Capítulo 11

Naquele fim de semana John ficou o tempo todo em seu apartamento. Estava bastante cansado para sair em busca da moça misteriosa. Não sabia se estava mais cansado da viagem ou da maratona de sexo imposta por Stephany.

Stephany deveria ter mais algum segredo, além de não poder ter filhos e nunca ter arranjado um marido. O que mais intrigava John era a declaração de que ela fazia sexo todas as noites. Aquilo seria realmente verdade, ou era apenas um pretexto para fazer sexo com ele todos os dias em que permaneceram naquele hotel? Talvez fosse verdade mesmo, só isso poderia explicar aquela quantidade de preservativos que Stephany tinha sobre sua penteadeira.

Na segunda-feira John acordou cedo, fez a barba e tomou banho. Tomou café e foi para o trabalho. Chegou ao escritório e Stephany já estava lá. Ela se comportava absolutamente como se nada tivesse acontecido entre os dois. Ali eram apenas dois colegas de trabalho como sempre.

— Bom dia, Stephany.

— Bom dia, John.

— Bom dia, Richard.

— Bom dia, John. Como foi a viagem?

— O congresso foi ótimo, muito melhor do que eu imaginei que seria. Esta viagem fez muito bem para mim.

— Estou vendo pela sua cara, aconteceu algo de especial?

— Não! Apenas foi bom esquecer um pouco dos problemas e da minha falta de sorte.

John não queria que Richard soubesse do que havia acontecido entre ele e Stephany. Ela não tinha pedido segredo, mas não era interessante contar, afinal o que havia entre ele e Stephany era apenas atração física, nada mais do que sexo.

— Esta viagem fez você esquecer aquela ideia absurda de procurar alguém que não sabe onde procurar?

— Não, ainda não desisti. Até lá em Los Angeles quando estávamos no shopping eu acreditei ter visto a tal garota, mas foi apenas um engano. No entanto, vou colocar um limite, se até o final do ano eu não encontrá-la vou desistir desta procura.

Peter, seu chefe tinha lhe pedido um relatório sobre o congresso, então John foi até a sala de Stephany para que pudessem concluí-lo.

— Stephany, precisa de ajuda para terminar o relatório?

— Não, já estou finalizando. Mas você pode me ajudar em outra coisa... — disse ela.

— Sim, pode falar Stephany.

— Me ajude a encontrar um homem maravilhoso igual a você e que não esteja disposto a ter filhos.

— Não conheço muitos homens nesta situação, mas vou ver o que posso fazer. Eu prometo.

"Ainda bem que ninguém ouviu a nossa conversa. Se eu não encontrar esta garota até o final do ano eu caso com Stephany, eu juro", pensou John enquanto saía da sala de Stephany.

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Naquela mesma noite John retomou a sua caçada em busca da garota. Decidiu ir até a lanchonete onde tudo começou. Já fazia algum tempo que o rapaz não aparecia por lá. Para piorar a situação a moça que estava no caixa lhe disse que a outra funcionária, a que ele conhecia, já não trabalhava mais no local. Assim sua procura começou da estaca zero. Continuava sem nenhuma informação e sua única informante já não estava mais ali para ajudar.

John olhou para o alto e viu que na lanchonete existia um sistema de monitoramento através de câmeras.

"Se eu tiver a imagem deste vídeo vai ficar muito mais fácil de procurar, alguém pode reconhecê-la através da imagem", pensou ele.

John foi até ao responsável pelo local e pediu informações.

— Vocês guardam estas imagens do sistema de monitoramento em vídeos?

— Sim! — respondeu o senhor não entendendo o motivo da pergunta.

— Preciso dessas imagens para procurar uma pessoa que esteve aqui.

— Você é da polícia?

— Não! Nada disso. Só estou tentando encontrar uma pessoa.

— Quando aconteceu isso? — perguntou o senhor.

— Aproximadamente dois meses atrás.

