Capítulo 51 - What would my other life be like if...?

Boa leitura! XoXo

— Ai, eu não acredito que seu aniversário já é daqui duas semanas. -Lily disse empolgada, saltando na rua. Ri dela. — Todos deveriam saber como as festas de Camila Smith são memoráveis.

— Não exagera, Lily. -disse rindo.

Minha amiga deu de ombros. Entramos em mais uma loja, para finalizarmos as compras para a minha festa de aniversário. Estávamos com bastante bolsas em nossos braços, chegava a doer com o peso, mas quem disse que eu iria parar agora? Além de ser compulsiva, eu amava esse efeito das bolsas, e meu aniversário me deixava animada o suficiente para ignorar qualquer coisa que me faça desistir.

— O que acha disso? -perguntei a Lily, que na mesma hora fez careta.

— Totalmente cafona.

Encarei os copos piscantes na minha mão. Não eram cafonas, eram fofos. Vou levar!

— E isso?

— Isso é legal. Compra! Super vou usar. -riu.

Quem fez careta dessa vez foi eu. Eram canudos de estrela. Coloquei de volta no lugar, gostei e não gostei. Na dúvida não vou levar. Me pareceu difícil de não chegar bebida na boca com ele.

Peguei o de coração, parece que esse eu vou usar. E eu amei por ser justamente de coração. Ainda não sei bem o tema, mas vai combinar. Estou apenas comprando coisas aleatórias que eu estou gostando.

Talvez não tenha um tema.

— Já sei. -disse em voz alta, respondendo meus pensamentos.

Algumas pessoas me olharam. Fiquei constrangida. Senti meus pelos se arrepiarem e meu rosto esquentar. Sorri sem graça soltando uma risadinha.

Lily me olhou querendo saber do que eu estava falando.

– Já sei o tema da festa. O tema é Camila Smith. -Lily riu. — Meio nada a ver, eu sei. Mas as coisas que compro não tem um tema específico ou se quer combinam. Mas combinam comigo, então o tema da festa sou eu.

— Gostei! -sorriu Lily. — A gente pode botar uma foto sua grandona na mesa do bolo para cantarmos parabéns.

— Não exagera. -gargalhamos.

Lily ama me caçoar. Se não fosse tão cafona a ideia, eu iria fazer. Minha mãe fez isso nos meus 15 anos. Nunca fiquei com tanta vergonha como este dia. Mas até que a foto estava bonita.

Depois de passar um bom tempo na rua, colocamos as coisas no carro e fomos em um bar restaurante de rua. Estava um dia cansativo e precisamos pegar um ar gelado. Aproveitar que estávamos no Outono. Quer dizer, está fazendo frio, né? Sim, mas nem tanto. Pelo menos no dia de hoje. 

Pedimos nosso almoço e uma bebida gelada qualquer para acompanhar.

— Queria saber quando é que você vai me apresentar o seu par romântico. -direcionei meu olhar à minha amiga. — Eu não sei nada sobre ele. Você não me fala nada, nem as características. Se ele é loiro, moreno...

— Em breve... Em breve... Quem sabe no seu aniversário? -Lily sorria.

— Já te pediu em namoro pelo menos?

— Ainda não. -Lily fez cara triste, eu ri.

— Por que você não pede? -perguntei. Me animei me arrumando na cadeira. — Eu posso te ajudar. Já estou imaginando as coisas.

— Eu não vou roubar esse papel de você. Você é a última romântica da terra. -ri de sua fala.

— Não sou romântica.

Lily ficou rindo de mim. Franzi o cenho e voltei a comer meu almoço que já havia chegado ao pedirmos pelo tablet da mesa.

Queria eu ser romântica. Sou apenas um ser não compreendido pelo amor. Meu dedo é mais podre que de uma pessoa que não toma banho.

E eu devia agradecer muito a minha rotina que me atola e me cansa. É ela que não me faz pensar em quem meu coração escolheu. Meu cérebro quem me manda nessas semanas que vem passando.

[Quebra de tempo]

Estava em minha sala quando Max adentra nos dando boa tarde.

