|Capítulo 27|
As mãos do cowboy subiram rapidamente pelas pernas da garota, que parecia, mesmo ainda vestida, saber todos seus próximos passos. Beatrice puxou os cabelos de Joe enquanto o mesmo beijava o pescoço dela. Ela deslizou as mãos delicadas e rápidas pelo peitoral dele, encontrando o cinto que ele usava. Ao começar a retirar, Joe sentiu a necessidade de parar seus beijos quentes para alerta-la.
- Não podemos fazer isso.- ele tentou, mas ela parecia não escutar. Quando o cinto de Joe caiu, Beatrice fez menção de tirar seu vestido. O cowboy, mais uma vez, sentiu a necessidade de repetir o perigo de continuarem aquilo. Não por ele ser o símbolo do politicamente correto, mas porque sabia que se começasse, não conseguiria parar.- Nós não...
- Podemos sim.- ela sorriu maliciosamente e voltou a beija-lo, mordendo seus lábios, provocando-o. Joe permitiu que suas mãos subissem por dentro do tecido fino do vestido da Coleman, e enquanto ela o beijava e sorria, ele realizava o tour pelo corpo que sonhou, por diversas vezes, com cada curva.
Ainda que tivessem totalmente envoltos na situação, conseguiram escutar a voz de quem os chamava.
Joe soltou o corpo de Bea, por mais que aquilo fosse a última coisa que queria no mundo. Ela fechou os olhos e respirou fundo.
- E se a gente fingir que não escutou?
O cowboy sorriu de canto, recolocando o cinto, e ajeitando o vestido de Beatrice.
- Estão nos chamando. Tivemos sorte.
- Sorte?- ela riu, desdenhando, e caminhou até a saída do celeiro.
- É. É bom que tenham nos parado. A gente não devia fazer essas coisas...principalmente aqui.- Joe não deu espaço para mais conversas e caminhou na frente dela.
- Aí está você, Beazinha.- Falou Scarlett sorridente.
Beatrice segurou a raiva que acumulava dentro dela.
- Scarlett, você não estava ocupada com o Jordan?
- Sim, estávamos lá dentro falando sobre a investigação da morte dos pais...- Ela olhou para Joe.- De vocês.
- Algum progresso?- perguntou o cowboy.
- Consideravelmente.- Ela colocou as mãos na jaqueta de couro preta.- Mas eu estava anotando alguns detalhes. Jordan voltou ao trabalho. E você?
- Eu?- Joe questionou.
- Trabalhando?- O olhar da policial apontava pro celeiro.
- É, é, trabalhando.- o Hammar parecia corar.
- E comigo, o que você quer?- perguntou Bea, mal humorada.
- Estou responsável por levá-la pra casa.- explicou.
- Joe não pode me levar? Ele está tão acostumado...
- Não posso.- ele respondeu mais que rapidamente, recebendo o olhar furioso de sua futura patroa.- Eu realmente tenho muito o que fazer. Mas, nós nos vemos amanhã, certo?
Beatrice bufou. Aparentemente, os planos de Joe para a noite não eram os mesmos que os dela.
- Tudo bem. - Ela tentou sorrir.- Boa noite.
E saiu, acompanhada de Scarlett, batendo os pés.
Elas entraram no carro, e a amiga avaliou a Coleman por alguns segundos.
- Está quente aí ?- perguntou, ligando o ar condicionado e rindo, percebendo que, mais uma vez, entrou em cena na hora errada.
- Pegando fogo.- respondeu Beatrice, desamarrando o semblante fechado
As duas gargalharam.
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No tempo que se passou, a rotina de Beatrice Coleman passou a ser exaustiva mas muito necessária. Ela dividia seus dias entre ir para a escola na parte da manhã, almoçar, ir até a fazenda cumprir seus deveres e obrigações e aprender mais sobre a mesma, ter aulas extras de direção com Joe, voltar para a escola e, durante a noite, ela tanto fazia as tarefas quanto relia e estudava alguns contratos e relatórios da Pejari.
Em uma sexta- feira, 9 de fevereiro, a garota tomava um suco detox e ouvia sua banda favorita The Vamps, bem baixinho, enquanto, no balcão da cozinha, lia alguns termos sobre a distribuição de produtos das fazendas de café no interior do país. Tinha algumas dúvidas a serem retiradas, mas era tarde da noite e ela não sabia se Peter estava dormindo, assim como achou antiético mandar mensagens para Dominic a essa hora.
Bea resolveu conferir. Passou pelo quarto do irmão, e Arthur falava ao telefone, em tom doce. Com toda certeza, era com uma garota, mas ela tinha coisas mais importantes para resolver. Depois se encarregaria disso.
