Pais... O que dizer sobre eles?

"Desde que nascemos, dependemos do amor de nossos pais para continuarmos vivos.”
É assim que acaba

Estamos no ônibus, sentadas uma ao lado da outra. Estou olhando a paisagem pela janela, enquanto Lin verifica seus novos seguidores no Instagram. Enquanto estou imersa na beleza da natureza a nossa volta, não consigo parar de pensar no que ouve ontem a noite. Quando menos espero, ouço Lin me chamar:
- Ei, já decidiu se vai comigo a festa?
- Não, ainda não. - falo, com a atenção voltada ainda para a janela.
- Vamos, prometo que vai ser legal. Eu chamei alguns amigos, vai que você se interes...
Eu a interrompi nesse instante.
- Eu já falei que não quero saber de garotos!- exclamo, dessa vez olhando em seus olhos.
Ok, só queria ajudar... - diz ela, dando de ombros. - Você parece irritada hoje, aconteceu algo?
- Não, não aconteceu nada. - Volto novamente a atenção a vista da janela.
Eu sei que deveria falar alguma coisa, mas não me sinto pronta em compartilhar isso com ninguém ainda.

                     ************

Assim que chegamos ao colégio, Lin vai até seu grupinho.
- Amiga, nos falamos mais tarde, ok?
- Ok. - dou de ombros e me afasto.

Enquanto escolho um lugar para ficar enquanto a aula começa, eu olho para trás e observo rapidamente Lin e seu grupo. Independente de tudo, acho ela muito forte. Mesmo com tantos problemas, ela ainda consegue sorrir.

Em seguida, olho para a frente e observo um banco vazio, ao lado de uma árvore. Me sento e abro a mochila, dela retiro meu novo livro " O cortiço". Estou maravilhada com essa obra.

- Oi, você é Aysha, não é?

  Olho para trás e me deparo com uma menina que aparenta ser um pouco mais velha que eu, ela é baixa e possui cabelos curtos, acastanhados e cacheados. Seus lindos cachos vão até a parte de seu ombro, suas luzes douradas deixam eles ainda mais bonitos. De olhos pretinhos como a cor do céu a noite, e pele morena como chocolate. Usa roupas bem largas, uma camiseta preta escrito "fuck everyone" (bem social), suas calças jeans cintura alta com aba e perna larga, da cor verde militar, seus tênis são brancos da marca "Nike". Olho para ela admirada com tanta beleza, quem me dera ter todo esse estilo.

- Oi, sou eu sim. E você é...?
- Kate. Prazer em conhecê-la. - ela da um sorriso largo. - Eu vi você lendo esse livro aí, e de longe eu conheci a capa. Também amo esse livro. É um clássico!
- Sério? Garalmente gosto de livros de de ficção científica, e fanfics. Mas ultimamente meu gosto tem mudado.
- Entendo... Afinal, as pessoas mudam né? Estamos em constante mudança, assim como o universo.
- Nossa... Bem poético. - olho pra ela por um instante, e logo após caímos na gargalhada.
  Nesse momento olho para o relógio e vejo que já está na hora da aula começar.
- Foi um prazer te conhecer, Kate. Até mais! - digo isso e pego minhas coisas, arrumo e vou direto para sala.
- O prazer foi todo meu, Aysha! - exclama ela gritando enquanto eu já estou um pouco longe.

Sinto que minha abordagem foi toda desengonçada, mas não posso evitar em ficar nervosa na frente de pessoas que não conheço.

Ao chegar na porta da sala, me deparo com Lin me fuzilando com o seu olhar.

- Então... Amiguinha nova? Quem era aquela esquisita com quem estava falando? - Diz ela, erguendo uma de suas sobrancelhas.
- Ela não é esquisita, e seu nome é Kate.
- Já defendendo? Acabaram de se conhecer.
- Vamos entrar. - digo.

  Ao final da aula, ela me chama para irmos a sorveteria.

- Que tal irmos a sorveteria do Sr. _____
- Claro, estou com fome mesmo. Simbora!
Ao chegar na sorveteria, Lin pede um sorvete de morango com calda de chocolate, e eu peço um sorvete de coco com calda de chocolate também.  Nos sentamos á mesa, quando Lin puxa assunto.

- Sha, esqueci de te contar. Ontem tive um discussão terrível com meus pais.
- De novo? - pergunto.
- Pois é, dessa vez o motivo foi por que eu não fiz as tarefas de casa e passei o dia fora. Poxa, eu sou jovem mereço um descanso. Meu irmão não faz nada, e eles não falam nada. Segundo eles, ele é homem e "homem não faz os afazeres de casa". Isso me deixou irritada, e falei um monte, falei tudo que tava entalado aqui. - ela aponta para a garganta.

- Amiga, sinto muito...
- Ainda não terminei. - disse ela. - Depois de tudo, ainda tive que escutar da minha mãe que jamais deveria ter nascido e que sou um fardo pra eles. - ela fala gesticulando com as mãos e rindo, mas em seguida seus olhos se enchem de lágrimas e o sorriso some. - ela coloca a mão sobre o rosto e os cotovelos sobre a mesa.

Nesse momento, coloco a mão sobre seu ombro e digo:

- Calma, olha você não é um fardo. Nada justifica o que ela disse, mas saiba que não é verdade. Você é a pessoa mais especial do mundo para mim. Você me ajudou quando eu estava em apuros, e não me largou mais. Claro, você tem seus defeitos, mas quem não tem? Você é inteligente, estudiosa, se esforçar e sempre oferece o seu melhor. Então a culpa é sua ou dos outros por não saberem receber o seu melhor? Você oferece tudo que tem, e eles lhe dão tudo o que tem. Você jamais vai ser um fardo, para mim. Eu confio em você de olhos fechados. Jamais, saiba, JAMAIS vou abandonar você e nunca pense que você é um fardo, por que você não é! Você é importante e jamais estará sozinha.

- Ela fica em silêncio, e me abraça.

Durante esse abraço, me pego novamente pensando em como as pessoas não se dão conta de como as palavras podem ferir alguém. Mas não ferir seu corpo, e sim sua alma. As pessoas deveriam ter cuidado, pois aquele ditado que diz que "As palavras são poderosas" é realmente verdade.


Gente... Estou um pouco sem tempo, mas vou ler a obra de todos vcs que comentam minha obra❤️

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