Capítulo 8
Viram? Nem sou ruim :)
Seus lábios eram macios, ainda mais do que eu imaginava. Sua língua invadiu a minha boca e eu conseguia sentir os vestígios do drink de morango que ele tinha tomado. Suas mãos ainda me seguravam pelo quadril, mas as pontas dos seus dedos se infiltraram por debaixo da minha camiseta, encontrando minha pele e me arrepiando.
Meus braços estavam em volta do seu pescoço. Eu o beijava de volta na mesma intensidade que ele me beijava. Não me importei se nossos amigos estavam assistindo, se as pessoas de outros camarotes conseguiam ver ou se já teria fotos daquele momento na internet. Tudo que existia se resumia a Harry e ele é que importava.
Seu corpo se pressionou ao meu, ofegos escaparam tanto da minha boca, quanto da sua. Eu sabia como meu corpo estava reagindo e conseguia sentir o corpo de Harry do mesmo jeito. Sua boca perseguia a minha e nossos lábios não se desgrudavam, mas quando seu quadril se friccionou no meu e gememos baixinho, eu soube que era hora de parar.
Mesmo que fosse a última coisa que eu quisesse fazer.
— Lou — ele gemeu manhoso, me beijando de novo.
— Eu sei, mas não podemos — beijei seu rosto e ele fez um biquinho.
— Por quê?
— Porque você está um pouco alcoolizado, não vou me aproveitar desse momento. Se amanhã, você ainda quiser, aí é outra história — sorri para ele, que parecia emburrado e escondeu o rosto no vão do meu pescoço. Não era a primeira vez que ele fazia isso e eu achava que não seria a última, já que ele parecia gostar.
— Você não quer? — perguntou manhoso e o abracei.
— Seu corpo está colado no meu, não tem como você não estar sentindo o quanto eu quero — então aquele provocador mexeu o quadril contra meu, provocando um gemido — Harry, merda!
— Oops? — ele murmurou se fazendo de inocente e precisei respirar fundo.
— Quando você estiver totalmente sóbrio voltamos nesse assunto.
— Mas e se amanhã eu estiver com vergonha?
— Se amanhã você tiver vergonha e não quiser falar disso, só prova que não deveríamos fazer nada hoje — respondi beijando seu cabelo. — Quando for para acontecer, os dois vão estar totalmente sóbrios. Vamos ficar mais um pouco aqui e depois voltamos para o hotel, vou te pôr na cama.
— Vai dormir comigo? Eu gostei de dormir com você — ele suspirou. O rosto ainda escondido no meu pescoço.
— Vou sim, Theo mandou minhas malas para lá — esfreguei suas costas, ele ficava muito fofo todo manhoso. — Quer voltar para perto dos nossos amigos?
— Sim, mas quero ficar grudado em você — sua voz estava abafada, mas eu ri do jeito que ele falou e abraçava.
— Tudo bem, vamos — o conduzi até onde os outros estavam.
— Agora estou liberada para encomendar meu vestido de madrinha ou vou ter que fingir mais um pouco? — Lottie perguntou, ela estava abraçada em Liam e eu o agradeci por cuidar da minha irmã.
Depois de tudo o que tinha acontecido, não ficamos muito tempo. Aquela briga tinha estragado um pouco o clima e resolvemos voltar. Harry cumpriu o que falou e não me soltou. Mas eu não estou reclamando disso. Ainda tinham paparazzis nos esperando fora da casa noturna, mas já era o esperado.
— Banho primeiro — avisei Harry, que queria se jogar na cama. Estávamos no quarto dele/nosso quarto.
— Não quero — ele tentou se deitar, mas abracei sua cintura e o levei para o banheiro. Ele entrou no banho sob protestos.
Deixei uma garrafa de água e remédio para dor de cabeça do lado dele cama, também separei nossas roupas, ele saiu de roupão e eu corri para o banho. Vê-lo nu não ia me fazer bem. Tomei um banho bem rápido e quando sai, não aguentei e ri.
Harry estava vestindo a minha camiseta, em vez dos pijamas dele. Ele estava deitado na cama, abraçado no travesseiro e parecia sonolento. Eu não tinha ideia de que ele era tão territorialista, mas gostei dele usando as minhas roupas.
— Lou — ele se aconchegou em mim depois que eu vesti minha boxer e me deitei com ele. — Eu te beijei.
— Sim, beijou — brinquei.
