[🏀 + 04] - Rebeldia

Dois dias haviam se passado desde que o ruivo foi reeleito a presidente do conselho estudantil e também dois dias desde que o moreno rebelde havia o defendido de sua ficante. Após o corrido, Jungwon sequer o viu.

Mesmo quando se esbarravam nos corredores, parecia que o tatuado não queria falar consigo e acabava o ignorando, apenas sorrindo educadamente e indo embora como se fossem completos estranhos. O que se fosse parar para pensar, de fato eram.

O Jungwon de dois anos atrás, provavelmente estaria comemorando aos pulos essa mudança de humor tão repentina do moreno, mas o Jungwon de agora, não. Ele sentia que algo estava diferente bem antes da conversa que teve com os melhores amigos, apenas não queria acreditar.

Não queria acreditar que possivelmente, Jay estaria apaixonado por si. O que era uma tremenda mentira e se ele queria comprovar a hipótese, ele já tinha sua resposta quando viu com os próprios olhos, o Cãoelho endiabrado ser mamado na sala de músicas. E quem ama, não faz tal coisa com outras pessoas, não?

Ele poderia dizer que sentiu algo ao ver tal cena, que ficou incomodado, mas na verdade não sentiu nada. E ver aquilo até que foi bom, porque foi um choque de realidade para as paranoias de seus amigos em dizer que aquele rebelde poderia estar apaixonado por ele. Aquilo era a maior prova que dizia que não.

Ele não estaria se importando com todo esse sumiço repentino se não conhecesse tão bem Park Jong-seong. E podia até mesmo jurar, que ele estava aprontando algo. Porém, não se importou muito, e continuou andando pelos longos corredores, para a sala de aula.

Porém, sua atenção foi tomada por um barulho alto de gritos e risadas próximos aos arredores do corredor que levava até a quadra. Encucado com tudo aquilo que ouvia, decidiu mudar sua rota e seguir em direção a toda aquela algazarra. E ao chegar no local exato, seus olhos se arregalaram. Havia um garoto sentado no chão, rodeado pela maioria dos caras do time de basquete.

Ao se aproximar mais, pode ver que o garoto estava com o cabelo pintado de verde e com o uniforme lotado de espuma branca. Erguendo o olhar, o ruivo viu quando Doyoon gargalhava alto, com uma latinha de tinta colorida para cabelo na cor verde em mãos, e mais à frente, Jay sorriu de canto, com a bola de basquete embaixo do braço e portando uma lata de espuma para barbear.

Algumas pessoas que não eram do time e passavam por ali, riam da cena. Já Jungwon ficou possesso de raiva. Estava com ódio ao ver aquilo, porque há três anos atrás também passou por isso.

— Mas que porra?! — sua voz soou mais alto do que gostaria, o que acabou chamando a atenção dos garotos.

Jay pareceu assustado quando o viu, mas logo sua expressão voltou a ficar relaxada.

— Ruivinho!

Para a surpresa de todos, fora o co-capitão que o cumprimentou

— O que merda estão fazendo?

Jungwon caminhou até eles.

— Dando as boas vindas a essa coisinha linda aqui. — Kyungsoo falou.

Os olhos do ruivo acompanham o movimento de sua cabeça.

— Vocês são uns filhos da puta. — xingou, sem tirar os olhos do garoto — Ei, você está bem?

O garoto apenas assentiu, mantendo seu olhar baixo.

Park pela primeira vez em dois dias, olhou para o ruivo com convicção. Soltou a lata no chão e caminhou até ele, que não estava tão longe.

— Relaxa, gatinho. — sorriu, passando a mão tatuada pela cintura do menor — A gente só queria que ele se sentisse acolhido. Não foi assim que fizemos com você?

Irritado, Jungwon segurou na mão dele fazendo pressão para que ele o soltasse. Sem êxito, perdeu a paciência ao ouvir o moreno gargalhar em seu ouvido, e com força, pisou em seu pé.

Jay xingou e imediatamente largou o ruivo, tocando o pé machucado e choramingando.

— Me larga, Park. Você é podre. — rebateu — Achei que não fazia mais esse tipo de brincadeira idiota.

Proferiu irritadiço, voltando a encarar o garoto no chão. Caminhou até ele e estendeu a mão para ajudá-lo a se levantar.

— Está bem mesmo?

— Sim. — ele respondeu com firmeza.

Jay sorriu cínico.

— Ele tá legal, Jungwon. Para de se importar com todo mundo. — debochou.

— Para você de ser um escroto! — gritou — Porra, garoto, quando você vai crescer? Você não é mais uma criança do fundamental, Jay! Você e esses seus capachos são um bando de desocupados.

— Calma aí, gracinha, eu não fiz nada. — Hansol se defendeu.

— Exato, não fez nada. Só observou esse show maravilhoso, não foi? — ironizou.

