Capítulo 17 | Plano de Fuga

Esse capítulo foi narrado por Sebastian, como uma forma de esclarecimento para algumas questões. Espero que gostem❤️

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Recomenda-se a música da multimídia.

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"- Eu quero aquela princesa morta. - as palavras do Rei foram anunciadas em alto e bom som, sua expressão era vingativa, de fato era isso que meu pai queria, vingança.

- Matar a única herdeira do trono, de uma das ilhas de maior potência de nosso continente, traria sérias consequências - disse numa reverência, meu olhos fixavam-se no chão.

- Eu passei anos da minha vida investigando aqueles insetos, o povo de ilha Branca não passam de germes governados por um Rei, cuja coroa não lhe é merecida. Se dará herdeiro por herdeiro. - segurou-me pelos cabelos e soltou as palavras com ira perceptível, gotículas de saliva escapavam da sua boca. - Caso falhe, não hesitarei em tornar sua vida num inferno, será rebaixado de seu posto, nunca será príncipe ou chefe da guarda real, como almeja. E sua mãe, a criada, será morta na frente de todo o Reino como uma qualquer. - Cuspiu as palavras e lançou-me no chão. - você não passa de um bastardo, você não é nada sem a misericórdia de seu rei. Nunca será digno a coroa. - falou por fim e se retirou da sala do trono."

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Há 20 anos atrás, Ilha O'pio havia sido invadida pelos da Ilha Branca, com o intuito de derrubar e conquistar o reinado e o povo rebelde. Isso já havia acontecido antes, em ilhas vizinhas. Ilha Branca só é tão renomada graças as suas vitórias e sangue inocente derramado. Isso era o que Rei Charles I promovia.

Na invasão, estávamos despreparados, o exército estava enfraquecido por conta de batalhas anteriores e meu pai estava devastado pela morte de sua rainha, naquele dia ela havia morrido ao dar a luz ao seu único herdeiro legítimo. Sem alternativas, a única solução era fugir, mas em meio a revolta o exército foi derrotado, todos foram mortos, e seu único herdeiro foi raptado por um dos soldados, como uma espécie de troféu. Restou apenas um rei abatido que reconstruiria seu reinado com ódio e sangue.

Sobrou eu, filho de uma criada do rei, um bastardo indigno, rei Luke nunca me legítimaria. Ele acreditava que um dia recuperaria seu herdeiro e honraria sua rainha. Ele acreditou tanto nisso que ficou obcecado com a ideia de vingança durante todos esses anos e só se concentrava em seus planos para atacá-los, seu povo ficou à deriva e, mais do que nunca, precisou-se saquear ilhas vizinhas para sobreviver. Foi um tanto trágico.

De certa forma eu também queria vingança, o povo estava devastado e eu só havia sido assumido como filho para ser rebaixado e humilhado todos os dias da minha vida, minha mãe era vítima de violência e só era de serventia quando o rei sentia necessidade de uma mulher. Era terrível vê-la definhando daquela forma, eu queria que ela tivesse uma vida digna, eu não poderia fazê-la sofrer mais. Rei Luke não hesitaria em matá-la se eu falhasse em minha missão. Eu não poderia correr o risco.

Meu único trabalho era descobrir a localização da princesa e matá-la, era simples. Sua localização foi nos dada através de um de nossos homens que havia se infiltrado no exército real de Ilha Branca, agora só faltava me infiltrar em seu meio e na primeira oportunidade cumprir a ordem do rei.

Mas quando eu pus os olhos nela tudo desabou.

Eu nunca fui o tipo de homem que acredita em amor a primeira vista ou algo do tipo, mas foi exatamente o que aconteceu com Charlie. Ela era tão pequena e indefesa, eu sentia a necessidade de protegê-la de todo o mal, não de fazê-lo contra ela. Isso era minha ruína.

Rei Luke, todos os dias dava um jeito de me lembrar do real propósito da missão e das consequências de não cumpri-lo. Eu ia matá-la no nosso primeiro encontro, estava tudo planejado e eu havia endurecido meu coração para o amor, mas naquele dia enquanto olhávamos as estrelas, Charlie me olhava com imenso carinho, me admirando. Ninguém havia feito isso durante todos os meus 22 anos de vida, nem minha mãe. O sentimento de ser amado pela primeira vez era tão bom que eu queria que nunca acabasse, então eu não a matei.

Tudo estava esquematizado, um grande amigo meu ajudaria minha mãe a fugir da Ilha, ela iria para a ilha do Norte, onde a segurança era maior, até que eu pudesse buscá-la. Eu ficaria com Charlie e teria seu amor.

Era só colocar o plano em prática.

Tudo se deu como planejado. Minha mãe conseguiu um abrigo seguro na Ilha do Norte e eu fiquei com Charlie. Mas o Rei nunca deixaria as coisas como estavam, ele ainda queria vingança, por isso enviou outro vigia para Sydney.

Charlie e todos os da casa em que estava refugiada foram levados pelos capangas do rei. Dessa vez rei Luke a queria viva e saudável para matá-la com suas próprias mãos. Mas não só Charlie corria perigo, o Rei havia dado ordens a um outro esquadrão para que eu fosse morto. Eu fiquei escondido por dois dias, nesses dois dias havia descoberto a localização de Charlie e Jake. Por sorte, os homens enviados por meu pai para raptá-los não sabiam da ordem de morte para mim, isso tornou possível todo o meu plano para ajudar meus amigos.

