||Capítulo 10||
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Joe tinha a expressão surpresa. Foi bobo não ter esperado encontrar Bea em sua própria casa, então ele sorriu.
- Boa tarde, Beatrice.- falou.
Ela demorou alguns segundos, olhando para ele.
- E aí, cowboy?- Parecia mesmo entusiasmada.- Pode me chamar de Bea, nós já temos intimidade.
Ele engoliu em seco. Da maneira como Beatrice falou, tinha certeza que não conseguiria olhar para Peter.
Deu espaço para que a garota entrasse na sala mas manteve-se de costas para o pai dela.
Beatrice viu seu pai sentado na típica poltrona preta de couro. Ele provavelmente havia pensado em muitas coisas para falar naquele momento, mas apenas fechou os olhos, respirando fundo, e depois os abriu.
-A que devo a honra?- ironizou Peter, apontando para a mesa, indicando que estava trabalhando.
Beatrice reparou o outro na sala. Ele era um pouco mais baixo que Joe, mas claramente era cowboy como o mesmo. Ele denunciava em sua aparência.
A menina avaliou rapidamente a diferença entre os dois. Os cabelos negros do homem, os olhos em um castanho escuro. Ele tinha a pele mais clara e aparentava ser mais velho. Mesmo não sendo tão forte quanto Joe, sua roupa jeans e xadrez deixavam transparecer alguns músculos. Ela devia imaginar que o trabalho manual os obrigava a serem assim...fortes.
- Ah, esse é Jordan Hammar. Jordan, essa é a Beatrice.- e ele não precisaria explicar mais nada. Bea já entendeu que ele, assim como o outro, era um dos trabalhadores de confiança e Jordan soube que a palavra "Beatrice" acompanhada com o artigo "A" de "A própria" carregava muitos significados. Eles se cumprimentaram.
- Muito prazer.- disse o rapaz.
Beatrice, por algum motivo, observou que Joe não disse que foi um prazer conhecê-la. Aquilo a incomodou como uma pulga atrás da orelha, uma preocupação desnecessária.
- Seu irmão?- ela perguntou diretamente para Joe.
- Como sabe?- Ele tentou se lembrar de ter comentado seu sobrenome com ela. Não se recordava disso.
- Você disse que tinha um irmão. Eu só liguei uma coisa com outra. Tenho boa memória, viu?- ela sorriu, dando de ombros.- Desculpe atrapalhar, rapazes, mas pai...eu preciso sair.
Peter bufou.
- Se você tem boa memória, deve se lembrar do seu castigo. Você não vai sair.- ele foi firme.
- Pai, por favor...eu preciso. Só dessa vez.- ela percebeu que incontrolavelmente, bateu o pé no chão. Viu como esse ato parecia ridículo e então endireitou o corpo. Se perguntava se fazia esse tipo de "pirraça corporal" sempre que queria algo. Precisava se policiar.
- Explique. Rápido.- pediu Peter, impaciente.- Acho difícil que você me faça mudar de ideia.
- Preciso me encontrar com as meninas, tipo agora. Tem algo muito urgente acontecendo.
- Que meninas?
- As do ponto de ônibus pai. Você as conheceu, se lembra?
- Sim.- Peter pensou um pouco.- O que querem?
- Andrea, aquela que passou mal, disse que precisava falar com a gente.
- Onde?
- Na lanchonete perto do hospital mesmo.
Peter se demorou.
- Eu deixaria, filha. Elas parecem garotas legais, e foi com elas que você se mostrou alguém diferente, o que eu não esperava.- ele sorriu verdadeiramente- Mas não posso te levar, e seu irmão já saiu. Tenta marcar outro dia...
- Mas pai...- ela tentou de novo. Não era legal fazer birra na frente dos convidados, mas os convidados eram justamente a sua vantagem. Na frente deles, Peter cederia.- É importante...eu nem tenho amigas, me deixa pegar um táxi, então.
Peter arregalou os olhos.
- Não mesmo.
