Capítulo Único

Oláaaa pessoas! Trago aqui pra vocês um conto que eu fiz especialmente para um concurso de halloween! (por isso não pude postar antes 😂) Como foi avisado na sinopse, contém gatilho de violência e menção à estupro e suicídio, então novamente, quem for sensível não leia! (mas só dizendo que não tem nada detalhado) E não tem final feliz, viu? kakak
Pra quem gosta de ouvir música: essa história foi inspirada pela música Goodbye - Ramsey
Aproveitem a leitura!
ps: ganhei o segundo o lugar no concurso hihi

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Era halloween na pequena cidade de Perşinari, um povoado situado na Romênia. Já era noite, e as crianças se preparavam para pedir doces na porta dos vizinhos, fantasiados de personagens de história de terror. Uma tradição que continuava se repetindo ao longo dos anos. Na praça principal da cidade, uma das professoras da única escola do local estava sentada em um banco, enquanto uma roda de adolescentes sentados no chão à sua frente escutava suas histórias aterrorizantes com total atenção.

Um homem que passava por ali, de cabelos negros e comprimento mediano, viu à distância aquela roda de jovens amedrontados à medida que a professora contava suas histórias. O homem caminhou para perto do grupo, se sentindo curioso e ao mesmo tempo, entretido. Ele tinha uma ótima história para contar.

Assim que ele se aproximou, a professora parou a sua narrativa, olhando diretamente para o homem que ali estava, ela não deixou de pensar no quanto o rapaz era belo. Os adolescentes, por outro lado, permaneciam calados.

– Com licença, senhorita. Eu gostaria de contar uma história, posso? – O homem extremamente educado, perguntou à jovem professora.

A professora ficou um pouco sem jeito, arrumando seus cabelos escuros atrás da orelha.

– Pessoal, o rapaz diz ter uma história para contar, gostariam de ouvir? – Ela sorriu gentilmente para os jovens.

– Sim! – O grupo respondeu, em uníssono. Eles pareciam estar curiosos e ao mesmo tempo, duvidando de que o homem poderia ser capaz de contar algo tão terrível quanto os contos de sua professora.

– Pois bem, vou começar. Essa é uma lenda de muitos anos atrás, passada de geração em geração pelos membros da minha família. – O homem sentou-se no banco ao lado da professora. Começando assim a narrar a sua história.

"Há quase 700 anos atrás, em uma aldeia próxima à Târgoviște, dois jovens ouviram sobre uma criatura misteriosa que perambulava pela floresta e sugava o sangue das pessoas. Eram dois garotos, Naruto e Kiba, ambos próximos de completar a maioridade. O Conde que governava aquela região havia posto uma generosa recompensa para quem matasse a tal criatura, mas todos que tentaram falharam miseravelmente. Os dois, como meio de provar que não havia nenhum monstro capaz de sugar o sangue de alguém até à morte, decidiram ir juntos em uma expedição pela floresta, a fim de acabar de uma vez por todas com aquele mito e provar que o que havia lá não passava de algum animal predador, provavelmente um tigre, já que eles eram comuns na região.

Os dois primeiros dias de Naruto e Kiba na floresta não foram tão desafiadores assim. Tudo o que eles encontraram foi esquilos, coelhos, cervos e cobras. Um corvo acompanhava a trajetória dos garotos, quase como se estivesse curioso. Em uma das noites, Naruto e Kiba decidiram acampar em uma clareira, estavam considerando seriamente a possibilidade de voltarem para a aldeia, visto que não achavam monstro ou animal nenhum. Naquela altura, para eles, tudo não passava de uma invenção para amedrontar as pessoas. Naruto fez uma pequena fogueira, enquanto Kiba preparava um coelho para a janta, fruto de uma caça bem-sucedida.

O frio daquela noite havia se intensificado, um vento forte zumbiu em seus ouvidos, quase apagando o fogo recém-aceso que Naruto havia acendido. O som de um galho partindo ao meio capturou a atenção de Kiba, que olhou ao redor para se certificar de que estava tudo bem.

– Você ouviu isso, Naruto? – Ele perguntou, um pouco desconfiado.

Naruto olhou para o amigo, despreocupado.

– Não ouvi nada, deve ter sido o vento forte. Quase apagou o meu fogo.

Mesmo com a negação do amigo, Kiba ainda não estava convencido. Ele sentia que algo ali estava errado, era quase como se estivessem sendo observados por algo, ou alguém.

– Eu acho que tem algo aqui, Naruto. – Kiba pegou a sua lança, deixando-a perto de si em caso de necessidade.

