Capítulo 47

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Logo quando desperto não tenho coragem de me mexer na cama e dou graças a Deus de estar usando a máscara de dormir, para não dar de cara com qualquer claridade no quarto.

Ressaca... Ressaca... Ressaca... E ressaca das brabas!, É tudo no que consigo pensar.

No momento me sinto o pior ser humano na face da terra. Minha cabeça lateja horrores de dor, meu corpo se encontra também todo dolorido e minha boca está com um gosto horrível que eu não consigo nem descrever exatamente qual seja.

"Tão cedo não quero me embebedar de novo!"

"Esse teu papo já ouvi não sei quantas vezes!"

"Ah, não! Pelas caridades, me deixa em paz, voz chata!"

"Eu vou mesmo, porque chutar cachorro morto não é comigo!"

"Sua insolente demoníaca. Cachorro morto é você."

"Não sou eu que estou de ressaca, querida!"

"Se atira da janela desse hotel, vai!"

"Até parece que vai me acontecer algo se fizer isso."

"Vai embora!"

"Tchau!"

Dou graças aos céus quando aquela demoníaca me deixa em paz.

Que inferno é está de ressaca. E o pior nisso tudo, é que eu nem queria me embebedar para início de conversa. Sequer era meu desejo ou vontade isso. Mas acabei no fim das contas fazendo exatamente o que não queria: me embebedar até às orelhas.

Com certa lentidão puxo a máscara até o topo da cabeça, para em seguida com dificuldade abrir os olhos. À primeira vista tudo está embaçado, mas logo que minha visão limpa dou de cara com Sarah sentada na mesma poltrona próxima da minha cama, mas vestindo outra roupa. Até parecia a mesma cena de antes de ontem, porém havia algo em seu rosto diferente: lágrimas escorrendo por eles.

Por que ela chorava?

Ou melhor, será que sua presença ali é real como da outra vez?

- O que você faz no meu quarto de novo? E por que está chorando?

- Como pôde fazer isso comigo, Juliette? - sua voz sai trêmula enquanto Sarah usa uma das mãos para secar as lágrimas.

- Fazer o quê? Tá louca?

- Eu não te traí, mas você não perdeu tempo em fazer isso comigo não é?

Abro a boca para rebater a fala dela, mas antes de emitir alguma palavra sou surpreendida por outra voz.

- Juliette o que essa babaca tá fazendo aqui?

Me viro e encontro um Owen sonolento compartilhando o lençol e a cama comigo.

- Owen??

Meu Deus! Que merda que eu fiz?

- Babaca é você! - Sarah responde em tom raivoso.

- Não fui eu que trai a Juliette!

- Chega vocês dois! - grito e por segundos o quarto fica em silêncio.

- Você pode não acreditar, mas... Eu não te trai, Juliette. Eu te amo de verdade, honey! Só que você, pelo visto não me ama ou nunca amou, porque se amasse acreditaria em mim.

Vejo uma nuvem de decepção e mágoa pairar sobre seus olhos. O fato de eu não acreditar nela lhe doí e isso fica bem evidente no seu olhar.

- Mas eu vou te provar que não te trai. E quando eu fizer isso, você vai se arrepender de ter duvidado de mim. Inclusive poderá até ser tarde demais pra você tentar consertar as coisas entre nós!

Ela se levanta do sofá e ajeita a bolsa em um dos ombros.

- Isso! Vai embora mesmo. Já vai tarde.

- Cala a boca, Owen. - mando aturdida com toda aquela situação.

- Adeus, Juliette!

- Sarah, espera!... Sarah... Sarah...

- SARAH!! - acordo em um sobressalto e me sento na cama com o coração batendo acelerado, a respiração ofegante e a cabeça latejando de dor. Lanço um olhar imediatamente para o outro lado da cama. Vazio!

Graças a Deus!

Foi um sonho. Não passou de um sonho macabro tudo aquilo. Mas parecia tão real!

- Cretina! Até nos meus sonhos você se meteu. - reclamo com raiva e torno a me deitar na cama.

Minha cabeça lateja de dor por eu ter levantado tão abruptamente por culpa daquele sonho.

- Merda de ressaca, merda de sonho e merda de dor de cabeça! - xingo.

Fecho os olhos tentando acalmar as batidas do meu coração e amenizar a dor de cabeça, mas tenho a mente invadida pelas palavras finais de Sarah.

Será que eu cometi mesmo uma injustiça com ela e a tal de Thaís mentiu sobre o que me disse?

Se esse for o caso, eu fiz a maior cagada da minha vida! E ainda perdi a pessoa mais espetacular que já conheci e me apaixonei.

Para o meu bem, agora, prefiro acreditar que realmente Sarah me enganou, pois do contrário vou me odiar profundamente por ter cometido tal injustiça com ela.