Park revirou os olhos.

— Pra que toda essa preocupação? Você nunca se importou antes.

— Park, apenas cale a boca. A sua voz me irrita.

Estressado, Jungwon voltou a olhar o garoto todo sujo.

— Qual o seu nome?

— Lee Jihoon. — falou tímido.

— Eu sou o Jungwon. — sorriu — Não liga para esses babacas, Jihoon. Eles são um bando de idiotas que ao invés de estudar, ficam infernizando a vida dos novatos. São todos desprovidos de inteligência.

Antes que Jihoon pudesse falar, Jay passou em sua frente, ficando cara a cara com o ruivo.

— Quem você chamou de burro?

— Você, idiota! — não fraquejou quando falou.

O moreno rebelde olhou com fúria para o ruivinho e quando estava prestes a rebater, se perdeu nas palavras ao ver que seus olhos traidores foram direto até os lábios bonitos. Jungwon estava irritado e tinha um biquinho adorável em seus lábios. Tão carnudos e molhadinhos pelo maldito gloss que era maluco para saber o sabor...

Seu olhar subiu para os olhos clarinhos, até o nariz pequeno e as sardinhas laranjas que enfeitavam seu rosto. Era absolutamente lindo. Logo, sua atenção voltou para os lábios cheinhos. Piscava atônito sem saber o que falar, se embolando nas palavras que sequer saíram de sua boca.

— O quê? Perdeu a língua?

Park saiu de seu transe ao sentir um leve empurrãozinho em seu peito.

— Por que fez isso? — perguntou, ainda afetado pelo momento.

— Isso o quê? — sorriu ardiloso, repetindo o ato anterior — Isso? Você deveria levar bem mais que um empurrão para ver se para de ser idiota.

Se segurando para não avançar no ruivo e acabar o machucando, Park cerrou os punhos.

— E quem vai me bater?

Jungwon não respondeu porque fora interrompido antes que tentasse falar alguma coisa.

— Eu. — alguém falou com fúria — Se tocar no meu Woozi outra vez, eu quebro a tua cara.

Surpresos com o dono da voz, todos, inclusive Jihoon, olharam para ele.

Mingyu andava com pressa e seu olhar era carregado de fúria. Ele poderia ser confundido facilmente com uma pimenta naquele momento, porque seu rosto, orelhas e pescoço estavam completamente vermelhos.

Assim que parou em frente ao moreno, o empurrou com força o fazendo cambalear para trás e quase cair, se não fosse Hansol que o segurou.

— Tá maluco, filho da puta? — Park devolveu o empurrão ao se recuperar. — Eu não tenho tempo nem paciência para nerds idiotas.

— Eu estava na minha até um cara vir me falar que você estava importunando ele — apontou para Jihoon que tinha sua cabeça baixa — O que ele fez para você, hein?

Jay desviou o olhar para o garoto tímido que estava ao lado de Jungwon e sorriu ardiloso.

— Então você conhece o novato. Bom saber...

As poucas pessoas que passavam, já se aglomeravam, formando uma pequena multidão.

A maioria do time que estava junto do capitão, foram se afastando dos dois garotos que se encaravam com raiva, como dois lobos Alfas prestes a se entregarem para ver quem conseguia a liderança de seu território. E Park estava certo de que ganharia.

— Você tem sorte dele não estar machucado, caso contrário eu iria te arrebentar agora mesmo.

— Não, ele não está machucado, até porque eu não faria isso e nem permitiria que alguém o fizesse. O que fiz foi apenas uma brincadeira de boas vindas.

— É isso o que você chama de brincadeira de boas vindas? Você é um babaca! São os primeiros dias dele aqui e ele deveria estar se sentindo acolhido, não passando por uma vergonha dessas nas suas mãos! — Mingyu gritou, indo para cima do capitão. Seus peitorais se encostando por terem a mesma altura. — Aposto que a senhorita Somin não sabe dessa merda toda que você anda fazendo, porque se soubesse, estaria muito decepcionada com o filhinho encrenqueiro que infelizmente pós no mundo. — debochou. — Aposto que você deve ser igualzinho a seu pai.

Jay soltou um risinho antes de esmurrar o rosto do Kim.

Cambaleando para trás, Mingyu levou a mão até o nariz que sangrava, ouvindo o grito fino de Jihoon atrás de si, mas não dando tanta atenção.

Com raiva, voltou para cima do Park, devolvendo o soco, esse mais forte do que o que ele mesmo levou. O moreno abaixou a cabeça assim que sentiu a dor latejante em seu maxilar, mas logo voltou a sua postura, deixando mais um soco certeiro no rosto do outro, o qual acertou o olho esquerdo.

Os gritos das pessoas eram altos e eufóricos, o corredor que antes já era extremamente apertado e claustrofóbico, agora se encontrava impossível de respirar.