Na suíte master, Judith dormia profundamente, mas sozinha. O lado esquerdo da cama, comumente preenchido por Peter, estava intocado.
A garota se dirigiu até o escritório, com a certeza de que o encontraria lá.
Observou Peter ler sentado em uma poltrona azul marinho, no canto atrás da porta, apenas com um abajur de meia luz ligado.
Ela tentou não fazer barulho e não ser percebida, mas não demorou muito.
- Não consegue dormir?- perguntou o pai.
- Eu ainda não fui me deitar. - Beatrice adentrou o escritório e fechou a porta com cuidado. - O que lê?
- Relê.- corrigiu Peter, sorrindo, e colocando o livro e o óculos sobre uma cômoda.- O labirinto do Fauno.
- Amava quando você lia para mim.- A filha se aproximou. Peter sorriu, mas sua expressão mudou rapidamente. Ele parecia sentir dor. - Pai?- Beatrice tocou o braço dele, que não se mexeu, enquanto contraia a face em uma expressão dolorosa.- Pai? O que está sentindo?- Bea se desesperou, aumentando um pouco o tom de voz. Ao ver descer um suor de seu rosto enquanto ele buscava falhamente um pouco de ar, ela correu para abrir as janelas, permitindo que os ventos frios da madrugada em Ohio invadissem o apartamento. Beatrice pegou as primeiras pastas que estavam em seu alcance e abanou seu pai. Quatro longos minutos depois, Peter afirmava estar melhor.
- Eu ainda acho que preciso ligar para a Dra. Mabel.- insistia Bea.
- Não é necessário, querida.- repetiu Peter.- Mabel já disse que essas... pontadas no coração, são comuns...
A menina se sentou no braço da poltrona e observou o pai.
- Tem algo que eu possa fazer por você?- Ela tocou a testa molhada de Peter segurando o impulso de chorar.
- Sim.- respondeu o Coleman.- Quantas horas?
Beatrice retirou o telefone do bolso.
- 00:37.- respondeu, indiferente. Peter abriu um sorriso e se levantou, calmamente, se dirigindo a um armário esquecido no fundo do escritório.
- Pode fechar as janelas?- perguntou o homem. A filha assentiu, caminhando até as mesmas. Ao se virar, encontrou sobre a mesa uma caixa de tamanho médio. Peter tinha os olhos brilhantes.- Ligue...- ele pediu, e, ainda sem entender, Bea colocou na tomada.
A surpresa dela poderia ter sido gravada.
Beatrice se assustou quando a caixa de luz se acendeu, revelando camadas escuras e claras de vários recortes delicados. A imagem era de uma de suas cenas favoritas no mundo: Peter Pan levando Wendy e seus irmãos pelos céus. Mesmo gloriosa, a imagem não era mais surpreendente que a música que tocava. Era justamente o instrumental que o falecido avô, Haster, amava tocar durante as noites que Beatrice e Arthur passavam na casa dele.
Ela sentiu uma lágrima cair enquanto sorria para a caixa de música e luz.
- O que...
- Feliz aniversário, querida.- Disse Peter, então ela se lembrou: meia noite e trinta e sete. Já era dia de fazer dezessete anos.
Beatrice abraçou seu pai e chorou em seu ombro, agradecendo a lembrança tão maravilhosa que acabara de ter do avô e de seu desenho favorito.
Enquanto observava a frase: "Never grow up" ( Nunca cresce) piscar, ela e Peter conversavam.
- Gostaria de verdade que você nunca crescesse. Ainda é muito difícil ver a mulher que você está se tornando e não lembrar da garotinha cheia de sonhos, que me fez colocar um sino com o barulho da sininho na porta do quarto, que sempre me entregava quando ia te visitar a noite...
Os dois riram.
- Se eu não crescer, quem vai cuidar de você, velhinho?- Ela brincou. Peter fingiu estar bravo.
- Só por esse insulto eu deveria ter aceitado o conselho do seu avô de colocar seu nome de Wendy.- O homem zombou.
- A é? Deveria ter colocado o nome do Arthur de Pã, igual ao sátiro-deus.
- Ah...- Peter riu.- Vou ter que contar pra ele.
Os dois ficaram longos minutos conversando, mas logo Peter não conseguiu disfarçar mais o quanto estava esgotado, e a Dra. Mabel Madison já havia avisado que ele poderia ter sono no início, por conta da medicação.
Beatrice acompanhou seu pai até seus aposentos e, quando se deitou, percebeu que suas amigas a parabenizava através do grupo de mensagens.