O amigo olhou em volta, eles estavam distantes das árvores gigantescas que interferiam sua visão, em um local aberto o suficiente para que eles vissem de longe se algum perigo se aproximasse deles. Naruto não enxergou nada além da grama, os insetos e a escuridão que ia até onde sua visão alcançava.

– Para de ser medroso, não tem nada aqui. – Naruto disse.

Kiba ficou um pouco mais calmo, mas ainda assim, permaneceu atento ao seu redor. Eles comeram o coelho assado na fogueira, e estavam se preparando para dormir em uma tenda improvisada, quando então, o som alto do uivo de um lobo deixou os dois garotos em alerta.

– Viu, eu disse que tinha algo aqui por perto! – Kiba sussurrou para o amigo, enquanto pegava a lança em suas mãos.

– É só um lobo, vamos matá-lo e voltar para casa. – Naruto pegou o seu arco e posicionou uma flecha em posição de ataque.

Os dois encostaram suas costas um no outro, cada um olhando para o lado oposto. O silêncio reinou naquele local, o único barulho a ser ouvido era das brasas em chamas na fogueira. Algo se movimentava por trás das árvores, na espreita, apenas observando-os de longe e esperando a melhor oportunidade para atacar. O monstro, como assim o chamam, sabia que os dois garotos não era páreo para ele, mas ele gostava de ver o desespero no rosto de suas vítimas, gostava de brincar com suas presas antes que acabassem mortas pelos seus caninos afiados.

O monstro ouviu novamente.

– De onde veio? Você viu, Kiba? – Naruto perguntou, aflito.

Kiba olhou em direção de onde o som havia vindo, mas não conseguia ver nada.

– Veio daqui, mas não vejo movimentação. – Ele apontou para um local bem em frente e ele. Naruto então trocou de posição com Kiba, mirando seu arco na direção em que o amigo indicou.

A adrenalina percorria pelo corpo dos dois jovens, fazendo com que suassem frio e seus corações batessem mais rápido. Kiba engoliu em seco, segurando sua lança com força para disfarçar suas mãos trêmulas, ele sabia que era o mais medroso dali. O monstro também sabia, afinal, estava se divertindo com o ritmo descompassado em que o coração do jovem batia.

Kiba viu um vulto negro passando em sua frente, fazendo com que o garoto soltasse um grito e caísse sentado no chão, quase derrubando Naruto junto.

– O que foi? O que você viu? – Naruto perguntou, apontando seu arco para todas as direções.

– O monstro! Ele está aqui, vamos morrer!

No segundo que Naruto deu as costas, o monstro agarrou Kiba pela sua perna, arrastando-o para longe dali ao som do grito desesperado do garoto.

– Kiba! – Naruto gritou pelo amigo, mas ele já havia desaparecido pela floresta.

Naruto ficou divido entre correr ou ficar, decidindo por ficar, já que ele sabia que não teria chance nenhuma em uma floresta tomada pela completa escuridão. Tudo o que ele podia fazer agora era tentar se defender. O jovem restante estava completamente apavorado, sua respiração estava fora do normal e suas mãos mais geladas do que o próprio frio daquela noite.

Ele ouviu o barulho de algo rolando pela grama até os seus pés. Assim que abaixou os olhos para ver o que era, ele quase vomitou, pois estava olhando para a cabeça arrancada do seu próprio amigo, ainda jorrando sangue. Kiba estava morto.

Naruto abaixou o arco, sentindo vontade de chorar. Ele entendeu que não poderia fazer nada contra aquela criatura, estava condenado à morte. Ficou apenas esperando o momento em que sua vida seria tomada de si, assim como a de Kiba.

O monstro logo viu que o outro rapaz havia desistido de lutar. Talvez naquele momento ele sentiu um pouco de pena pelo jovem, mas ele não poderia deixá-lo ir, ainda precisava se alimentar. De um lobo, ele tomou a forma humana de um rapaz com olhos e cabelos tão escuros quanto um buraco negro. Seu manto negro cobria totalmente seu corpo, exceto a cabeça. Ele andou calmamente em direção ao jovem garoto que havia se entregado para à morte, e só quando chegou perto o suficiente, seus olhos de negros, passaram para um vermelho sangue.

O jovem humano não havia percebido a presença do homem até que este parou em sua frente. Ele viu, naqueles olhos avermelhados, que aquele homem era o próprio monstro que eles estavam caçando, o monstro que matou Kiba.

– Por que não corre, garoto? Desistiu de viver? – O homem perguntou.

– Eu posso ser um garoto, mas não sou idiota em perceber que minha vida acabou aqui. – Apesar do medo, Naruto respondeu em tom firme. – Não tenho chances de sobreviver, assim que correr, você me matará.

