical. — Park apontou para o papel. — No dossel, encontramos aves coloridas e orquídeas. No sub-bosque, há insetos e pequenos mamíferos. E na serapilheira... bem, tem minhocas e coisas assim.

Jungwon sorriu orgulhoso e acrescentou:

— A interdependência é crucial. Os pássaros polinizam as flores, os insetos reciclam nutrientes e para ação humana? — olhou para o rebelde, esperando que ele respondesse.

— Bem, podemos plantar árvores para combater o desmatamento e conscientizar sobre a importância da preservação.

— Isso aí. — sorriu — E tudo isso foi o que obtivemos.

O professor levantou-se e aplaudiu com alegria

— Excelente! Agora a próxima dupla.

Duas garotas, Eunji e Haewon, se aproximaram do professor para mostrar o exercício. Logo começaram a explicar para os demais.

Enquanto isso, Jungwon e Jay voltavam a se sentar.

— Você foi incrível, amor.

Jungwon riu, guardando seus materiais na mochila.

— E você quase cagou nas calças.

O moreno o olhou incrédulo.

— Jungwon! Eu fui super carinhoso com você...

Ele se emburrou e virou-se de costas. Jungwon gargalhou indo até ele.

— Meu Deus! E depois eu que sou o dramático! — parou na frente dele — Eu estava brincando, okay? Você foi ótimo. Parabéns.

Mesmo sem querer olhar para ele, Jay falou:

— Mesmo?

— Mesmo. — sorriu, deixando um beijinho nos lábios dele — E estou amando esse seu jeitinho carente, sabia?

— Eu não tô carente.

— Ah, não tá não?

— Não.

O ruivo concordou, sem querer discutir. Levou ambas as mãos até o rosto dele e o beijou com carinho. E queria continuar ali, aos beijos com ele, mas precisavam prestar atenção na apresentação dos exercícios dos colegas. Jay discordou dessa parte mas fez como o ruivo pediu.

Não muito tempo depois, todos já haviam se apresentado.

O inspetor Kim apareceu ali dizendo que o almoço já estava sendo servido e que ao acabarem de comer, voltariam para a escola e de lá, os que preferirem, podem ir pra casa já que na segunda não teria aula.

O aroma tentador da comida tipicamente coreana pairava no ar, enquanto os alunos e professores se reuniam nas mesas de piquenique. A senhora Choi, com seu avental florido e, servia pratos tradicionais com maestria. Para a surpresa de todos os alunos, a professora mais rígida da Jaywon High havia cozinhado. E ela sorria.

A mesa estava farta.

Bibimbap colorido, com arroz, legumes frescos e ovo frito no topo, era um dos destaques. Os alunos misturavam os ingredientes com entusiasmo, criando uma explosão de sabores em suas bocas.

Ao lado, bulgogi, finas fatias de carne marinada grelhada, derretia na língua. A senhora Choi explicava a receita com orgulho, enquanto os alunos ouviam atentamente, garfos em punho.

E para completar a refeição, kimchi. O fermentado picante de repolho. Alguns alunos faziam caretas, mas outros se deliciavam com a combinação de temperos.

A fila foi formada e logo todos já estavam servidos.

Jay pegou um pedaço de tteokbokki, os bastões de arroz apimentados. Ele olhou para a mesa onde Jungwon estava com os amigos e foi até lá.

Enquanto todos comiam, o sol brilhava através das folhas das árvores, criando padrões de luz e sombra no chão. Não muito tempo depois, chegou o momento de ir embora.

Agora, o coordenador Yang, falava com o senhor Yang, o dono do Viva Camping.

— Em nome de todos os alunos e professores, gostaria de expressar nossa sincera gratidão pela experiência incrível que tivemos aqui no seu acampamento. A aula de campo sobre ecossistemas foi enriquecedora e inspiradora, e sua hospitalidade tornou tudo ainda mais especial. — apertou a mão do homem, sorrindo — As trilhas, as árvores, os riachos e a comida deliciosa criaram memórias que levaremos conosco para sempre. Obrigado por abrir as portas deste lugar mágico e nos permitir explorar a natureza de maneira tão profunda.

— Oh, eu que agradeço pela esplendorosa presença de todos.

Após os agradecimentos, os alunos se despediram do acampamento, subiram no ônibus. Aos poucos a floresta tropical se afastava.

Park suspirou.

— Posso ir na sua casa? — perguntou a o ruivo ao seu lado.

— Por que quer ir na minha casa?