Max era o entregador de correspondência da empresa. O homem baixo com um carrinho cheio de cartas e caixas sai por todos os andares fazendo seu serviço. Ele usava óculos, era gordinho e ruivo. Adoramos o Max por ele simplesmente ser tímido sem jeito e um fofo completo.

O ruivo nos entregou uma carta bem feitinha e bonita, toda decorada e parecia um convite. Se retirou e abrimos.

— O que será, hein? -Angel perguntou abrindo.

Ai, eu não acredito. Ri do que recebi. Um convite de aniversário de nada menos nada mais que Rebeca Wilson.

— Você recebeu o mesmo? -Angel perguntou rindo. Assenti com a mesma reação. — Ela espera mesmo que a gente vá?

Fiquei pensantiva. Por que ela nos chamaria? Por ela me chamaria? Ela me odeia, sabemos o segredo uma da outra. Aí tem. Sempre tem. Estou preocupada, mas eu é que não vou perguntar.

Mas seria uma ótima ideia ir. Espero não cair em alguma emboscada lá. Se eu for, posso observar muitas coisas de perto.

— Devíamos ir, sabia? -virei para minha amiga. — Seria uma ótima oportunidade. -sorri diabólica.

— Gostei do sorriso. -Angel apontou. — Nós iremos então. Será que dia mesmo? -Angel perguntou olhando o convite e fiz o mesmo.

— No Domingo. -respondi.

Rimos animadas. Estava ansiosa para esse dia chegar logo e ver o que ela tanto planeja para nós. Poderei observar também amigos mais próximos e familiares, ver que tipo de pessoa pode criar uma menina que se tornou o que é hoje. E conhecer melhor a mulher que Rebeca é!

De repente entram dois rapazes na minha sala, se entreolhando. Acho que foi coincidência a chegada deles. Percebi que não se conheciam e os apresentei.

— Dylan, esse é o Cameron. Um rapaz muito misterioso na empresa e que vive em reuniões por aqui. -disse mostrando Cameron com a mão, que sorriu. — E esse é Dylan. Um amigo meu de longa data.

Dylan estende a mão e ambos se cumprimentam.

— O que devemos a honra de suas visitas? -Angel perguntou debochando dos meninos.

— Queria saber se vocês também receberam o convite da dondoca. -perguntou Dylan estendendo o convite ao ar. Rimos em sincronia.

Ele se sentou em minha frente. Angel veio até minha mesa e ficou em pé ao meu lado, assim como Cameron estava com Dylan. Porém, via-se timidez no garoto.

— Sim, recebemos. E nós iremos, ok? Será uma ótima oportunidade. -disse ansiosa.

— Uma ótima oportunidade para quê? -ai merda, esqueci que Cameron estava na sala. — Eu recebi o convite também e queria saber quem é Rebeca Wilson. Achei que poderiam saber quem é.

Nos entreolhamos.

— Eu cuido dele. -me levantei. — Angel, deixa o Dylan a par.

Saí da sala com Cameron sem entender nada. Conduzi-o até a cozinha, onde consistia uma pequena mesa redonda e quatro cadeiras, entre outras coisas. Fechei a porta e sentamos.

— O que aconteceu? -ele perguntou confuso.

— Como assim? Não aconteceu nada. -sorri sonsa.

— Você me tirou rápido daquela sala. O que é uma ótima oportunidade? Suponho que tenha algo com a aniversariante.

— Tem sim! É uma longa história. Te conto hoje a noite. Quer assistir filme comigo hoje comendo pizza? Minha amiga vai me deixar sozinha novamente pelo namorado.

— Tá, eu topo, mas só se eu comprar as pizzas.

Sua frase foi terminada, então com um sorriso no rosto levantei e fui até ele. Agarrei seu pescoço e direcionei meu rosto ao dele.

As pizzas? -ri. — Vai me engordar, mas ok, pode ser duas.

Ele riu enquanto eu beijava sua bochecha repetida vezes. O que ele detestava, mas eu fazia para irritá-lo.

Eu e Cameron estávamos avançando na nossa amizade. Mas ele não mudava nada, o que ajudava muito na hora de me conquistar. Acho que esse é o truque dele. Ser totalmente sarcástico sem ser tóxico e depois ser fofo. Porém não vou mentir, tinha vezes que isso me dava vontade de enforcar ele e soltar só quando ele desmaiasse.

