Capítulo 72

N/A: Salve, salve, meus amores!

Última fic atualizada da sexta.

Bora lá.

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🔞🔞🔞


Naquela noite, às sete, recebo uma ligação de Sarah. Ela diz que está ligando para ouvir a minha voz antes de dormir - fico toda abobalhada com isso.

Jesus! Obrigada, Pai, por essa mulher que o Senhor me mandou!

Agradece mesmo, viu?! Porque outra como essa tu não vai encontrar tão fácil.

Eu sei, intrometida!

Sarah ainda conta depois, que a outra razão da ligação também é porque quer saber como foi o meu dia. Lhe dou um resumo breve dos fatos decorridos, sem esquecer de comentar bem mais detalhadamente sobre dois em especial. O primeiro foi o lamentável episódio do flagra que Camilla deu naquele DJ safado. Sarah se demonstra preocupação em saber como a minha amiga estava depois do que houve. Falei que Cami tinha ficado péssima, pois me confessou que estava começando a gostar de Daniel, mas que segundo ela logo iria superar isso.

Depois revelo sobre o segundo fato: a ligação de Anitta. Só que após contar sobre isso, me arrependo, pois Sarah fica possessa demais quando digo que Anitta tornou a me ameaçar, indo contra o ultimato que ela havia lhe dado.

Inclusive, Sarah chega a dizer puta de raiva que amanhã ligará para minha prima, pois se Anitta quer pagar para vê com ela, então se dará mal.

Por mim até deixaria a Srta. Gostosa dar um bom corretivo em Anitta, mas tem os meus pais e posso apostar que a sonsa da minha prima vai se chorar para eles e inventar que eu sou a responsável disso também, além é claro, de contar sua versão deturpada sobre meu relacionamento com Sarah apenas para me prejudicar mais e me deixar bem mal perante meus pais.

E foi visando evitar essas coisas ruins, que implorei à Sarah para não fazer nada e deixar as ameaças da Anitta para lá. A princípio, a Srta. Gostosa se nega a isso e diz estar disposta a ligar mesmo para minha prima, porém com mais um pouco de conversa e pedidos meus, a convenço a mudar de ideia e ainda a faço prometer não tomar por hora nenhuma providência contra Anitta. A contragosto, Sarah se compromete a não fazer nada DESSA VEZ, mas se houver uma próxima, ela diz que não haverá pedido meu que a impeça de "aliviar" as coisas para o lado de Anitta.

Chego a lhe agradecer pela compreensão e trato de mudar de assunto antes que Sarah volte atrás em sua decisão. Pergunto como foi seu dia e como está a mãe dela. Sarah conta que Abadia já se encontra bem recuperada a ponto delas terem discutido de novo quando Sarah foi vê-la após me deixar na editora. Em seguida a Srta. Gostosa fala sobre a viagem. E ainda me revela que amanhã irá a delegacia fazer uma visitinha ao funcionário que lhe roubou e atentou contra sua vida.

Eu torço muito para que aquele sujeito não saía da cadeia nunca. Só de lembrar que por pouco o meu amor podia nem estar mais aqui, sinto o coração apertado, mas felizmente aquele acontecimento ruim não teve o fim que o tal funcionário planejou.

Ainda ficamos de conversa por mais poucos minutos até que Sarah anunciar que precisa desligar, pois já é tarde para lá e ela tem que acordar cedo amanhã para ir a delegacia junto com seu advogado. Nos despedimos com a promessa dela me ligar amanhã para contar como foram as coisas.

Quando a ligação é encerrada, eu respiro aliviada por Sarah não ter perguntado se eu já tinha ligado para os meus pais - coisa que não fiz ainda diga-se de passagem. Acho até que ela esqueceu de questionar isso. Mas amanhã eu ligarei para Santa Mônica, pois tenho quase certeza que a Srta. Gostosa vai me perguntar sobre tal fato na próxima vez que nos falarmos.

No dia seguinte, a primeira coisa que faço logo que tenho uma pequena pausa no trabalho, é ligar para à casa dos meus pais. Nenhum deles estava lá no momento, pois tinham ido trabalhar então deixei o recado com a minha querida Li sobre a minha ida sábado de manhã até lá para falar com meus pais e entregar-lhes algo que comprei faz um tempinho. Iria aproveitar a oportunidade para levar os quadros que comprei de presente na exposição da esposa do amigo da Pocah.