Os ofegos que ambos os garotos deixavam ao serem nocauteados com mais e mais socos, despertavam o instinto dos alunos curiosos que cada vez gritava mais alto.

— Mingyu! — Jihoon gritou com lágrimas nos olhos.

O desespero em sua voz fez com que o Kim o olhasse, o desconcentrando o suficiente para receber mais outro soco no queixo. Com a visão escura, caiu sentado sobre o chão duro, com a cabeça girando e várias vozes ecoando ao mesmo tempo.

Park olhou para o outro lado e cuspiu um bolo de sangue que estava preso em sua garganta. Impulsionado pela raiva iminente e pelos gritos eufóricos, voltou a caminhar para cima do Kim, não se importando com o garotinho todo sujo ao seu lado, o ajudando a se erguer.

Mas antes que desse um passo a mais, sentiu uma mão segurar em seu braço o parando no lugar.

— Cara, já deu — Hansol o segurou — Tá querendo ser expulso do jogo de amanhã?

Parecendo voltar à realidade, Jay relaxou os músculos tensionados, encarando tudo ao seu redor.

As pessoas ainda olhavam para tudo atentas, com medo de perder alguma cena. Vários celulares estavam apontados para ele e para Mingyu que já estava de pé, recebendo um olhar preocupado de Jihoon. Aquelas imagens provavelmente iriam para o site de fofocas da escola, mas ele não se importava.

Olhando com a visão meio turva por conta dos vários socos que levou, seus olhos dobraram de tamanho ao ver o ruivo parado, quase paralizado. Seus olhos estavam perdidos e quase melancólicos. Sua atenção foi tomada por uma voz que vinha ao seu lado:

— Deixa ele, Kang. — era Doyoon — Ele não é mais uma criança e sabia que corria riscos de não jogar caso perdesse a cabeça. Se ele for expulso do jogo será um problema unicamente dele e consequência de seus atos.

Suspirando fundo, deixou o orgulho de lado e aceitou que o que o co-capitão havia dito era verdade. A mais pura e dolorosa verdade.

Ainda transtornado, caminhou até o ruivo sem saber o que fazer, mas sentia que precisava se justificar pra ele.

— Jungwon, desculpa... e-eu...

— Não é a mim a quem você deve pedir desculpas. — falou certeiro.

Engolindo em seco, levou o olhar para o garoto assustado ao lado de Mingyu.

— Qual é o seu nome mesmo?

O menino deu um pulinho, mas relaxou ao sentir o aperto do garoto mais velho em seu braço.

— Jihoon. — falou calmo, mesmo que estivesse nervoso.

— Certo, Jihoon. Me perdoe por tudo isso. Eu sei que sou um babaca, filho da puta, mas estou arrependido. — suspirou — E não se preocupa, a tinta do cabelo sai com água.

— Obrigado. — o menino falou baixinho, ainda assustado.

Park assentiu, olhando agora para o mais alto.

— Foi mal, mano, eu não quis arrebentar sua cara.

Mingyu deu de ombros.

— A sua tá pior.

Concordando, Jay voltou a encarar o ruivo que pouco o olhava. Foi até ele e parou ao seu lado, sem se importar com as câmeras que ainda gravavam tudo o que acontecia. Meio inseguro, rodeou a cintura do menor que ficou tenso, mas não o afastou. Suspirou fundo e descansou o rosto machucado no pescoço arrepiado.

— Owñ, que lindinhos. Agora o casal da nação vai se reconciliar.

Jay ergueu a cabeça ao ouvir uma voz irritante dizer aquilo. Era Kyungsoo.

— Vai ver o Park só explodiu para cima do nerd por conta dos ciúmes acumulados. Ele sabe que o ruivo é louco pelo Kim. — gargalhou alto — Também tá com invejinha porque o ruivinho deu pro Doyoon e não pra você?

Kyungsoo não perdeu a oportunidade de provocá-lo. Nunca gostou do moreno e nem era a favor dele ter a capitania do time e sempre que podia, o irritava.

Jay largou a cintura de Jungwon e tentou ir para cima do Do, mas parou quando sentiu a mão macia o segurar. Voltou a encarar o ruivinho.

— Já chega, Jay. Não vale a pena.

Ele assentiu e tentou se acalmar, mais tudo foi por água abaixo quando ouvi Mingyu proferir:

— Sinceramente? Você merece coisa melhor, Jungwon. — falou, logo dando as costas e indo embora de toda aquela confusão, levando Jihoon junto consigo.

Jay também não ficou para ser motivo de chacota e foi o próximo a ir embora. Jungwon o seguiu, deixando para trás todos aqueles alunos curiosos.

Já longe de todo o tumulto, o ruivinho tentava aumentar seus passos para conseguir acompanhar os largos do moreno.

— Jay, pra onde você está indo?

— Para o banheiro.