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Ao acordar, a Coleman descia as escadas que, hoje, tinham em seus corrimãos pisca-pisca de fada. Ela sorriu, mas, antes de notarem sua presença, ela via que Peter, Arthur e Judith pareciam discutir alguma coisa em tom baixo. Judith gesticulava, e seu irmão olhava para a mãe com o mesmo olhar de desprezo, em silêncio, enquanto Peter apertava as mãos em punho.
Bea se lembrou de quando Arthur dissera que todo o conto de fadas da "família perfeita" que existia, era só na cabeça dela. Eles não eram assim. E tudo era escondido sob panos apenas para que ela se sentisse bem.
Beatrice limpou a garganta.
- Bom dia!- Ela disse. Os três se viraram para a escada, e um sorriso se abriu em todos eles, como se o problema discutido há um segundo atrás nunca tivesse existido. Inexplicavelmente, a garota se sentiu mal.
- Bom dia, princesa.- Peter a recebeu ao pé da escada, e a guiou até a mesa farta.
- Infelizmente, existe um dia do ano em que sou obrigado a comer esse tipo de coisa.- Reclamou Arthur, olhando para os aperitivos que se encaixavam na dieta de Bea e Judith: Nada de glúten. Nada de carne. Menores calorias possíveis.- Vale a pena só porque é seu dia.- O irmão beijou o topo da cabeça da caçula, que o envolveu em um abraço apertado.- Feliz aniversário, chatinha.
Ela beijou sua bochecha e, depois, recebeu um beijo de sua mãe.
Ao se sentar, Nina serviu-lhe um suco de Kiwi, e também desejou-lhe feliz aniversário.
- Bem, como preciso sair, vamos aos presentes.- Judith se levantou, buscou algo na poltrona mais próxima e se sentou novamente, com um sorriso radiante.
- Sair, mãe? No meu aniversário?- perguntou a garota.
- Infelizmente, querida. Trabalho é trabalho.
Beatrice nunca entendia bem quando Judith dizia isso. Quando Peter dizia, era fácil de entender. Ele tinha muitas coisas para resolver, afinal, era Peter Coleman, dono da Pejari. Mas ela não sabia bem dizer o que a mãe fazia desde que deixou de ser modelo. Propaganda para lojas? Dirigia alguma revista? Era agente de alguma jovem modelo?
Judith nunca falava. Mas, de todas as formas, ela nunca saia dos holofotes de Columbus.
Bea abriu a embalagem de plástico rosa, e não sabia que ainda conseguia se surpreender com Judith.
- Uma...boneca?- Bea fingiu um sorriso.- Hã...é linda.
- Você não percebeu?- Judith parecia mesmo empolgada, tirando a caixa das mãos da filha e terminando de abrir.- É você!
A boneca era do tipo "barbie '', representação exata de como Beatrice estava vestida no último dia do concurso de beleza. A faixa e a coroa na cabeça não a deixava esquecer. Era de fato, linda. Mas aquilo não parecia agradá-la, já que pensar no concurso era lembrar do dia da morte de sua avó.
- Vai ficar lindo na minha...hã...prateleira.- Ela agradeceu sua mãe, e Judith se sentou, satisfeita, tomando um suco de ameixa. Peter e Arthur apenas se entreolharam, mas não falaram nada.
- Soube do presente que ganhou do papai ontem. Pretende me mostrar?- Arthur iniciou um novo assunto, enquanto mordiscava com muito sacrifício um biscoito de aveia.
- Não. - Ela brincou.- Peça um no seu aniversário.- Os dois mostraram a língua um para o outro, como se uma não tivesse dezessete anos e o outro, vinte e dois. Como duas crianças.- Aliás, pai, preciso repetir que amei o presente. Fiquei olhando para ele até pegar no sono.
- Que bom.- Peter sorriu, mas antes de dizer algo, o interfone tocou e Nina avisou que alguns presentes para a aniversariante do dia, estavam subindo.
Ela bateu palmas. Empolgada, Bea abriu a porta. Encontrou dois buquês de flores, uma caixinha preta e uma caixa de chocolates.
"Joe ainda não entendeu que eu não como chocolate" ela pensou, colocando as flores sobre a mesa. "Não imaginava que um bronco como ele sabia mandar flores" Beatrice ria consigo, percebendo o quão ansiosa estava para ler o cartão dele.
- Quem mandou?- perguntou Judith.
-Bem...- Bea começou pela caixinha.- Essa é do...- ela leu, a caligrafia perfeita.- Dominic!- Encontrou dentro dela uma caneta prateada, com o seguinte recado: "Você me falou dessa maldita caneta o dia inteiro. Agora, explore suas galáxias." Ela riu alto, observando a mesma.
- Uma caneta? - Judith tinha dúvidas.
