A Horda Dos Mortos


***

Passado alguns minutos Ester voltou a sala segurando um pedaço de papel amarelado.

— Voltei, sentiu minha falta?
— Claro, me tire daqui para podermos apertar as mãos.
— Certamente você tentaria apertar meu pescoço, eu iria te bater e essa situação atual se repetiria. Ou seja, uma grande perda de tempo. Mas não vamos ficar falando em brigar, vamos falar disso aqui — ela balançou o pedaço de papel.
— É seu laudo de insanidade?
— É o recadinho que irei deixar na sua casa de madrugada. Quer que eu leia para você?
— Enfie no cu.
— Tudo bem, se insiste tanto então irei ler. "Caro Patrick e companhia, como devem ter percebido caíram de boca na minha armadilha e agora terão que seguir minhas regras. Quero o seu filho em troca da sua esposa, se desobedecer ela morre. Passo ai ao entardecer, beijos e abraços"

— Devo rir disso?
— Ah não. Não é engraçado, pelo menos não para vocês. Quer jantar? Já vai escurecer. Eu acenderia velas mas não quero chamar a atenção de ninguém, e quando digo ninguém quero dizer do seu marido que a essa hora deve estar te procurando feito um louco.
— Se ele te achar você está ferrada.
— Já enfrentei vários homens e adivinha quem venceu? Alexis seja minha amiga, vai, estamos no mesmo barco.

Alexia riu daquelas palavras.

— Não me diga.
— Esta feliz? Isso é bom.
— Não é felicidade, é nojo dessa sua cara, desse seu jeito tosco de ver as coisas.
— Deixa eu te mostrar uma coisa.

Ela levantou a blusa e Alexis pode ver o enorme circulo podre na barriga de Ester.

— Você é quase uma deles.
— Isso, pode se dizer que a qualquer momento eu irei me transformar, perder a consciência e me tornar um morto ambulante. Mas não é essa a questão aqui.
— E qual é?
— Você também vai se tornar uma infectada, a carne que eu te dei é de uma dessas coisas. Bem vinda ao clube amor.

O estômago de Alexis revirou completamente após ela ouvir aquilo e com um impulso repentino acabou vomitando. Ainda podia sentir o gosto da carne na boca.

— Isso não pode ser verdade.
— Pode ter certeza que é. Seu marido vai perder o filho e a esposa. Eu vou fazer vocês sentirem a dor que eu senti e quando acabar com sua familia eu vou seguir para a próxima. 
— Maldita! — Alexis gritou enquanto se debatia brutalmente na cadeira, tentando se soltar.
— Ah não fique tão nervosa, você ainda tem muito tempo de vida. De alguma maneira quando a carne infectada é levada ao fogo ela atrasa o tempo de infecção. Eu estou comendo a meses e só o que apareceu foi esse machucado na minha barriga.
— Você vai ter machucados piores quando eu me livrar dessas cordas.
— Talvez, mas até lá você vai ficar em silêncio total, se você gritar e alguém te ouvir eu estarei em uma posição bem delicada.
— Isso que você disse é mentira. Está tentando me amedrontar.
— Eu já disse, não é mentira. Quem sabe você viva o suficiente para ver por si mesma. Isso é medo? A gatinha raivosa finalmente esta demonstrando medo? Perfeito.

Éster amarrou um pano em volta da cabeça de Alexis, tapando sua boca.

— Você fica uma gracinha em silêncio. Agora vou preparar o jantar. Quer fazer algum pedido especial? — Ester começou a rir enquanto encarava os olhos trêmulos de Alexis que agora havia percebido a encrenca em que havia se envolvido. Ela só pensava em sua família e em como reverter toda aquela situação complicada.

***

Patrick e Tom ficaram parados de frente a models Baby.
— Vamos nos separar? — perguntou Tom.
— Seria uma boa ideia, cobririamos mais território. Mas não, vamos procurar juntos em cada maldita casa, estabelecimentos estacionamento, tudo. Não quero mais ninguém ficando sozinho por ai.
— Então vamos logo, não vai demorar muito para escurecer.
— A noite não é uma inimiga agora.
— Por que diz isso?
— O que fazemos quando escurece?
— Dormimos?
— Acendemos as luzes, no caso as velas. Se ver alguma casa iluminada então saiba que encontramos o nosso alvo.
— Não, ela não vai fazer isso. Ela sabe que estamos atrás dela então tenho certeza que não vai dar nenhuma brecha.
— Também há essa possibilidade, mas nunca sabemos, talvez ela não pense nisso.
— Que diabos essa mulher quer?
— Acho que ela quer o meu filho e por isso esta fazendo joguinhos.
— Por que ela iria querer o meu neto?

— Ester perdeu a familia e ficou louca, essa é a dedução mais plausível. Vou ter que mata-la ou ela não vai parar até machucar um de vocês.
— Que direção seguiremos — Tom encarou as ruas a sua volta. Estavam parados frente a models baby e dali em diante haviam três direções que podiam tomar.
— Vamos seguir pela rua lá de trás — disse Patrick com convicção.
— Por que?
— Apenas intuição.

Eles começaram a vasculhar todas as casas e estabelecimentos que viam pela frente. Em algumas delas se deparavam com infectados moribundos que eram facilmente abatidos. A pouca iluminação dificultava e tornava tudo muito perigoso mas Patrick não estava se importando com isso, apenas queria encontrar sua esposa.
Procuraram também em um terminal de ônibus, posto de gasolina e até mesmo em uma clínica de aborto. Tudo estava deserto, a não ser pelos mortos de olhos cinzentos. As ruas haviam sido tomadas pela escuridão da noite e eles ficavam atentos para ver se viam algum ponto de iluminação dentro de alguma casa.

— Vamos continuar amanha — disse Tom ao saírem de mais uma residência.
— Vamos continuar agora — Patrick passou pelo gramado e derrubou uma cerca branca que separava uma residência de outra.
— Está ficando cada vez mais escuro, é perigoso e você sabe.
— Deixar minha mulher por ai também é perigoso.

Ele andou até a porta da próxima casa e por dentro estava desesperado, apesar de não demonstrar isso para Tom.
— Eu também estou com medo de perder ela, porra, é minha filha.

Disse Tom enquanto Patrick parava frente a porta.

— Não posso parar agora.
— Se você morrer  não vai poder procura-la amanha. Tudo está escuro, pode haver mais infectados dentro dessas casas e a noite favorece a eles. Vamos parar e amanha bem cedo continuamos.
— Droga — Patrick deu um forte soco na porta, em seguida outro e outro — eu vou mata-la com as minhas próprias mãos se algo acontecer com Alexis.
— Tem o meu apoio.

Patrick voltou para perto de Tom mas ficou em silêncio. Se sentia culpado por tudo aquilo e o jeito seria seguir os conselhos de seu sogro para que coisas piores não acontecessem. Já que suas próprias escolhas pareciam sempre colocar sua esposa em perigo.

***

Dentro da casa cujo a porta Patrick havia acabado de socar, Ester pressionava a mordaça improvisada na boca de Alexis para que ela não fizesse nenhum ruido sequer.
— Essa foi por pouco — disse ela, fitando a porta principal da casa.

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