Capítulo 42
🔞🔞🔞
Terminando de me arrumar para ir a abertura da feira do livro com a Pocah, ouço o celular apitar sobre a cama. Vou até ele e apanho o aparelho. Trata-se nada mais nada menos que outra mensagem de Sarah. Já tinha perdido as contas de quantas mensagens ela já me mandou ao longo desse dia, já que suas inúmeras ligações eu não atendi - o sinal de chamada bloqueada apareceu diversas vezes na tela do meu celular.
Só por curiosidade entro no aplicativo para ler essa sua última mensagem, já que as outras não fiz questão alguma de abrir. Elas chegavam e eu entrava no aplicativo offline só para excluí-la sem ler o conteúdo das mensagens. Nesta última que resolvo abrir dizia o seguinte:
De: Srta.Gostosa
Para: Juliette
"Honey o que está acontecendo? Por que não me atende e nem responde minhas mensagens? Ligo para a Camilla tentando saber sobre você, mas ela também não me atende. Estou preocupada com você, meu amor. Me dá um sinal de vida!"
Ah, ela está preocupada??
Quer um sinal de vida??
Pois eu vou lhe enviar um "sinal de vida"!
Digito rapidamente um: "Me deixa em paz e vai pro inferno!", E envio para ela a mensagem de texto bem auto explicativa para não ter erro de ela não entender.
— Está aí o seu sinal de vida, cretina!
Jogo o celular na cama e vou tratar de terminar de me aprontar.
🔞🔞🔞
O McCormick Place estava lotado, mas é lotado mesmo! Milhares de pessoas podiam ser vistas ali. Eu estava impressionada não só com a quantidade de gente que via, como também, com o tamanho do lugar. Pocah que já esteve ali antes, me explicou que aquele é o maior centro de convenções dos Estados Unidos. Possuí mais de 240 mil metros quadrados de pavilhões, quatro salões, quatro teatros e 173 salas de reunião.
Eu já tinha ouvido falar que aquele centro de convenções era grande, mas não imaginava que fosse tão, tão, tão grande assim!
Durante o tempo em que fiquei por ali com Pocah, nós assistimos ao show de abertura da feira, depois visitamos estandes, assistimos uma palestra e outras atrações mais. E em nenhum momento desse tempo, eu lembrei de Sarah e o que aquela "amiga" dela me disse. Tinha distração demais para me recordar daquela cretina.
Mas bastou estar de volta ao hotel e me ver sozinha em meu quarto, para lembrar de quem eu não queria.
Ao apanhar o celular para ligar para Camilla e contar tudo de legal que vi, eu descubro cinco mensagens de Sarah. Não notei aquilo antes, porque deixei o celular no silencioso enquanto estava na feira. Não queria ser interrompida enquanto estivesse no evento.
Ao ver aquelas mensagens dela suspiro e penso em não abrir nenhuma, mas depois mudo de ideia.
Primeira mensagem:
De: Srta.Gostosa
Para: Juliette
"Que história é essa de 'me deixa em paz e vai pro inferno', Juliette?"
Minha mensagem tinha sido clara o bastante. Que parte ela não entendeu? Burra!
Troco o nome de seu contato para cretina burra antes de ir ler suas próximas mensagens.
Segunda mensagem:
De: Cretina burra
Para: Juliette
"Juliette o que está acontecendo com você?"
Terceira mensagem:
De: Cretina burra
Para: Juliette
"Quer fazer o favor de me responder?"
— Nem em sonho!
Quarta mensagem:
De: Cretina burra
Para: Juliette
"Você quer me fazer de palhaça?"
— Palhaça fui eu, ou melhor, idiota mesmo por ter acreditado em uma grama do que você disse.
Quinta mensagem:
De: Cretina burra
Para: Juliette
"Se você não entrar em contato logo comigo, eu dou um jeito de descobrir seu paradeiro e ir até você!"
Pois ela que se atreva a vir aqui que eu a expulso a ponta pés se preciso for!
E se ela pensa que me ameaçando assim vai conseguir o que quer, está enganada. Eu não vou entrar em contato com ela. E muito menos vou mandar porcaria de mensagem alguma em resposta. Eu não quero mais saber dela! Foda-se, Sarah Andrade!