O ruivo assentiu e os dois seguiram juntos até um dos vários banheiros da escola e ao chegarem, nenhum ousou falar nada. Jay escorou na pia, deixando que um suspiro saísse de seus lábios machucados.

Jungwon passou a o olhar com mais calma, vendo que o olho direito estava roxo e inchado, a boca tinha um corte um pouquinho grande que sangrava, um pequeno ferimento na sobrancelha e bochecha, seu nariz tinha sangue seco e seu maxilar estava dando indícios que incharia não muito tarde. Ele, de fato, estava péssimo.

Incomodado com o olhar penetrante do ruivo, Park  virou as costas encarando seu próprio reflexo fracassado no espelho. Com raiva, arrancou a toalha de mãos que jazia em um suporte na parede, e molhou uma das pontas, logo passando a esfregar com raiva em seu rosto com o intuito de limpar os ferimentos.

Jungwon suspirou e foi até ele, tomando a toalha manchada de sangue de suas mãos.

— Não faz isso. — interferiu, preocupado.

Jay suspirou fundo.

— Eu tô bem.

— Não, Jay, você não está nada bem. — rebateu — Você fodeu com tudo.

— Com tudo o quê, gatinho? Não aconteceu nada demais.

— Nada demais?! Olha o seu rosto, Park! Mesmo que você não seja expulso do jogo, não vai conseguir jogar todo arrebentado desse jeito!

Jay suspirou outra vez. Ele estava certo.

— Olha, eu estou bem, tá legal? Não precisa fingir estar preocupado comigo. — desviou o olhar.

— Eu não estou fingindo, Park. Eu realmente estou preocupado com você, seu ridículo!

O moreno foi pego de surpresa.

Olhou no fundo dos olhos âmbar e não notou resquícios de brincadeira ou zombaria. Seu coração pulou na caixa torácica como um bobo idiota.

— Não precisa se preocupar, ruivinho. Eu realmente estou bem.

Jungwon deu de ombros e deixou a toalha em cima da pia.

— Vem comigo, eu vou cuidar disso.

Sem que ao menos ele pudesse constatar algo, o ruivo agarrou em sua mão e os tirou de dentro do banheiro.

Jungwon pouco se importou com os olhares que lançavam para ele por estar praticamente arrastando um moreno rebelde e problemático que havia acabado de se envolver em uma briga, o qual ele odiava e vice versa. Também não se importou com os questionamentos do outro para onde estava sendo levado.

Não demoraram muito e ambos cruzaram o corredor que os levariam até os dormitórios. Assim que chegaram, pararam em frente a porta do dormitório do ruivo e do amigo loiro.

Assim que abriu a porta, Jungwon suspirou pelo quarto estar limpo e organizado. Não que ele precisasse deixar tudo bonito apenas para “receber” aquele delinquente, mas seu toque não o permitia tal coisa.

Ao perceber que ainda segurava a mão do outro com certa força, a soltou de imediato, adentrando o cômodo. Ainda confuso, Jay o acompanhou. Ele observava tudo o que era possível. Era um quarto normal, igual ao seu e aos restantes, mas a decoração era única.

— Me espera aqui. — pediu e entrou no banheiro.

Jay concordou e continuou a olhar cada cantinho do quarto. Ao lado direito, havia vários pôsteres de filmes e séries, algumas latinhas de energético, discos de vinil e mais algumas coisas vintages. A cama estava bem arrumada e nela um ursinho de perícia descansava.

Não muito tempo depois, o ruivo retornou do banheiro com uma caixinha pequena nas mãos. Jay parou de observar o quarto e depositou toda sua atenção nele.

— Senta na cama. — ordenou, indo em direção a escrivaninha onde deixou a caixa.

O moreno foi até a cama que havia o ursinho, mas não perderia a oportunidade de provocar o ruivo nem em um momento como aquele.

— Poxa, gatinho, em todos esses três anos que estou aqui, nunca vim em seu quarto e quando venho já me manda pra cama. Não quer nem conversar antes? — sorriu malicioso, logo se arrependendo quando sentiu o ferimentos arder.

Jungwon revirou os olhos.

Com uma mão, puxou a cadeira giratória da escrivaninha, e com a outra pegou o kit de primeiros socorros. Levou a cadeira até o meio das pernas abertas do moreno e sentou-se.

Abriu a caixinha e tirou de lá um pouco de algodão e um frasco com algum líquido transparente. Colocou um pouquinho do líquido no pedaço de algodão e quando foi passar no ferimento, ergueu uma sobrancelha ao notar que Jay havia tirado o blazer vermelho, ficando apenas com a camiseta branca do uniforme, um pouco manchada do próprio sangue.

O peito forte e malhado estava quase estourando os botões da camisa. Jungwon engoliu em seco ao perceber que estava encarando o físico daquele Cãoelho a tempo demais. Mas não podia se cobrar tanto, apenas achou interessante um garoto de 19 anos ser musculoso.

