A Mulher Estranha

Ester ficou fitando o próprio corpo de frente para o espelho. Sentia o sangue quente percorrer todas as suas veias e em seguida retornar para seu coração, para assim prosseguir com o ato repetitivo de seus estímulos cardíacos.
Seus pensamentos eram todos voltados para um ódio que não sabia explicar.
O corpo maltratado pelo tempo e o rosto piedoso escondiam o animal feroz que havia por baixo de toda aquela pele manchada de sangue. Andou até a área de banho e ligou o chuveiro, a agua gelada bateu em sua cabeça e começou a percorrer todo o seu corpo nú.

Ester passou a mão direita pelos seios expostos e levou a esquerda até as partes intimas, sendo tomada por um momento de total êxtase. Seus pensamentos se voltaram para um único homem, o homem a qual ela observara atentamente naquele dia, Patrick.
Ela fechou os olhos e ergueu a cabeça, fazendo com que a água lavasse todo o seu rosto.
Seus ouvidos foram perturbados por um som familiar, o som de um bebê chorando. Ela então abriu novamente os olhos e fitou cada canto do banheiro. O choro do bebê ficava cada vez mais alto, mas só ela se encontrava ali.

- O meu bebê - levou as mãos a cabeça, sua mente neste instante foi bombardeada por dezenas de vozes, uma delas era do seu marido. As outras de lamentos e urros dos infectados.
Ester encolheu-se no canto do banheiro, ainda com as mãos na cabeça. Ela chorava e rosnava ao mesmo tempo, sua sanidade havia sido perdida a muito tempo.
Na sala, Patrick explicava para seu sogro como ele e Alexis haviam conhecido Éster.
- Essa mulher sequestrou o meu neto? - Tom estava inconformado.
- Fale baixo - Pediu Patrick - essa mulher perdeu o filho e precisa da nossa ajuda para voltar a ser quem era.
- Deixa-la aqui com o meu neto é arriscado demais.
- Eu sei, ela não veio para ficar. Veio apenas para pegar alguns mantimentos.

- Mesmo assim.
- Acalme-se. Não vamos trata-la mal, ela perdeu tudo quando o mundo mudou. Devemos entender isso.
- Eu entendo, mas...
- Não, nós não entendemos. Desde que tudo começo não perdemos ninguém. Ela sim.
- Isso faz dela uma mulher muito perigosa. Mas se você esta dizendo para confiar, quem sou eu para dizer o contrario.
- Não disse para confiar. Disse para não trata-la mal.
- Não vou.
- Ótimo, de todos da casa você é o mais cabeça dura.
- Sou? Espera só até minha mulher saber de toda essa história.
- Ela não precisa saber.
- Contamos tudo um para o outro. Sinto muito. - Tom foi em direção as escadas dando um sorriso sorrateiro.

Patrick seguiu pelo corredor e parou próximo a porta do banheiro. Não ouviu o som da água do chuveiro.
- Ester - bateu na porta. Não obteve reposta então repetiu o ato.
Ester abriu a porta, ainda estava nua e aquilo deixou Patrick sem reação.
- Eu não encontrei nenhuma toalha.
- Vou procurar uma - ele saiu do local as presas, fingindo que nada de estranho havia acontecido. Ficou constrangido diante daquela situação, apesar de só ter visto os seios dela.

Subiu as escadas e foi de quarto em quarto a procura de sua esposa. A encontrou no quarto de Catia, junto a Tom e seu filho.
- Tem toalha aqui? - perguntou.
- Para nossa hospede sequestradora? - perguntou Catia virando se para Patrick com um semblante nada amigável.
- Como será que descobriu? - ele rebateu com outra pergunta, encarando Tom. Este fingiu que não era com ele.
- Ela não vai ficar, mãe - disse Alexis, retirando uma toalha de dentro do guarda roupas próximo a uma janela.
- Assim espero.
- E você disse que eu era cabeça dura - mencionou Tom.
- Com você eu converso depois.
- Vou ver se tenho tempo na minha lista de afazeres - Tom ajeitou o boné.

Alexis entregou a toalha para Patrick.

- E também leve isso - ela o entregou algumas roupas que havia separado.
- Eu já volto garotão - Patrick sorriu para seu filho que estava sentado na cama, brincando com algumas peças de um quebra cabeças.

Patrick fez o percurso de volta até o banheiro e entregou a toalha junto as roupas para Ester.
Ela se vestiu e saiu do banheiro.
- Eu estava precisando disso, obrigada.
- Disponha.

Ela agora parecia uma nova mulher, estava limpa e usava roupas descentes. Patrick via ali uma chance de reabilitação para a mulher grotesca que havia sequestrado seu filho.
Minutos depois todos se reuniram novamente na sala.

- Eu agradeço a todos vocês e mais uma vez me vejo na obrigação de pedir desculpas.
- Ainda é pouco - Reclamou Catia, deixando sua indignação exposta.
- Mãe, o que falamos sobre não sair apontando o dedo - Alexis interveio.
- Eu entendo. O que eu fiz não tem como ser perdoado. Eu sequestrei uma criança. Minha falta de sanidade me fez pensar que era o meu filho. Você o viu, Alexis? Naquele dia...
- Sim, no seu colo. Você estava indo para a delegacia com seu marido. O que aconteceu depois?

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