Apago suas mensagens e bloqueio seu contato no aplicativo de mensagem. Então ligo para Camilla. Primeiramente conto a minha amiga sobre como foi na feira do livro, já que isso foi a primeira coisa que ela quis saber. Depois revelo sobre as mensagens que Sarah mandou e que eu apaguei e que ainda bloqueei seu contato também no aplicativo. Ouvi de Camilla que fiz muito bem. Ela ainda revelou que Sarah também havia ligado para ela inúmeras vezes e lhe mandando algumas mensagens ao longo do dia, querendo saber se ela já havia falado comigo. Minha amiga disse que não respondeu a nenhuma mensagem dela, sequer visualizou. Porém confessou que sentiu ímpetos fortes de mandar um textão e finalizá-lo com um enorme: Vai a merda!
— Você não vai poder ficar evitando-a e se esquivando dela quando voltar, Ju. Uma hora ela também volta da Alemanha e você terá que enfrentá-la e lhe dizer umas boas verdades na cara.
— Então que seja só quando ela voltar de lá mesmo e que isso ainda demore, porque tão cedo eu não quero vê-la ou ouvir a voz daquela cretina.
Depois da ligação com a Camilla ser encerrada, eu resolvo descer até o bar do hotel para me distrair um pouco. Ficar ali no quarto pensando na Sarah e toda aquela merda não me faria bem. Amanhã pela manhã não havia nada para fazer. Pocah disse que somente a tarde que íamos a feira novamente. Portanto, eu podia esticar a minha noite até mais tarde e de quebra beber um pouco para afogar as mágoas.
Saí do quarto e no mesmo instante minha chefe fazia o mesmo do dela. O quarto de Pocah fica há dois do meu.
— Ei, descendo pra jantar?
— Não! Pra falar a verdade nem estou com fome. Vou só no bar beber algo.
Ela fez uma cara de decepção.
— Puxa que pena! Vim justamente saber se não queria jantar comigo. Soube que aqui tem um excelente cardápio vegetariano. E pensei que ia adorar comprovar se de fato o jantar daqui é excelente mesmo.
Que gentil da parte dela. Pena que eu não estava com fome e nem era uma boa companhia aquela noite, pois do contrário até aceitaria seu convite para jantar.
— Se você quiser a gente pode deixar esse jantar pra amanhã.
— Sim. Mas quer companhia para beber no bar?
— Me desculpa, mas não. Eu gostaria de beber sozinha.
Me sinto um pouco mal por dar essa dispensada nela, mas eu precisava ser sincera.
Pocah meneia com a cabeça e fica em silêncio me olhando por um breve instantes.
— Você não está legal, né? E não deve ser só porque está naqueles dias. Não quer compartilhar o que houve? - ela repousa sua mão esquerda em meu ombro e dá um leve aperto.
Apesar de sua gentileza e preocupação. Minha chefe é a última pessoa com quem eu quero partilhar aquela decepção.
— Desculpa, mas melhor não. - outra vez a dispenso.
— Tudo bem. Mas se precisar conversar em outro momento conte comigo para te ouvir.
— Valeu, Pocah.
— Quanto ao jantar... Fica para amanhã sem falta?
— Sim! - sorrio para ela.
— Então beleza. Vou voltar para o meu quarto e pedir minha comida de lá mesmo. Boa noite, Ju.
— Boa noite!
Enquanto ela segue de volta para seu quarto, eu me dirijo para pegar o elevador. Poucos instantes depois, já me encontrou no bar, acomodada em uma banqueta diante do balcão, recebendo do barman um drinque que o sujeito me sugeriu quando o indaguei sem ter a ideia do quê realmente pedir.
Precisava de uma bebida, mas não para ficar bêbada, só para uma tentativa de distração e quem sabem assim não pensar naquela cretina da Sarah.
O drinque de nome 'Lagoa azul', leva segundo a descrição do barman: Curação blue, gelo, Soda, limonada, suco de limão e Vodka, é bom mesmo como o sujeito que me sugeriu, disse. Tanto que eu termino rápido a taça com o líquido azul e logo peço outra com a mesma bebida ao barman que me atendia.
Quando eu estava na terceira dose do meu drinque e tamborilando os dedos no balcão do bar no compasso da música suave que tocava no ambiente do local, sinto alguém se acomodar na banqueta vazia ao lado da minha e me indagar.
— Esse drinque é bom?