— Hoje é domingo. Eu quero ficar de chamego com você. E é Páscoa.

Jungwon sorriu.

— Quer mesmo ir e ter que enfrentar o meu pai? — brincou.

— Já disse que sou homem suficiente pra te assumir, gatinho.

Ele corou.

— Tudo bem se quiser ir. — o olhou — Meu pai provavelmente nem vai implicar com você já que ele vai estar muito ocupado terminando os últimos ovos de chocolate que ele distribui para as crianças carentes de um bairro vizinho.

Jay suspirou aliviado ao saber disso.

— Hoje eu tô carente pra caralho, será que ele me dá um ovinho? — fez um biquinho.

— Há, mas você disse que não estava carente.

— Agora eu tô — descansou a cabeça no ombro do ruivo.

Jungwon sorriu.

— Podemos tentar fazer um para a gente. — sugeriu — E eu peço dois ao meu para seus irmãos.

— Valeu, gatinho.

Park deixou um beijinho na bochecha gordinha e fechou os olhos, cansado. Jungwon sorriu e também fechou os seus. Dormiriam até chegarem à escola.

• 🥕 •

Assim que chegaram na escola, não demorou muito para que Jungwon se preparasse para ir para casa. Decidiu pedir um uber já que sua mãe estava ministrando aula naquele momento e não queria incomodar o pai que deveria estar muito ocupado finalizando os ovos de chocolate.

A corrida não foi longa, o que se estendeu fora apenas a discussão de ambos os garotos para ver quem pagaria a viagem, o que deixou o pobre do motorista em tédio extremo. No final, foi metade da grana pra cada.

Agora, parados a quase dez minutos em frente a porta da casa do ruivo, Jay enrolava para entrar. Jungwon suspirou, revirando os olhos.

— Park, não temos o dia todo. Anda logo.

— Calma aí, ruivinho. Me deixe preparar os couros antes.

Arqueando uma sobrancelha, Jungwon soprou um risinho.

— Não me diga que todo esse nervosismo é medo do meu pai?

Park olhou pra ele sorrindo amarelo.

— Só um pouquinho — fez uma caretinha — Ai, acho que tô com dor de barriga.

O ruivo gargalhou alto, sem se aguentar. Envolveu o estômago com as mãos e quase caiu ali mesmo, tamanha a sua crise recente.

— E-eu achei que você era homem o bastante para me assumir, Jay — limpou uma lágrima, ainda gargalhando.

— E eu sou!

— Então vamos entrar de uma vez!

— Tá legal!

Mesmo acanhado, — algo difícil de acontecer — o moreno seguiu com os olhos o movimento que o ruivo fez ao encaixar a chave na fechadura e destrancar a porta. A madeira foi sendo aberta em uma velocidade a qual Jay considerou bastante lenta.

A casa de Jungwon era modesta, com paredes de tijolos vermelhos e um pequeno jardim na frente. Dentro era ainda mais aconchegante e acolhedora. Os móveis tinham cores, não eram somente preto e branco como em sua casa. E agora ele reparava tudo com curiosidade, mesmo não sendo sua primeira vez ali.

Ele sentiu o coração acelerar ao ver o ruivo entrando na casa grande, sem sequer olhar para trás. Um pouco hesitante, o acompanhou. Enquanto deixavam os calçados ao lado da porta agora trancada, Jay sentia um olhar queimar sobre suas costas, e ao virar-se, engoliu em seco ao ver o patriarca da casa Yang o fulminando com os olhos.

Jungwon percebeu sua tenção e acompanhou seu olhar, encontrando os olhos negros de seu pai. Sorriu, indo até ele.

— Papai!

O ruivo se jogou nos braços do mais velho que precisou largar a forma de silicone a qual moldava os ovos em cima do balcão, para poder envolver o filho.

— Boa tarde meu amor. Como foi o acampamento?

— Divertido.

— Que bom — falou ao separar o contato — O que esse moleque está fazendo aqui mesmo?

— Eu o convidei. — sorriu.

Jay engoliu em seco, se aproximando.

— B-boa tarde, senhor Yang.

Hyun-woo chegou mais próximo do moreno, alto e imponente. Ainda que grande, não ultrapassa a altura do garoto. Seus olhos se fixaram em Jay, e ele novamente engoliu a bola de saliva que se acumulava em sua boca. O pai de Jungwon o olhou com indiferença, como se estivesse avaliando um inseto insignificante.

— Tá com medo, moleque?

Jay assentiu com rapidez, mas logo arregalou os olhos e negou, a garganta seca.

