Capítulo 62
🔞🔞🔞
Já era uma e meia da tarde, Camilla tinha ido a casa dos pais dela, pois os mesmos ligaram mais cedo, "pedindo" que ela fosse almoçar com eles para conversarem sobre um importante assunto de família. Deste modo, cá estou eu sozinha no apê, deitada na minha confortável cama, lendo um romance policial quando meu celular começa a tocar ao meu lado. Paro minha interessante leitura, deitando o livro aberto sobre o peito e apanho o celular que segue tocando ao meu lado no colchão. Na tela o número de Sarah pisca e pelo horário, ela bem já deve ter conversado com a mãe dela e por isso está ligando para me contar como foi. Espero que não tenha sido tão ruim quanto imagino.
— Alô! - me pronuncio ao atender a chamada que já ia para o quarto toque.
— Oi... Amor.
Toda hesitante, ela pronuncia a última palavra ao me saudar. Confesso, que apesar de ainda estar aborrecida (levemente) com a nossa "divergência" de mais cedo, eu sorrio ao escutar aquela última palavra saindo da boca dela. A sensação é de sempre sentir como se borboletas dentro da minha barriga tamanha é a alegria disso.
- Ainda aborrecida comigo?
Explico que ainda que eu tenha ficado aborrecida com a forma com a qual ela falou comigo mais cedo, o meu aborrecimento principal se deu com a decisão sem noção - na minha opinião - que Sarah tomou e não com ela propriamente.
Para ser franca a raiva que sinto até deu uma amenizada. Mas não quer dizer que ela passou! Não! Ela continua, só que bem menos do que quando Sarah e eu conversamos mais cedo ali no meu quarto.
— Eu estou tentando ainda absorver e engolir a sua decisão. - finalizo, dizendo. Vai levar um bom par de tempo para que eu consiga me "acostumar" com essa idéia dela ser a outra mãe do filho da Anitta.
— Tá bom!
É tudo o que ela diz em resposta. Acredito que Sarah ainda gostaria de dizer bem mais que isso, só que por alguma razão não o faz e se cala.
— Falou com a sua mãe?
— Pois é minha mãe.
Sarah faz um som estalado com a boca ao término da fala. E na sequência, emenda, contando que não pôde falar com Abadia.
— Por que não? - sento ereta na cama.
— Fui a casa dela e Matilde me informou que a coroa viajou mais cedo pra Las Vegas para se encontrar com um grupo de amigas. Parece que é aniversário de uma delas e ligaram para a dona Abadia chamando-a pra participar de uma comemoração em um cassino. E como a coroa adora uma jogatina, então foi na hora. Ela volta só na segunda-feira de manhã.
Ai, que droga!
Justo hoje a mãe da Sarah viaja?! Ô, carma. Parece que tudo está conspirando contra a Srta. Gostosa contar logo a mãe dela sobre nós.
— Pelo visto, mais uma vez, as coisas ainda não irão se resolver. - resmungo em desagrado.
— Sinto muito, de verdade, honey. Mas de segunda-feira sem falta essa conversa com ela sai.
— Presumo então que o papo com a Anitta também não vai ser amanhã, já que você quer falar primeiro com a sua mãe, né?
— Pelo contrário, vou aproveitar pra amanhã mesmo falar com sua prima. Não quero adiar mais essa conversa. Anitta vai ouvir poucas e boas de mim.
Não consigo conter o sorriso de satisfação por ouvir isso. Adoraria estar presente para ver a sonsa da minha prima levar um corretivo de Sarah, mas melhor não.
— Tenho certeza que ela vai negar tudo o que eu te disse e ainda é capaz de inventar um monte de mentiras a meu respeito.
Já posso até imaginar a cena dela se fazendo de coitada e me "pintando" para a Sarah como a mentirosa da história. Típico da Anitta! Ela costumava fazer isso para os meus pais quando éramos pequenas e ela aprontava. Aí, a culpa recaía em quem? Em mim! A desgraçada fingia tão bem que sempre era eu quem me dava mau no fim das contas.