– Você é esperto, uma pena que eu tenha que te matar. Te desejo mais sorte na próxima vida.

O monstro exibiu suas presas, rapidamente mordendo o pescoço do jovem rapaz. Naruto gritou enquanto sentia seu sangue esvaindo de seu corpo e a sua temperatura corporal diminuindo. Iria morrer em poucos segundos à medida que o monstro tirava de si mais e mais sangue. Naruto o xingou, amaldiçoando o monstro de um dia encontrar o seu próprio fim.

Sem vida, o corpo de Naruto foi deixado ali, na clareia aberta, junto com os pertences dos dois e apenas a cabeça de Kiba. O monstro estava satisfeito, era hora de voltar para casa.

Após duas semanas, todos na aldeia já imaginavam que Naruto e Kiba estavam mortos, como sempre acontecia com quem tentava caçar a criatura na floresta. O medo agora havia se espalhando entre os aldeões de toda a região, fazendo com que o Conde tivesse que tomar outras medidas para lidar com aquele assunto. Em um discurso para o público, ele comunicou que havia pedido ajuda à Igreja, e animadamente anunciou que como um meio de ajudar, a Igreja mandaria duas Nighthunters para caçar e eliminar a besta que os assombrava.

O povo vibrou, agora esperançosos, alguns questionavam a demora em chamá-las, mas todos conheciam as capacidades sobre-humanas das Nighthunters. Elas não se comparavam a nenhum soldado ou cavalheiro, estavam acima deles. Eram especiais, forjadas desde criança unicamente para combater criaturas da noite nas quais o homem comum não tinha conhecimento e nem a capacidade de lutar contra. Elas existem desde a criação da Igreja, livrando os homens de todos os males.

Um mês depois, mais três pessoas já haviam desaparecido pela região. Os moradores ficavam cada vez mais assustados e com medo de saírem de suas casas à noite. Mas foi em uma dessas noites que as duas Nighthunters finalmente haviam chegado no local. Elas vestiam suas roupas de batalha – um couro de cor escura, feito de material especial e maleável o suficiente para que grudasse em seus corpos sem atrapalhar seus movimentos, deixando apenas a cabeça visível. Usavam por cima da roupa um manto negro que possuía um capuz, e na cintura uma bolsa com diversos tipos de armas letais para qualquer tipo de criatura que encontrassem –, estavam prontas para enfrentar qualquer perigo que seja, desde vampiros a monstros e lobisomens, elas não tinham medo de nada.

Assim que chegaram, foram recebidas pelo Conde, que as aguardava em seu pequeno castelo. Elas não eram de muitas palavras, mas precisavam descobrir que tipo de perigo estariam enfrentando nas redondezas daquele vilarejo. Pararam no meio do salão de entrada, de frente para o homem, que estava sentado em sua poltrona, majestosamente.

– Agradeço imensamente pelo trabalho de virem até aqui, senhoritas. – O homem disse, cordialmente. – Gostaria de oferecer a hospitalidade do meu castelo para passarem a noite hoje.

– Não. – Uma delas, que possuía cabelos rosados, respondeu. – Vamos começar imediatamente, nós sabemos como sobreviver na floresta.

O Conde deu um breve sorriso, não podia negar que estava surpreso em ver as Nighthunters de perto, e no quanto elas eram destemidas e dedicadas ao trabalho.

– Como quiserem. Poderiam apenas me dizer seus nomes? – O conde perguntou, olhando curiosamente para as duas.

– Sakura Haruno. – A de cabelos róseos respondeu, ela não esboçava nenhum tipo de sentimento em seu rosto.

– Karin Uzumaki. – A segunda Nighthunter respondeu, essa por outro lado, esbanjava cabelos de um ruivo tão intenso quanto o fogo, e compartilhava da mesma expressão da colega.

– Certo. – O homem se levantou. – Sou o Conde de Târgoviște, Sasuke Uchiha. Vocês estão enfrentando um possível vampiro na região da floresta, não muito longe da aldeia. Darei suporte caso precisem de algo, fiquem à vontade.

Elas fizeram uma pequena reverência ao Conde, partido dali logo em seguida em direção à floresta. Como já era noite, Sakura e Karin pegaram suas armas em mãos, já que era possível que elas encontrassem o vampiro assim que fossem adentrando na floresta. A ruiva gostava de usar duas pequenas armas de fogo, enquanto Sakura era melhor no combate corpo-a-corpo, usando suas duas adagas de prata. Improvisaram uma tocha com alguns galhos para terem mais visibilidade na escuridão e seguiram os rastros que encontraram pela mata. Elas agora estavam oficialmente em território inimigo.