— Sua camisa está suja — falou, erguendo a mão com o algodão e passando no corte de sua sobrancelha.

— Não tem problema.

Jungwon concordou e se concentrou no que fazia. Limpou o corte com cuidado.

— O sangue já está seco e está um pouco difícil de limpar. Acho que terá que remover o piercing. — ele falou, concentrado no que fazia.

— Você consegue fazer isso?

— Sim. — concordou, deixando o algodão dentro da caixa. — É bom que não o use até que o ferimento cicatrize.

Jay assentiu.

O ruivo levou as pontinhas dos dedos até o metal gelado do piercing e começou a rosquear a bolinha até que ela saísse. Assim que a primeira parte soltou, com cuidado para não machucá-lo, puxou a joia pela a outra bolinha até que saísse por completo. Com a peça removida, a entregou ao dono.

Enquanto Jungwon se concentrava em voltar a limpar o corte de sua sobrancelha, Jay o encarava sem ao menos piscar.

O ruivo agora limpava o machucado de sua bochecha com um biquinho concentrado nos lábios, o que despertava um pensamento intrusivo no tatuado de querer beijá-lo. As mãozinhas pequenas e delicadas o tocavam com cuidado para não machucá-lo ainda mais, e toda aquela preocupação fazia Jay querer sorrir por sentir uma coisa boa.

Sem ao menos perceber, levou ambas as mãos até as coxas cobertas pela calça do uniforme bem passado, descansando-as ali. Jungwon assustou-se ao sentir as mãos grandes o tocarem, mas relaxou ao ver o moreno fechar os olhos e deixar que ele cuidasse dele.

Ele descartou o algodão sujo de sangue seco ao lado, e pegou um novo, o molhando outra vez. Agora limpava o corte do lábio inferior.

Jay abriu os olhos automaticamente ao sentir o algodão dançar por seus lábios. Encarou o ruivinho que fazia tudo em uma certa calmaria. Jungwon olhava fixamente para os lábios rosados, a fim de limpá-los e remover todo o sangue. Jay também encarava os lábios carnudos e cheinhos, mas com outras intenções.

Aquele maldito gloss ainda banhava os lábios bonitos e uma forte sensação de saber o sabor o acometeu. Suspirou frustrado ao se dar conta de que estava com inveja de um gloss. Logo a admiração morreu, e uma careta se formou em seu rosto ao sentir uma ardência insuportável no ferimento. Retirou uma das mãos da coxa do ruivo e a levou ao seu pulso, o matando longe de seus lábios, enquanto a outra mão apertou com força a carne de sua perna.

— Caramba. — chiou em dor.

Jungwon ficou tentando em proferir um pedido de desculpas, mas não o fez. Em vez disso, voltou a limpar o machucado quando teve sua mão livre. Outra vez sentiu sua coxa ser apertada e outro urro de dor soar, ao pressionar o algodão com um pouquinho mais de força.

Ignorando a dor alheia outra vez, voltou a passar o algodão agora com mais delicadeza. Repetiu o mesmo processo de descartar e pegar um algodão novo para continuar com a limpeza. Esse agora, encharcado pelo líquido transparente, causou outra careta dolorosa e mais um gemido da parte do moreno. Jay outra vez segurou seu pulso, o afastando.

— Porra, ruivo. Você tá descontando toda a dor de cabeça que eu te dei, não tá? Pode falar.

Jungwon gargalhou fraquinho. Talvez estivesse mesmo descontando tudo o que já sofreu nas mãos tatuadas e bonitas. Muito bonitas.

— Eu preciso limpar ou vai infeccionar, Jay.

— Então eu prefiro que infeccione. Porra, isso dói demais.

— Se doesse não teria pedido por isso, não é mesmo? — sorriu de canto.

— Nossa, eu preferia um tapa na cara do que um choque de realidade.

O ruivo sorriu outra vez, descartando o algodão com os outros. Dessa vez, pegou um tubinho de pomada cicatrizante e colocou uma pequena quantidade em seu dedo, logo espalhando pelo corte da sobrancelha escura e da bochecha um pouco vermelha.

— Você não devia ter se descontrolado assim, Park. Não deveria ter feito o que fez com o pobre do garoto! Agora ele vai ficar assustado.

Jay sorriu, mesmo com o machucado doendo.

— Duvido muito. O fodido do Mingyu não vai deixar ele sozinho e eu também te conheço, Cenourinha, sei que não vai demorar muito para se tornar amiguinho dele.

Jungwon revirou os olhos.

— Mesmo assim. Agora você está encrencado. O Mingyu não disse nada tão sério e você já foi para cima dele.

— Não gosto quando jogam a verdade na minha cara. — torceu os lábios. — E eu não sou igual o meu pai. Nunca serei.