Aviso dado à Li, eu me despeço dela e finalizo a chamada. Terei poucos dias para me preparar psicologicamente para falar com meus pais.

Os dias seguintes daquela semana passam com a lentidão que eu tanto desejo. Se pudesse ter sido ainda mais lento também teria agradecido. Só de pensar que por fim amanhã estarei diante dos meus pais contando para eles sobre Sarah e eu, as minhas mãos já soam frio e as pernas tremem. A sensação de que meus pais não aceitarão o meu relacionamento com a agora ex-noiva da Anitta me preocupa.

Falando na minha prima insuportável, ela não ligou mais para me fazer novas ameaças. Achei ótimo isso! Mas devo admitir que suas ameaças povoaram minha cabeça (mesmo contra a minha vontade) algumas vezes ao longo dos dias dessa semana.

— Juliette! Está na hora do nosso almoço. Você não vem?

— Agora! - me levanto da cadeira ao convite de Camilla. - Vou avisar à Pocah que sairei para o almoço. Espera aqui que já volto.

Minha amiga assente e entro na sala da minha chefe após bater na porta. Lhe comunico que estou saíndo para o almoço. Pocah assente antes de atender o celular que toca sobre sua mesa. Saio de sua sala e logo já estou seguindo pelo corredor de braços dados com Camilla.

— Ei, é amanhã que você vai falar com seus pais, né? - ela me olha após apertar o botão para chamar o elevador.

— Sim e estou nervosa com isso.

— Mas você vai ter a Srta. Gostosona do seu lado na hora.

— Isso me deixa mais nervosa ainda.

O elevador chega e nós entramos nele. Aperto o andar do refeitório.

Para mim o fato de Sarah ir comigo à casa dos meus pais não é algo que me deixa mais calma, muito pelo contrário.

— Mas fica tranquila, amiga.  Tenho certeza que a Srta. Gostosa saberá levar seus pais no papo.

Meu celular toca me impossibilitando de argumentar algo à Camilla.

— Aposto que é a Srta. Gostosa.

E Camilla está certa. É Sarah mesmo ligando.

— Oi, Sarah.

Eu mal consigo ouvir sua voz, já que um barulho de música alta e gente, praticamente berrando, abafa o que quer que Sarah tenha dito.

- Não estou te ouvindo.

A ligação cai e eu fico intrigada com aquilo. Onde será que ela está? Pareceu som de festa! Eu mato aquela infeliz!

— Que cara é essa Ju?

Novamente o celular toca e nem me dou ao trabalho de responder à Camilla, pois me apresso em atender a chamada de Sarah.

— Ju está me ouvindo agora?

— Sim! - o barulho ainda persiste, mas sou capaz de escutar Sarah um pouco melhor do que na ligação anterior. - Onde você está hein?

— Na Oktoberfest, um festival de cerveja, que acontece todo o ano aqui em Munique.

Como assim ela está na Alemanha?

— Achei que tivesse dito ontem a noite que estava em Amsterdã e viria de lá direto pra cá? - lanço um olhar sério para Camilla que assovia e ri logo em seguida.

Durante esses dias da Sarah longe, todas as noites ela me ligou para nos falarmos um pouco sobre como tinha sido nossos dias e ontem ela mencionou que viria hoje de Amsterdã para os EUA e dormiria lá em casa comigo. Quando fosse amanhã pela manhã, nós iríamos para Santa Mônica. Mas agora ela me diz que está em Munique de novo?

— Fui intimada pelos meus amigos daqui a comparecer na Oktoberfest ou do contrário esses malucos iriam me caçar onde quer que eu estivesse para me trazer ao festival.

Um homem que deve estar perto de Sarah grita algo em alemão e a Srta. Gostosa reclama imediatamente do grito do sujeito de nome Heinrich.

— Estou ligando pra te dizer que os planos de eu ir hoje para os EUA e dormir aí com você na sua casa, mudaram. Partirei daqui de madrugada e pela manhã cedo estarei aí. Esteja pronta às oito, pois vou mandar o Luke te buscar pontualmente nesse horário, tá bom?