As primeiras duas noites ocorreram sem nenhum problema. Não encontraram nada além de animais típicos da região, diversas ossadas das vítimas anteriores, folhas sujas de marcas de sangue velho e objetos pessoais dos cadáveres que jaziam por ali. Elas montaram um pequeno acampamento bem no centro da floresta, de onde podiam notar qualquer tipo de movimentação ao redor. A maioria das Nighthunters possuíam sentidos apurados, e uma pequena parcela delas eram agraciadas com dons ou imunidade. Sakura era uma delas, uma Nighthunter especial que possuía imunidade à alguns tipos de poder que algumas criaturas possuíam, além de ser a mais forte em questão de força bruta. Ela era tão forte que era capaz de partir um homem ao meio com as próprias mãos. Karin, por outro lado, ainda era considerada inexperiente e não tinha nenhum dom ou imunidade em particular, fazia apenas 50 anos que ela foi considerada apta para lutar, enquanto sua mentora e dupla já estava na ativa há quase 300 anos. Quanto mais velha a caçadora era, mais forte ela ficava, e apesar de terem nascido como humanas, eram de uma raça diferente criada especialmente pela Igreja, visto que, elas não envelheciam com o passar do tempo. Fieis à Igreja, vivem por ela e morrem somente por ela. Esse era o lema das Nighthunters.

Já era o terceiro dia naquele local. O sol já estava se pondo e a noite começava a mudar o ambiente da floresta para algo mais hostil. Seus olhos já haviam se acostumado com a pouca iluminação, sendo dispensável o uso de uma tocha. Como de costuma, as duas puseram suas armas em mãos, já que a noite é sempre a hora mais perigosa. Sakura e Karin estavam caminhando por umas das trilhas, patrulhando juntas a região, quando ouviram o uivo de um lobo à distância.

– Ótimo, agora temos que lidar com lobos também. – Karin reclamou.

Sakura levantou levemente a cabeça, cheirando o ar em volta.

– Não é um lobo, Karin. É o vampiro, tem cheiro de morte. – A rosada apertou com força as adagas em sua mão.

– Vampiros que viram animais? Isso não é comum, certo?

– Não, só vampiros especiais possuem esse dom. Cuidado, é um vampiro de linhagem pura.

O corvo curioso, que agora acompanhava a aventura das duas caçadoras, grasnou de uma das árvores, dando um susto na ruiva, que xingou baixinho a ave maldita. Karin não conseguia esconder que estava nervosa, era a primeira vez que encontrava um vampiro especial. Ela deixou suas duas armas no ponto para atirar, pois mesmo sendo um vampiro incomum, tinha certeza que suas balas de prata podiam afetá-lo. As duas olhavam em volta, sem sinal de qualquer perigo próximo. Sakura sugeriu que elas voltassem para o acampamento, e assim começaram a fazer.

– Está ouvindo isso? – Sakura interrompeu a caminhada, alertando à companheira para que prestasse atenção ao redor. Karin se concentrou no que seus ouvidos captavam além do som das árvores balançando e das cigarras cantando. Então ela se deu conta do que Sakura estava dizendo, pois bem distante, era possível ouvir o som de um animal grande correndo a toda velocidade até onde elas estavam. Karin não teve dúvidas, com certeza era o vampiro em forma de lobo. O vampiro havia pego o rastro delas, agora não adiantaria correr, a única opção é lutar.

– Me dê cobertura. – Sakura deu a ordem.

Imediatamente, Karin subiu com um pulo em uma das centenas que árvores que haviam ali, ficando à uma distância segura para que pudesse atirar no coração do vampiro quando Sakura o pegasse. A rosada, por outro lado, assumiu sua postura de batalha com as duas adagas em frente ao corpo, enquanto seus olhos miravam em todas as direções possíveis, para evitar um ataque surpresa. O som dos passos do lobo se tornou mais alto e pesado, diminuindo a velocidade à medida que se aproximava da caçadora que o aguardava ali. Subitamente, tudo ficou em silêncio. As cigarras pararam de cantar e as árvores deixaram de se mover com a ausência do vento. O crepúsculo cada vez mais dava lugar à escuridão que começava a reinar ali. Sakura tinha que matá-lo antes que a noite entrasse por completo.

A garota de cabelos rosas viu, por entre os arbustos, os olhos da criatura que a fitavam. Eram de um vermelho intenso, da cor do sangue. O vampiro em forma de lobo a olhava com uma intensa ganância que ele julgou ser inexplicável. Para ele, aquela garota tinha algo de especial que o chamava a atenção. Ele a queria para si, pois naquele momento, ele sabia que ela seria a única que conseguiria sanar o seu mais profundo desejo.