- Ai, que dor de cabeça dos infernos! Culpa sua Sarah, sua cretina! - choramingo.

"Foi ela quem bebeu, né?"

"Não se mete, não. Eu não tô boa pra papo contigo!"

"E quando é que tu está mesmo, que eu nunca vi?!"

"Some!"

"Tá, sua bebum!"

Ia mandar aquela demoníaca ir a merda, mas ouço os primeiros versos de You Give Love A Bad Name cantado por Bon Jovi e depois as notas da guitarra e da bateria na canção reverberar alto em algum canto do meu quarto. É o meu celular tocando! Eu não faço ideia de onde essa porcaria se encontra. E o som do toque faz com que a minha dor de cabeça só piore.

Apanho o travesseiro ao lado e coloco sobre a cabeça para abafar o som e não escutá-lo tão alto. Mas parece que não adianta nada, pois o maldito do som continua igual para mim.

- Droga!

Levanto cambaleando da cama. Só então me dou conta de que estou apenas de calcinha e sutiã, e não lembro como consegui tirar minhas roupas e ficar só de peças íntimas. Devo ter travado uma árdua batalha para ter conseguido tal feito, pois quando estou bêbada é uma novela para me livrar da roupa. Camilla quem diz isso.

De pé no meio do quarto, o mundo a minha volta parece um carrossel girando e girando. Santo Deus! Eu enchi demais a cara ontem!

Seguindo o som do celular acabo encontrando o aparelho mais adiante da cama sob o meu blazer jogado no chão. Atendo mais que depressa a ligação para evitar que aquele toque continue a perturbar minha mente.

- Alô!

- Caraca, pela sua voz ainda estava dormindo é?

- Não exatamente.

- A noitada foi boa, né?

- Foi até onde me lembro, Camilla. Sequer faço ideia da hora que terminou e nem como cheguei no quarto.

- Eita! Então encheu a cara?

- E bem amiga! - digo me deitando na cama de novo. Se pudesse ficar nela o dia inteiro, eu ficava. Porem não tinha como, já que volto pra casa hoje.

- Me diz que ficou com o sósia do vampiro?

- Camilla interrogatório agora não. - peço, puxando o lençol para cobrir minha semi nudez.

- Está bem!... Oh, liguei pra saber que horas você chega?

- O vôo está marcado para sair ao meio dia. Em torno de uma meia, se não houver atraso óbvio, eu deva estar chegando no aeroporto. - conto, bocejando. Ainda estou morta de sono.

- Quer que eu vá te buscar lá? A Karol me liberou hoje do trabalho. Ela teve que viajar mais cedo e às pressas por conta de um problema de saúde do pai. Ligaram avisando que ele foi levado para o hospital muito mal.

- Nossa! Então eu vou querer que me busque sim.

- Beleza! Uma e meia estarei lá. E, ó, não pensa que vai escapar de me contar os detalhes do que lembrar dessa noitada de ontem, hein? Beijinhos.

- Beijos!

Encerro a chamada e largo o celular na cama. Encarando o teto meus pensamentos foram tomados pelo sonho de ainda pouco que tive. Incrível como pareceu tão real! Ainda bem que não foi. Eu e Owen dormindo juntos e Sarah nos pegando nessa situação. Só mesmo em sonho porque na realidade isso não acontecerá.

🔞🔞🔞

- Meu Deus! Você está pior que eu. - esboço um sorriso ao ver Pocah de óculos escuros tomando café em uma mesa do restaurante.

- Você diz isso, porque ainda não viu a cara do Owen. Esse está pior do que eu e você juntas.

- Sério? Cadê ele?

Preciso ter uma conversa com Owen sobre ontem. Pelo que eu me lembro a gente se beijou e "ficou" a noite toda. E eu tenho que deixar claro para ele que foi só coisa de momento. Eu ainda não estou em condições de entrar em um relacionamento agora. E nem quero.

Só não faço ideia de como dizer tudo isso para ele sem parecer uma escrota e correr o risco de estragar uma amizade que começou tão boa como foi a nossa.

- Ele estava aqui até minutos atrás, mas precisou sair pra ir ao centro de convenções. Lembrou que tinha que visitar um estande com o lançamento de um livro da editora dele. E correu pra lá.

- Ele foi de ressaca e tudo?

- Foi. Colocou óculos escuro e tomou uma generosa xícara de café preto e se mandou pra lá.

- Estou precisando de uma xícara de café preto também. - sinalizo ao garçom que vem na hora. Faço meu pedido à ele e o sujeito logo já parte para providenciar o que lhe peço.

- Nossa, estou com uma ressaca que só costumava ter na época da faculdade.