— A gente pode encarar como um pré-beijo?
— Isso existe? — eu ri.
— Sim, tipo, você faz pré-venda das suas coisas, é a mesma coisa.
— Acho difícil ser a mesma coisa, mas continue. Quero ver onde sua linha de raciocínio vai chegar.
— É que eu estou esperando há oito anos para te beijar, aí nosso primeiro beijo acontece num lugar qualquer? Não, tem que ser especial — ele dizia manhoso.
— Sun, você nem vai se lembrar disso amanhã.
— Eu gosto quando você me chama assim — ele sorriu preguiçoso — e eu vou me lembrar sim. Um, eu beijei minha paixão de adolescência, não tem como esquecer disso. Dois, eu não bebi tanto assim, posso estar meio alto, mas sei o que estou fazendo — ele usava os dedos para enumerar, o que era engraçado. — E, três, quem bebe até não se lembrar de nada é você. Eu tenho um truque para saber quando parar de beber.
— Um truque? E qual seria?
— Toda vez que eu penso em me declarar para você ou te beijar, eu sei que preciso parar de beber na hora — ele falou feliz, como se fosse uma ideia genial. O que me fez rir um pouco.
— Mas você me beijou hoje.
— Sim, mas é porque podia — eu não conseguia parar de sorrir, ele dizia aquilo como se fosse óbvio eu não ter pensado nisso.
— Hazz, você pode me beijar agora que quiser e eu já sei seus sentimentos por mim. Então como você vai saber o momento de parar de beber?
— Droga! — ele xingou. — Preciso achar outro truque! E você não sabe todos os meus sentimentos por você.
— Ah é? O que eu não sei? — pode ser errado, mas eu estava me aproveitando da sinceridade de bêbado dele.
— Tipo, quando eu fui perder a virgindade eu estava super nervoso, aí ele colocou umas músicas para tocar e entrarmos no clima — ele estava contando a história com o sorriso de canto, mesmo ainda estando um pouco alterado. — E começou a tocar umas músicas suas. Eu ia pedir para ele tirar, mas aí o negócio esquentou.
— Você perdeu a virgindade ouvindo minhas músicas? — perguntei e já não estava achando tão engraçado assim. O sentimento era outro.
— Sim, foi no primeiro ano da faculdade e você tinha acabado de lançar o primeiro álbum — ele bocejou. — Aí esse namorado percebeu que eu curtia mais quando tocava seu álbum e sempre colocava quando a gente ia transar. Eu não tive coragem de dizer que eu te conhecia, senão ia ser super estranho.
Ele riu, mas minha mente ficava girando na imagem do Hazz gemendo e gozando me ouvindo cantar. Pronto, lá ia eu passar a noite com um problema entre as pernas.
Harry dormiu confortavelmente no meu peito, mas eu demorei um pouco ainda. Tentando não pensar em nada sobre o que ele tinha contado. Lembrei que se no dia que escrevi "Does he know?", eu tivesse tido coragem de falar com ele, as coisas teriam sido diferentes. Nós estaríamos juntos há anos.
Peguei meu celular e abri o bloco de notas, digitei frases aleatórias que vinham na minha mente, mas uma delas foi a que me pegou. Eu sabia que em breve eu voltaria naquelas anotações.
I'm wastin' my time when it was always you
— Hazz? — murmurei sonolento, ainda acordando. O cacheado estava de pé arrumando nossas malas, iríamos para Los Angeles naquele dia.
— Não fala comigo — ele respondeu sem me olhar, o que me fez ficar confuso. — Não vou falar com você e vou fingir que noite passada não existiu.
— Por quê? — me sentei na cama e tentava esconder o riso, mas era difícil.
— Não vamos falar sobre a noite passada — ele bufou, fechando a mala.
— O problema foi o "pré beijo" ou a conversa antes de dormir? — o provoquei e ele me olhou irritado.
Ele estava parado de pé, já totalmente vestido, e com as mãos na cintura. Seus olhos percorreram meu corpo, afinal eu estava só de boxer. Ele inspirou fundo, o que me fez sorrir de canto. Harry finalmente percebeu que foi pego me observando, ele se virou rapidamente, pegando a primeira camiseta e a primeira calça que viu e jogou em mim.
— Se veste!
— Mandão — eu ri — sabe que essa camiseta é sua, né?