Sakura manteve seus olhos em contato com o vampiro, ela colocou rapidamente uma de suas adagas em sua boca e com a mão livre, levou-a até as costas fazendo um sinal para que a ruiva soubesse da localização do monstro. O lobo viu uma brecha e sumiu, saltando para cima de Sakura em uma velocidade surpreendente. Antes que ele a pegasse, ambos ouviram o tiro de disparo da arma de Karin, no qual pegou uma das patas dianteiras do lobo de raspão. Logo em seguida, Sakura desviou, pegando-o pela cauda e jogando-o com força contra o tronco de uma árvore. O lobo caiu no chão, atordoado. No momento em que Sakura pegou seu punhal de carvalho para cravar no coração do lobo, Karin inesperadamente apareceu ao seu lado, comemorando a vitória.

– Boa! Pegamos ele fácil! – Ela se gabou.

Sakura arregalou os olhos, o que ela estava fazendo ali? Ela não tinha avisado e nem dado nenhum sinal para que a ruiva saísse de posição!

– Karin, não olhe! – Sakura gritou, mas era tarde demais. O vampiro abriu os olhos no momento em que Karin olhou para ele, pegando a ruiva no seu controle mental.

Sakura entrou em desespero, por um erro idiota sua parceira estava condenada. A sua única opção era matar o vampiro para libertá-la do controle mental, mas assim que ela deu as costas para encarar o rosto de Karin, o lobo sumiu de onde estava.

Num piscar de olhos, Karin colocou sua arma contra a própria cabeça, atirando em seguida. Seu corpo caiu aos pés da companheira.

– Não!! – A garota berrou, sem chances de salvá-la.

A risada do vampiro podia ser ouvida pelo ambiente.

– Interessante, então você não é afetada. – Ela ouviu o vampiro dizer, agora em forma humana. Sakura olhava em volta, mas não conseguia ver onde ele estava, apenas escutar sua voz. Ela posicionou suas adagas em modo de defesa. Ele era diferente de qualquer outro vampiro que ela tenha enfrentado.

– Onde está, maldito? – Ela rosnou. – Eu vou te matar!

– Eu não pretendo morrer tão cedo, Sakura. – Ele respondeu, sua voz parecia que vinha de todos os lugares. – E você vem comigo.

Com sua velocidade sobre-humana, o vampiro parou em frente à caçadora que restava. Sakura ficou surpresa ao ver o vampiro em sua forma humana, mas isso não impediu que ela desviasse do golpe em sua cabeça que ele desferiu. Os dois lutaram por alguns minutos, deixando um rastro de destruição pelo local. O vampiro não imaginava que Sakura seria forte e seria rápida o suficiente para se equiparar à sua própria força, deixando a batalha mais difícil do que ele imaginara. Sakura, no entanto, começou a ficar esgotada antes que conseguisse derrubar o vampiro, e isso era ruim, significa que ela teria o mesmo fim que a sua parceira. O monstro, mesmo machucado, ainda era ligeiramente mais forte do que a caçadora, dando-lhe uma pequena vantagem. Se fosse um vampiro comum, teria sido fácil para ela, mas, infelizmente, ele era especial. Ele agarrou o pescoço de Sakura em suas mãos e a prensou numa árvore, restringindo a entrada de ar nos seus pulmões. Sakura se debatia, na esperança de conseguir se soltar, mas já estava fraca, machucada e sem forças. Não demorou muito para que ela, enfim, perdesse a consciência. Quando Sakura acordou, ela se viu em um quarto parcialmente escuro, que não possuía nada além da cama na qual estava deitada. Ela tentou se mover, mas estava presa pelos pulsos em correntes que saíam da parede atrás dela. Correntes essas que ela julgou serem especiais, pois nem com a sua força monstruosa ela conseguia se libertar. Olhou para seu corpo e reparou que suas roupas haviam sido trocadas, agora, usava apenas um vestido branco de tecido simples, que chegava pouco abaixo do joelho. Logo quando pensou na fome que estava sentindo, a porta do quarto se abriu e uma criada de cabelos loiros e olhos azuis adentrou no quarto, ajudando Sakura a se alimentar. Sakura tentou conversar com a garota, mas a mesma não dizia uma palavra. Assim que a refeição terminou, a criada saiu, deixando Sakura sozinha novamente.

A jovem caçadora viu pela fresta da janela quando a noite caiu. Não demorou muito para que a porta se abrisse novamente, dessa vez, revelando o vampiro que a estava mantendo ali. O homem fechou a porta atrás de si e se aproximou de Sakura, estava com uma expressão satisfeita no rosto, pois ele havia conseguido o que queria.