O ruivo suspirou.

— Então faça por onde não jogarem. — ditou simplório. — Nunca vi seu pai então não posso dizer se você parece ou não com ele.

— Definitivamente eu não pareço com ele.

O Yang assentiu, encerrando o assunto. Depois de espalhar a pomada pelos cortes, pegou dois band-aids e começou a colá-los nos ferimentos.

— Acho que o Mingyu só disse aquilo porque não é de hoje que venho enchendo a paciência dele. Afinal, ser irritante e ser o melhor do basquete são os meus dons preferidos. — o moreno respondeu, com um sorriso irônico.

Jungwon revirou os olhos. Já era de se esperar.

— Você provocou ele, não foi? — suspeitou, já conhecendo o temperamento forte que ele tinha.

— Talvez um pouco. Mas ele merecia. Ele é um chato, sempre se achando o mais inteligente. — ele justificou.

— Eu também me acho muito inteligente, então porque não me bate por isso? — perguntou inocentemente e o tatuado quase se engasgou.

— A-ah, porque você é você, né, ruivo. — sorriu torto — Se um dia eu for te bater, vai ser só na sua bunda quando você estiver gemendo na minha cama.

Jungwon suspirou, ficando vermelho.

— Sonha que um dia nós vamos transar, Park. SONHA!

— Mas eu já sonhei.

— Não me lembre disso! — o ruivo colou o segundo band-aid — E além do mais, você também se acha o melhor no basquete e nem por isso pessoas andam te batendo.

— São coisas completamente diferentes, bebê. Ele mereceu minhas provocações.

— E por quê? — questionou colocando um pouco mais de pomada no dedo.

— Não lembra?

Jungwon o olhou confuso. Do que ele teria que se lembrar?

— Não.

— Ele estava se engraçando para você, Cenourinha. — demonstrou raiva — E eu não gostei nenhum pouco.

O ruivo quase se engasgou.

Sempre que o rebelde agia assim tão suspeito, o rosto dos melhores amigos vinham em sua cabeça e com eles, a conversa que tiveram. Ele queria ignorar tudo aquilo e fingir que supostamente, Jay estar apaixonado por ele não o afetava, mas era logo quase impossível.

Ainda mais quando ele mesmo estava sentindo coisas estranhas pelo rebelde. Ver e saber que ele se envolvia com outras pessoas o deixava com uma amargura no peito e quando achava no início da manhã, que o ver sendo chupado por outro cara não o afetou, estava redondamente enganado.

Desviando o olhar, começou a passar a pomada no machucado de seu lábio o que agora olhar para eles era uma tortura. E tudo só piorou quando Jay os entreabriu para soltar um suspiro dolorido.

— E você achou mesmo que podia ganhar dele na força? — questionou, mudando completamente de assunto.

Park o olhou incrédulo.

— Claro que sim! Ele não é um magrelo, mas tem poucos músculos. — afirmou confiante.

Jungwon assentiu, desviando o olhar dos lábios dele para a maleta de primeiros socorros. Pegou outro band-aid e voltou a encarar a boca dele no mesmo momento em que ele passou a língua nos piercings que existiam ali. Engoliu a seco e colocou o curativo no machucado.

— Se ele tem poucos músculos, então como ele te deixou nesse estado? — indagou, apontando para o rosto dele. Agora mais apresentável depois dos “curativos”.

— Não sei, mas ele sabe lutar. Deve ter feito algum tipo de arte marcial. O nerdzinho é rápido e ágil. — admitiu um pouco contrariado.

— E você não? — perguntou, levantando-se.

Pegou o kit de primeiros socorros juntamente com os algodões sujos de sangue. Park o acompanhou com o olhar o vendo descartar os algodões na lixeira e seguir até o banheiro logo retornando sem a caixinha na mão.

— Não. Eu só sei dar socos e chutes. — voltou ao assunto, confessando envergonhado.

O ruivo revirou os olhos.

— Você é um idiota. — falou sem rodeios.

— Eu sei. — Park suspirou, abaixando a cabeça.

Jungwon o olhou com certa pena e foi até ele. Parando em sua frente. Com ele ainda sentado em sua cama, o ruivo entrou no meio de suas pernas e delicadamente segurou em queixo, erguendo seu rosto o fazendo olhar em seus olhos. Com cuidado e carinho, acariciou o maxilar agora inchado.

Jay sentiu um arrepio na pele e olhou para o ruivo com convicção. Os olhos âmbar se mesclando com os cabelos ruivos brilhosos e as sardinhas laranjas o deixavam perturbado de um jeito que nunca imaginou.

— Por que você faz essas coisas? — perguntou, olhando nos olhos dele.