— N-não senhor.

O homem pareceu analisá-lo por mais alguns segundos, tentando prescrever em sua mente cansada qual seria sua sentença. E depois de mais algum tempo, ele teve seu veredito.

Se aproximou ainda mais do garoto e falou em um tom tão baixo que somente ele foi capaz de escutar:

— Não pense que eu engoli o que vi você fazendo com meu filho no quarto da última vez que veio aqui. — quase rosnou — E só não te esganei porque a Minji me chamou.

Park baixou a guarda, tentando lembrar o que ele havia feito com Jungwon, mas nada vinha em sua mente. Até que finalmente lembrou do momento em que ambos estavam deitados, apenas curtindo a companhia um do outro, e ele, atrevido como sempre fora, apalpou a bunda farta do ruivo ao ver o pai dele na porta.

Seu sangue fora todo embora e ele estava pálido. Afinal, o que ele achava que iria acontecer depois daquilo? Sequer lembrava mais disso então sugeriu a visita ao ruivo. Provavelmente Hyun-woo faria tudo o que prometera consigo naquele exato momento.

— F-foi sem querer. Eu j-juro.

O homem sorriu de escárnio.

— Já ouvi falar muito sobre você, moleque. — tocou o ombro dele, o fazendo ofegar — Rebelde, bagunceiro, galinha... Todas essas reclamações foram feitas pelo Jungwon. Sei que não tem papas na língua e fala o que lhe dá na telha, não importa para quem seja dirigida a palavra. Mas agora, aqui comigo, você parece um gatinho assustado.

O moreno o olhou com os olhos ainda maiores.

Jungwon franzia o cenho e comprimia a audição, tentando ouvir do que se tratava a conversa.

— Prometo que estou mudando, senhor Yang.

Hyun-woo ergueu uma sobrancelha.

— Está mudando? Se quer mesmo ter algo com meu filho tem que já está mudado.

— Eu estou! — falou mais rápido do que gostaria.

O homem tirou a mão do ombro dele.

— Não entendo a cabeça dos jovens de hoje em dia, mas posso presumir que acabar com a vidinha que tem de comer um hoje, outro amanhã, dois no outro dia, não acaba de uma hora pra outra — o fuzilou com olhos irritados — O Jungwon não comenta, mas sei que ele aparenta gostar muito de você.

— Pai, está assustando ele — Jungwon falou, interrompendo os pensamentos do mais velho.

— Um momento, filhinho — Hyun-woo sorriu brevemente para ele e voltou a encarar o moreno — Se está pensando em fazer a mesma coisa que aquele filho da puta que ousou machucar o meu filho, se está só pensando em comê-lo e depois largá-lo, o fazer sofrer, eu vou fazer de sua vida um grande inferno, moleque. Esteja avisado.

Park engoliu em seco, concordando.

— O que quero o Won é sério, senhor. E-eu prometo.

Hyun-woo não disse mais nada, apenas acenou com a cabeça e voltou para trás do balcão, voltando a sua produção.

Longe do perigo que o mais velho exalava, Park suspirou aliviado. Mas, por mais amedrontado que estivesse, sabia que o homem estava certo. Ele, no lugar do Yang mais velho, faria o mesmo.

— Você tá pálido. Tá tudo bem? — o ruivo se preocupou.

— Estou. Estou ótimo. — sorriu, indo até ele.

O abraçou com carinho, selando seus lábios. Quando iria aprofundar o contato, uma tosse forçada os atrapalhou.

— Ainda estou aqui. — Hyun-woo falou, com cara de poucos amigos.

Jungwon gargalhou fraquinho se afastando do moreno.

— Ainda falta muita coisa? — se referia aos ovos.

— Não. Estou quase acabando.

— Posso ajudar?

Hyun-woo franziu o cenho.

— Você? Ajudando na cozinha? Tem certeza? — sorriu — Bem, por que não?

O ruivo sorriu, indo até onde o pai estava. Abriu uma parte do armário e pegou um avental, vestindo-o. Olhou para Jay que tinha os olhos perdidos e sorriu para ele, o chamando.

Meio sem jeito, o moreno foi, cumprimentando o mais velho com um sorrisinho ao passar por ele. Então, ficou próximo a Jungwon.

O aroma do chocolate derretido pairava na cozinha, enquanto Hyun-woo mexia com habilidade a panela no fogão, terminando a última leva de recheio. Geleia de frutas vermelhas para jogar em cima do brigadeiro branco que recheava os ovos.