- Nem me fale, Pocah.

Na minha época de faculdade também acordei algumas vezes de ressaca e das brabas.

- Mas também me diverti como há tempos não fazia.

Minha chefe abre um sorriso largo. Algo que me diz que isso se deve mais a Nancy do que propriamente a festa na boate.

- Eu vi como se divertiu bem.

- Também vi como você e o Owen se divertiram junto, viu Juliette!

Esboço um sorriso sem jeito.

- E aí, tem futuro vocês?

- Pocah foi coisa de balada. Além do mais acabei de sair de uma relação. Não estou em condições de cair em outra tão rápido.

- Mas vocês fazem um casal bonito.

- Você e a Nancy também. Tem futuro?

- Não sei. Vou deixar o tempo dizer.

Durante o restante do nosso café conversamos sobre a noitada de ontem, pelo menos das coisas que eu lembrava. E soube por Pocah de fatos que eu nem fazia ideia que tivessem acontecido por conta de já ter bebido demais, como, por exemplo: que foi Owen quem me levou até o quarto, pois eu não me aguentava em pé de tão bêbada.

Meu Deus, que vexame eu paguei na frente da minha chefe e do meu mais novo amigo.

Ficamos ainda de papo por um tempo razoável até decidirmos subir cada uma para o seu quarto a fim de ajeitar nossas coisas para nossa viagem de volta para casa.

As onze e quinze estávamos na recepção do hotel fechando a conta para irmos rumo ao aeroporto quando Owen aparece de volta do centro de convenções só para se despedir da gente. E junto com ele aparece Nancy para se despedir da Pocah.

- E então... Foi muito bom te conhecer, Juliette Freire

- Eu posso dizer o mesmo ao seu respeito, Owen Clark.

Ele sorri.

- Quando eu estiver mais livre em Nova York, vou te ligar qualquer dia pra marcar de sairmos, pode ser?

Assinto e resolvo tocar no assunto que eu enrolava para tocar.

- Owen sobre ontem...

- Vamos deixar o ontem no ontem. - ele pronuncia me interrompendo. - O que aconteceu entre a gente na boate, foi uma curtição boa, divertida, mas não vai tornar a acontecer, não é isso?

- É! - eu tinha que ser sincera com ele.

- Imaginei! Então relaxa e fica tranquila que eu tô de boa e não estou te cobrando nada. Ok? - ele me estende a mão.

Em vez de segurar sua mão, eu faço é abraçá-lo.

- Ok! - lhe sussurro.

- Se cuida, Juliette.

- Você também!

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São uma e quarenta quando Pocah e eu cruzamos o portão de desembarque. Nosso vôo foi tranquilo e eu até tirei um cochilo durante a viagem. Minha chefe que me acordou quando o avião pousou.

Uma rápida olhada em volta e enxergo a maluca da Camilla acenando com os dois braços para a gente.

- Ó, a Camilla ali. Vamos lá. - comento com Pocah e nós já seguimos até onde minha amiga se encontra.

- Ei! E aí como foi a viagem?

- Foi boa e proveitosa.

- Quer carona, Pocah? Eu te levo.

- Obrigada, Camilla, mas não é necessário. Deixei meu carro guardado aqui no estacionamento do aeroporto mesmo.

- Ah, tá.

- Vou indo. A gente se vê amanhã, na editora, meninas. Tchau.

- Tchau! - eu e Camilla falamos juntas e vemos minha chefe seguir para a saída do aeroporto.

- E nós? Vamos também?

Apenas assinto à minha amiga.

Momentos depois no carro de Camilla e à caminho de casa, ela foi me crivando de perguntas a respeito de ontem. Conto até onde lembro.

- Quer dizer que você deu uns pegas no sósia do vampiro? Mas quem foi que disse que não ia fazer isso mesmo?

- Eu tinha bebido um pouco além e acabou rolando de comum acordo antes que pergunte se ele forçou a barra.

- Ah, sim! Mas você não dormiu com ele, dormiu?

- Não!

E se tivesse dormido como aconteceu no sonho, não sei com que cara olharia para o Owen. Foi muito estranho acordar e vê-lo ao meu lado na cama.

- E ele tem pegada? Beija bem?

- Sim para ambas as perguntas. - afirmo após uns segundos de silêncio. - Mas eu senti falta de outra pegada e de outro beijo. - confesso.

- Já até imagino de quem seja. Da Srta.Gostosa, não é?

À ela, eu não consigo mentir.

- Sim! - admito, dando um longo suspiro e encarando a rua pela janela do carro.

O resto do percurso até em casa foi silencioso depois disso.

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Assustei vocês?

Não ia fazer a Ju dormir com o Owen não.

Agora capítulo só segunda.

Um xero e até.

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