Joe, que ainda estava na porta, pigarreou.
- Bem...Eu estava de saída para conversar com os patrocinadores do rodeio. Posso levar ela se quiser, Peter.
O pai de Beatrice viu o rosto dela se iluminar e não conseguiu dizer não.
- Ok, sortuda. É o seguinte: Você vai ficar apenas na lanchonete, e não vai ter outro lugar. O seu telefone deve estar ligado o tempo todo. Se você não me atender ou demorar mais que duas horas para estar em casa, você está muito encrencada. Para sempre.
Bea assentiu.
- Sim senhor.- e não evitou de ir até ele beijar seu rosto.- Obrigada, obrigada.- disse saindo.
Mandou uma mensagem avisando que estava a caminho quando Joe fechou a porta.
- Por que disse aquilo?- perguntou o homem, enquanto caminhavam pelos corredores.
- Disse o quê?
- "já temos intimidade".- ele bufou.- O que seu pai vai pensar de mim, Beatrice?
Ela riu e se aproximou dele, mais perto do que o cowboy esperava.
- Bea.- corrigiu, e depois se afastou.- Ele não vai pensar nada. Eu só gosto que me chamem de Bea. Deve soar bem na sua boca, também.- E lá estava ela, fazendo aquilo de novo. As cantadas indiscretas que Joe reconhecia bem quando seus pelos se eriçavam.
- De toda forma, vou esperar que você se troque. Estou lá embaixo.- e ele começou a descer as escadas. Beatrice avaliou seu short jeans e a cigana listrada. Depois, sorriu.
- Mas eu já estou pronta.- argumentou.
Joe parou na metade do caminho e olhou para trás. Foi inevitável não observá-la. Beatrice gostava de ter aqueles olhos verdes sobre ela, já que normalmente Joe evitava esse contato. Ela deu uma voltinha.
- Por quê?- perguntou Bea.- Eu não pareço pronta pra sair?
- Hm...eu não...eu acho...você está...- Joe gaguejou.- Vamos ou não?
Ela o seguiu.
Quando passaram pela porta, as perguntas começaram. A verdade é que Joe esperava por isso.
- Você gosta, não é?- Ela perguntou, tentando acompanhar seu ritmo. O cowboy precisou olha-lá, tentando compreender o que ela queria dizer.
- Gosto do quê?
- Da minha companhia.
Joe sorriu.
- Por que acha isso?
Ela passou em sua frente para chamar o elevador.
- Você se oferecendo pra ir aos lugares comigo. Gosta de me ter por perto, não é?
Joe não acreditava que estava ouvindo aquilo. Não conseguia nem pensar em uma resposta.
Ele passou por ela e apertou o botão de novo, como se, se o elevador chegasse, aquela conversa acabaria.
- O nome disso é favor. Não custava nada te levar já que você quer muito ir, e eu estava saindo.- ele sorriu gentilmente.
- Pensei que gostasse tanto da minha companhia quanto eu gosto da sua.- Ela sorriu de canto.
- Você é muito convencida pro meu gosto.- Joe brincou.
Um dos vizinhos dos Coleman chamou a atenção deles.
"O elevador está estragado."
E eles tinham que descer pelas escadas.
- Ah não!- Bea resmungava, batendo os pés.- Eu odeio descer escadas.
Joe deu de ombros.
- Pare de reclamar.
- Mas são vários lances!
- E reclamar não vai fazer a gente descer mais rápido!- ele retrucou.
Beatrice parou depois de cinco degraus.
- Me carrega.- pediu.
Joe olhou pra trás e riu.
- Tá brincando com minha cara, né garota?
Ela balançou a cabeça.
- Não tô não, é sério.
Joe ignorou a ousadia dela e continuou a descer.
- Quem é mais velho?- continuou, e aí Joe percebeu que aquela garota não desligava nunca.- você ou o Jordan?
- Jordan é três anos mais velho que eu.- respondeu rapidamente.
- Ah, tá.- e ela parou de perguntar.
Era até estranho não escutar sua voz por trinta segundos.
