A Horda Dos Mortos

— Não vai não — Patrick se pôs a frente dela.
— E é você quem vai impedir?
— Se for preciso.
— Eu faço o que bem en.. — Alexis parou de falar após sentir fortes dores de cabeça.
— Está vendo — Patrick a levou até o sofá — você precisa descansar e comer alguma coisa. Está muito fraca.
— Eu preciso matar ela.

Patrick suspirou, Alexis era sempre muito insistente quando decidia colocar alguma coisa na cabeça.

— Ela está morta.
— Patrick — Tom o chamou.
— O que?
— Vamos até lá conferir, assim ele vai ficar mais tranquila.
— Isso é serio?
— Não temos escolha, eu vamos nós ou ela irá.
— Não, eu mesma quero matar aquela vagabunda — Alexis protestou.
— É você quem vai morrer se sair por está porta — Tom falou com firmeza na voz, impondo sua autoridade de pai — você vai ficar ai com sua mãe enquanto eu e Patrick nos certificamos de que Ester está mesmo morta. Vou falar com sua mãe, e você não deixe ela sair — após dizer isso a Patrick, Tom se retirou da sala e seguiu para o segundo andar.

— Você tem que acreditar em mim — pediu Alexis — aquela mulher não é mais humana.
— Está tudo bem — ele sentou-se no sofá e começou a acariciar os cabelos loiros de sua esposa.
— Está?
— Sim. E se não estiver então vai ficar.
— Precisamos de mais mantimentos.
— Vamos buscar na semana que vem.
— Também precisamos de um local para cultivo de alimentos e criação de animais. Vamos começar a produzir nosso próprio alimento, não podemos ficar contando com esses pequenos mercados que não foram saqueados.

— Pelo visto andou pensando muito. Irei conversar com seu pai sobre essas coisas, local para cultivo é o que não falta, afinal temos muitas casas vazias pela vizinhança.
— A água também é um problema, já se passou muitos meses desde que tudo mudou e é um milagre ainda haver água nos encanamentos.
— Eu também andei pensando sobre isso. Vamos dar um jeito.
— Eu quero ir junto com vocês.
— Você ouviu bem o seu pai, isso está fora de cogitação.

— Patrick.
— O que?
— Se ela estiver mesmo viva vamos precisar fugir o mais rápido possível. Eu realmente acredito no que ela disse em relação aos mortos, ela os reuniu em algum lugar da cidade e vai usar isso contra nós.
— Então vamos rezar para que ela ainda esteja jogada no chão daquela casa maldita.
— Nosso filho nunca terá uma vida saudável nesse mundo morto.
— Ele vai ficar bem, tem a gente.
— Ah claro, somos ótimos pais.
— Eu sou, já você tenho minhas duvidas — ele sorriu e aproximou seu rosto do de Alexis na intenção de beija-la mas ela virou a cabeça.

— Não — se lembrava bem de que havia se alimentado de carne infectada e não queria prejudicar seu marido, mas também não estava pronta para contar.
— Por que? Arrumou outro foi? — ele riu.
— Primeiro você vai se certificar de que matou aquela aberração. Ai sim vai ganhar beijo.
— Só beijo?
— Não é enche.
— Me desculpe.
— Pelo que.
— Por te deixar passar por tudo isso. Não vai se repetir.
— Você não tem culpa de nada disso.
— No fundo eu tenho sim.
— Vamos — disse Tom descendo os degraus correndo.
— Calma ae vovô, não queremos que quebre algum osso — Patrick não deixou a oportunidade de fazer uma de suas piadas em relação ao seu sogro.
— Para a sua sabedoria esses ossos se movimentam muito bem, pergunte a minha mulher.

Patrick encarou Alexis, surpreso com aquelas falas de Tom.