Eu preferiria que Sarah viesse pessoalmente me buscar, mas se ela vai mandar o motorista dela, tudo bem, concordo sem fazer birra sobre isso, mas querendo muito comentar sobre esse seu regresso a Munique.

Quando que ela foi para lá?

E por que não me disse ontem mesmo acerca desses planos de retorno à Alemanha?

Antes que eu ouse tentar saber essas coisas, ouço com desagrado vozes animadas e uma risada escandalosa de mulher bem perto de Sarah chamando-a de lindona.

Rapaz, eu não gosto nada de ouvir essa intimidade toda.

Ô, bicha ciumenta, tu hein?!

Vaza!

— Tem mulher aí com você, Sarah?

— São amigas apenas.

Amigas???

Então são mais de uma mulher que têm lá com ela?

A ciumenta dentro de mim gosta menos ainda dessa história.

Eu já vou comentar algo a esse respeito quando ouço ao fundo um homem dizer para Sarah desligar logo que já vai começar o show.

— Já vou, amigo, calma! - Sarah resmunga. - Preciso desligar, honey. Nós falamos amanhã, tá bom?

Resolvo me calar e guardar para amanhã qualquer cobrança e explicações.

— Acho bom você se comportar por aí, porque do contrário amanhã, eu arranco seus belos olhos verdes, cretina. - ela ri, provavelmente achando que estou brincando, mas eu não estou não. Falo muito sério.

— Pode deixar! Beijos, honey.

- Beijos.

A ligação se encerra, mas eu fico com aquela história de "amigas" engasgada e divido com Camilla isso.

— Em outra ocasião, eu diria para você ficar de boa. Mas depois do que o Daniel me aprontou, sugiro você ficar esperta amiga.

E eu ficarei. Amanhã, vou sabatinar essa cretina. Ah, se vou!

Quando é à noite em casa, tento entrar em contato com Sarah para saber mais sobre essas "amigas" que estavam com ela nessa tal Oktoberfest, já que eu não estava me aguentando de "curiosidade". Mas o celular daquela diaba loira só dá desligado. E por mais que eu não queira, algumas caraminholas vêm atentar mais ainda a minha cabeça.

🔞🔞🔞


No dia seguinte acordo mais cedo do que o necessário. Para ser bem franca quase não consegui dormir direito por dois bons motivos: o primeiro é o nervoso pelo encontro que terei em algumas horas com meus pais e o segundo é o fato de Sarah na tal Oktoberfest com essas "amigas".

— Ju!

Olho para à porta do quarto de onde Camilla me chama. Minha amiga me informa que Luke já está subindo. Tinha deixado avisado ao porteiro que pedisse para o motorista subir quando chegasse.

— Nossa quanta pontualidade! - noto no meu relógio de pulso que são exatas oito horas como Sarah informou que o motorista viria.

— Parece até britânico, né?

Assinto e apanho a pequena bolsa com três mudas de roupas. Saio do quarto com Camilla me acompanhando. Chegamos na sala e a campainha soa.

— Oi, Luke! - cumprimento o homem ao abrir a porta e vê-lo parado ali em seu óculos escuro, trajando um terno preto, camisa clara e gravata.

— Bom dia, senhorita Freire. - ele retira o óculos e guarda no bolso do terno.

— Não precisa dessa formalidade toda, Luke. Pode me chamar apenas de Juliette. - peço, mas o sujeito não nega e nem concorda com meu pedido. - Desculpa ter feito você subir, mas eu não daria conta de descer com dois quadros e a minha bolsa. - conto. - Você pode levar os quadros pra mim.

— Claro, senhorita. São aqueles?

Penso em novamente corrigí-lo pelo "senhorita", mas deixo para lá.

— São. - confirmo e o motorista alto e forte feito um segurança particular, vai até o sofá e apanha com facilidade aos dois quadros que estão embalados. Então me viro para Camilla e nos despedimos com um abraço apertado.

— Espero que no fim dê tudo certo por lá e seus pais não fiquem contra você.

— Acho difícil, mas não custa nada sonhar que tudo dará certo no final.

🔞🔞🔞


O silêncio dentro do carro é enorme. Desde que entramos naquele veículo que o motorista não fala uma palavra sequer. Resolvo então puxar assunto com ele.