Viro o rosto para ver quem é o dono da voz grave que se dirige à mim. Encontro um sorridente cara, super gato por sinal, que na hora me lembra o ator da série preferida da Camilla, só que me foge o nome do cara e da série agora.
Como é mesmo o nome de ambos, meu Deus?!
Ah, lembrei!
A série se chama The Vampire Diaries e o ator Ian Somerhalder.
Só que o desconhecido diferentemente do ator da série, usa óculos de grau, possuí uma barba rala e seus cabelos são de um corte mais formal e curto. O cara, basicamente, é a versão intelectual do vampiro Damon Salvatore e que de quebra, ainda me exibe um sedutor sorriso.
— Ei, não vai me responder?
— Desculpa! O que perguntou mesmo?
Eu tinha ficado tão impactada e embasbacada com a visão daquele sósia do ator da série dos vampiros, que até esqueci a pergunta que ele me fez.
— O drinque que você está bebendo é bom?
— Ah, sim. É muito bom, tanto que já estou no terceiro. - informo ao estranho bonitão antes de desviar o olhar dele para encarar minha bebida novamente e dar outro gole nela.
— Amigo vê um pra mim desse que a senhorita está bebendo.
Escuto o cara pedir e vejo o barman assentir para o sujeito ao meu lado.
— Bebendo pra afogar as mágoas?
Quase a bebida saí da minha boca em uma cusparada que eu felizmente consegui segurar a tempo.
Como ele sacou isso?
— Por quê? Pareço estar bebendo com essa finalidade? - me viro na banqueta de modo a ficar de frente para o sujeito que eu ainda nem sequer sei o nome.
— Sinceramente? - assinto para ele positivamente. E exibindo-me um sorriso enquanto retira seus óculos e os guarda no bolso interno do blazer branco que usa por cima da camisa azul com gravata listrada em tons de azuis, o cara me diz: - Parece! E sabe por quê eu sei disso? - antes que eu ouse lhe responder, ele o faz: - Porque já fiz algumas vezes isso que você está fazendo.
Apenas deixo que um sorriso irônico escape do canto dos meus lábios enquanto o barman aparece para depositar sobre a bancada do bar o drinque do sujeito que falava comigo.
— Valeu, cara. - agradeceu o sujeito ao funcionário local antes provar seu drinque. Eu apenas o observo calada. - Hum... Realmente isso é bom mesmo! - o cara aponta para a taça com sua bebida e olha para mim. - Ótima escolha essa sua.
— Na verdade foi sugestão do barman. Ele que me indicou esse drinque. Agradeça a ele. - informo ao desconhecido.
— Ah, sim. Ótima sugestão de drinque que deu a moça, cara. - o barman apenas sinaliza um positivo com o polegar. O sujeito ao meu lado se dirigi a mim novamente: - Sou Owen Clark. - ele me estende a mão.
— Juliette Freire! - aperto sua mão.
— Prazer, Juliette.
Apenas assinto e tomo a iniciativa de desfazer o nosso aperto de mão, para pegar minha taça novamente e beber de uma vez o restante do meu drinque, que estava na metade da taça.
— Vê outro, por favor! - peço ao barman empurrando minha taça vazia.
O cara vem, pega a taça e vai preparar outro drinque como pedi.
— Uau! - ouço o tal Owen resmungar ao meu lado, mas nem lhe olho. Não estava muito a fim de papo ainda mais com desconhecido. Mas o cara parecia querer papo comigo, pois logo lhe escuto, questionar-me: - Mas e aí... Você está mesmo bebendo pra afogar as mágoas por quem? Um namorado... Noivo... Ou marido?
Olho para ele e mesmo sem muita vontade resolve satisfazer sua curiosidade.
— Por uma idiota que me fez de palhaça. - resumo com seriedade.
— Uma? Então é mulher?
- Sim.
- Não quer desabafar comigo? Acho que você tá precisando disso. E eu sou um ótimo ouvinte, sabia?
Ergo uma das sobrancelhas em desconfiança e Owen sorri. Involuntariamente acabo rindo junto.
— Não diga?! E você por acaso é algum psicólogo, terapeuta ou psiquiatra? - digo com ironia ainda rindo.
— Não! - ele dá um gole em seu drinque antes de prosseguir, dizendo: - Na verdade, eu sou editor-chefe de uma editora chamada Bag of Books.
------------------------------------------------------------------
Um xero e até segunda.
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top