– Sasuke! Seu maldito, eu vou te matar pelo o que fez! – Sakura esbravejou, tentando se soltar das correntes.

O vampiro, que agora não precisava esconder sua identidade, soltou uma risada alta.

– Eu admiro sua determinação, Sakura. – Ele se aproximou do rosto da garota, seus olhos agora estavam num tom totalmente escarlates. – Mas agora você está em minhas mãos para cumprir o meu desejo, e se você não for útil, farei questão de matá-la com minhas próprias mãos.

Num movimento rápido, Sasuke subiu em cima dela e mordeu o pescoço da garota, que gritou de dor assim que sentiu os caninos afiados rasgando sua pele. Ele bebeu seu sangue até que ficasse satisfeito. Era difícil para ele se controlar, visto que o sangue dela tinha um sabor completamente diferente e viciante. Ele também não tinha a intenção de transformá-la, precisava que ela permanecesse humana.

Durante um mês, todas as noites, ele mordia Sakura em várias partes de seu corpo. Sasuke queria que ela perdesse as esperanças, que ela parasse de lutar e se rendesse a ele. Para Sakura, tudo não passava de uma tortura, mas toda vez que ele a mordia, ela se lembrava do seu treinamento como caçadora, e nada poderia ser pior do que seus dias de treino. Ela poderia aguentar aquilo pelo tempo que ele quisesse.

Pelo menos era isso que ela pensava.

Em uma das noites, já se sentindo fraca pela falta que seu sangue fazia em seu corpo, Sakura teve a pior noite de sua vida. Naquela noite, Sasuke não apenas bebeu seu sangue, como também abusou da sua honra como uma mulher pura. E infelizmente, aquela noite foi apenas a primeira de muitas.

Aquele era o pior cenário que ela poderia imaginar. Sakura se devotou de corpo e alma à Igreja, jurou para sempre se manter casta e apenas cumprir com o seu dever. Agora, ela não só se sentia arrasada e violada, como também se sentia um completo fracasso por ter falhado em sua missão. A Igreja nunca a aceitaria de volta.

Foi assim por quase quatro meses naquele quarto vazio, mas quando Sakura já havia perdido a vontade de viver, naquele dia, algo a deu esperanças.

A criada loira de olhos azuis, na qual ela descobriu se chamar Ino Yamanaka, roubou as chaves que mantinha Sakura presa nas correntes e esperou que o Conde saísse da mansão, a fim de libertá-la daquela vida terrível.

– Aqui está. – Logo após soltar a caçadora das correntes, Ino entregou a ela a sua bolsa, na qual ainda possuía seu punhal de carvalho e um pequeno vidro de água benta. – Mate-o por todas nós, por favor.

– Obrigada, Ino. – Sakura a abraçou rapidamente.

– Eu sinto muito pelo o que está se formando em seu ventre. – Ino lamentou. – Ele tentou com todas, mas nenhuma era forte o suficiente para segurar até o fim. Por isso ele continua tentando.

– Não se preocupe, Ino. Eu vou mandá-lo de volta para o inferno.

Sakura pediu à Ino que trocasse suas roupas com as dela, para que ela pudesse enganar o olfato do vampiro e pegá-lo de surpresa assim que ele chegasse. Sakura amarrou o punhal em sua coxa, amarrou seus cabelos em um coque e improvisou um cordão para colocar o vidro de água benta pendurado em seu pescoço. Em um compartimento secreto em sua bolsa, ela pegou o seu último recurso e colocou em sua boca, guardando o pequeno objeto em baixo da língua. As duas correram em direção ao jardim nos fundos do castelo, pois Sakura já tinha pensado em um plano. Ela instruiu que Ino ficasse deitada, escondida entre os arbustos, para que Sasuke pensasse que Sakura havia escapado. Enquanto isso, Sakura fingiria ser a loira, esperando o momento certo para atacá-lo por trás.

Pelo entardecer, assim que Sasuke pisou no castelo, ele percebeu que algo estava errado. O cheiro de Sakura não estava mais na torre onde ela deveria estar. Ele a procurou pelo castelo, seguindo seu rastro e o perdendo por diversas vezes até que finalmente a encontrou. Sasuke estava se perguntando por que diabos ela estava no jardim. Talvez ela tenha tentado escapar, mas acabou desmaiando no caminho? Ele pensou na criança, e imediatamente foi atrás da garota. Por centenas de anos, o vampiro almejou ter uma prole do seu sangue, um herdeiro para o seu clã que governava junto com o diabo. No começo, ele foi cauteloso, mas após tantas tentativas falhas, Sasuke ficou obcecado pelo sucesso, sem se importar em quantas vítimas precisaria fazer para realizar seu desejo. E agora que havia encontrado uma mulher compatível, não iria desistir dela e do seu filho.

