||Capítulo 45| |
Bea correu até seu carro, enquanto chorava, mas Joe conseguiu alcançá-la.
- Beatrice, espere.- Ele segurou o pulso dela.- O que foi isso?
- Nunca viu alguém apanhar?
- Você não é assim...
- Eu sei!- Ela gritou.- Você acha que eu estou feliz com isso? Eu não fui criada em um ambiente violento, isso não faz parte da minha ética, eu estou sim envergonhada!- Ela gritou, e se desviou quando Joe tentou tocar no rosto dela. Além das lágrimas, o nariz de Beatrice começava a sangrar. O vermelho nos braços estava nítido. A blusa rasgada não mostrava nada, mas era uma evidência.- Eu nunca deveria ter perdido a cabeça. Porque era exatamente isso que ela queria, ela tem feito esse jogo há dias, e eu cedi. Principalmente por sua causa, que decadência.
- Por minha causa?- Joe riu, incrédulo.- Beatrice, ela disse coisas tolas, nós dois não temos na...
- Eu sei!- Beatrice esbravejou.- Eu conheço garotas como ela, Joe. Conheço melhor do que gostaria. Ela tem nos afastado há dias e agora forjou essa cena para que eu visse. Percebi tarde demais.
O Hammar respirou aliviado.
- Que bom que não estamos com problemas. Eu nem saberia como explicar.
- Não estamos com problemas. - Beatrice limpou os olhos.- Mas nós dois não temos mais nada.- Ela se virou, e Joe segurou o braço da Coleman novamente.
- O quê?- Ele riu, sem entender.- Você acabou de dizer que eu não tenho nada com ela, e ainda sim você...
- O problema, Joe, é que você me faz ser alguém que eu não quero ser. E eu percebi isso hoje. Eu fui, por ciúmes, uma pessoa estúpida e inconsequente. E eu odiei me sentir assim. Eu nunca senti ciúmes por alguém, muito menos participei de uma competição.- Ela tocou o rosto dele, as mãos trêmulas.- Isso, Joe, é uma competição por sua atenção. É isso que Kayla fez de nós. E eu não quero participar dela.
- Mas, Beatrice, eu e a Kayla....
- Vocês tem uma história!- Ela berrou.- Quando te perguntei, Joe, você mentiu pra mim. Disse que eram só amigos. Amigos que, todas as vezes que ela vem pra cá, vocês vão pra cama!- A voz dela falhou.- Você é um mentiroso!
- Eu não menti!- Joe tentou se defender.- É óbvio que isso não aconteceu dessa vez, Bea, porque eu estou com você...
- Bem, não está mais.- Beatrice entrou no carro, e Joe, através da janela aberta, segurou a mão dela para não ir embora.- Você só tem espaço pra uma garota mimada e egoísta, Joe Hammar. E essa garota não sou eu.
- Fique, por favor. Vamos conversar.- Ele implorou.
- Não posso ficar.
- Beatrice, olhe bem nos meus olhos e diga se você vai ter coragem de desistir de nós.- Joe quase chorava. Bea não o olhou.
- Eu...- ela respirou fundo.- Nunca existiu nós, Joe. E você sabe disso.
O rapaz, machucado, soltou as mãos dela, que ligou o carro. Ele mordeu o lábio. Bea levantou o olhar, e as lágrimas desciam desenfreadas.
- Você está sendo covarde.- Ele falou.- Eu estou surpreso. Pensei que você fosse uma pessoa que encarava as dificuldades, e não fugia. Você está com medo, porque você diz uma coisa e seu coração diz outra.- O cowboy ainda tentava.- Eu te amo tanto, Beatrice, e você precisa perder o medo. O amor não é assustador como você acha. Não vai te machucar.
- Não vai me machucar, Joe?- Ela riu ironicamente.- Olha bem pro meu rosto. Olha pra minha roupa. Eu estou ardendo em ódio, eu queria poder esmagar tudo dentro de mim. Foi o seu amor que fez isso comigo.- Ela respirou fundo, colocando as mãos no volante.- Eu quero distância dele.
As lágrimas de Joe caíram.
- Quer saber?- Ele se afastou do carro.- Todos tem razão. Ótimo. Você quer ir embora? Vai. Eu esperei demais, Beatrice, mas não posso mais deixar você ter todo o controle do meu coração.- Joe limpou seu rosto, dando as costas. - Eu estarei aqui caso esteja pronta pra falar de nós mas, do contrário, você pode seguir sozinha. Eu tentei.
Fechando o vidro, Beatrice ligou o carro e correu até a cidade.
Joe adentrou a casa a passos firmes, e encontrou Marian cuidando dos ferimentos de Kayla. Ele passou direto, subindo pelas escadas.
- Joe!- Chamou Marian.- O que aconteceu aqui? Ela disse que foi atacada pela Beatrice, me ajude a socorrê-la.
- Socorrê-la?- Joe riu.- Eu quero que você, Kayla, se exploda!
- Joe, você estava lá, você viu que ela me atacou!
- Beatrice está certa, você é uma vadia!- Ele gritou.
- Joe!- Marian o repreendeu, mas ele continuou.