Park suspirou antes de responder:

— Porque eu sou um rebelde. — uma lágrima rolou de um de seus olhos — Sou um idiota que não está nem aí pra nada, Jungwon. Um fracassado. — ofegou. — Talvez eu realmente seja como o filho da puta do meu pai.

O ruivo franziu o cenho, sem enteder. Mas logo sorriu para ele e aquele sorriso quase o matou. A pontinha do dedo pequeno deslizou pela lágrima fujona a espantando do rosto machucado.

— Não. Você é inseguro. Você só provoca os outros para esconder suas fraquezas. Quer chamar a atenção, mas não sabe como. — analisou, com sinceridade. — Sei disso porque sofri em suas mãos por quase três anos.

O moreno deixou um risinho anasalado escapar, sendo acompanhado pelo ruivinho.

— Você me conhece tão bem, gatinho. — brincou, tentando aliviar o clima.

— Eu te conheço melhor do que você mesmo e nunca quis o seu mal. — afirmou, com seriedade. — Por mais que eu deteste todos esses apelidos bregas que você me dá e odeie todas as cantadas baratas para cima de mim e quase explodo de raiva toda vez que você me irrita e me provoca, eu ainda sinto simpatia por você.

O rebelde se controlou muito para não deixar uma gargalhada sincera escapar, ou do contrário, seus lábios cortados doeriam bem mais.

— E o que você vê em mim? — perguntou, curioso. — Acha que eu ainda posso mudar?

Jungwon assentiu, sorridente.

— Eu vejo um garoto que tem potencial, mas que desperdiça suas chances. Um garoto que tem medo de se abrir, mas que precisa de carinho. Um garoto que tem um bom coração, mas que se esconde atrás de uma máscara. — respondeu, com doçura. — E sempre há tempo para mudar, Park, basta querer.

— Preciso melhorar minhas notas. Como faço isso?

— Comece revisando conteúdo e foque no que mais tem dificuldade. Sempre estude e resolva questões, não faça isso apenas em semanas de provas.

— Eu não estudo nas semanas de provas. — confessou um pouco envergonhado.

O ruivo gargalhou.

— Disso eu já sabia. Mas tente mudar esse hábito, certo?

Ele concordou e quase soltou um suspiro desgostoso quando o ruivinho parou de acariciar seu rosto e se afastou.

Um pouco tímido por tudo o que acabou de acontecer, Jay encarou o mais novo com certo pesar.

— Jungwon...

— Sim?

— Não... Não comente com ninguém o que aconteceu aqui, tudo bem? Não quero que pensem que sou fraco.

— Você não é fraco, Park. E pode ficar tranquilo, não vou falar nadinha. Eu até gosto de você.

Jay arregalou os olhos. Seu coração traíra batendo acelerado.

— Você gosta de mim? — arriscou, esperançoso.

— Eu gosto. — confirmou, sem hesitar. — Mas da próxima vez que você me irritar ao ponto de me fazer perder a paciência, eu vou contar tudo o que andou pensando sobre mim nos últimos dias para todo mundo. E olha que minha lista só cresce.

— O quê? — questionou desentendido.

Jungwon sorriu e coçou a garganta como um locutor prestes a anunciar algo.

— Lista de Park Jay com pensamentos instrusivos sobre Yang Jungwon: — tentou engrossar a voz — Número 1, sonho erótico o qual se imaginou transando com o ruivinho mais desejado dentre os corredores da Kookmin High e no dia seguinte como quem não quer nada, questionou a sua vítima se ele praticava magia negra. — segurou-se para não sorrir ao ver o cara de indignação do moreno — Número 2, Park Jong-seong como um bom delinquente que sempre foi, passou metade da aula de coreano importunado o pobre ruivinho Jungwon e acabou sendo mandado para a detenção com a punição severa de escrever o nome da professora mais amada por todos, Choi Jae-Min duzentas e quarenta vezes, mas ele acabou escrevendo apenas nas dez primeiras linhas. E o que aconteceu com as outras duzentas e trinta linhas? Isso mesmo, o Coelhinho rebelde escreveu o nome de Yang Jungwon nas linhas restantes e também o questionou sobre o uso da magia negra! — ironizou com uma voz rouca.

Mesmo com dor, Jay sorriu.

— Você é inacreditável...

— Silêncio, Park! Eu ainda não terminei! — fez um sinal com o dedo indicador nos lábios — E por fim, mas não menos importante, número 3. Onde o nosso amado e respeitado capitão Park Jay se envolveu em uma briga com Kim Mingyu, por serem dois cabeças quentes. Park  acabou saindo nocauteado e Jungwon como um bom rapaz que não guarda ressentimentos, o ajudou com todos os ferimentos e ainda foi seu ombro amigo, o fazendo desabafar tudo o que o assombra. E como o belo Jungwon é uma ótima pessoa, ainda prometeu não contar nada a ninguém. Entretanto, se o Coelhinho voltar a importunar a Cenourinha, então ela se revoltarar e não irá se importar com a sua promessa! — finalizou com maestria.

