|Capítulo 2|




Não demorou muito para que Isabelle buzinasse. Beatrice correu e ao receber a amiga, a repreendeu pela buzina.

- Espero que o porteiro não tenha acordado.- disse ao cumprimentar Isabelle com um beijo na bochecha.

Isabelle deu partida.

Alguns segundos se passaram enquanto elas aproveitavam a música no carro.

- Teve algum motivo pra você me chamar, né?- questionou Beatrice.- nós não saímos faz tempo.

Isabelle se demorou.

- Sinto falta de sair com você.

- conta outra.

- Eu e  Carter brigamos.

Beatrice riu alto.

- Mas você não pretende encontrar outra pessoa na boate, suponho.- disse a menina.

Isabelle respirou fundo.

- Ele vai estar lá.

A Coleman revirou os olhos.

- Fala sério, Isabelle! Você prometeu uma noite divertida e vai vigiar seu namorado!

- Não vou vigiá-lo.

Bea desviou o olhar para as ruas iluminadas e vazias.

- Pior. Você vai para reatar. Não acredito que você vai se prestar a esse papel.

- Qual o problema de querer o meu namorado de novo?

- Vocês nunca vão sair disso.- Beatrice bufou.- já faz um ano e meio. É sempre a mesma coisa.

- Não rotule meu relacionamento.- pediu Isabelle.- Eu vou sim ficar com você.

- Não acredito que você está me condenando a isso.- reclamou Bea.- você não tem tempo pra mim com o Carter. Essa droga de amor é uma cilada pra todo mundo mesmo. Olha a idiotice que você vai fazer hoje.

Isabelle riu.

- Calma.- ela a repreendeu.- O namoro não é um bicho de sete cabeças, Beatrice. Precisa relaxar.

- De oito cabeças, né.

- E quanto ao Edgar?

A menina respirou fundo.

- Eu ainda não sei como fazer isso. Não sei se vou decepcionar mais ele ou minha mãe. E nem pra quem vou contar primeiro.- Beatrice massageou as têmporas.

- Você parecia gostar no começo.

- Foi divertido. No primeiro mês. Mas agora Edgar quer namorar. Com programas de namorados. Insiste em me chamar de "amor". E ele já quer começar a mandar em mim.- Ela riu ironicamente.- Imagina? Aí ele pega confiança, acha que pode ditar minhas roupas, meu comportamento, vai querer mudar meu jeito, me levar pra jantar com a família dele...Nunca.

Isabelle gargalhou.

- Você precisa entender a diferença entre estar solteira e estar namorando, Bea.- um minuto e meio se estendeu durante a conversa.- mas, olha, Carter vai estar com alguns amigos.

Beatrice tinha a expressão incrédula.

- A única coisa que me faltava, além de ter que suportar Carter, é suportar os amigos dele. fora.

Isabelle estacionou a uma quadra da boate.

As duas desceram.

Diferente das expectativas, as garotas de dezenove e dezesseis anos se divertiram. Elas beberam e dançaram, até que Isabelle encontrou Carter, dizendo que era uma coincidência o fato de terem se encontrado.

Bea decidiu sair nesta parte.

Ela chegou muito perto de beijar um rapaz qual não perguntou o nome, depois que ele lhe pagou duas bebidas. Mas, mesmo se sentindo uma garota descompromissada, Beatrice não conseguiu trair Edgar.

Não seria justo.

Agora, ela observava do balcão, Isabelle e Carter aos beijos. Se lembrou mais uma vez da promessa de que, depois de Edgar, nunca iria namorar ninguém. Não trocaria essa liberdade por nada. Principalmente porque, mesmo longe de Edgar, ela se sentia aprisionada.

Foi até o banheiro e retocou a maquiagem, e conseguiu tirar uma foto que a agradasse para postar.

Se desesperou quando viu o relógio marcando 05:46 da manhã.

Não sabia como se distraiu tanto.

Precisava voltar para casa.

Teria sérios problemas com Peter se não o fizesse.

Beatrice foi à procura de sua amiga.

Mas não a encontrou, em nenhum canto da boate.

Saiu da mesma, batendo o pé, ligando pela terceira vez para Isabelle.

- Oi, sou eu de novo. Não acredito que você me esqueceu. Caramba Isabelle,você vai me pagar.- deixou o recado.

Precisou de alguns segundos para se adaptar ao cenário diferente do lado de fora: a brisa fria que a fez agarrar seu corpo, o som abafado da música nas suas costas, pouco movimento na rua, e a pouca claridade de um céu que amanhecia.

Ela ligou de novo.

- Como vou voltar pra casa agora, Isabelle? 

Após esse recado, Beatrice começou a pensar em como voltaria pra casa antes que Peter acordasse e o que faria com seu celular, com 3% de bateria.

Ela se aproximou de um grupo de quatro garotos conversando na portaria da boate.

- Com licença.- ela pediu educadamente, como não costumava fazer.- poderiam me dizer onde eu posso pegar um táxi por aqui?

Os rapazes trocaram olhares entre si primeiro.

- Aposto que foi deixada na mão.- comentou um deles. Branco, alto, os cabelos negros.

Ela assentiu com a cabeça.

- Pelo namorado?- indagou o outro.

- Uma amiga, na verdade.- explicou.

Dois deles se olharam mais uma vez.

- Podemos te deixar em casa...- disse o rapaz dos cabelos negros.

Automaticamente, ao sentir um tom estranho na voz do homem, Bea recuou um passo.