— Então infelizmente não poderei ajudar. Nossos arquivos são mantidos apenas por trinta dias. Depois são apagados. Isso só não acontece em casos de roubo ao estabelecimento, mas neste período não ocorreu nenhum.

— Tudo bem, muito obrigado — disse John desapontado. Se tivesse pensando nisso antes talvez tivesse conseguido a imagem. A ideia era boa, mas foi muito tardia.

John retornou para sua mesa e ficou ali, bebendo seu refrigerante de limão. Todos que estavam no local tinham acompanhantes, apenas ele estava sozinho.

Chegaram ao local três moças, pelas roupas que usavam estavam prontas para irem a alguma festa.

"Espero que não queiram sair comigo, três já é demais", pensou John lembrando da última vez que saiu com duas mulheres.

Elas sentaram em uma mesa próxima de onde John estava e não se preocupavam que ele ouvisse a conversa.

Uma delas disse sem citar nomes.

— Nossa amiga se superou, dormiu seis noites seguidas com o mesmo homem, e sem cobrar nada pelos serviços.

— Sim, mas ela tem emprego fixo, faz isso apenas porque gosta, não porque realmente precisa, igual a nós — disse outra.

John tinha certeza de que eram prostitutas e só poderiam estar falando de Stephany. Era muita coincidência. — pensou ele começando a entender as atitudes dela.

John pagou a conta e foi embora antes que as três resolvessem lhe convidar para alguma festinha. Ele ficou pensando se seria aquele um ponto de encontro de prostitutas, ou se era apenas uma coincidência.

Andando com seu carro pelas avenidas, foi pensando na conversa que tinha ouvido. Stephany teria uma dupla identidade? Seria este o seu grande segredo?

Aquela noite não foi muito proveitosa para John. Não conseguiu nenhuma informação nova a respeito da moça misteriosa. Retornou para o seu apartamento e foi dormir.

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No outro dia logo cedo o telefone de John tocou. Era Jennifer, sua irmã.

— Bom dia, John.

— Bom dia, Jennifer. Algum problema com a mamãe?

— Não! Mamãe está bem. Preciso ficar uma semana em São Francisco, tenho uma pesquisa para realizar e é muito perigoso fazer este percurso sozinha todos os dias de manhã e à noite. Posso ficar em seu apartamento?

— Sim, claro — disse John alegre porque teria companhia.

— Então combinado, semana que vem estarei aí — disse Jennifer desligando em seguida.

"Preciso dizer para Stephany não aparecer por aqui na próxima semana. Não quero que minha irmã pense que somos namorados", pensou John.

Na noite seguinte John resolveu mudar sua rotina. Foi naquele bar da Marina onde conheceu Jodie, Nicole e Melissa.

Nenhuma das três estava no local, melhor assim. Jodie e Nicole eram prostitutas e Melissa estava a fim de John. Isso não era o que John queria para sua vida, casar com prostitutas e namorar com alguém só para tentar esquecer outra pessoa. Isso porque não sentia nenhuma atração por Melissa.

Não demorou dez minutos e Jodie entrou no bar, ainda bem que estava acompanhada de um homem. Ela cumprimentou John mesmo à distância. Compraram alguma coisa e saíram.

O que seria mais deprimente, a vida solitária que John levava ou a vida dessas mulheres que vendiam seus corpos em troca de prazer? Pelo menos elas tinham a satisfação em dormir com homens sempre que estivessem interessados. No entanto, John estava sozinho não por opção, mas porque a vida lhe impôs esta situação.

Logo em seguida chegou Nicole, estava sozinha e imediatamente avistou John indo em sua direção.

— Olá John, como vai?

— Oi Nicole, tudo bem. E você?

— Tudo bem. Por acaso você viu a Jodie por aqui?

— Sim! Ela esteve aqui acompanhada, mas já foi embora. Isso tem poucos minutos.

— Hoje ela me deixou para trás, ainda não arranjei trabalho para esta noite. E você, o que faz por aqui?