— Ela pode falar o que quiser, eu não vou acreditar em uma vírgula do que ela disser contra você, pode ficar tranquila. Anitta não vai me enganar.
Gostei disso. Mais um ponto positivo para ela naquela ligação até agora. Saber que ela confia em mim desse modo é tão lindo. E pensar que eu tola, idiota não acreditei nela quando foi preciso. Estaria sempre em desvantagem nesse quesito com ela.
— Ela não vai aceitar esse término numa boa.
— Problema dela!... Que vá então chorar no ombro do Rodolffo.
Se Sarah soubesse que minha priminha sonsa não é de ficar chorando no ombro de ninguém feito uma bobinha, não diria isso. Realmente, Sarah não me parece conhecer a verdadeira Anitta. A minha prima mentirosa fingiu tão bem para ela que era uma coisa, que a Srta. Gostosa nem imagina como Anitta é de fato.
Minha prima nunca foi de choro - só quando lhe convinha esse papel de mártir. Anitta é de aprontar e eu tenho certeza que ela não vai deixar isso assim. Aquela falsa fará alguma coisa em revide, pois quando ela me disse em Santa Mônica que estava disposta a conquistar e ficar com Sarah, e também quando me ameaçou diversas vezes, eu senti e vi que ela falava muito sério mesmo. Anitta vai aprontar e eu tenho que ficar muito ligada.
— Pouco provável que ela vá fazer o que você disse. Ela não é disso, Sarah.
— Bom, o que ela vai fazer depois que eu terminar com ela não me interessa em nada.
Mas a mim interessa e bastante!
— Você vem pra cá? - mudo bruscamente o nosso assunto. Já chega de ficar falando daquela chata da minha prima.
— Você ainda quer que eu vá para aí?
Claro que eu quero!
Ó, o fogo no rabo da gata! Te preservar.
Te manca e some!
- Sim! - afirmo mais que prontamente. Eu a quero ali me fazendo companhia, ainda mais, que eu estou sozinha em casa. — Você vem?
Ela fica calada por uns segundos na linha me deixando agoniada com seu silêncio. Quando eu já vou insistir por sua resposta, ela se pronuncia:
— Eu vou, sim! Mas... Antes preciso primeiro acertar as contas com o Rodolffo. Vou ao escritório dele e...
— Negativo, você não vai fazer isso. - eu a interrompo no ato. Não acho uma boa ideia ela ir falar agora com esse cara.
— Por que não?
Ela questiona sem entender.
— Se você falar com esse cara agora, com certeza depois, ele vai contar pra Anitta que você já sabe tudo a respeito deles. E aí, a minha prima vai falar com os meus pais e a cagada tá toda armada, Sarah. - explico.
Sarah suspira em desagrado na linha. É de se supor que ela queira logo um acerto de contas com o "amigo", mas precisa ver que fazer isso neste momento não é benéfico para nós duas, principalmente, para mim. Meus pais têm que saber sobre nós por mim e não pela boca mentirosa da Anitta, que vai inventar tudo de ruim para eles a meu respeito.
— Se quer falar com esse cara deixa pra fazer isso depois que falar com a Anitta, agora não me parece bom, Sarah. Por favor, por mim, não procura esse Rodolffo ainda.
— Tá bom! Não irei até ele agora.
Respiro aliviada.
Ainda bem que ela atende meu pedido. É melhor por agora não mexer com Rodolffo e deixá-lo quieto lá no cantinho dele. Aí, depois, que a Anitta receber o corretivo dela, Rodolffo pode receber o dele também.
— Mas depois que eu conversar com a Anitta e a coroa, vou atrás do Rodolffo e aquele babaca vai receber uma boa lição por ficar de "gracinha" com você.
Apesar de ter gostado de saber que ela vai fazer aquilo para me defender e proteger, eu fico preocupada com o que ela poderá fazer àquele bastardo.
— Sarah não vai fazer nada com esse cara que possa depois te prejudicar ou comprometer, por favor.