— Sarah comentou comigo que você tem uma filha e a garota se operou recentemente. - Luke apenas me encara pelo retrovisor enquanto estamos parados, esperando o sinal abrir para seguir viagem. - Ela está se recuperando bem?

— Está sim, senhorita.

E lá vinha a formalidade de novo!

— Você vai mesmo seguir com esse tratamento formal comigo, né?

— Me sinto melhor e prefiro tratá-la assim.

Aquele tratamento me incomoda, mas fazer o quê se Luke prefere essa formalidade toda?!

— Tá bom então. - não vou mais insistir e tentarei lidar com seu jeito formal.

Seguimos o restante do percurso calados, já que pelo visto falar não é algo muito apreciado pelo motorista. Uns bons minutos mais tarde, Luke estaciona o carro preto em uma pista há poucos metros de distância de uma aeronave branca. Da janela escura do veículo vejo Sarah sair do jato e descer pelas escadas do mesmo enquanto fala ao telefone.

Suspiro. Aquela cretina está gostosa para cacete usando um blazer amarelo, blusa branca, calça jeans com uns rasgos na altura dos joelhos e bota aberta na frente. Os cabelos estão soltos e ondulados como eu amo, os lábios pintados de vermelho e óculos escuro.

Juliette Freire, você é uma baita de uma sortuda do cacete em ter essa mulher

É, tem gente que nasce com o cu virado para a lua e NÃO merece!

Te orienta, peste. Eu hein?!

Sorrio abobalhada admirando Sarah, mas aquele "amigas" e a intimidade daquele termo "lindona" dito por uma voz feminina ontem, me faz lembrar que tenho que tirar aquela história a limpo com ela.

— Senhorita! - saio do meu momento de "babação" na Sarah para encontrar Luke com a porta do carro aberta para eu descer do veículo. Acho que o motorista já devia estar ali há uns segundos.

Sem graça sorrio para ele e saio do carro já vendo Sarah que não mais falava ao celular e havia levantado o óculos até topo da cabeça, deixando seus olhos coloridos a mostra, vir até mim estampando aquele seu sorriso safado que eu aprendi a gostar assim que começamos a ficar juntas de fato.

Assim que chega o suficientemente perto de mim, Sarah me presenteia com um longo e caloroso beijo. Mais ainda me vejo admitindo a enorme falta que sentia daquela mulher por todos esses dias em que ela passou longe de mim. E a julgar por essa recepção calorosa de sua parte, creio que ela não seria louca de aprontar alguma para mim. Sarah me ama e já deu mostras disso, mas não custa nada interrogá-la sobre suas amigas.

— Já estava com enormes saudades de você. - ela sussurra de maneira rouca após o beijo.

— E eu de você.

Admito alisando a lateral de seu rosto.

Ela sorri de uma maneira tão linda e sedutora que fico até sem ar. Então Sarah me dá outro beijo, porém este é curto e rápido.

— Vem. Vamos para dentro do jato.

Abraçadas seguimos para a aeronave. Já lá dentro e acomodada em uma confortável poltrona bege, eu analiso o interior do jatinho enquanto Sarah foi falar com o comandante.

Em uma mescla de tom bege com branco e detalhes em madeira, o luxo e a sofisticação reina ali, tal como no veleiro. Pelo visto Sarah gosta de coisas luxuosas e sofisticadas. Veleiro, carros, helicóptero, jato. Me pergunto se a mãe dela de fato lhe deserdar, como ela manterá esse padrão tão alto de vida.

— Em poucos minutos saímos!

A fala de Sarah ao se acomodar na poltrona ao meu lado me tira dos pensamentos que estava tendo.

— Já tomou café?

— Não. Pra ser franca não estou com um pingo de fome.

— Mas tem que comer alguma coisa, honey.

Ela sinaliza para a comissária e então pede à outra mulher que providencie dois cafés e alguns acompanhamentos para nós.

— Sarah, eu disse que não estou com fome, sério.

— Mas vai comer nem que seja um pouco.

— Você ultimamente tem andado mandona demais para o meu gosto, sabia?

Ela sorri e segurando meu queixo me beija de uma maneira mil vezes mais ardente e lasciva do que momentos atrás quando nos encontramos. E esse seu beijo prontamente retribuído por mim ascende meu louco desejo de levá-la para a cama e ser sua como há dias não sou.

Ó, fogo no rabo!

Me deixa!