— Só se veste — ele pediu de novo e eu gargalhei. Tenho certeza de que ele estava murmurando xingamentos direcionados a minha pessoa.
— Pronto, estou todo coberto. Até estou usando tênis.
— Ótimo! Theo disse que vamos sair depois do almoço. Nosso voo é as três da tarde — ele organizava tudo sem nem me olhar. — Vou deixar tudo arrumado, podemos almoçar com o resto da equipe no restaurante do hotel, depois buscamos nossas malas e vamos para o aeroporto.
— Hazz?
— Aqui está a minha mala, ali a sua. Hoje está um pouco frio, mas olhei a temperatura e está quente em Los Angeles. De qualquer jeito, deixei dois moletons separados, para usarmos agora.
— Harry — insisti de novo, mas ele ficava desviando de mim.
— Melhor você revisar se não esqueci de alguma coisa, eu já olhei o quarto todo e acho que guardei tudo. Mas é sempre bom revisar se todas as suas coisas estão na mala. Seu violão, e outras coisas assim, o Theo já tinha deixado com o material do show, o que veio para o meu quarto foi só sua mala pessoal. Minhas câmeras e outros equipamentos já deixei organizado e separado, o pessoal da equipe vai vir buscar para guardar com os outros...
— Sun! — o puxei, fazendo se virar de frente para mim. — Não precisa ter vergonha.
— Lou, eu te beijei e, se você não tivesse nos parado, nem sei o que teria acontecido. Eu te contei a história de quando perdi a virgindade, isso foi humilhante — ele falou envergonhado.
— Está tudo bem e não deveria ficar se sentindo assim. Por um lado, foi legal ouvir isso, mas outro me deixou com dúvidas.
— Dúvidas?
— É, por exemplo, quais músicas você ouviu que te deixavam excitado? Você gozava me ouvindo cantar? E quando estava com ele, era em mim que estava pensando? — perguntei me fazendo de sério. Harry gemeu frustrado e escondeu o rosto no meu pescoço.
— Eu te odeio e nunca mais vamos falar disso.
— Mas eu quero saber, você...
— Nunca mais! — ele gritou e eu ri.
— Hazz! Harry abre essa porta agora! — Lottie batia na porta com força.
— Se você quebrar isso, vou descontar do seu salário! — gritei para ela, abrindo a porta.
— Foda-se — ela me respondeu — agora cai fora que eu preciso falar com o Harry.
— Lottie, o que foi? — Hazz perguntou preocupado.
— Precisamos falar sobre aquilo! — ela respondeu e o cacheado arregalou os olhos.
— Lou, eu já te encontro no restaurante — ele beijou meu rosto.
— O que?
— Tchau maninho — Lottie me empurrou para fora do quarto e fechou a porta na minha cara.
— Que merda foi essa? — perguntei espantado.
A porta do quarto se abriu de novo, mas eu não tive tempo de falar nada, Harry me entregou uma blusa de moletom preta e meu boné.
— Usa a blusa porque está frio e o boné porque seu cabelo está bagunçado — ele sorriu e fechou a porta de novo.
— Nem me deixaram mijar — resmunguei colocando a blusa e o boné.
Quando cheguei no restaurante, fui direto para a área que estava reservada para nós. Antes eu achava que essas coisas eram frescuras, mas elas me garantiam poder ter refeições inteiras sem estar na capa de algum tablóide ou gente do meu lado gritando meu nome.
— Que cara é essa Tommo? — John me perguntou. Só algumas pessoas da equipe estavam na mesa e, da banda, apenas Steve.
— Fui expulso do meu quarto, acredita nisso? — bufei. — Lottie e Hazz precisavam conversar — revirei os olhos.
Ficamos conversando, pouco a pouco os outros foram chegando. A maioria falava animado da viagem para Itália, coisa que realmente faríamos apesar dos meus protestos. Ou da folga que logo viria. Depois dos shows na Espanha e em Portugal, ficaríamos um tempo na Inglaterra para alguns shows e uma rodada de entrevistas. Então iríamos para Paris e teríamos uma folga de duas semanas.
Eu teria que fazer alguns shows na América Latina, voltaria para os Estados Unidos e encerraria aquela turnê. John tinha previsto pelo menos dois meses de férias antes que eu precisasse voltar para o estúdio. Eu nem tinha planejado o que faria naquele tempo, mas, seguindo o exemplo dos anos anteriores, eu encheria o saco de Lottie e Harry.
