🫧|Igual a Pérolas| 🔱
Estava pensativo, observando o raiar do sol pela janel aberta na sala de estar dele, ouvindo o cantar das gaivotas lembrei que precisava pescar alguns peixes para comer nessa manhã. Olhei em direção de dentro da casa, percebendo que estava ainda tudo em silêncio. Me ergo do sofá abrindo a porta devagar, seguindo os passos para onde ficava a praia, não havia percebido quão alto era o som do oceano. Que dá casa dele era ouvido às ondas do mar quebrar na areia. Foi quando percebi que a vista dos humanos era mais bela que a nossa vista de dentro do dele.
Mesmo que nosso reino ficasse no abismo mais escuro do oceano, os humanos não aguentariam a pressão das águas para chegar até nós. O que deu para perceber o porque nunca ouviram falar de nossa espécie. Apesar que muitos de nós já foram visto por humanos, caçados e até expostos como troféus.
Tive a coincidência de perceber, que nem todos os humanos eram iguais. E vendo pelo lado do Seoho, era mais real ainda, havia os humanos bons e os ruins. E todos habitam a terra. A mesma coisa está no meu mundo, onde existe a capacidade da traição entre sangue.
Respirei tão fundo, que senti meus ferimentos doer, mas parecia que precisava inalar o perfume do mar, sentir o sal e saber que estava pisando no meu habitate. Olhei para meus pés antes de por eles dentro da água. Olhei em volta verificando se eu estava a sós.
Vendo que estava livre, avancei para dentro da água, e saltei onde estava já dando em minha cintura, foi quando meu corpo sentiu as ondas mudarem. Meus poderes como uma onda elétrica fizeram minha calda aparecer, e as pérolas que eu usava surgir sobre meu abdômen.
Dentro da imensidão azul, eu via a paisagem mais linda que existia, o mundo podia ter seus lugares encantadores, dentro e fora do mar, mas para mim, aquele era o meu mundo. Minha vida, fui nadando sentindo minha liberdade, mesmo que um botão de alerta estivesse apitando em minha cabeça. Peguei os peixes e achei ao longe uma bela concha, lembrei do que o menor havia me dito de catar as conchas.
— Espero que você goste dessa. — retirei o ser de dentro devorando o mesmo, eu amava os pequenos baixinhos da areia, eram crocantes e salgadinhos. Subi a tona e vi a beira da praia distante de mim, porém parei no exato momento que ouvi um cantar ao longe. Olhei para trás, confuso. — O que elas estão fazendo na costa? — Me pergunto confuso, as sereias são seres também mitológicos, porém, para os humanos elas faziam muito mal, elas não gostavam dos habitantes da terra. Quem sabe também ouviam histórias assustadoras sobre suas gerações.
Mas, todas as histórias sempre tem suas versões, cada uma contada de um jeito, mas nunca correto. Suspirei e comecei a me retirar da água, voltando a minha forma humana, vestido meu corpo com as roupas que estavam ali e levando os peixes frescos para a casa do jovem.
Me sentia estranho, olhares estavam sobre mim, desvio os olhos para observar, tendo visão de mulheres, e homens do povoado que morava a beira mar me olhando fixo, se eu estivesse exposto como Tritão seria ainda mais perigoso.
Entrei no terreno de grama verde e flores delicadas, algo que não tinha percebido na morada de Seoho, ouvindo murmúrios estranhos ao longe, minha audição era perfeita mesmo dentro ou fora da água. Abri a porta e me deparo de frente com um jovem loiro, com um rabo e me encarando em choque. Meu olhar de surpreso fora para confuso em frações de segundos.
— Quem é você? — Questiono o ser que me encarava, ele saiu de minha frente lentamente, parecia estar vendo algo surreal.
— Você é o Tritão? — Ergui uma sobrancelha.
— Não se responde alguém com outra pergunta. É falta de educação. — Corrigi o mesmo e dei de ombros. — Sou.
— Seoho! — Vejo ele gritar para o jovem que saia do corredor para a sala espantado.
— Keonhee? Onde estava?
— Fui pescar. Não queria dar incômodo para você. — Sorridente ergo os peixes que ainda estavam se mexendo em minha mão. Ele sorriu, e que sorriso mais lindo esse homem possui.
— Que bom. Pode por eles na cozinha. Vou preparar para você. — Ouvi um estralo e um gemido do Seoho logo depois.