E durante esse tempo eu ainda não sei o que ele tanto faz aqui. Vive em reunião com meu chefe e sua esposa, às vezes até com os sócios de Tom. Horas era apenas com o pessoal todo, horas só com Tom. Há também às vezes que vejo ele aqui com Anne, o que não é muito comum, mas acontece.

Saímos da sala e nos separamos.

Fui até o centro do meu andar, na secretaria principal. Pus as mãos no bolso da minha calça jeans flare e analisei um mural branco a minha frente. Tinha foto dos aniversariantes do mês, e lá estava Rebeca.

Uma coisa ela não mentiu desde que entrou para a equipe. Realmente é aniversário dela, na segunda-feira, um dia depois da sua festa de aniversário. Pelo menos isso!

E lá estava eu, logo abaixo. Uma foto não muito boa e meu nome abaixo e ao lado a data do meu aniversário. 15 de outubro. Minha data favorita. E só de pensar que daqui algumas semanas farei 28 anos. Passa tão rápido. Lembro que nos meus 27 anos foi tão louco que acordei com uma tiara de princesa rosa e cheia de pompom, e minha roupa cheia de glitter. Eu estava no meu quintal, meus pais ficaram tão decepcionados com meu estado, mas o pouco que me recordo da festa e o que me contaram, eu não mudaria nada.

Um ano atrás e tudo mudou. Mudou muita coisa de maio para cá e só tem cinco meses que minha vida virou mais para baixo do que a da Alice No País Das Maravilhas. Mais uma coisa que não mudaria, talvez mudasse alguns fatos, mas nada grande. Gostei do que vivi até aqui.

Como seria minha vida se eu não tivesse entrado nessa empresa? O que eu estaria fazendo se não tivesse conhecido Angel? Com quem eu estaria se não tivesse conhecido Thomas? Teria reencontrado Dylan? Saíria de Nova York? Voltaria para morar com Lily? Várias perguntas me passam a cabeça enquanto eu olho esse mural. Meus olhos pregavam a imagem, mas meu cérebro projetou outra coisa na minha mente.

Saí de meus devaneios quando ouvi meu nome ser pronunciado. Virei para trás. Meu coração acelerou ao ver aquele par de olhos azuis. Meu corpo congelou. Não consegui sair do lugar. Como ele percebeu que congelei, mas provavelmente pensou que eu não iria até ele, seus passos foram direcionados até mim. Respirei fundo e retirei minhas mãos do meu bolso. Mudei minha postura ao contar até dez.

Fechei os olhos por uns segundos, inalei seu perfume. O mesmo de sempre e que eu amava. Quase sorri, mas saiu como uma tremedeira na boca. Eu estava tentando não sorrir, por isso...

Thomas analisou o quadro em silêncio ao chegar perto de mim. Voltei meu olhar para o mural.

— Seu aniversário está chegando. Não imaginava que era libriana.

— Entende de signos? -olhei ele.

— Não. -riu. — Só quis puxar assunto. E você, entende? -me olhou. Voltei meu olhar para o quadro.

— Um pouco, nada específico. -respondi calma, mas meu coração estava tão acelerado que eu aposto que dava para ele ouvir. — O aniversário de Rebeca também está chegando. Libriana como eu e nos odíamos. -mais uma vez ele riu, permiti dar um sorriso. — Foi convidado para o aniversário dela?

— Seria estranho se não fosse. -ele me olhou ainda rindo. Me virei para ele, assim como ele fez. — Mas não estou interessado em ir. Você foi convidada?

— Fui, isso sim é estranho. E é mais ainda saber que eu vou.

— Bom saber. Vê se não se mete em confusão.

— Tentarei. -sorri. Ele sorriu de volta e se retirou.

Foi a conversa mais curta que tive com Thomas desde que nos conhecemos. Observei ele sair e sumir da minha vista. Consegui me acalmar. Preciso controlar esse lado de ficar nervosa com a presença dele. Isso não é normal, visto que quando estávamos juntos eu não ficava assim.


Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top