- Nós não cobramos nada.- disse o outro.

Antes que ela recuasse outro passo  pronta para negar e dar as costas para o grupo, um deles colocou as mãos nos ombros dos amigos.

- Que isso, Sam? Vocês estão malucos?- ele os empurrou com suavidade para trás.- desculpe meus amigos, eles estão bêbados. E eu estou responsável pelo grupo.- ele revirou os olhos.- olha, moça, Táxi eu não sei não, mas tem um ponto de ônibus perto daqui.

Beatrice olhou o celular.

Eram quase seis horas.

Nunca andara de ônibus, mas não tinha opções.

- Poderia me dizer onde?

O homem virou o corpo, indicando a direção.

- Na próxima esquina, pode descer três ruas. Está perto de um banco, mas eu esqueci o nome agora.

A menina assentiu.

- Muito obrigada.- e forçou seus pés a caminharem, enquanto se distanciava e escutava um assobio vindo do mesmo grupo. Depois eles sumiram novamente para dentro da boate.

Após isso, ela sentiu como se tivesse tirado algo muito pesado de seus pulmões.

  Beatrice parou ao reconhecer um carro na esquina em que fora indicada. Checou a placa. Era mesmo de quem ela estava pensando?

As risadas foram a resposta.

Ela se escondeu atrás de um poste ao ver Edgar abrindo a porta de seu carro para uma loira.

Não hesitou em usar o resto de bateria que lhe restava para tirar uma foto desse momento.

Diferente de qualquer outra namorada no planeta, ela nunca esteve tão feliz em ver seu namorado com outra.

Quase agradeceu aos céus.

Era o pivô perfeito para o fim de seu relacionamento.

Ela esperou pacientemente até que o carro virasse a rua.

Agora, não se sentiria tão mal ao levar uma bronca do pai.

Ao menos, em toda essa história, ela havia tirado um grande fardo das costas.

Edgar. 

Beatrice não teve problemas para encontrar o ponto de ônibus. Se sentiu aliviada ao ver que ele não estava vazio, e que outra mulher a acompanhava.

Os primeiros raios solares iluminavam seu rosto quando ela se sentou.

Ao seu lado, uma garota de cabelos avermelhados, que provavelmente tinha sua idade apesar de aparentar menos, batia os pés. Isso a irritava um pouco, mas ela não poderia gritar como uma bêbada para a menina do seu lado. A mesma ficava mexendo no pompom que tinha na mochila. E, ver a mochila fez Bea lembrar-se de mais um problema: precisava ir para a escola. E, a essa altura, seu pai deveria estar indo até seu quarto para tal.

- Você precisa de ajuda?- perguntou a garota. Beatrice a encarou, sem entender.

- Preciso?

- É, Bea, sua maquiagem está borrada e você parece querer vomitar. Está perdida? Você tá fugindo?

A mente da Coleman se embaralhou.

Como aquela menina sabia o nome dela?

Por alguns segundos, Bea a observou, até ver o uniforme que ela usava e perceber o óbvio. Aquela garota a conhecia da escola.

- Não, eu estou bem.- e ela decidiu parar de olhá-la. Enquanto encarava a rua, Beatrice pensava se já ouvira o nome dessa menina alguma vez na vida.

Uma mulher de olhos azuis e cabelos pretos se sentou ao lado direito das duas. Tirou o celular da jaqueta preta e encostou a cabeça no banco.

- Oi, você precisa de ajuda?- perguntou a garota ruiva à mulher.- eu sei o número da polícia.- disse, como se orgulhosa de si.

A mulher tirou a expressão amarrada e ofereceu um leve sorriso a outra.

- Obrigada, mas eu não preciso de ajuda. E, eu sou policial.- disse, desviando o olhar novamente para o celular.

Beatrice já não aguentava esperar o ônibus, e também não sabia o que fazer com o silêncio constrangedor da espera.

Outra garota se aproximou, sentando-se ao lado da ruiva.

- Oi, Lilli.- elas sorriram ao se abraçarem, e Beatrice percebeu que também era de sua escola. O rosto parecia ainda mais familiar.

Para completar o espaço que faltava no ônibus, uma mulher, também de cabelos negros escorridos e magra, parecia extremamente cansada.

Ela falava ao telefone, e mesmo vendo o espaço no banco, preferiu ficar em pé.

- Sim, mãe. - ela respondeu.- uma ótima noite de sono, é.- respirou fundo enquanto escutava a voz do outro lado da linha. Enquanto isso, Bea olhou o celular: 06:15. Já pensava no que diria ao seu pai.- Acredite em mim. Estou bem. Estou fazendo tudo certo. Não tenho tempo agora, tá bom? Vou escovar os dentes e preparar o café. Te amo.- e ela desligou.

Percebeu o olhar das outras que ouviu ela mentir sobre seu próximo passo do dia, mas ninguém disse nada. Ela guardou o celular.

As duas garotas da escola conversavam entre si, e Beatrice descobriu nesse meio tempo que se chamavam Lilli e Diane.

Todas se levantaram quando o ônibus surgiu no fim da rua.

Bea se encorajou ao pensar que não devia ser tão difícil pegar um transporte público.

Do lado oposto ao ônibus, uma garota loira corria na calçada. Chegou, ofegante, na frente das outras e se apoiou na estrutura do ponto de ônibus.

Todas ali se alarmaram.

- Por favor, me ajudem.

Publicado em: 05/09/2017
Atualizado em: 23/01/2023

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