Jungwon pegou uma colher de pau e se aproximou do fogão.

— O que posso fazer? — perguntou.

O Yang apontou para uma tigela de chocolate derretido.

— Mexa isso com cuidado.

Jungwon assentiu e foi até onde a tigela estava. Fez como lhe foi instruído. Hyun-woo observou enquanto o filho mexia, o chocolate se transformando em uma massa brilhante e sedosa. Jungwon nunca foi um mestre da culinária.

Jay olhou para toda aquela confecção, se sentindo deslocado.

— Posso ajudar também? — perguntou meio incerto.

Hyun-woo e Jungwon olharam para ele, surpresos. O ruivo sorriu, já imaginando que ele pediria para fazer algo. Já o Yang mais velho o olhou desconfiado.

— Você?

Jay engoliu em seco.

— Sim, eu... eu sei fazer ovos de chocolate. — embolou-se nas palavras — Quer dizer... Eu já fiz alguns nas Páscoas passadas para os meus irmãos.

Ele cruzou os braços, olhando o garoto. Jay não parecia alguém que dominava as técnicas da culinária.

— Bem, vamos ver. — falou por fim. Ele entregou a Jay uma forma de ovo de chocolate. — Molde o chocolate aqui.

Park assentiu, pegando a forma de silicone.

Jungwon pegou um avental e o entregou. O moreno o colocou com facilidade, parecendo já ter feito aquilo antes.

— Pronto, pai. Já acabei de mexer. E agora, eu faço o que?

Hyun-woo o olhou.

— Ajude seu namorado a preencher as formas.

O ruivo olhou para o moreno, o lançando um sorrisinho. Ele corou. Pela primeira vez, Jungwon viu Park Jong-seong corar.

Era adorável ver aquelas bochechas bronzeadas pintadas por um tom clarinho de rosa. Ele nunca sequer cogitou em ver aquele Cãoelho corar antes. Estava pronto para fazer ums piadinha sobre, mas desistiu ao ver ele desviar o olhar, perdido.

Ainda envergonhado, Park se aproximou do ruivo, se posicionando ao seu lado diante da bancada da cozinha. O chocolate derretido e temperado em uma tigela à sua frente.

Hyun-woo os observava com interesse, enquanto desligava o fogo e se preparava para rechear os últimos ovinhos prontos.

Jay pegou uma colher e começou a despejar o chocolate derretido nos moldes, até a marca indicada. Ele estava concentrado, os lábios franzidos. Jungwon, ao seu lado, segurava outro molde, mas seus movimentos eram mais hesitantes.

— Park, como você faz isso parecer tão fácil? — sussurrou, olhando para o chocolate com medo dele transbordar do molde.

Mas o moreno parou de colocar o chocolate quando chegou no limite. Pegou a segunda parte da forma, essa que parecia uma fina camada de silicone. Encaixou dentro do molde, junto com o chocolate. Por fim, coloco a última parte, pressionando para baixo.

Virou o molde na bancada, fazendo o chocolate escorrer e se espalhar no formato da casquinha.

— Não é tão difícil. Basta colocar o chocolate até a marca indicada e depois colocar as outras partes. Assim como fiz.

Jungwon concordou e fez assim como ele. Se atrapalhou um pouco na quantidade de chocolate, mas conseguiu se sair bem. Ao finalizar, mostrou seu feito ao moreno.

— Você conseguiu — o parabenizou — Agora, precisamos esperar até que o chocolate endureça um pouco antes de rechear. Acho que precisa ir na geladeira.

— Precisa, moleque. — Hyun-woo se aproximou, observando os dois — Vocês estão se saindo bem

O homem pegou um molde vazio e começou a preenchê-lo com chocolate, assim como os mais novos. Nessa forma, continha dois moldes de 150g cada. As feitas por Jungwon e Jay possuíam 250g.

Depois de finalizar, Hyun-woo pegou as três formas e as levou para firmar na geladeira.

— Não precisávamos desses últimos. — falou ao voltar a encarar os garotos — As maiores ficam para os vocês e as menores você pode levar para seus irmãos, moleque.

Jay ficou surpreso.

— Obrigado. — agradeceu, tímido.

Jungwon sorriu.

— O senhor está ficando mais sentimental, pai. — implicou — Já está até mais amigável com o Jay.

Hyun-woo sorriu de escárnio.

— Isso não me impede de querer arrancar você sabe o que dele. — o dito cujo arregalou os olhos — Até que hoje gostei de você, moleque. Parece ser bom na  cozinha.