— Não vou fazer. Apenas darei um belo corretivo nele.
Esse "corretivo" que me preocupa. Ele pode implicar em tanta coisa desagradável que poderá resultar em um revide pior ainda do Rodolffo contra Sarah. E só de pensar nisso já fico mais preocupada ainda com a minha Srta. Gostosa. Se acontecer alguma coisa com ela, eu perco o chão.
— Olha lá que "corretivo" vai dar, Sarah.
— Está preocupadinha com ele é?
Posso sentir seu tom debochado e provocativo ao me questionar.
— Ah, com certeza! - afirmo falsamente.
Ouço a risada alta de Sarah reverberar na linha e esboço um sorriso por isso. Adoro o som da risada dela é agradável aos meus ouvidos.
— Até parece que vou me preocupar mesmo com aquele bastardo, Sarah. - digo e a cretina só ri mais. - Me preocupo é com você.
— Pois não se preocupe. — ela me comunica ainda sorrindo. — Vai ficar tudo bem.
É o que eu espero e torço.
— Você me garante isso?
— Sim!
— Ok. Agora, me diz, você já vem pra cá?
Outra vez, ela faz um breve silêncio antes de responder.
— Não!
Diante dessa sua negativa, eu já vou retrucar e cobrar uma explicação, quando Sarah, emenda:
- Tive uma ideia melhor pra gente.
— Que ideia?
— Ainda não posso dizer, porque vou ver aqui se consigo providenciar algumas coisas. Mas se der tudo certo te ligo depois avisando, ok?
— Tá.
— Beijo!
— Outro.
A nossa ligação se encerra e eu fico curiosa para saber o que Sarah vai providenciar para nós. Pode ser inúmeras coisas que fica até difícil tentar supor. Sendo assim, largo de mão isso. Retomo minha leitura que havia interrompido por conta da ligação de Sarah.
O "depois" que a Srta. Gostosa me disse só veio a acontecer mais de uma hora após a nossa ligação, quando ela me ligou novamente para avisar que nós só nos veríamos a noite. Não gostei muito disso, mas tudo bem! Ela então me pediu para às sete estar arrumada, pois íamos sair para jantar em um lugar que ela não quis contar de forma alguma qual era. Apenas disse que não é um lugar requintado, desse modo, eu poderia ir vestida de maneira bem informal, de preferência que usasse um casaco, jaqueta ou blazer no look que escolhesse. E ainda pediu também que eu preparasse em uma pequena bolsa uma muda de roupa, um biquíni e itens pessoais, pois íamos dormir juntas e no dia seguinte faríamos um passeio.
— Passeio? Pra onde? - não consigo conter a curiosidade.
— Não posso dizer. Te vejo a noite. Beijos.
— Sa... - nem tive tempo de completar seu nome, pois a ligação já tinha sido finalizada por ela. - Aff! A cretina desligou na minha cara.
🔞🔞🔞
— Nossa você está uma gata!
Camilla me elogia quando apareço na sala usando um look todo preto composto de: calça jeans justa, um cropped, jaqueta de couro e bota. Meus cabelos estão soltos e ondulados e a maquiagem é bem básica.
— Sarah disse para usar um look informal. Então acho que esse tá bom, não?
— Tá! E onde será que vocês vão, hein?
Também gostaria de saber!
Meu celular toca em minha mão. É Sarah. Pontualmente às sete. Atendo e ela pede para eu descer, porque não dará para ela subir, já que não achou uma vaga para estacionar em frente ao prédio.
— Tá bom. Tô descendo. - finalizo a chamada e me despeço de Camilla.
Em questão de poucos minutos já estou na calçada em frente ao prédio. Procuro com o olhar o carro de Sarah, mas não encontro.
Cadê essa mulher, meu senhor?!
O celular em minha mão toca outra vez e é Sarah de novo. Atendo e já vou logo ouvindo dela:
— Nossa, você muito está linda e gostosa nesse calça apertada e essa jaqueta de couro!
Sorrio ainda procurando com os olhos o carro dela.