Será que naquele jato tem um quarto? Porque naquele momento meu corpo deseja o de Sarah. Alguns dias sem aquela peste deliciosa de mulher e ela me vem com um beijo avassalador como esse que trocamos? Meu corpo não pensa duas vezes em entrar em combustão instantânea pelo da minha Srta. Gostosa. Ela e esse seu poder sobre mim e minha líbido.

Você é insano
Meu desejo
Um jogo perigoso
Amor, amor

(Love Is MadnessThirty Seconds To Mars feat. Halsey)

Só que para minha inteira frustração e total desgosto, Sarah pôs fim ao nosso beijo pouco tempo depois, sussurrando um sedutor "mais tarde a gente continua de onde paramos".

"Mais tarde" não demora muito para chegar, por favor!

Vai tomar um banho gelado para apagar esse fogo no rabo, vai!

Me erra!

Momentos depois com a aeronave já tendo levantado voo e nós duas terminando de desfrutar o café que a comissária - gentil demais para o meu gosto - nos trouxe, chega a hora de "sondar" Sarah sobre o tal festival e sobre quem são essas amigas que estavam com ela por lá, principalmente, a que lhe chamou de lindona, pois isso não tinha me agradado nada.

— Como foi o tal festival da cerveja que você foi ontem?

Sorrindo a Srta. Gostosa conta que foi muito bom. Inclusive, ela puxa o celular e me mostra fotos dela com os amigos e as tais amigas lá no evento em Munique. O grupo tem um total de dez pessoas contando com Sarah. Seis homens e quatro mulheres que a Srta. Gostosa trata de me dizer nome por nome de cada um. Todos, inclusive a própria Sarah estão usando umas roupas que para mim eram engraçadas e me fizeram até sorrir. Mas Sarah trata de explicar que aquelas vestimentas são trajes típicos alemães chamados Lederhosen (traje masculino composto por um chapéu alpino clássico de feltro também chamado de Trachenhut; camisa branca ou xadrez colorida; calça Bavária com suspensórios; meias brancas que cobrem toda a batata da perna; e sapatos tradicionais de camurça na cor preta ou marrom chamado Haferslchuhe) e Dirndl (traje feminino composto na parte superior por uma camisa branca e corpete, e a parte inferior por saia, avental, meia branca e sapatos pretos).

— E têm que ir com essas roupas?

— Não é obrigatório, mas é bem mais divertido ir a caráter para uma festa alemã.

Dentre as fotos que vejo, noto que das três mulheres que há além de Sarah, uma - Kerline é o nome dela - na maioria das vezes sempre sai ao lado de Sarah abraçada a ela ou pendurada em seu pescoço e isso não me agrada.

— Essa Kerline está sempre pendurada em você. - comento em desagrado ao ver mais uma foto em que aquela mulher de cabelos loiros está agarrada de maneira bem possessiva a cintura de Sarah em uma foto em que elas estão acompanhadas também por um sujeito e outra mulher.

— Ah, é que nós somos muito próximas. Ela é uma grande amiga minha.

— Uma "amiga" tipo a tal Thaís era? - disparo sem papas na língua.

Pela forma como aquela Kerline aparece nas fotos, Sarah e ela demonstram uma intimidade grande demais para o meu gosto. Será que foi ela a mulher que escutei chamar Sarah de lindona?

Sarah olha para mim e ri não sei do quê, se não falei nada de engraçado.

— Está com ciúmes, honey?

Aquele seu sorriso debochado me faz espremer os olhos de raiva.

— Se eu estiver?

A bem da verdade é que eu estou mesmo. A intimidade dela com aquela estranha - para mim Kerline é uma estranha, já que não a conheço - é enorme.

— Não têm porquê. - ela segura minha mão. - Como eu disse Kerline é uma grande amiga. Nos conhecemos na faculdade. Ela é maluca de pedra, mas uma boa pessoa, a melhor amiga que tenho.

— Sei... Quando nos falávamos ontem, escutei uma mulher te chamar de lindona. Por acaso era essa Kerline?

— Sim. Ela me chama assim desde que nós tornamos amigas.

— Hum... Você e essa Kerline nunca tiveram nada?

Eu e a minha curiosidade mórbida!