— Mas eu só despejei chocolate no molde, senhor.

Ele revirou os olhos.

— Mas você também não se ajuda, não é?

— O que?

Hyun-woo novamente revirou os olhos. Tirou o avental que vestia e deixou em cima do balcão.

— Vou tomar um banho. Não deixem as cascas muito tempo na geladeira — alertou — Um metro de distância um do outro. Você ainda não tem minha total confiança, moleque.

Jong-seong assentiu freneticamente. Quando o homem saiu, ele pode enfim suspirar aliviado.

— Porra, ele me dá medo.

Jungwon gargalhou indo pegar os ovos.

— Bem, pelo menos ele já gostou um pouquinho de você por saber fazer ovos de chocolate.

Ele pegou ambas as formas já endurecidas. O interior estava vazio, pronto para ser preenchido com delícias.

— Então tenho que agradar ele com comida?

— Ele é cozinheiro. Acho que já é muita coisa.

Park pensou mais um pouquinho.

— Eu sempre gostei de cozinhar, de qualquer forma — se aproximou do ruivo — Agora não tem como o sogrinho não gostar de mim.

Jungwon sorriu fraquinho.

— Já está todo soltinho. Lembre sobre um metro de distância. Ordem dele. — gargalhou ao sentir um beijinho em seu pescoço — E meu pai não é seu sogro.

O moreno continuou a beijá-lo.

— Claro que é. Ele até falou que sou seu namorado.

— É, e você ficou todo coradinho.

— Fiquei foi?

— Ficou — gemeu ao sentir seu pescoço ser abocanhado. — Jay! Só precisa meu pai sair para você continuar sendo o mal criado que é?

— Uhum.

Não se importou com as lamúrias dele e continuou a sugar a pele do pescoço dele com gula. Jungwon precisou de muito autocontrole e cuidado para não deixar as formas caírem quando as colocou em cima do balcão, levando o moreno colado em sua pele.

— Seong, meu pescoço não estava marcado antes, se você marcar meu pai vai saber que você fez agora.

Jay o olhou com os olhões.

— O meu tá. Aposto que ele já deve saber o que andamos aprontando.

— Por que você não fala isso na frente dele, hein?

— Pra ele me matar? — sorriu perverso — Vamos decorar isso logo.

Jungwon assentiu.

— Vamos fazer três tipos de recheio?

— Deixa eu te beijar primeiro? — perguntou com um sorriso travesso.

— Não, Jay. Ou nunca vamos terminar esses ovos. Meu pai sai às dezesseis e eu quero ir com ele.

— Mas ainda são uma da tarde. — fez um biquinho.

— Mas não foi você que disse que queria ficar de chamego comigo? Quanto mais rápido terminarmos, mais tempo teremos.

Park sorriu.

— Está esperando o que para começar então? Vamos logo!

O ruivo negou com a cabeça e tentou desinformar os ovos. Falhou miseravelmente. Jay foi o ajudar e logo as quatro cascas estavam belíssimas e brilhosas.

Jungwon pegou uma colher e começou a preencher um dos ovos.

— Primeiro, brigadeiro branco. — espalhou o creme suavemente, enchendo o ovo até a metade.

Jay pegou outra colher e acrescentou:

— Geleia de frutas vermelhas. — colocou uma camada de geleia sobre o brigadeiro, criando um contraste de cores.

Jungwon riu.

— Agora o seu.

Park assentiu.

Colocou uma camada generosa de brigadeiro branco, e depois uma fina camada de geleia de maracujá. O aroma cítrico se espalhou pela cozinha.

Sem resistir, ele pegou um pouco do brigadeiro branco em uma colher menor e colocou o doce cremoso na boquinha do ruivo. Antes que ele terminasse de engolir, Park o beijou.

O beijo se desenvolveu rápido, com o brigadeiro se espalhando por entre as bocas. Park levou as mãos até a bunda farta apertando a carne com força. Jungwon ofegou, separando o beijo.

— Uh, beijinho doce. — sussurrou sorrindo.

— Seria melhor se fosse salgado.

— Como seria um beijo salgado? Com sal? — brincou.

O moreno deixou um tapa forte e alto na bunda arrebitada, arrancando um gritinho contido do ruivo.

— Não. Com a minha porra.

Desacreditado, Jungwon estapeou o peito dele, o afastando.

— Credo, Jay. Não dá para ter um momento romântico com você. — saiu de perto dele, indo até onde os ovos estavam.

Jay foi junto, o abraçando por trás. Descansou o rosto no pescoço dele.