Bem, da última vez não aconteceu como das outras, já que eu estava namorando Thomas e precisei passar um tempo só com ele. Lottie e Harry também se recusaram a ficar conosco, mas consegui arrastá-los na viagem de uma semana que fizemos para Ibiza. Das minhas últimas férias, aquele foi o maior tempo seguido que passei com eles.
Revirei meus olhos mentalmente, como eu podia ser tão burro?
— Tudo bem, Niall? — Theo perguntou tomando mais um gole de suco — Sua cara está péssima, dormiu bem?
— Não muito — meu amigo resmungou, o que era estranho vindo dele.
— Que pena — Theo sorriu um pouco debochado.
— Estamos perdendo alguma coisa, não é? — Zayn sussurrou para mim, se sentando do meu lado.
— Sim, também não estou entendo mais nada — dei de ombros e ele concordou comigo.
— Claro que não estão — Liam bufou, se sentando do outro lado de Zayn e não falando mais nada.
— Idiotas, todos são idiotas — Jamie bufava.
Como meu segurança pessoal, ele usava roupas normais porque precisava se passar como mais um membro da equipe. Senti que minha vida era uma mentira quando descobri que tudo aquilo dos guarda-costas usarem terno e óculos escuros é coisa de filme. Quando se é um segurança pessoal, você não pode chamar atenção, a ideia que é a possível ameaça não saiba quem é você.
Quando eu andava com uma equipe de segurança que usavam ternos e essas coisas, eles só estão lá para desviar a atenção. Eles são treinados e irão agir caso necessário, mas servem como distração, assim os seguranças à paisana, como Jamie, podem observar melhor as pessoas ao nosso redor e neutralizar (palavras de Jamie) quem for uma ameaça.
— Até que enfim — falei quando Lottie e Hazz apareceram para almoçar, eles foram os últimos a chegar. Devem ter ficado quase uma hora trancados no quarto, eu não sei de onde tiram tanto assunto para conversar se ficam o dia inteiro juntos.
— Não enche — minha irmã respondeu.
Jamie deu seu lugar ao meu lado para Harry e Theo puxou uma cadeira para Lottie, a deixando entre ele e Harry. Todos comemos, mas eu senti um clima estranho, além de que Theo, Harry e Lottie ficavam sussurrando segredinhos.
— Louis, nós não vamos viajar com você para Itália, mas os encontramos lá — Zayn comentou. — Eu tenho uma reunião em L.A. e Liam tem um ensaio fotográfico em Londres, ele nem vai voltar comigo para Los Angeles.
— Tudo bem, mas não demorem ou vão perder a diversão — falei ironicamente e ele riu. — E você, Nialler?
— Eu vou me encontrar com vocês na Itália, até estou pensando em acompanhar o resto da sua turnê.
— E os planos para o próximo álbum? — perguntei confuso. Ele estava prestes a lançar single, então já deveria estar próximo do anúncio do álbum.
— Já está tudo certo, vou anunciar o lançamento da música na semana que vem e lançar na outra. Eu falei com John, o tempo vai dar certo com a estadia de vocês em Londres — ele estava tranquilo, mas parecia um pouco sério. Não sei, meu amigo não estava com aquela animação de sempre.
— Claro que posso, amanhã eu já dou uma olhada — Theo respondeu algo que Lottie. — Nova York tem muitas opções, só me digam como querem.
— O que foi? — me intrometi na conversa.
— Nada, Harry e eu só pedimos ajuda do Theo para encontrar um apartamento para nós — minha irmã respondeu dando de ombros.
— Por que vocês precisam de um apartamento em Nova York? — insisti.
— Nós conversamos e, depois que a turnê acabar, realmente faz mais sentido morarmos nos Estados Unidos do que ficarmos no Reino Unidos, então resolvemos morar aqui, em Nova York — ela falou tranquilamente.
— Não, vocês vão morar em L.A. comigo — eu os relembrei, porque parecia que eles estavam com problemas de memória.
— Está tudo bem, Lou — Harry disse calmo. — Você tem a sua vida lá e logo vai voltar para o estúdio. Vai demorar uns meses até a próxima turnê, então Lottie e eu resolvemos ficar por aqui. Tem muitas oportunidades nas nossas áreas.
— Em L.A. tem muito mais — respondi indignado.
— Pensa, melhor em Nova York do que na Austrália — Theo sugeriu.