— Eu não entendi isso.
— Nem eu — Alexis riu.
— Oras, não sejam tão pacatos. Vamos logo pois temos muitos planos para o dia.
— Tipo ficar sentado?
— Quase isso. Vamos precisar de facas? Machados? Algo assim? — quis saber Tom.
— Sim — respondeu Alexis.
— Não — Patrick a retrucou.
— Claro que vai, quer morrer?
— Não exagere, essas coisas lá fora são lentas.
— Leve os caralhos das facas Patrick.
— Eu não vou levar nada.

Minutos depois Patrick e Tom se afastavam da casa, cada um segurando uma faca.

— Eu odeio não ter voz — reclamou Patrick como se fosse uma criança mimada.
— Eu passo por isso a décadas então pare de reclamar porque vai ficar pior. "Faça isso, faça aquilo". Elas são assim mesmo.
— Devia ter me dito isso antes.
— E estragar sua surpresa? Não mesmo. Mas se for ver bem, são essas coisa pequenas que as deixam irresistíveis.
— Verdade
— Onde é essa casa afinal?
— Você não vai acreditar se eu te contar.
— Porque não?
— Lembra da última casa que fomos ontem? Aquela que você não me deixou entrar porque estava tarde?

— Está brincando — Tom ficou surpreso.
— Pois acredite, é lá.
— Então estávamos a poucos metros da infeliz.
— Isso, mas talvez não fosse o melhor momento para ataca-la.
— E se Alexis estiver mesmo certa? Sobre Ester e os tais mortos que ela coleciona?
— Então vamos ter que nos mudar daquela casa o mais rápido possível.
— É serio isso?
— Sim, você mesmo viu que realmente o numero de infectados nessa cidade diminuiu drasticamente. Se todos estiverem com ela não temos a menor chance, eles vão destruir tudo.
— Ela pode guia-los até nós mas não creio que possa controla-los.
— De qualquer forma é arriscado, quando eles perceberem que existe carne viva dentro da casa não vão parar até invadir.
— Não tem outro meio?
— Tem, vamos rezar para Ester estar mesmo morta ou para que tudo o que ela disse a Alexis seja mentira. Uma tentativa fracassada de por medo.

Patrick e Tom apressaram o passo e em poucos minutos se encontravam de frente para a porta escancarada da casa de Ester.

— Não é possível — disse Patrick adentrando rápido no local enquanto encarava o piso ensanguentado onde havia deixado Ester — era para ela estar aqui.
— Então tudo o que minha filha disse era verdade, precisamos voltar agora mesmo.
— Não, vamos ver se ela ainda está aqui dentro. Pode ter se transformado em uma daquelas coisas.

Patrick andou até o hall mais próximo e esse dava em uma pequena cozinha. Já Tom virou um corredor e neste haviam duas portas fechadas. Ele abriu a primeira e o que viu o deixou espantado.

— Patrick! — gritou enquanto adentrava no que parecia ser um quatro com alguns berços.

Patrick chegou rápido até ele.

— O que?
— Olhe isso — ele apontou para o chão abaixo dos berços, estava banhado de sangue e não era só isso, dentro dos berços haviam lençóis sujos de sangue e pareciam cobrir algo.
Patrick trocou um olhar silencioso com seu sogro enquanto se lembrava de tudo que Alexis havia o dito.
Ele parou de frente para um dos móveis e levou a mão ao lençol azul. O puxou lentamente e sentiu ânsia de vômito ao ver o que havia ali, era o corpo de um bebê mas estava sem a cabeça.

— Vamos sair logo daqui — disse enquanto cobria o nariz devido ao cheiro.
— Espere — Tom foi até o berço mais próximo a ele e encontrou a mesma coisa — essa mulher e mesmo muito doente. Não vamos perder nem mais um segundo aqui. Precisamos proteger nossas mulheres dessa aberração.
Ambos saíram rápido da casa na intenção de voltar o mais rápido possível para suas esposas sem saberem que não eram os únicos indo na mesma direção. Em uma das ruas paralelas andavam centenas de mortos sendo guiados por uma figura esguia que eles conheciam bem.

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