Jay estava boquiaberto. Achou tudo aquilo muita coisa para sua cabeça cansada conseguir raciocinar. Porém, sorriu torto.

— Você é um pouco chantagista e manipulador. Tenho até medo.

Jungwon sorriu meigo. Arrumou seu uniforme um pouco amassado e de repente ficou sério.

— Mas falando sério agora, Jay — seu tom assustou o moreno — Vamos deixar as intrigas de lado, tá bom? Não vamos mais brigar. Não somos mais crianças.

— Tudo bem. Sem brigas.

— E você também falou que queria mudar, então nunca mais faça o que fez hoje com nenhum outro novato, tudo bem?

— Prometo, ruivinho. — sorriu de canto.

— Não estou brincando, Park.

— Eu também não.

Jungwon suspirou.

— Certo. Se ainda quiser melhorar suas notas, me procure no horário do almoço. Estou disponível para ajudá-lo quanto a isso.

— Está me dizendo que vai me dar reforços, Yang?

— Pense como quiser, estou apenas sendo legal com você.

— Tudo bem, neném, não precisa se estressar.

O ruivo revirou os olhos.

— Se quer mesmo mudar, vai ter que parar de ser um rebelde.

Agora foi a vez do moreno revirar os olhos.

— Não quer fazer uma lista do que eu posso ou não fazer, Jungwonie? — soou cínico — Eu ao menos posso pegar quantos eu quiser?

— Pegar a Soha você quis dizer, não?

— Ela é insuportável mas é bem bonita. Eu até gosto dela.

Jungwon murmurou algo inaudível.

— Faço o que quiser. Eu não tenho nada a ver com quem você fica ou deixa de ficar. — emburrou-se.

Jay sorriu logo xingando pela dor. Levantou-se da cama, pegou seu blazer e foi até o ruivinho. Colocou uma mecha laranja que caia em seu olho para trás da orelha.

— Não fica assim não, amor. Eu também quero pegar você… — sussurrou em seu ouvido.

Jungwon se arrepiou inteirinho e logo o empurrou.

— Pelo visto você já está bem melhor, não é, Jay? — ironizou.

— Não, para que eu fique melhor, eu preciso de um beijinho seu bem aqui — apontou para os lábios machucados. — É onde dói mais.

Irritado, Jungwon bateu o pé no chão.

— Então vai morrer com dor!

— Poxa, amor, eu sou louco para descobrir que gosto tem esse negócio brilhoso que você passa nos lábios.

— Pede pra Solzinha comprar um igual!

Jungwon emburrou-se ainda mais e Jay gargalhou alto, mal se importando com a dor latente em seu maxilar.

Se aproximando novamente do ruivo, foi mais ousado ao segurar em sua cintura com uma mão, o trazendo para mais perto. Com a outra, acariciou a bochecha vermelhinha.

— Qual o seu problema comigo, uh? Você também não é nenhum santinho e pega vários que eu sei. Então por que não me pega? Ou melhor, por que não me deixa te pegar?

— Porque não quero ser só mais um em sua listinha infantil. — rebateu.

— Ora, mais aí estaríamos quites. — sorriu perverso — Eu também só seria mais um em sua listinha.

— Somos diferentes nisso, Park. Eu pego vários sim, mas não de uma vez e nem decoro nome e rosto para julgar se pegaria outra vez ou não, assim como você. Se eu fico com vontade, eu só vou lá e pego, não preciso de uma merda dessas. Além do mais, eu não sou tão galinha como você. — soprou no ouvido dele, o fazendo se arrepiar — Digamos que eu ainda sou um pintinho.

Sorriu se afastando, achando uma graça a carinha perplexa que o moreno fez.

— Você é realmente impossível. — alterou um pouco a voz.

O ruivo não tirou o sorrisinho dos lábios.

— Nós prometemos que não iríamos mais brigar, Park. — gargalhou indo até a porta do dormitório.

— Pra onde está indo? — o seguiu.

— Tentar chegar a tempo para a terceira aula. Você ainda precisa trocar de camisa, então vamos logo para não nos atrasarmos.

— Estou pouco me fodendo se vou me atrasar ou não.

Jungwon gargalhou outra vez. Estava amando sair por cima.

— Você também prometeu que queria mudar, Coelhinho.

— E já estou me arrependendo.

— Você deveria me agradecer por ter ficado ao seu lado todo esse tempo e ter matado duas aulas, quando eu nunca fiz isso antes.

Ainda murmurando algo inconformado, Jay o acompanhou até a saída do quarto. Ele realmente estava disposto a mudar e por mais que não quisesse assumir, Mingyu estava certo. E ele iria fazer de tudo para que sua mãe ficasse orgulhosa de quem ele se tornaria.

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