— Não, meu amor. Sempre fomos amigas. Mas não nego que quando a conheci até tentei algo com ela, só que a Ker é hétero até os ossos e me deu um tremendo fora quando dei em cima dela . - Sarah ri fazendo uma careta engraçada.

— Quer dizer que ela é hétero?

- Sim!

- Casada?

— Nossa! Quanto interrogatório. - Sarah ri, mas eu não. E notando isso, ela trata de responder a minha pergunta logo. - Divorciada há três anos. Mas anda de rolo com o Heinrich. - Sarah mostra a foto de um homem loiro que está junto com ela e a tal Kerline em uma foto. O trio segura cada um, uma caneca enorme de cerveja.

Fico mais aliviada em saber que a tal Kerline é hétero e está com um amigo de Sarah.

— Portanto, você pode ficar tranquila que não tem porquê sentir ciúmes dela ou de nenhuma dessas minhas amigas que estão aqui.

Pelo visto, realmente, eu não tenho que me preocupar em relação a isso. Mas vou manter o meu pé atrás só por garantia já que o "seguro morreu de velho".

— No próximo fim de semana, você podia ir comigo a Munique pra eu te levar ao festival. - Sarah acaricia com o polegar o dorso da minha mão que ela segura. - A Oktoberfest começou ontem e vai durar mais três semanas.

— Isso foi um convite?

— Claro. Vamos? Vai se divertido. A Kerline e a Heidi, filha adolescente dela, ainda vão estar lá, pois ficarão hospedadas na minha casa por quinze dias. Aí já te apresento pra elas logo.

- Por que elas ficarão hospedadas na sua casa? Elas não moram em Munique?

- Moravam. Mas há um ano a empresa a qual a Ker trabalha lhe mandou para chefiar a nova filial que se abriu em Hamburgo. Então ela se mudou para lá. Quem não curtiu nada dessa mudança foi a minha afilhada Heidi. 

- Ah, sim.

- Mas e aí, você vai pra lá comigo?

Essa proposta me parece boa, já que irá me render conhecer essa tal Ker, o que me deixará com zero de preocupação a seu  respeito.

— Sim!

— Se quiser leva a Camilla. A Carla parece que vai nessa próxima semana também conosco. Aí, sua amiga faz companhia pra ele, já que o Arthur não poderá ir por conta do trabalho dele. O coitado não conseguiu uma liberação lá na academia onde trabalha.

— Tá bom. Vou falar com a Cami. - aposto que a Camilla vai topar na hora. Festeira como ela só, não vai dispensar uma boa farra como essa, ainda mais, se tem cerveja no meio.

— Ótimo! - ela beija o dorso da minha mão.

🔞🔞🔞

Assim que o jato aterrissa na área privada do aeroporto já há um carro a nossa espera. Do aeroporto Sarah acha melhor já seguirmos direto para à casa do meus pais e falarmos logo com eles. Sarah tem pressa de resolver essa questão o quanto antes.

— Suas mãos estão frias, honey. Quer que eu peça ao Luke para diminuir o ar condicionado do carro?

— Não. As minhas mãos estão frias assim de nervoso mesmo e não por causa do ar condicionado.

Agora que falta tão pouco para estar diante dos meus pais, mais nervosa eu vou ficando.

— Vamos ser positivas e acreditar que vai dar tudo certo? - ela esfrega suas mãos nas minhas para aquecê-las.

— Eu até quero achar isso, só que não consigo.

Juro que até estou tentando ser positiva, só que no fundo sinto que a coisa não vai sair tão bem assim.

— Sarah me deixar falar com eles sozinha primeiro.

Faço uma última tentativa de fazê-la mudar de ideia em me acompanhar nessa conversa. Na minha concepção será melhor falar com meus pais sozinha sem a presença de Sarah.

— De novo isso, Juliette? Não! Já falei pra você que quero estar ao seu lado quando falar com eles.

— Sarah, eu estou pedindo, por favor. Me deixa falar a sós com eles sobre nós.

Já não é mais nem um pedido, é na verdade uma súplica mesmo.

Sarah suspira e larga as minhas mãos para se pôr a encarar a paisagem lá fora pela janela do carro.

— Meu bem?? - apelo para o apelido carinho recém dado e um tom de voz doce.

— Você tem uma hora, Juliette!

— Como assim?