— Não comecem com essa história de Austrália de novo — resmunguei. Em que momento Harry achou que eu, simplesmente o deixaria se mudar para outro continente?
Certo, antes ele morava na Europa e eu na América, mas ele estava perto de pessoas conhecidas. Se algo acontecesse com ele na Austrália, para quem ele pediria ajuda? Para um canguru?
— Eu moraria na Austrália — Lottie disse pensativa.
— Você morre de medo de aranhas — Niall retrucou.
— E daí? — ela levantou a sobrancelha.
— Na Austrália tem aranhas gigantes, aranhas que comem passarinhos inteiros — meu amigo respondeu.
— Você está exagerando — ela revirou os olhos.
— Não estou não, pode pesquisar — ele a desafiou.
A maioria das pessoas na mesa realmente pegaram os seus celulares e começaram a pesquisar. Mas eu estava olhando feio para Harry, que continuava seu almoço tranquilamente. Que ideia estúpida era essa de morar em Nova York? Não mesmo!
— Vocês me deixaram fazer show em um país em que aranhas comem passarinhos? — Matt perguntou chocado.
— E ratos — Mike lia alguma matéria.
— Já estou avisando, quando tivermos show na Austrália, infelizmente, eu vou passar mal antes da viagem e não poderei comparecer. Mas torcerei por uma boa apresentação e que todos voltem vivo — Matt disse solene.
— Provavelmente será algo contagioso, porque eu também estarei enfermo — Mike suspirou dramaticamente —, mas meus pensamentos positivos estão com vocês.
— Parem de drama — revirei os olhos.
— Dessa vez eu concordo com eles — Isaac comentou e o olhei revoltado. — Louis, são ARANHAS que comem PÁSSAROS. Eu nunca consegui assistir nenhum filme com aranhas gigantes e você quer que me apresente na vizinhança delas?
— Nem mesmo Harry Potter e a Câmara Secreta? — Hazz perguntou interessado.
— Eu assisto, mas fecho os olhos na cena do Aragogue. Só assisti a cena dele uma vez e aquilo ficou na minha cabeça por semanas — Isaac tremeu, provavelmente lembrando das cenas do filme.
— Podemos voltar ao assunto inicial? — Pedi. — Ninguém vai se mudar para Nova York.
— Nós vamos — Lottie deu de ombros e Harry concordou.
Não mesmo, eles achavam que eu estava brincando? Porque não tinha chance nenhuma de eu deixar minha irmã e Harry morarem sozinhos naquela cidade.
— OK, deixem os dramas para depois. Temos que ir para o aeroporto — John nos avisou e tivemos que deixar o lugar.
Voltamos para nosso quarto e Harry estava tranquilo, como se não tivesse falado nada. Eu achei que tudo estava certo, ele e Lottie se mudariam para minha casa depois que a turnê acabasse. Mas se eles achavam que seria diferente, estavam muito enganados.
— Eu conheço esse sorrisinho — falei para ele, que riu.
— Não tenho a menor ideia do que está falando — se fez de inocente, mas eu o conhecia há oito anos.
— Ainda não sei o que é, mas sei que está aprontando e vou descobrir o que é. Se isso tem a ver com essa ideia maluca de se mudar para Nova York, pode desistir, isso não vai acontecer.
— Por quê? — ele me desafiou.
— Porque eu não vou deixar — cheguei mais perto dele, nossos corpos próximos.
— E quem disse que você manda em mim? — ele recuou um passo quando avancei outro. Sem ele perceber, estava chegando perto da parede, ficando preso entre ela e eu.
— Sei que não mando, mas vou te fazer ficar e desistir da ideia — falei sorrindo de canto. Ele recuou mais um passo, batendo suas costas na parede e percebendo o que tinha feito.
— Lou...
— Não se preocupe, Hazz, não será nada de mal — passei meus dedos por cima do seu moletom, subindo até seu pescoço e acariciando sua pele. — Apenas vou te dar motivos suficientes para ficar comigo. Sabe, eu posso ser muito persuasivo.
— Eu sei — ele engoliu em seco.
— Que bom — aproximei minha boca do seu pescoço, o beijando de leve. — Até acho que você vai gostar.
— Acha? — sussurrou enquanto eu ainda beijava sua pele.
— Na verdade — mordi de leve e ele gemeu baixinho — tenho certeza.