— Estava aqui esperando para ver se encontro uma pessoa — disse John.

— Como assim? Quem é esta pessoa? — perguntou Nicole.

— Acho que não contei minha história para vocês naquela ocasião em que nos encontramos. Eu estou à procura de uma moça que conheci, estou apaixonado por ela, mas não sei nem ao menos seu nome. Então eu fico assim, em bares, lanchonetes e em outros locais tentando encontrá-la. Mas até agora a única coisa que consegui foi vê-la no meio da multidão e não consegui me aproximar. Perdi-a de vista novamente.

— Nossa! E se você encontrá-la e ela não estiver a fim de um relacionamento, como será?

— Isso pode acontecer, mas no momento a única coisa que eu penso é em encontrá-la. O resto eu vejo depois.

— E hoje você vai ficar aqui até que horas? — perguntou Nicole.

— Não sei, acho que daqui a pouco eu vou embora.

— Você não quer se divertir um pouco? Afinal até agora não consegui cliente e você pelo visto também não vai conseguir nada ficando aí sentado sozinho.

— Desculpe, Nicole. Não estou muito a fim.

— Para você eu faço pela metade do preço.

John pensou um pouco e acabou concordando. Afinal logo iria para casa mesmo.

— Tudo bem! Então vamos, Nicole.

Eles chegaram no motel e foram para o quarto.

— Nicole, posso fazer uma pergunta?

— Sim, pode dizer.

— Você escolheu esta vida ou foi o destino que te colocou nela?

— Por que está me perguntando isso?

— Apenas por curiosidade, mas se não quiser não precisa responder.

— Estou nesta vida porque não tive outra opção. Na verdade até existe, mas assim é muito mais fácil de ganhar dinheiro. A maioria das garotas estão nesta vida apenas por causa do dinheiro fácil. Não é em qualquer emprego que você consegue ganhar cem dólares em uma ou duas horas. Acredito que ninguém gosta de se prostituir, mas se você está disposta a enfrentar os problemas da profissão, então vale a pena.

— Mas agora vamos parar de conversa, não foi para isso que viemos aqui — disse Nicole.

Nicole começou a se despir e ficou só de lingerie. Em seguida despiu John. Nicole tinha a pele clara e um corpo atraente. Na verdade John estava cansado de fazer sexo apenas por fazer, mas Nicole sabia os segredos para deixar um homem excitado. Os dois fizeram sexo intensamente e depois foram tomar banho.

— Você já saiu com homens que estavam a fim apenas de conversar?

— Sim, John. Não é muito comum, mas acontece. Percebi que você não estava muito a fim. Mas depois você quase pegou fogo.

— Realmente eu não estava. Mas não é sua culpa. O problema é comigo mesmo. Queria ter uma mulher só para mim. Tenho saído com muitas mulheres iguais a você, isso já está passando dos limites. Não quero esta vida para mim.

— Entendo. Geralmente os homens que nos procuram são casados, não solteiros, igual a você. Eles procuram aquilo que não conseguem com suas esposas e, na verdade, você nem me procurou. Eu é que me.

— Você não pensa em sair desta vida algum dia?

— Sim, mas para isso tenho que ir embora para bem longe daqui, onde ninguém conheça meu passado. Você se casaria com uma prostituta?

— Acredito que não. Uma coisa é uma transa sem compromisso. Casar com uma prostituta que já saiu com centenas de homens diferentes é bastante complicado.

— Foi o que pensei, mesmo que eu tente esconder meu passado em um lugar onde ninguém me conhece, um dia a verdade vem à tona.

Os dois saíram do motel e John parou na frente da lanchonete onde estavam antes de irem ao motel.

— Se precisar dos meus serviços você já sabe onde me encontrar.

— Tudo bem, Nicole. Boa noite, até mais.

John retornou para seu apartamento e foi dormir. Mais um dia passou sem ele saber qualquer informação a respeito da garota misteriosa.

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