— Desculpa, amor.

Jungwon o ignorou, pegando algumas frutas e pedacinhos de chocolate. Os colocou por cima do recheio, de forma graciosa.

Jay vendo que ele não estava afim de carinho no momento, caminhou até o lado dele e pegou o outro ovo e começou a rechear. Eles trabalhavam em sincronia, os dedos se tocando, o chocolate derretido unindo-os. O silêncio era confortável e assim que terminaram, levaram os quatro ovos recheados para a geladeira.

Agora sim era o momento dos beijos.

O moreno não perdeu tempo em voltar a sugar os lábios rosados, o beijando com força. Em um movimento rápido, Park ergueu o corpinho menor para cima o fazendo entrelaçar as pernas fartas em volta de sua cintura. O beijo ficava cada vez mais rápido, esquecendo-se que estavam em uma cozinha. Na cozinha do Jungwon com o pai dele a somente poucos metros de distância.

Jay colou Jungwon sentado no balcão e ficou entre suas pernas. Aprofundou o beijo. As línguas se enrolavam com maestria e o tilintar dos dentes era excitante. A bolinha prateada do piercing do moreno causava uma sensação gostosa, geladinha. Ofegante, Jungwon quebrou o ósculo esperando o ar voltar para os pulmões.

Quando este voltou, não esperou muito e voltou a beijar o moreno com vontade. Levou as mãos até os fios castanhos escuros, puxando com certa força, fazendo o dono deles grunhir. Sem ao menos perceber, começou a sugar a língua do moreno, chupando-a. Jay sorriu.

— Eu disse que você chupa a minha língua, gatinho.

Sem deixar a vergonha tomar conta, Jungwon continuou o beijo. As mãos grandes do moreno subiram pelas coxas grossas, fazendo a pele quente se arrepiar pelo contato repentino. Ofegante, subiu suas mãos para dentro da camisa fina que ele usava, segurando com força a cintura afinada.

As mãos foram subindo e subindo até chegarem nos mamilos durinhos, os quais foram massacrados pelas pontas dos dedos. Jungwon ofegava contra seus lábios, gemendo baixinho e abafado. Ele quebrou o beijo para gemer mais alto, livre. Park passou a sugar a carne de seu pescoço com lambidas, chupadas e mordidas fraquinhas.

— Eu quero tanto fazer mais com você — Jungwon gemeu manhoso — Quero muito fazer tudo o que fizemos durante a madrugada.

Jay ofegou, deixando mais beijinho na derme agora manchada.

— Porra, eu também. Eu quero ir além.

O ruivo concordou várias vezes, sentindo o corpo quente.

— Minha vontade agora é de te colocar de quatro aqui mesmo e meter até não aguentar mais.

— N-na cozinha?

— Sim.

Park iniciou outro beijo feroz, apertando os peitinhos do ruivo com uma força moderada. Os sons que saiam da boca dele eram tão estatizantes que o moreno desejou ouvi-los para sempre. O contato estava bom, quente, molhado, bruto. As bocas se moviam com pressa e os corpos estavam fervendo, excitados demais. E ao se tocar desse detalhe, Jungwon entreabriu os lábios, sentindo a língua do moreno brincar com a sua.

Com muito custo conseguiu interromper o ósculo.

— O que foi? Não tá gostando? — pareceu preocupado.

— Não. Não é isso. Eu queria continuar tudo isso com você, mas ainda estamos na cozinha.

— E qual o problema?

— O meu pai pode entrar aqui a qualquer momento.

— Caralho, é verdade. — passou a mão pelos os fios, frustrado — Vamos para seu quarto então.

— Você quer mesmo transar com meu pai em casa, Jay? — sorriu — Com a porta aberta?

— A gente tranca.

— E o senhor Yang arromba.

Park revirou os olhos.

— Assim fica difícil te comer, cacete.

Jungwon gargalhou e de repente Jay ficou sério.

— O que foi?

— Fui babaca — pareceu desesperado — Eu quis dizer amor. Fica difícil fazer amor com você.

O ruivo corou.

— Fazer amor, é?

— Uhum — o beijou com carinho — Vamos para o seu quarto, meu lindo? Quero ficar agarradinho contigo.

— Vamos.

Park o pegou nos braços e deu a volta no balcão, logo chegando na sala por não ter uma parede que fazia a divisão de ambos. Subiu as escadas, seguindo até o quarto do ruivo. Só fora lá uma única vez, mas já havia decorado o caminho.

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