Sua mão segurou no meu moletom, talvez para conseguir se equilibrar ou para me manter perto. Acho que os dois. Mas eu não desperdicei o convite. Meus lábios se abriram e eu suguei sua pele, mordendo bem dele. Afinal, eu queria deixar minha marca, não o machucar.
— Lou... — ele gemeu.
— Por enquanto é isso, mas quando chegarmos em casa, podemos continuar — pisquei para ele e me afastei um pouco. — Vamos? Temos que encontrar os outros.
A viagem foi tranquila, consegui fazer Harry se sentar do meu lado. Apelei para John dizendo que se as pessoas pensam que somos noivos de verdade, o correto seria ele estar do meu lado durante o voo. Meu empresário concordou e eu mostrei a língua para minha irmã, que bufou irritada porque estraguei os planos dela.
— Maduro — Harry riu de mim, apenas dei de ombros, mas sorria vitorioso.
Até todos desembarcarmos, pegar nossas malas, nos despedirmos, entrar nos carros e atravessarmos Los Angeles, chegamos em casa por volta das oito da noite. Mas como estávamos com fuso horário de Nova York, para nós era mais de onze da noite.
— Eu só quero um bom banho e cama — Lottie reclamou, entrando na minha casa.
— Rosa disse que deixou comida pronta, alguém quer jantar? — perguntei.
— Aceito, amo a comida da Rosa — Harry sorriu.
— Obrigado, mas hoje eu passo, vou direto para meu quarto — Jamie avisou. Ele tinha um quarto na minha casa já que sempre me acompanhava em todo lugar. O bom era que nos tornamos amigos.
— Também vou para o meu, boa noite porque sei que vou apagar assim eu chegar na minha cama — minha irmã respondeu. Ela beijou o meu rosto, depois o de Harry e subiu as escadas.
— Ok, somos só nós dois — provoquei o cacheado, que revirou os olhos.
Eu tinha um pouco de medo que mudar o status da nossa relação pudesse interferir em alguma coisa. Pensando bem, eu nunca falei com Harry sobre como me sentia por causa desse medo, mas agora eu percebia como era idiotice. Nós jantamos conversando como sempre, ele até me fez lavar a louça depois.
Nossa intimidade ainda era a mesma, ainda tínhamos piadas internas e ainda tínhamos confiança um no outro. Eu sabia que se precisasse de qualquer coisa, ele estaria lá por mim e eu estaria por ele. Em vez de mudar, as coisas estavam melhores, agora tinha mais toques, mais provocações, mais liberdade.
— Deixa aí mesmo, amanhã alguém leva para o quarto — falei quando Harry quis pegar sua mala, que ainda estava na sala, com a minha e a de Lottie.
— Normalmente eu recusaria, mas hoje estou mesmo cansado — ele bocejou.
Ainda estávamos conversando sobre um filme dos anos 80 que ele amava, quando chegamos no corredor do meu quarto. Só que em vez dele seguir até o final comigo, parou antes, na porta que ficava na frente do quarto da minha irmã.
— O que está fazendo? — perguntei confuso.
— Indo para cama, por quê?
— Achei que você fosse dormir comigo — depois que falei, me senti um pouco patético.
— Eu não posso fazer isso — ele respondeu docemente.
— Hazz, não vai acontecer nada, pelo menos não hoje. Eu também estou cansado, só achei que, sabe, como dormimos juntos nos últimos dias, que nós poderíamos fazer isso de novo — quanto mais eu tentava me explicar, mais me enrolava e mais idiota me sentia.
— Lou, eu adoraria dormir com você — ele estava encostado no batente da porta e sorria —, mas eu não vou dormir naquele quarto.
— Por quê? Ali é o meu quarto.
— Exatamente, é o seu quarto que você dormia com Thomas e eu não vou dormir na mesma cama que você transou com ele.
Meu rosto corou, eu não tinha pensado naquilo. Preciso arranjar uma cama nova. E talvez um sofá novo... ok, muitas coisas novas.
Harry levantou a sobrancelha, se divertindo com minha expressão, afinal eu ainda estava paralisado. Ele riu e abriu a porta do quarto onde sempre dormia. Ele não a fechou atrás de si, apenas continuou andando até a cama, tirando sua blusa e abrindo a calça.
Eu entendi o convite e fiz como vinha fazendo nos últimos dias: o segui obediente.
Como estou postando esse cap no Dia das Crianças, então foto desses dois nenéns :)
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