Mille, uma grande amiga minha, estava infiltrada como médica e faria tudo conforme planejado. Charlie receberia uma dose baixa de remédios para aumentar sua produção de sangue, o suficiente para fazê-la ter uma hemorragia leve, não era perigoso de mais para matá-la, mas a tiraria da sala. A sala que Mille a levaria era totalmente livre de vigias, câmeras ou janelas, a porta era de aço e nem se um dos homens tentasse espiar pela fechadura enxergaria algo, exceto pela passagem subterrânea que ali tinha, era uma passagem um tanto pequena, levava a um túnel que dava na floresta, andando certa distância, com um auxílio de um mapa, era possível avistar um Bunker um tanto velho e imperceptível. Era ali que nós ficaríamos.

Assim se deu, Mille cuidou de toda sua parte com Charlie e deu um jeito para que James fosse tirado da sala de segurança máxima. finalmente era a minha hora de entrar em ação.

Vesti toda a arrogância que eu havia aprendido com o Rei e me dirigi em direção ao lugar. Na entrada alguns guardas me reconheceram e curvaram-se em respeito, logo trataram de abrir a porta do lugar para mim.

Era assustador, frio e escuro, por um momento tive o estômago embrulhado, mas não me permiti abalar, eu não podia estragar o plano, eu tinha uns exatos 30 minutos, até os homens se darem conta que Mille e Charlie não estavam na sala de cuidados médicos. Era arriscado, porém necessário.

Foi aí que percebi certa movimentação em uma determinada sala do lugar e vi alguém que era quase irreconhecível, dada a sua aparência trágica, James. Ele tinha suas roupas rasgadas, estava quase nu, suas costas estavam marcadas pelo chicote e sangrava, seu rosto e seu corpo estavam com muitos hematomas. Tive um colapso e não conseguia acreditar no que meus olhos viam, era completamente agonizante, torturante.

Me senti mal por não agir antes e deixar que o fizessem perversidades.

Tratei de expulsar todos os homens da sala da forma mais rude possível e encarei Jake sem ter o que falar.

Ele parecia confuso, incrédulo, eu esperava tais reações, talvez eu até fosse morto mais tarde ao lhe revelar toda a história, mas não era tempo para pensar.

- Eu vou tirar você daqui, eu preciso que confie em mim, eu prometo que depois que todos estiverem bem e longe desse lugar eu explicarei tudo da maneira mais clara possível. Agora se apresse. - falei, o mesmo parecia incapaz de compreender o que eu havia dito. - James, vamos - disse e o toquei o ombro, nesse momento, como que num reflexo, fui golpeado e senti o gosto de sangue, James havia me dado um soco na boca. Suspirei e tentei manter a calma, ele estava traumatizado e eu havia sido um estúpido.

- Nunca mais encoste em mim novamente. - anunciou e concordei sem protestos.

- Vista isso. - lhe entreguei uma muda de roupas que estavam no local e o mesmo se vestiu com dificuldade.

- Onde está Charlie? - perguntou.

- Ela tá bem, está segura. - o assegurei. - Lia e Mel não estão aqui, foram deixadas numa estrada há dois dias atrás para morrer, por sorte eu as encontrei, elas também estão seguras. - pigarreei. - todas as salas estão projetadas com janelas automáticas de alta segurança, elas são operadas através um um controle com impressão digital, graças à alguns contatos e através do sistema hackeado por mim, nós temos a chance única de sair desse lugar. Lá fora há alguns homens de escolta, teremos que ter cuidado absoluto. - o mesmo manteve a mesma expressão de poucos amigos e confusão mental.- Vamos. - falei por fim e me dirigi a janela estratégica que era um tanto pequena, James sofreria para passar por ela, visto que seu físico era um tanto avantajado, mas nada que se espremer não resolvesse.

Usei o comando do controle e tudo ocorreu como planejado, coloquei uma mesa em baixo da janela e me certifiquei que estava tudo certo antes de mandar James ir.

- Vá. - falei, mas ele continuava imóvel.

- Eu não vou. - disse, estranhamente calmo, mas era como se tivesse enfrentando um turbilhão de emoções. - Charlie e as outras estão bem, isso é o que importa, você tem a chance de sair impune desse lugar, se me ajudar a escapar e nos pegarem, você é um cara morto. - falou.

- Acredite, eu já sou um cara morto. Eu não tenho nada a perder, eu não valho nada há muito tempo. Mas eu só tenho vocês e eu vou ajudá-los nem que eu tenha que morrer por isso, agora vamos James, Charlie precisa que você esteja lá por ela. - falei com dor no peito.

Por mais que eu amasse Charlie, essa era a verdade, os dois se amavam e era perceptível, não havia nada que eu pudesse fazer para impedir. Eu a amava tanto que ficaria feliz só de vê-la feliz, eu a amava tanto que ficaria feliz só de saber que ela seria amada, assim como eu também queria ser amado.

James acordou de seu transe e pulou a janela alta e apertada com dificuldade, por conta dos machucados, fiz o mesmo e ao pôr os pés no chão me certifiquei novamente de que não haviam guardas e corri com James para a floresta, corremos com todas as nossas forças e em certo momento tive que recorrer ao mapa que eu havia trago, com um pouco de esforço conseguimos avistar o bunker, já era noite, aquele horário tornava difícil a caminhada, haviam muitos galhos que furavam a pele e insetos.

Nós estávamos feridos e cansados.

Jake estava mal, parecia que ele iria cair a qualquer momento, seus lábios estavam azuis e ele mancava muito, não demorou para que ele desmaiasse assim que chegamos ao bunker.


Como uma boa amiga minha diria: as vezes o Sebastian só queria ser a "Heather" :(

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