Sakura viu o momento em que o vampiro andou em direção à Ino, estava escondida em cima de uma árvore, de modo que ele não tivesse visão da parte superior de seu corpo. Sakura coletava maçãs da árvore e jogava uma cesta abaixo dela, estava apenas fingindo ser uma criada coletando frutas.

Sasuke estava tão imerso em pensamentos, que ele mal reparou na outra presença que havia acima da árvore na qual ele estava passando perto. Ele ignorou, já que tinha o cheiro de umas das suas criadas. Seu objetivo agora ela levar Sakura de volta para o quarto.

Assim que ele passou por ela, Sakura pegou o seu punhal e desceu da árvore em um pulo rápido o suficiente para que ele não conseguisse reagir. Ela enfiou o seu punhal com toda a sua força nas costas do vampiro, acertando-lhe no coração. Sasuke ficou surpreso quando viu a ponta do punhal saindo do seu peito, grunhindo de dor logo em seguida. Ele caiu de joelhos, e com uma de suas mãos, tirou o punhal que Sakura havia deixado preso em seu corpo.

Ela gritou o nome de Ino e correu em direção à jovem, crente que o vampiro estava à beira de sua morte. As duas se olharam, ainda distantes, mas antes que Sakura pudesse chegar perto da loira, ela viu o momento em que Sasuke, em sua forma de lobo e tão rápido quanto um relâmpago, pulou no pescoço de Ino, matando-a instantaneamente. Sakura ouviu o exato momento em que as vértebras da jovem criada fizeram um som de crack. A caçadora desviou os olhos daquela cena. Ino estava morta por sua causa.

Por que ele não morreu? Era para ele estar morto! Sakura pensou, frustrada.

Sasuke, por outro lado, estava furioso com a tentativa ousada da rosada em matá-lo pelas costas. Ele a agarrou pelo braço antes que ela de fato fugisse. Sakura lutou, mas suas forças não se equiparavam mais à sua antiga forma. Foi dominada facilmente pelo vampiro, que a levou novamente para a torre em que ficava o seu quarto. Outra vez, teve que ser acorrentada e trancada naquele local.

Apesar do fracasso do seu plano, Sakura ainda tinha mais uma carta na manga: a pílula venenosa que ela mantinha em sua boca. Era um veneno especial, que durava até um dia no corpo do caçador e matava qualquer vampiro que sugasse seu sangue. Era sempre considerado como uma última opção entre os caçadores, pois a pílula não só matava os vampiros, como também quem a tomasse.

Era o seu último recurso, mas tinha um problema: Sasuke havia dito que não mais se alimentaria dela, para não interferir na gestação da criança. Sakura tinha que dar um jeito de fazer com que ele tivesse contato com pelo menos uma gota do seu sangue, em um prazo de vinte e quatro horas após ela tomar a pílula mortal.

Alguns dias depois da tentativa falha de matá-lo, Sakura estava sentada em sua cama, vendo os primeiros raios de sol entrarem pela única janela do quarto. Ela ficou observando o pequeno corvo que havia pousado bem na sua janela. Os dois trocaram olhares por alguns minutos, mirando fixamente um para o outro. Naquele momento, o corvo sentiu que Sakura invejava a sua liberdade de poder voar para longe quando quisesse. E foi ali que ela decidiu que acabaria com tudo de uma vez por todas.

Sakura engoliu a pequena pílula venenosa. Agora só precisava levar Sasuke junto consigo para a morte.

Naquele mesmo dia, algumas horas mais tarde, Sasuke fez uma visita à genitora do seu futuro herdeiro, apenas para checar se tudo estava correndo como planejado. Assim que entrou, viu Sakura deitada na cama, com os olhos cansados e a pele pálida.

– Sasuke, eu preciso tomar um pouco de sol. – A garota implorou, com a desculpa de que seria importante para a criança.

Sasuke cedeu ao pedido dela, afinal, ele faria de tudo para que o bebê se desenvolvesse bem. Ele a soltou das correntes e a ajudou a se levantar, já que Sakura estava frágil demais para se manter de pé sozinha.

