Cadê minha garotinha feliz?
Aviso: Este capítulo pode conter gatilhos.
"Somos uma sociedade de pessoas com notória infelicidade: solidão, ansiedade, depressão, destruição, dependência; pessoas que ficam felizes quando matam o tempo que foi tão difícil conquistar."
-Erich Fromm
Enquanto organizo toda essa bagunça na minha bolsa (e não só nela...), ouço a voz de Lin a me chamar:
- Sha... Tenho novidade!!! - diz ela dando pulinhos.
- Pode dizer. - digo me inclinando em sua direção.
- Recebi o convite para festinha da Elly. Você vai né?
Elly, é a segunda garota mais popular do colégio, eu sei que ela odeia Lin mas continua falando com ela só por status e popularidade.
- Não lembro dela me convidar. - falo em tom de ironia.
- Deixa disso, ela disse que eu poderia chamar quem eu quisesse... Então escolhi você.
- Que eu me lembre... Vocês duas se odeiam. Ou estou enganada?
- Sim, não gostamos uma da outra. Porém irei na festa dela do mesmo jeito. Porque uma coisa não tem nada haver com a outra. - diz ela, com um sorriso de canto.
- Vou pensar no seu caso.
**********
Já em casa, passo o dia pensando se vou ou não a essa bendita festa. Eu posso escolher entre passar o dia deitada, ou conhecer gente nova... Ficar em casa me parece ser uma boa opção.
Me sento ao lado da cama e decido ouvir um pouco de música. Geralmente sou bem eclética, mas nesse momento eu quero ouvir Adele. Há alguns anos atrás, eu não diria que essa era minha cantora preferida, mas com o passar do tempo, meu gosto foi mudando um pouco. Devo citar que últimamente as coisas estão bem confusas para mim, eu já não sei mais do que gosto ou não. E tudo ou é muito lento e ultrapassado ou é agitado demais e avançado.
Não só meus gostos, mas meus sentimentos também estão embaralhados demais... Confesso que estou com um pouco de medo disso, mas prefiro guardar para mim, além de me julgarem e dizer que é só uma coisa que todos passam, só iria preocupa-los á toa.
Enfim, resolvo pegar meus fones de ouvido e me deitar. Enquanto escuto " Set fire to the rain", eu fico perdida em meus pensamentos.
Eu amo demais a minha mãe, acredito que daqui a pouco ela chegue do trabalho. Então já fiz tudo e quando ela chegar, é só descansar. Sinto que preciso cuidar dela o máximo que puder.
Ainda me lembro do quanto ela era frágil nas mãos de meu pai. No começo ele bebia demais e quando chegava em casa, ele a batia. Mas não era um coisa que deixa-se marcas na pele, estava mais para puxões de cabelo, arranhões e agressões verbais.
Eu vendo aquilo, corria para separar, mas era pequena demais, então o que podia fazer, era gritar o mais alto que podia. Então ele parava. Partia meu coração vê-la naquela estado. Mas me doía mais ainda saber que ela não fazia nada para parar aquilo. E no outro dia fingiam que nada havia acontecido.
Me lembro como se fosse ontem, ele chegando e batendo fortemente á porta. Eu já sei o que viria a seguir... Ela, corre para atender a porta, e logo recebe um empurrão e vários xingamentos. Eu apenas ouço tudo escondida no canto, atrás do sofá. Quando vejo que as coisas estão para piorar, eu corro para o meio deles e começo a gritar:
-PAREM! POR FAVOR! - Grito em desespero.
Ele a solta em seguida e vai para o quarto. Eu só sei chorar, soluçar e vê se está tudo bem com ela. É tudo culpa do maldito álcool! Por isso odeio qualquer tipo de drogas. Eu poderia ser uma criança feliz, se não fosse esse inferno de bebida.
Ao me relembrar tudo que passei, sinto uma lágrima quente rolar em meu rosto. Em seguida, sinto que meu coração está acelerado e minha garganta seca. Eu me levanto e me sento a cama, coloco a mão sobre meu peito que nesse momento está doendo bastante. Nesse momento eu só quero chorar e chorar, quero gritar e colocar tudo isso para fora. Eu não quero mais sentir isso, por que isso não passa logo? Meu Deus! Minhas mãos tremem, meu estômago está embrulhado, e quando dou por mim, estou paralisada, sentada e sem reação alguma. Respiro com muita dificuldade.
Meus pensamentos estão a milhão, e eu só consigo pensar que tenho que chorar baixinho. Não quero ter que explicar uma coisa que nem eu mesma sei do que se trata. Em seguida, resolvo deitar em posição fetal e tentar me acalmar, isso até que alivia. Eu já não estou mais chorando, entretanto, me encontro ainda de olhos bem abertos olhando fixamente para a janela do meu quarto. Observando o brilho da lua e das estrelas que estão a sua volta, e quando menos espero, já não tem mais nada em minha mente. Meus olhos se encontram muito cansados, vou fechando-os aos poucos, e quando menos espero, eu me vejo adormecida.
Essa está sendo a pior fase da minha vida... Eu realmente espero que isso passe logo, não sei o que está acontecendo mas só quero que acabe!
***********
Abro meus olhos e sinto meu corpo muito pesado... Parece que um caminhão passou por cima de mim. Dificultosamente, me levanto e vou tomar um banho.
Levanto e decido me arrumar para ir a mais um fatídico dia de aula. Pego minhas coisas e vou até a sala, assim que estou prestes a pegar a chave da porta, escuto Lin gritando do lado de fora.
- Vai casar e nem me avisou do casamento? Quer que eu chame a carruagem princesa?
Meu Deus, ela não podia ser mais escandalosa?
- Estou indo! - grito ainda dentro de casa.
Tranco a porta e vamos para o ponto de ônibus, que fica a uns 500 metros da minha casa.
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