Na metade do caminho, Beatrice parou e se sentou no chão. Joe a observou.
- Meus pés doem.- disse, e sua expressão era mesmo de dor.- acho que me machuquei.
Joe sabia que não era fácil assim machucar os pés, e aquilo muito provavelmente era apenas resultado de uma garota mimada que não descia escadas.
Ainda sim, se aproximou.
- Me deixa ver.- pediu ele ao tocar o tornozelo dela.
- Você é médico agora?- retrucou a garota grosseiramente.
- Não, mas já cuidei de pata quebrada.- ele zombou.
- A diferença é que eu não sou uma cadela!
Ele se levantou e continuou a descer as escadas.
- Então se vira, ignorante!
- Espera, espera! Ei! Você que é ignorante, vai me deixar aqui jogada?- Joe parou e olhou mais uma vez para ela, que realmente parecia ter dor nos olhos.- Me leva, por favor.
Ele hesitou, mas para não perder a cabeça com Beatrice, se aproximou e a colocou nos braços.
O homem sabia que ela era magra, mas não imaginava que seria tão leve.
Ela passou as mãos pelo pescoço dele, despreocupada, até chegarem na portaria.
- Desce.- ele ordenou.
Ela o fez.
- Eu poderia fazer isso todos os dias.- brincou Bea.
- Eu não.
- Você é muito bruto, sabia?- comentou ela, andando atrás dele até o carro. Como já havia se acostumado a entrar no mesmo, ela não precisou de ajuda para subir.
- Eu sou bruto?- Joe sorriu ao ligar o carro.- E você que é mimada e convencida?
- Não sou convencida.- Ela declarou e colocou o cinto, quando percebeu que era isso que faltava para que Joe desse partida.- Nós dois sabemos que você gostou. Tanto de me dar carona quanto de me carregar no colo.
Joe já havia se arrependido tantas vezes de tê-la visto hoje que nem conseguiu encará-la.
- Tudo bem, eu não ajudo mais também, pra você parar de ser fresca.- Ele viu de canto de olho que ela sorria.
- Ah, para com isso, J.- uma pausa ocorreu.- posso te chamar de J, né?
- Não.- Ele respondeu, sério, mas na verdade não se importava em como ela o chamaria. Estava com raiva.
Podia até parecer bobo, mas ele via no olhar da garota sua intenção de tirá-lo do sério.
- Você pode ser o meu motorista particular.- ele não sabia se ela estava brincando.
- Não.
Mais alguns segundos se passaram, e eles nunca pareciam chegar a tal lanchonete.
Beatrice decidiu dar continuidade ao assunto porque percebeu a mudança dramática no humor dele. E aquilo fazia com que ela se sentisse melhor. Talvez, naquele primeiro encontro, ela não tivesse sido tão ignorada assim por Joe.
- Fala a verdade. O que você achou da minha roupa?
Joe pensou e pensou e, por fim, decidiu que se ele bancasse o machista, além do bruto que já era naturalmente, Beatrice desistiria.
- É só um pedaço de pano.- ele quase trincou os dentes, se sentindo um idiota. Sabia que, se olhasse para ela de novo, seus olhos denunciariam o quão linda ela ficou com aquele pedaço de pano.- se fosse minha, não usaria.
Beatrice mostrou os dentes lindos e brancos, de uma maneira que Joe não soube descrever.
- Sua o que, J?- E ele tinha cada vez mais certeza do quanto ela não tinha medo de profundidade. Ela, na verdade, gostava de ir bem fundo.
O homem nem se deu o trabalho de estacionar quando chegaram.
- Cuide-se.- pediu.
Ela desceu do carro e, ao perceber que Joe não iria estender o assunto, ela mandou um beijinho.
Joe pressionou levemente o chapéu para baixo em despedida, e saiu com o carro, sabendo que havia fracassado de novo na única missão que imaginava estar pronto: resistir à Beatrice.
Publicado em:16/09/2017
Atualizado em:23/01/2023
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