Ela se apoiou nele, e os dois subiram algumas escadas, até pararem em uma bela sacada que ficava no topo daquela torre. Sakura soltou seus longos cabelos róseos, deixando-os voarem junto com o vento e o vestido que usava. Ela fechou os olhos, sentindo o calor do sol encostar em sua pele. A garota respirou fundo o ar puro que adentrava seus pulmões, aquele era o máximo de liberdade que ela havia experimentado em meses. Um leve sorriso involuntário se formou em seus lábios, estava se sentindo viva outra vez.

Sakura olhou para o vampiro ao seu lado, ele também parecia estar aproveitando o momento, contemplando a paisagem no horizonte enquanto seus cabelos negros eram bagunçados pela forte brisa. Naquele breve momento, ela se perguntou se o destino dos dois poderia ter sido diferente se eles não fossem quem fossem. Mas ela sabia quem ele era de verdade: um monstro ambicioso e egoísta que precisava morrer de uma vez por todas.

A garota escondeu sua feição de dor quando ela mordeu sua língua com força, na intenção de deixá-la sangrar. Em um movimento inesperado, ela se colocou em frente ao vampiro, eles trocaram um breve olhar antes que ela encostasse seus lábios nos dele. O gosto do sangue de Sakura invadiu a boca de Sasuke durante aquele beijo, despertando nele o desejo incontrolável de sugá-la, só mais uma vez. Os olhos do vampiro ficaram vermelhos, e sem conseguir se conter, ele desceu seus lábios até a fina pele do pescoço da rosada, cravando seus dentes ali mesmo. Ele bebeu seu sangue por alguns segundos, antes de sentir seu corpo ardendo em chamas. Alguma coisa estava errada.

– Sakura, o que você fez?! – Ele chiou, enquanto caía no chão, se contorcendo de dor.

Sasuke não tinha como se manter de pé, estava definhando aos poucos. Suas veias assumiam uma cor preta e seu grito desesperado assolava o ambiente. Ele estava enraivecido, Sakura, aquela maldita, o havia envenenado, e estava morrendo aos poucos enquanto ela se deleitava com a cena.

Sakura se ajoelhou ao seu lado, observando o vampiro em seus momentos finais.

– Vá pro inferno, monstro. – Ela disse, com todo o seu ódio acumulado.

Em menos de um minuto, Sasuke estava morto. O vampiro especial finalmente foi derrotado.

Sakura se levantou novamente, sua roupa agora manchada com seu próprio sangue e sua boca ainda sangrava pelo corte na língua. Ela voltou a mirar o horizonte, ajeitando seus cabelos desarrumados. Fechou os olhos novamente, se sentindo, enfim, satisfeita, pois sua missão agora estava concluída. Ela subiu na beira da sacada, olhando rapidamente para o tamanho da queda livre que enfrentaria até atingir o chão. Iria morrer, de um jeito ou de outro, e morrer agonizando com o efeito do veneno não era uma das melhores opções. Ela percorreu suas memórias, desde seu nascimento até o momento atual. Pensou na Igreja, nos amigos, nas dificuldades que enfrentou e nos momentos bons que teve. Sakura colocou a mão sobre seu ventre. Mesmo que ela não tivesse tomado o veneno, a Igreja nunca a aceitaria de volta, pois estava gerando o filho de um vampiro. Mesmo que sobrevivesse, seu coração e sua alma jamais seriam os mesmos, pois ficariam com traumas profundos pelo resto de sua vida. Ela, por outro lado, também não queria dar à luz a aquela criança e a morte era a única solução, mas ela só morreria depois que levasse o monstro que fez isso com ela primeiro.

Ela respirou fundo uma última vez, preenchendo seus pulmões e sentindo seu rosto começar a queimar pela luminosidade do sol.

"É hora de dizer adeus" Ela pensou.

E assim que seus olhos se fecharam, a Nighthunter se jogou da torre."

– E aí, gostaram? – O homem perguntou aos jovens, assim que terminou de contar sua história.

Algumas garotas tinham lágrimas nos olhos, e muitos permaneceram calados, sem saber o que dizer. Inclusive a professora.

– Quem te contou essa história, moço? – Uma das garotas perguntou.

– Qual o seu nome? – Outro jovem se manifestou.

O homem se levantou, quase pronto para ir embora dali.

– Pode me chamar de Itachi Uchiha, um mero observador.

Por um acaso, ou não, um forte relâmpago caiu perto daquele lugar, fazendo com que todos baixassem os olhos com o susto. Assim que o pessoal ergueu o olhar novamente, o homem, que se chamava Itachi Uchiha, havia desaparecido como fumaça.

A única coisa que eles ouviram, foi nada menos do que o som de um corvo a se distanciar.


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É isso ai, espero que tenham gostado, apesar do final triste kkkkk Obrigada pela leitura! 💖🥰

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