— Por que não me disse que ele ainda estava aqui e que ele tem pernas?
— Por que me bateu? Eu disse pra você que ele estava aqui. Só não sabia onde ele tinha ido. — Se explicou aliviando o local agredido. — Você bate forte. — Resmungou baixo, o que lhe deixou fofo.
— Minha santa do mar. Como pode um Tritão do nada surgir como um homem e ainda por cima como se fosse o seu esposo. — Olhei confuso para o loiro, eu não estava agindo como esposo, porém não queria deixar tudo nas costas do Seoho que havia me ajudado.
— Deixa de falar besteira! — Repreendeu envergonhado. — Ele é um príncipe, e não tem que ouvir bobagens. Agora trate de ir ajeitando nossas coisas. — Ordenou fazendo o mesmo sair de dentro de casa resmungando. Eu não pude deixar de rir, era engraçado o jeito que ambos se tratavam, me lembrava muito do Leedo, meu fiel companheiro. Seoho se virou para a minha direção vindo até a cozinha. — Desculpa por isso Keonhee, Dongju é muito dramático.
— Tudo bem, eu entendo. Ele é seu melhor amigo?— Vejo ele concordar, levandobos peixes para a pia, já começando a fazer ambos,
— Des de crianças. E tenho mais o nosso Anão, que é o Hwanwoong. Somos três amigos ao todo. — Colocou eles num belo prato já pondo em minha frente com um garfo. — Vai querer o que para beber?
— O que os humanos bebem? — Ele parou uns segundos para pensar e sorriu logo depois.
— Suco de uva. É um ótimo acompanhante. — vejo o mesmo caminhar até a geladeira e pegar uma bela garrafa de vidro, servindo suavemente o líquido roxo escuro num copo de vidro, e me entregando. — Espero que seja de agrado ao seu paladar.
— Estou curioso oara provar. — Levei o líquido até meus lábios e abri um belo sorriso sentindo o gosto forte. — Perfeito. Não sabia que os humanos tinham belos gostos assim. — Vejo ele sorrir.
— Espero que até o tempo que melhorar, e voltar a seu mundo, aproveite muitas coisas boas dos humanos. — Ele pegou um pacote de algo em tom escuro, já comendo de acompanhamento do mesmo suco. Assim que terminamos a nossa refeição, segui o mesmo para o lado de fora que estava ajeitando seu cesto. — Vamos Ju? — Perguntou, o menor olhou diretamente para mim.
— Ele vai com a gente?
— Algum problema nisso? — fiz a pergunta o cortando de responder. Seoho olhou confuso para nós dois.
— E tem problema?
— Não, para mim não. Agora para os que vão estar na praia nos olhando.
— O que quis dizer com isso?
— Dongju tem vergonha de muitos olhares sobre nós. — Seoho explicou, eu abribos lábios em concordância. — Ele é livre Ju, ele pode ir e fazer o que ele achar melhor.
— Está bem. Vamos lá então. — Saiu o menor sorrindo pelo portão, Seoho me olhou confuso e acabamos rindo, eu lembrei logo da concha.
— Põe essa no seu cesto. — Me olhou confuso, mas desmanchou o semblante para um olhar encantado.
— Que lindo Keonhee! Muito obrigado. — Agradeceu sorrindo, acho que as conchas valiam bastante para eles.
— De nada Seoho, estarei disposto se quiser mais dessas belezas. — Vejo ele concordar animado e sair comigo junto. Nossa caminhada até as pedreiras onde estavam as conchas foi rápida, os dois estavam atarefados na água catando, enquanto eu estava na pedra mais alta os observando, até que ouvi alguém se aproximar dos dois jovens. Ouvindo perfeitamente suas ameaças.
— Você não se cansa de ser o prostituto desse vilarejo não? Está agora trazendo machos de fora para estar a lhe servir na sua casa. — Tais palavras eram ofensivas para Seoho. Esse que não encontrava forças para se defender, parecia que estava bloqueado.
— Vejo que não está lhe agradando. — os olhos dela vieram para mim. — Está com inveja? Ciúmes? Ah! Já sei. Queria ser mais uma nas mãos de um homem bonito como ele? — Parecia que tinha atingido ela. — Se caso isso fosse de sua conta, eu mesmo faria questão de levá-la para saborear dos desejos. Todavia, porem sou um homem que não gosto de porcarias no meio da minha refeição.
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