- Há uns, sei lá, cinco meses atrás, Dominic e eu íamos para o escritório do papai quando passamos por uma papelaria e eu vi essa caneta. Ela tem tinta brilhante e de várias cores, como uma nebulosa. Ela também escreve todos os dias, um código pra que eu confira em um site como está o espaço, e posso desenhar.- Bea falava entusiasmada.- Não deixei Dominic dormir aquele dia, do tanto que comentei sobre aquilo! Vou mandar uma mensagem pra ele agradecendo.
- Você nem gosta de astronomia.- protestou o irmão.
- Calado.- Bea partiu para o próximo presente. Um buquê, com o nome de Frederick Flemming. - Ah, é do Frederick.
- Incrível como ele se lembra todos os anos.- Comentou Peter, mexendo com a colher uma chimia de ovos.
- Por que será?- Comentou Arthur, olhando para a mãe, em tom irônico.
- Ele é advogado de sua mãe há anos, Arthur. Amigo da família. Assim como Dominic e o pai dele são para mim.- O Coleman parecia indiferente.
Arthur deu de ombros.
- Agradeça-o por mim, mãe. - Ela entregou as flores para Nina. - Agora... essas flores são do...- Sua ansiedade a tomava. Mas a decepção veio logo em seguida.- Brian.
O loiro revirou os olhos.
- Esse garoto não se cansa?
-Deixe o garoto, gente. Qual o problema, ele gosta da sua irmã.- Retrucou Peter, o defensor.- Ela é adorável.
Bea sorriu.
- Não foi nada adorável quando ela deu um pé na bunda dele!- Arthur desdenhou, e Peter não se segurou, riu também.
- Ele parece um rapaz de boa família.- Judith olhou para seus anéis nas mãos, indiferente.- Melhor que aquele cowboy esfarrapado. Além de ter a idade dela.
- Falando no cowboy esfarrapado...- A aniversariante mudou de assunto.- Esse último deve ser dele.
Mas não era.
O cartão escrito "Minhas felicitações, sinto sua falta." Era de Edgar.
Bea sentiu seus ossos congelarem.
- O que ele escreveu?- questionou Peter.
- Não é do Joe.- Ela jogou a caixa na mesa, com força, e discou rapidamente um número no celular.
"- Sim, minha aniversariante?"- Scarlett atendeu.
"- Edgar já saiu da cadeia?"
"- Não, por quê?"
Beatrice olhava fixamente para o cartão.
"-Como então ele me mandou presente de aniversário ?"
O silêncio se fez do outro lado da linha, e Bea só escutou o som do telefone de emergências tocando na delegacia.
"- Acalme-se, Bea. Vou verificar isso. Mas não tenha medo, ele está dentro das grades, não pode te fazer mal."
"- Tudo bem."
A garota sentiu as batidas de seu coração se regularem novamente.
"- Nos vemos mais tarde."
Scarlett se despediu.
"- Vai sair mais cedo?"
"- O que não faço pelas minhas melhores amigas?" Ela pareceu sorrir. "- Beijos."
Beatrice estava frustrada.
Não somente pelo presente de Edgar, mas por não ter nenhum presente de Joe em suas mãos, agora.
Arthur abriu a caixinha de bombons, saboreando, já conhecendo a irmã que tinha, consciente de que ela não comia chocolate.
Peter se inclinou para pegar um, e a filha afastou a caixa dele.
- Você não pode, se lembra? Sua dieta não permite chocolate.
O homem revirou os olhos.
- Um só não faz mal.- protestou.
Bea, Arthur e Judith se olharam.
A mãe se levantou.
- Cuidem dele.- pediu.- Estou indo.- Sem muita cerimônia, ela pegou sua bolsa na poltrona e saiu pela porta.
- Falando em cuidar...Arthur!- A garota aumentou o tom de voz, e seu irmão foi interrompido entre uma mordida e outra na trufa de morango.- Vocês não deviam estar aqui! Deviam estar na caminhada! Você prometeu que levaria o papai todas as manhãs pras atividades físicas, prometeu!- Ela deu tapinhas leves no braço do irmão.
- Ei!- Peter chamou a atenção dos dois.- Parem de me tratar feito criança? Eu posso fazer essas coisas sozinho.
Os dois ignoraram.
- Nós vamos todas as manhãs. Só ficamos para o café porque é seu aniversário!- Arthur devolveu um soquinho no braço dela.- Mal agradecida!
- Tudo bem... agora, vão, vão logo!
- E se eu não quiser ir?- propôs Peter.
Arthur se levantou, colocando a caixa de chocolates sob o braço e puxando seu pai.
Peter depositou um beijo no rosto de Bea.
- Esteja pronta quando voltarmos.- Disse Arthur.- Vou te entregar seu presente mais tarde, na fazenda.
Publicado em: 29/09/2017
Atualizado em: 10/06/2020
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