— Obrigada! Mas cadê você que não vejo seu carro?
— Olhe para a sua direita.
Ela instrui e assim o faço. Entretanto não vejo seu carro escuro, apenas outros veículos estacionados em uma fila indiana até a esquina mais adiante.
— Continuo sem ver seu carro, Sarah.
Espero que ela diga sua localização, mas não é o que ocorre. Então vejo uma figura conhecida sair de dentro de um carro esportivo prateado. É Sarah.
— Viu agora?
Escuto a Srta. Gostosa questionar pelo celular e de onde está ela acena com uma das mãos para mim.
— Vi! - confirmo com um sorriso.
Finalizo a chamada e caminho até a esquina onde seu carro está parado. Em alguns bons passos já estou diante de Sarah, sendo recepcionada por ela com um abraço apertado e um rápido beijo, que ela me rouba para não borrar o meu batom e nem o dela.
- Você está diferente do habitual, mas igualmente linda.
Seu look totalmente despojado em relação aos sociais que me habituei a ver nela, está sendo uma grata e deliciosa surpresa. Sarah usa uma calça jeans de lavagem clara, tênis branco e uma camisa lisa de cetim de amarrar na frente e manga 3/4. Os cabelos estão soltos e lisos, sem um fiozinho fora do lugar.
- Obrigada. - ela sorri e pisca um olho para mim daquele seu jeito sedutor, que me faz sentir coisas nada inocentes por ela.
Se preserva, que ainda está muito cedo para esse fogo!
Ai, vai arranjar outro mortal pra atazanar, vai!
Não quero. Você é minha mortal favorita!
E você é a minha voz antipática!
Magoou agora!
— Se você não sai do carro, não saberia que era você aqui neste. - digo, deixando de lado a voz demoníaca.
— Este é meu carro n°2, um Audi R8. - ela diz alisando o capô do veículo bonito.
— Quantos carros têm?
Esse era o terceiro diferente que via a Sarah usar. Teve o da noite que nos conhecemos e o que sempre vejo Luke dirigir quando está com ela.
— Seis! - Sarah responde e eu arregalo os olhos sem que ela veja, já que a Srta. Gostosa havia pego a pequena valise da minha mão e ido guarda-la no porta malas. - Três aqui e três na Alemanha. - explica enquanto guarda a minha valise no compartimento do carro esportivo.
— Nossa! Quantos carros pra uma pessoa só.
— Gosto de carros. Inclusive estou pensando em adquirir mais dois.
— Meu Deus, Sarah! Mais carro? Vai gostar de carro tanto assim lá longe, eu hein.
Ela apenas sorri e abre a porta para eu entrar no veículo.
Momentos depois Sarah já está dirigindo pelas ruas do Brooklyn. E a minha curiosidade acerca de onde íamos jantar, só se aguça. Questiono a Srta. Gostosa a esse respeito na esperança de que ela me conte, mas ela se nega veemente a isso. Insisto um pouco mais e com jeitinho, Sarah acaba mencionando que vamos jantar em Manhattan, entretanto não entrega o local exato lá. Logo imagino que possa ser em sua casa e até arrisco este palpite, mas Sarah nega que será lá o nosso jantar.
— Tô bem curiosa pra saber que lugar é esse que está me levando.
Ela ri e largando a mão direita da direção do carro, pega a minha mão esquerda, leva até os lábios e a beija com toda delicadeza que cabe aquele gesto.
— Tenho certeza que irá gostar. - Sarah me lança um rápido olhar e pisca um olho, estampando um sorriso apaixonante.
Após quase uma hora de uma impaciente viagem para mim, estou diante do North Cove Marina, simplesmente uma das melhores marinas de Nova York. Estampando uma expressão confusa olho na hora para Sarah, que ostenta um sorriso.
- O que foi, honey?
— Uma Marina?? É aqui que vamos jantar?
— Não, exatamente. Mas é aqui que está o meu veleiro aonde nós iremos jantar enquanto passeamos pelo Hudson. - ela me comunica.
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