Ela explica que me deixará na casa dos meus pais e irá procurar um hotel para ficarmos hospedadas, depois de uma hora voltará para me buscar e falar com meus pais.

Sarah só pode estar brincando. Querer que eu fale e resolva um assunto daqueles em uma hora apenas. Não tem como!

— Uma hora não é tempo suficiente, Sarah.

— É tempo de sobra.

— Claro que não!

— Juliette é isso ou eu vou com você como é da minha vontade. Aliás, me diz por que raios não quer que eu esteja presente quando contar?

— Eu tenho medo da reação deles, principalmente a do meu pai. Se você estiver junto quando chegarmos lá e eu contar sobre nós, temo que ele surte e... sei lá, perca a compostura com você.

— Lourival me pareceu uma pessoa tranquila, sensata e compreensiva.

— E acredite que ele é, mas o que eu contarei, pode lhe fazer sair do prumo. E eu quero evitar um confronto dele com você, Sarah.

Um enfrentamento entre ela e meu pai, duas pessoas que eu amo muito, não é algo que eu quero ver acontecer. Sem contar que Sarah a meu ver já extrapolou sua cota de brigas. Basta a que teve com a mãe dela e com Rodolffo, sendo que esta última lhe custou até algumas horas na cadeia.

Sarah fica me encarando séria por longos segundos até que por fim concorda com o meu pedido de falar sozinha com meus pais. E ainda muda de ideia dizendo que eu leve o tempo que for preciso, falando com meus pais.

— Me ligue quando acabar a conversa. Eu vou te buscar e falo com eles.

Sorrio aliviada e satisfeita por ter conseguido fazê-la mudar de ideia mais uma vez.

— Obrigada! - lhe dou um beijo no rosto.

— De nada! Mas saiba que não estou nada contente com essa decisão.

Eu imagino. Desde o princípio ela sempre deixou claro que queria estar ao meu lado e deve ter sido um balde de água fria em suas intenções ceder ao meu pedido de não me acompanhar.

— Chegamos, senhora!

As palavras de Luke me privam de rebater o que Sarah havia dito. Acho até que foi melhor assim, pois era arte de acabarmos discutindo ali.

— Me deseja boa sorte? - peço antes de descer do carro, o qual Luke já havia aberto a porta para mim.

De maneira emburrada e visivelmente insatisfeita com aquela situação toda, a Srta. Gostosa me deseja o que lhe peço. Eu então lhe dou um beijo e reafirmo que ligarei para ela assim que tiver conversado com meus pais.

— Estarei esperando sua ligação no hotel.

Assinto e antes de sair do carro dou outro beijo em Sarah, este porém, bem mais profundo e nada comportado que seu antecessor. Só então, depois desse beijo que desço do veículo vendo um sorriso estampando o rosto de Sarah.

— Tchau! - aceno para ela que me acena de volta.

— Quer que eu lhe ajude a levar os quadros até a porta da casa, senhorita Freire?

— Não precisa, Luke. Obrigada. Eu dou conta.

Como eu estava sem a minha valise mesmo, então daria conta perfeitamente dos quadros.

Atravesso a rua e alcanço a casa dos meus pais. Toco a campainha enquanto vejo o carro de Sarah seguir caminho até dobrar a esquina da rua.

Espero apenas uns segundos para ver a porta se abrir e Li sorrir ao me vê

— Ju, mi querida!

Ela me abraça carinhosamente e me ajuda a entrar em casa com os quadros.

— Cadê sua mala?

— Não trouxe! Provavelmente, eu volte hoje pra casa. Só vim conversar com os meus pais sobre um negócio e trazer esses quadros de presentes para os dois. E por falar neles, onde estão? - largo a bolsa no sofá após ter ajeitado um dos quadros próximo ao móvel junto com o outro que Li havia posto ali.

— Estão trancados no escritório com Anitta.

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Eita! Demoraram muito para ir falar.

Quem acompanha as minhas outras fics, eu deixei avisado que essa semana estarei cheia de serviço e, provavelmente, só estarei atualizando as histórias ou na próxima sexta ou no domingo. Mas como eu não quero vocês se corroendo de ansiedade até a próxima atualização, então vou postar já já a continuação desse aqui.

Em instantes estará disponível o próximo capítulo, então aguardem aí, só eu revisar.

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