- Kayla, se eu tinha alguma consideração por você, ela acabou de ir embora como a Bea, pra sempre!- O cowboy desceu alguns degraus.- Você é uma egoísta, que só pensa em si, quer apenas atrapalhar a vida das pessoas.- Ele respirou fundo.- Você não entendeu, não é? No dia que você chegou, você foi até meu quarto, eu te expliquei o porquê de não podermos ficar juntos e você não entendeu. Pois bem, permita-me explicar de novo, na frente de uma testemunha: Quando eu ficava com você, Kayla Paxton, é porque eu não tinha nada melhor pra fazer! Você era uma diversão pra mim, e a mulher que acabou de ir embora, é a mulher que eu amo, que eu imagino uma vida, e você nunca, nunca, chegará aos pés dela.- Tendo isso dito, Joe terminou de subir as escadas e bateu a porta de seu quarto.
❀ • ✄ • ❀
Beatrice teve o cuidado de chegar em casa sem ser vista por nenhum conhecido. Ao adentrar o apartamento, ela correu para tomar um banho e se trocar. Toda sua pele ardia. Ela chorou enquanto a água lavava seu corpo, e a única coisa que fez Bea querer sair do quarto foi escutar a risada de Judith da suíte master.
A Coleman abriu a porta rapidamente, mas não viu ninguém. Depois, ela abriu a porta do banheiro e encontrou sua mãe em uma banho de espumas na banheira, a expressão assustada.
- Com quem estava falando?- Perguntou, mas Judith apenas a olhava.- Com quem estava falando, mãe?
- Como assim?- Ela riu, desconfortável.- Ninguém.
- Eu escutei uma outra voz.- explicou a filha.
- Céus, o que aconteceu com você?- Judith se levantou, enrolando na toalha.- Está machucada?
- Judith!- A garota trincou os dentes. Ela avançou, passando pela sua mãe, abrindo o box de mármore negro. Não tinha ninguém.
- Você está bem?- Perguntou a mãe, mas Beatrice passou por ela novamente, se dirigindo até seu quarto. A mãe a seguiu, molhando a casa.- Filha?
Beatrice jogou algumas roupas em uma mochila.
- O papai vai estar aqui em casa em algumas horas, e eu não posso estar aqui.
- O que aconteceu?
- Ele vai me matar.- Bea fechou a mochila, jogando nas costas.
- Por quê?
- Porque fiz uma coisa qual ele não aprova. Nem você.- Bea passou pela porta, descendo as escadas.- Vou dormir na casa de uma amiga.
- Que amiga? Bea, fale comigo, o que aconteceu?
- Não sei que amiga, eu vou ver.- Ela informou, saindo do apartamento.
Ao passar pelo porteiro, ele a chamou.
- Está tudo bem na sua casa, pequena?
Bea franziu o cenho.
- Por que não estaria? -O porteiro não costumava fazer esse tipo de pergunta pessoal.
- É que, antes da chuva, algumas pessoas se aglomeraram aqui na porta...eu fui ver, e estavam olhando pra...- Ele não sabia como dizer.- Olhando pra um homem que estava de cueca, em uma janela, na cobertura.
A mente de Bea fez as ligações. Pelo menos não estava maluca. Sabia que tinha escutado uma voz no banheiro com sua mãe, mas ela nem tinha mais capacidade de sentir raiva.
- Não faço ideia do que seja.- E ela saiu, sem permitir mais perguntas.
As mãos e pescoço de Beatrice doíam. Ela sentia a pele queimar. Queria poder dirigir até o fim do mundo e nunca mais ver ninguém, mas talvez, sua melhor e mais prudente decisão fosse procurar a ajuda de uma amiga.
Ela pensou um pouco. Eram seis da tarde. Scarlett, que seria sua primeira opção, ainda estava na delegacia. Andrea, além de chegar cansada da floricultura, ainda teria que cuidar das trigêmeas. Briella provavelmente passaria a noite ocupada com a faculdade, já que de dia cuidava das pequenas Arabella, Alyssa e Amara. Lilli seria uma boa opção, mas Bea não conhecia os pais da ruiva e não queria que a primeira vez fosse justamente quando ela precisava se refugiar na casa deles.
A única e melhor opção seria pedir a ajuda de Diane e Mabel.
❀ • ✄ • ❀
Ela dirigiu apressadamente até a casa das Madison, e se surpreendeu ao encontrar na frente da garagem um carro que se assemelhava muito ao de Peter.
Beatrice desceu de seu carro e observou o móvel. A placa era a mesma. Ela se apressou a pisar no jardim e procurar por uma janela. A primeira e a segunda estavam bloqueadas por uma cortina, mas a terceira estava sem as cortinas, e Bea precisou levar a mão na boca e segurar qualquer som que pudesse emitir.
Ali, bem diante de seus olhos, o vidro da janela exibia Mabel que estava deitada no sofá, enquanto Diane sentava no carpete do chão da sala. Embora, para sua surpresa, ela via Peter deitado com a cabeça no colo da médica, enquanto ria e tampava com as mãos os olhos de Diane, para não enxergar a TV, e ela se irritava.
Bea arfou, limpando seus olhos da chuva.
Os três riam e se divertiam, e a Coleman sentiu um aperto partir seu coração ao se lembrar que essa era a brincadeira que Peter fazia quando Bea era criança.
Ela não precisou de mais de dez segundos observando a cena, para que tudo fizesse sentido.
Como não havia pensado antes?
Mabel era a amante de Peter.
Mas Diane era a cúmplice daquela traição, e nenhum deles seriam perdoados.
Publicado em: 14/10/2017
Atualizado em: 23/01/2023
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